30/05/2016

O embrutecimento artístico


Quando começamos a substituir os Salmos de David pelos conselhos de auto-ajuda, e os trágicos gregos e Dante por biografias de celebridades, já não conseguimos exigir muita coisa da inteligência. E com o consequente embotamento da sensibilidade, os nossos olhos e os nossos ouvidos perdem a antiga capacidade de captar imagens e sons que dantes faziam parte do registo poderoso de uma cultura da qual ficámos, em poucas décadas, completamente órfãos.

Ângelo Monteiro in «Arte ou Desastre».

28/05/2016

90 anos: 28 de Maio de 1926


Reduzir, tal como já vimos, o movimento que instaurou a ditadura a uma "conspiração de caserna" para que a classe militar pudesse usufruir do poder, significa ignorar as razões profundas do desassossego geral, as tendências do nosso tempo, todas as fraquezas, as abdicações, as insuficiências do poder público, que estão na base daquilo que se podia chamar a crise do Estado moderno. [30 de Julho de 1930]

A garantia suprema da estabilidade da obra realizada está precisamente na reforma moral, intelectual e política, sem a qual as melhorias materiais, o equilíbrio financeiro e a ordem administrativa, ou não se podem realizar, ou não podem durar. [27 de Abril de 1935]

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

26/05/2016

Festa de Corpo de Deus


A minha carne é verdadeiramente alimento e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em Mim e Eu nele. (João 6: 56-57)

Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálix, anunciareis a morte do Senhor até que Ele venha. Por isso todo aquele que comer deste pão e beber do cálix do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. (I Coríntios 11: 26-27)

22/05/2016

Doutrina católica sobre o ensino público


Que lugar deixa a doutrina da Igreja ao Estado, no ensino e na educação? A resposta é simples: tirando certas escolas preparatórias aos serviços públicos, como por exemplo as escolas militares, o Estado não é educador nem docente. A sua função, de acordo com o princípio de subsidiariedade aplicado por Pio XI na citação acima [encíclica Divini Illius Magistri], é promover a fundação de escolas particulares pelos pais e pela Igreja, e não substituí-los. A escola pública, o princípio de um "grande projecto nacional educativo", inclusive se não é laico e se o Estado não reivindica o monopólio da educação, é um princípio contrário à doutrina da Igreja.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

20/05/2016

Salazar e a Monarquia

Imagem adaptada de N.E.O.S.

Reparem, Senhores: o pensamento político de Salazar que se denuncia nas Festas centenárias que idealizou e promoveu, que raízes tem? De que sangue se alimenta? Em que doutrinas se funda? Numa palavra, – de onde emana, o Pensamento político de Salazar?
É, porventura, da ideologia que inspirou as disposições da Constituição de 1911? É por acaso do Verbo dos agitadores da plebe da geração de 90, e das gerações suas discípulas?
É, porventura, dos princípios fixados pela Tábua dos Direitos do Homem, ou das doutrinas execráveis da Enciclopédia do século XVIII? Quem foram os mestres desse Pensamento? Rousseau e Voltaire, Lamartine e Victor Hugo? Mouzinho e Oliveira Martins? Guilherme Braga e Junqueiro? Todos nós sabemos que esses doutrinadores são antitéticos da orientação de Salazar.
Leiam-se os discursos políticos deste; interpretem-se as suas posições, não sob o ângulo da hora em que são ditas, mas à luz da crítica filosófica, e, sem dificuldades, se verá que os seus Mestres foram Maurras e Le Play, Jean Guiraud e Menendez y Pelayo, Leão XIII e Pio X, os Mestres da contra-revolução portuguesa, e Alberto Sampaio. E se, algum dia, os seus olhos se poisaram em rimas ou estrofes, para receber os eflúvios espirituais que contêm foi – nas de Camões ou Bernardes, Sá de Miranda ou Correia de Oliveira, António Nobre ou Eugénio de Castro, Guilherme de Faria ou Mário Beirão, – poetas cristãos e genuinamente portugueses e não em certos pretensos modernistas, deformadores ou falsificadores da Beleza pura e da Poesia em si.
Ora tudo isto traduz, não Revolução francesa – alma mater do Liberalismo comunizante, mas Realeza tradicional de Portugal.
Veja-se a orgânica política do Estado Novo – obra de Salazar: a Assembleia política, reduzida ao mínimo, no tempo, e nas funções; quase só consultiva e esclarecedora, é a versão actual das nossas Côrtes tradicionais; a Câmara corporativa é o reconhecimento legal dos grandes elementos tradicionais da Nação – desde a Família à Província, desde as Corporações aos ofícios; o predomínio da Autoridade, benéfico para todos, sobre a Liberdade, prejudicial para todos; o predomínio do Bem comum sobre o Bem individual; o conceito da Família primando sobre o conceito do Indivíduo; o Social preferido ao Individual; o Bem de cada um consequência do Bem de todos, em vez do Bem de todos consequência do Bem de cada um – tudo isto que é se não de origem tradicional, obra da Realeza secular da nossa terra?
E se isto não bastasse, tínhamos no princípio da reeleição presidencial sem limites, garantindo na Constituição em vigor, o reconhecimento da grande virtude da Realeza, – como adopção da minha velha lei: «a República é tanto mais perfeita quanto mais se aproximar da Monarquia, sem nunca a atingir».
Qual tem sido o grande fundamento da obra de Salazar?
A continuidade no Poder.
Há perto de trinta anos que eu formulei, diante do público, as condições essenciais de um governo fecundo: estabilidade, continuidade e homogeneidade – características específicas da Realeza hereditária.
Têm essas características sido o instrumento feliz da política de Salazar. Estabilidade: – há mais de dez anos que governa o País; Continuidade: – promete e realiza, porque a Estabilidade lho permite; Homogeneidade: – com todas as suas falhas e desvios, os elencos ministeriais têm-se, mais ou menos, adaptado ao pensamento director do Presidente do Conselho.
A sua política, quer nas directrizes de técnica constitucional, quer nos processos realistas da execução, é de pura inspiração monárquica, e anda manifestamente distante do Estado de coisas que preparou o regime de 5 de Outubro.
E Salazar, o homem profundamente nacionalista, católico como o Portugal de sete séculos; ele que proclamou D. Afonso I «fundador do nacionalismo» português; Salazar, o espírito culto e reflectido que é, não podia sonhar para os tempos novos que idealiza, para o futuro português que prepara, outros alicerces morais que não fossem os do Catolicismo, e outros alicerces políticos que não fossem os da Realeza hereditária, matriz admirável em que se criou Portugal: ou sejam – o Trono e o Altar.
Portugal foi durante sete séculos um Estado hierarquizado, vertebrado – imagem do Homem ou imagem de Deus: um pensamento a mandar; órgãos a executar; e o corpo a obedecer.
Só assim o Rei D. Afonso I pôde fundar Portugal, e o Rei D. João IV pôde restaurar a sua Independência.
Só assim Portugal pôde realizar a grande obra de seus descobrimentos e do seu Império.
Pulverizem a Autoridade de um só; invertam as funções, e ponham o dirigente à mercê dos votos ou caprichos dos dirigidos – e nem Portugal se teria fundado, nem Portugal se teria restaurado, nem o Império português se criaria.
Como podia Salazar inspirar-se no Portugal acéfalo ou anárquico, invertebrado e catastrófico da Demência parlamentar e liberal que a Revolução de 1820 introduziu entre nós, e a de 5 de Outubro consagrou, se tudo nele é propósito realizador, dentro do mais estreme nacionalismo?

Alfredo Pimenta in «A Fundação e a Restauração de Portugal», 1940.

§

Nota: Alfredo Pimenta caiu num certo intelectualismo ao dar a entender que Salazar apenas foi quem foi, porque leu determinados autores. Seria mais justo dizer que Salazar, apesar de ter lido certos autores, herdou um espírito, uma moral e uma mentalidade que era típica no Portugal rural daquela época.

16/05/2016

O mundo e a mediocridade

Andar na corda bamba.

O mundo gosta do que é medíocre, e assim é que tanto odeia o que é extremamente bom, como o que é demasiadamente mau. O que é muito bom, constitui vergonha para o medíocre, e o que é muito mau afigura-se-lhe aborrecimento e até perigo.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz».

14/05/2016

Verdade inconveniente ou mentira reconfortante?


Só a verdade liberta...

Tenham paciência, mas acho que é muito mais útil uma verdade, ainda que amarga e agressiva, do que um engano saboroso e consolador e, se as pessoas estão verdadeiramente interessadas neste processo de libertação, um dia verão que só a verdade o pode servir.

António Alçada Baptista in «Peregrinação Interior: Reflexões sobre Deus».

13/05/2016

Sobre a oração de Fátima


Quanto à oração ensinada por Nossa Senhora aos pastorinhos, a 13 de Julho, é referida, pela primeira vez, no dia 8 de Setembro de 1917, pelo Dr. Carlos de Azevedo Mendes, numa carta à sua futura esposa, Maria dos Prazeres Courinha: "A oração que dizem a Senhora lhes ensinou é simples; é a seguinte: 'Ó meu Jesus perdoai-me. Livrai-me do fogo do inferno. Levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem'. Queres maior simplicidade? Achei interessante que a Senhora a tivesse ensinado, mas não lhes recomendasse que a rezassem" (DCF I, Doc. 55, de 8 de Setembro de 1917, p. 392). É estranha esta afirmação do Dr. Mendes, porque, poucos dias depois, a 27 de Setembro, no seu primeiro interrogatório, o Dr. Formigão perguntou se Nossa Senhora tinha ensinado alguma oração e Lúcia responde: "Ensinou, e quer que a recitemos, depois de cada mistério do rosário": 'Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem' (DCF I, Doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, p. 61). O Dr. Formigão escreveu-a também num papelinho, exactamente na mesma forma, excepto: 'e aquelas que mais precisarem' (DCF 1, Doc. 8, de 27 de Setembro de 1917, p. 69). No dia 5 de Janeiro de 1922, Lúcia, já no Instituto de Van Zeller (Asilo de Vilar), no Porto, fez o seu primeiro escrito sobre as aparições. Sobre a aparição de Julho de 1917, há poucas novidades, relativamente ao que ela tinha dito em 1917, e sobre o segredo, escreveu: "Em seguida, confiou-nos algumas palavrinhas, dizendo-nos: Não digam isto a ninguém, só o podem dizer ao Francisco" (DCF III, 3, Doc. 685 de 5 de Janeiro de 1922).

Sob o pseudónimo de Visconde de Montelo, o Dr. Formigão escreveu, em 1918 e 1919, no jornal "A Guarda", uma série de artigos que intitulou "Os episódios de Fátima". Não chegou a publicar, nessa altura, a oração recolhida por ele, em Setembro de 1917. Mas, em Junho de 1921, escreveu um opúsculo, com o título, Os episódios maravilhosos de Fátima. Na página 12, colocou esta nota: "Reproduzo este interrogatório dos videntes, sem alteração de uma vírgula, exactamente como o redigi, no dia 29 de Setembro de 1917, em face das notas tomadas". Apesar desta afirmação, modificou a segunda parte da oração, com sentido diferente: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e aliviai as almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas". Por este opúsculo e sobretudo pela obra, As grandes maravilhas de Fátima (1927), a fórmula modificada foi substituindo a primitiva, que era pouco conhecida. Deve-se ao escritor Antero de Figueiredo a reposição da fórmula primitiva, depois de interrogar a Irmã Lúcia e ter contactado com D. José Alves Correia e com o próprio Dr. Formigão, na sua obra, Fátima: Graças, Segredos, Mistérios, editada em Novembro de 1936: "Esta é a verdadeira oração ensinada pela Virgem Santíssima à Lúcia. A que anda impressa foi alterada por quem a editou, com certeza no bom intuito de a tornar mais acessível e mais conforme às fórmulas teológicas das preces em sufrágio das almas do Purgatório" (Ob. cit., nota 1, p. 369). A 18 de maio de 1941, a Ir. Lúcia explicava ao Pe. José Bernardo Gonçalves, seu confessor em Espanha, que a jaculatória tinha sido modificada, "fazendo a última súplica pelas almas do Purgatório, porque diziam não entender o sentido das últimas palavras; mas eu creio que Nossa Senhora se referia às almas que se encontram em maior perigo de condenação; foi esta a impressão que me ficou, e talvez que a V. Revª lhe pareça o mesmo, depois de ter lido a parte que escrevi do segredo e sabendo que no-la ensinou a seguir, em a 3ª [aparição], Julho" (Memórias e cartas da Irmã Lúcia, introdução, notas e tradução inglesa pelo Pe. Dr. António Maria Martins, S. J., Porto, L. E., 1973, p. 442 (fac-simile) e 443 (transcrição em português). E na Terceira Memória, redigida a 31 de Agosto de 1941, explica ao Senhor Bispo de Leiria a sua interpretação sobre a jaculatória, na sua forma primitiva: "Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, compreenderá porque a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação" (Memórias, III, 3). Na Quarta Memória, a Irmã Lúcia transcreve duas vezes a oração, segundo a fórmula primitiva, com pequeníssimas variantes (Memórias, IV, I, 16 e II, 5). A 23 de Junho de 1944, D. José, Bispo de Leiria, autorizava a publicação e indulgenciava duas "orações que podem ser intercaladas nos mistérios do rosário". A decisão de publicar as duas versões, praticamente ao mesmo nível de valor, embora com o esclarecimento de que a primeira "foi ensinada por Nossa Senhora à Ir. Lúcia, vidente de Fátima" ("Voz da Fátima", 22 (262), 13 Jul. 1944, p. 4, col. 4), não ajudou a impor, como fórmula única, aquela que era mais aceitável, em razão da sua origem. Durante algum tempo, verificou-se uma certa hesitação, mas, a pouco e pouco, foi-se deixando de usar a fórmula que refere "as almas do Purgatório".

Cónego Luciano Cristino in «A terceira Aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria em 13 de Julho de 1917».

11/05/2016

A igualdade é um falso deus


A igualdade – fim social é, não só, contra naturam, mas também, logicamente, um absurdo; para que o não fosse, seria preciso, primeiro, que o indivíduo fosse o fim da sociedade, segundo, que a igualdade fosse o fim do indivíduo; ora o fim do indivíduo pode ser a sua utilidade, o seu bem; mas como a igualdade?
O conceito de igualdade encerra mesmo dois absurdos – a negação das desigualdades e a negação das diferenças; com efeito os elementos sociais ou são comparáveis e neste caso desiguais, ou incomparáveis e nesse caso diferentes. A sociologia igualitária radicalmente desconhece os dois aspectos e, assim, por um lado, nivela superior e inferior (destruição da aristocracia, do escol, do bom gosto, etc.) e por outro lado considera idêntico o que é diferente (estabelecendo artificialmente um tipo único de homem, estereotipado pela uniformidade do critério teórico ou legislativo, sem atenção às diferenças [legítimas] do tempo, local, nação, etc.).

José Pequito Rebelo in «Pela dedução à Monarquia».

09/05/2016

Temos de ser mente aberta?


Eu estou incuravelmente convencido que o objectivo de abrir a mente, como o de abrir a boca, é voltar a fechá-la perante algo sólido.

G. K. Chesterton in «Autobiografia».

07/05/2016

Rios de Sangue


Enoch Powell, no seu discurso de 1968 Rivers of Blood, avisou para os perigos de uma política de portas abertas à imigração. No entanto, muitos preferiram apelidá-lo de louco, extremista e exagerado. Mas eis agora os frutos da cegueira dos seus detractores:

06/05/2016

O ateísmo é ilógico


Testemunho de um ateu que se converteu ao Cristianismo:

O meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha recta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto? Se o espectáculo inteiro era mau do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, podia ter uma reacção assim tão violenta? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. E claro que eu poderia ter desistido da minha ideia de justiça dizendo que ela não passava de uma ideia particular minha. Se procedesse assim, porém, o meu argumento contra Deus também desmoronaria – pois depende da premissa de que o mundo é realmente injusto, e não de que simplesmente não agrada aos meus caprichos pessoais. Assim, no próprio acto de tentar provar que Deus não existe – ou, por outra, que a realidade como um todo não tem sentido –, vi-me forçado a admitir que uma parte da realidade – a saber, a minha ideia de justiça – tem sentido, sim. Ou seja, o ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido – do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado.

C. S. Lewis in «Cristianismo Puro e Simples».

04/05/2016

Dívida pública e democracia


A dívida pública portuguesa aumentou para 233 mil milhões de euros (140,2% do PIB). E por mais que tentem escamotear, é evidente que o problema da dívida pública está intimamente ligado com a democracia. Sempre que Portugal esteve sujeito a regimes baseados no voto popular e nos aparelhos partidários (e na maçonaria que os domina), a dívida pública aumentou em termos absolutos. Porquê? Porque uma dívida pública elevada serve o propósito de tornar os Estados prisioneiros da Banca.

Pela análise do gráfico que relaciona a dívida pública em função do PIB no período 1850-2010, é possível constatar que só na Ditadura Militar/Estado Novo tivemos uma redução da dívida pública em termos absolutos, chegando a uns notáveis 13% do PIB. Já nos regimes demo-liberais, a dívida pública teve sempre tendência para aumentar ou estagnar em valores astronómicos.

30/04/2016

Para onde foi a riqueza acumulada no Estado Novo?


No dia 19 de Julho de 2011 o jornal "Público" divulgava a seguinte notícia:

Nas últimas três décadas, mais concretamente de 1974 a 2006, Portugal desfez-se de mais de metade das suas reservas de ouro, amealhadas durante o Estado Novo. Nesse período de tempo, o total de reservas passou de 865,9 toneladas, em 1974, para 382,5 toneladas em 2006.
As vendas iniciaram-se após o 25 de Abril, numa altura em que o primeiro recurso utilizado foi as divisas acumuladas, recorda o economista Silva Lopes. Em apenas três anos, foram vendidas mais de 100 toneladas. Seguiram-se cinco anos de alguma contenção, mas em 1983 o país não tinha quem lhe emprestasse dinheiro e, antes do apoio do Fundo Monetário Internacional, recorreu ao ouro como garantia de empréstimos bancários de curto prazo. A amortização desses empréstimos foi feita através da venda de ouro. Nos quatro anos entre 1983 e 1987 foram vendidas 63 toneladas.
As reservas mantiveram-se estáveis na década que passou entre 1987 e 1997, iniciando uma descida significativa a partir daí. Entre 1998 e 2006 Portugal vendeu 242 toneladas de ouro, reduzindo as reservas para as actuais 382,5 toneladas. O Banco de Portugal justificou essas vendas como gestão de activos, para aproveitar a subida do preço do ouro nos mercados internacionais. Entretanto, nos últimos cinco anos, Portugal não vendeu ouro.

28/04/2016

28 de Abril: aniversário de Salazar


Um moralista deixou escrito: Deus nos dê o sábio para nos ilustrar, o santo para nos edificar, o homem prudente para nos governar. O autor encontrara no seu bom senso a verdade política que a experiência humana tem inteiramente consagrado.

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

26/04/2016

Maré sem refluxo


O espírito do mundo, o "consenso" geral, o relativismo invasor, o sentimentalismo, a intolerância da "tolerância", assemelham-se a uma maré sem refluxo, que cresce sem cessar, que nos cobre, nos cala, nos afoga, até deixar-nos sem palavras.

Alberto Caturelli in revista «Gladius», nº 54, 2002.

25/04/2016

Memórias do 25 de Abril


Pela via aritmética, clamando que são eleitos pelo voto popular, vemos alçados ao poder analfabetos, traidores e desonestos que conhecemos de longa data. Alguns nem serviam para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, a deputados, a governadores civis e mesmo, quando não querem, a ministros. Quem pode governar bem um país se não tem competência nem preparação para isso? Mas os partidos ordenam que assim se proceda e o interesse nacional não reage em contrário.

Marcello Caetano, citado por Joaquim Veríssimo Serrão in «Marcello Caetano: Confidências no Exílio».

22/04/2016

As grandes linhas do mundialismo


Em linhas gerais, a Nova Ordem Mundial é um projecto de destruição a grande escala que visa:

– O governo mundial com centralização de poderes.
– A destruição da religião [católica], substituindo por uma falsa religião ecuménica mundial.
– A destruição da unidade familiar.
– A destruição das soberanias nacionais.
– A abolição do sentimento patriótico [patriotismo].
– A redução drástica da população mundial.
– O nivelamento social baixo das populações, através do dumping social.
– A destruição das tradições e das culturas.
– A dissolução das identidades.
– A miscigenação generalizada das populações, excepto do povo judeu.
– O controlo [ilegítimo] da informação.
– A abolição da propriedade privada.
– A restrição das liberdades individuais [legítimas].
– O empobrecimento da língua, que nos leva à famosa novilíngua descrita por George Orwell; linguagem SMS e erradicação progressiva da ortografia.
– A uniformização do indivíduo para conseguir um trabalhador dócil, flexível, mestiço, nómada e estúpido, porque embrutecido pela sociedade de consumo.

Estes são os pontos essenciais da mística mundialista, decidida em voltar-se contra a lei natural, a qual veremos ainda que ela junta fielmente certos escritos maiores e outras falsas religiões e espiritualidades.

Johan Livernette in «Le complot contre Dieu: Le mondialisme démasqué», 2014.

18/04/2016

Propaganda subversiva e ideologia oficial


O canal de televisão de Francisco Pinto Balsemão estreia hoje um programa que visa à alienação das inteligências e das almas. Trata-se de um caso claro de terrorismo ideológico.
Fora do arco ideológico autorizado, definido pelo território do velho humanismo igualitário e pelos dogmas da filosofia dos direitos humanos, nenhuma teoria política ou económica [ou religiosa] atrai a atenção dos meios de comunicação. Os mais brilhantes espíritos vêem-se obrigados a mutilar o seu pensamento para agradar, não à "opinião pública" que não existe, mas sim aos censores da ideologia ocidental oficial.
Guillaume Faye in «El Vacío Intelectual».

16/04/2016

Salazar e o sufrágio universal

 

Não creio no sufrágio universal, porque o voto individual não tem em conta a diferenciação humana. Não creio na igualdade, mas na hierarquia. Os homens, na minha opinião, devem ser iguais perante a lei, mas considero perigoso atribuir a todos os mesmos direitos políticos.

António de Oliveira Salazar, entrevista ao jornal «Le Figaro», Setembro de 1958.

10/04/2016

Contra o hedonismo


Precisamos combater, cerradamente, na escola, no lar, na sociedade, este preconceito erróneo e funesto de que viver é gozar. Acima do prazer, está o código do dever; acima do gozo, está a dignidade da honra; acima das sensações de prazer, estão os imperativos de consciência recta; fora do hedonismo, estão o dever conjugal, o direito dos filhos, o interesse nacional. Lutemos contra mais este entorpecente social, que é o inimigo da família e da pátria.

Marechal Philippe Pétain, citado por Frei Mansueto in «Pio XII: o Pastor Angelicus».

06/04/2016

O ideal humano da superclasse mundial


Para o sistema dominante, o homem é concebido como uma matéria-prima (dito "recurso humano"). Ele deve, antes de tudo, ser permutável para as necessidades da oligarquia mercantil. Deve portanto ter quatro características negativas:

– Não ter raízes (nem raça, nem nação, nem religião);
– Não ter um ideal: deve ser um consumidor e um produtor materialista e relativista, disposto a engolir todos os produtos lançados no mercado (incluindo os produtos bancários permitindo endividá-lo e, portanto, submetê-lo melhor);
– Não ter religião para além da do seu próprio ego, para ser mais facilmente isolado e, portanto, manipulável;
– Não ter personalidade a fim de se fundir na massa (deve por isso ser educado de forma puramente técnica e utilitária, sem cultura que lhe permita situar-se como homem livre do sistema dominante).

Jean-Yves Le Gallou in «Les convergences paradoxales de l’extrême gauche et de la superclasse mondiale».

03/04/2016

Contra o mito do absolutismo


Voltando ao tema do absolutismo, tomemos o exemplo de França:

Como bem o mostraram os trabalhos de Fustel de Coulanges, o poder de Clóvis e de todos os seus sucessores, era de facto tão absoluto como o dos reis depois de Luís XIV. Este rei, na pessoa do qual se encarna o absolutismo, não destruiu em parte alguma os estados provinciais, os quais a monarquia costumava respeitar, quando tinham bastante vitalidade.
José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Junho de 1917.

Tal como hoje em dia a esquerda acusa de "fascismo" qualquer oposição à sua direita, os liberais do século XVIII e XIX acusavam os reis de "absolutismo" como forma de os tornar odiosos aos olhos de todos, para assim melhor passar a sua mensagem revolucionária (maçónica, democrática, republicana). Foram portanto os liberais quem inventou a tese do "absolutismo", segundo a qual a monarquia do período barroco seria uma degeneração totalitária da monarquia medieval, que segundo eles era democrática. Mas como demonstrou Fustel de Coulanges, entre outros autores, não existia diferenças no poder real entre o período medieval e barroco. Fica assim mais uma vez desfeita a teoria segundo a qual estávamos perante dois tipos diferentes de monarquia. Pelo contrário, a natureza e as leias da monarquia sempre foram as mesmas, até que vieram os revolucionários e introduziram o veneno do constitucionalismo, usurpando a soberania do Rei. Contudo, o pior disto tudo é verificar que existem alguns monárquicos que se auto-intitulam como tradicionalistas, mas que seguem a mesma tese maçónica. Ora, com esses pseudo-tradicionalistas há que ter muita cautela, para que o seu erro não leve os incautos. Que ninguém se engane, numa monarquia católica, seja em França ou Portugal, sempre a soberania residiu no Rei, responsável pela governação, e cujo poder e legitimidade vinha de Deus, não do povo por meio das Cortes.

29/03/2016

Europa acorda!


A hora de hoje é confusionista e adversa. Reinam os miasmas e as várias formas de opressão. Nós somos um reduto de fiéis, uma simples minoria contra a avalanche dos bárbaros e dos guzanos, hábeis, diabólicos, aliciadores. Mas quando a dissolução e o paganismo dominavam o Império Romano (o mundo de então), a minoria cristã soube resistir e criar prosélitos e expandir-se; quando a heresia dos arianos tomou conta dos povos europeus, a minoria ortodoxamente católica resistiu e jugulou-a; quando a Península caiu, de lés-a-lés, nas mãos dos mouros, a minoria cristã, confinada a um migalho das Astúrias, resistiu e desencadeou dali a Reconquista.
Na História, nenhum estádio é definitivo, nenhuma provação é inultrapassável. Os ventos da História são pretensiosa invenção e grosseiro determinismo de quem nos quer desarmar. «O mundo só tem o sentido que nós lhe dermos», proclamou Schiller.
Lúcidos, fiéis, ardorosos, combativos – acabaremos por vencer.

Goulart Nogueira in jornal «Agora», 9 de Setembro 1967.

27/03/2016

Cristo foi imolado como nossa Páscoa


Que os cristãos soltem louvores
Ao seu Cordeiro Pascal,

Que resgatou as ovelhas:
Cristo Jesus, inocente,
Vem pôr em paz com seu Pai
As almas dos pecadores!

Um duelo singular
Travou a morte com a vida:
O Autor da vida morreu,
Mas reina agora imortal!

Podes dizer-nos, Maria,
O que viste no caminho?

– Vi o sepulcro de Cristo,
Já vivo e ressuscitado!

Vi testemunhas angélicas,
Mais o sudário e a mortalha!

Ele ressurgiu – minha esperança! –
E aguarda na Galileia.

Sabemos bem que Jesus
Já ressuscitou dos mortos:
Vós, ó Rei vitorioso,
Compadecei-Vos de nós! Ámen. Aleluia.

Sequência de Páscoa (século XI)

23/03/2016

A imigração massiva é efeito e não causa

Decadentes

É bem evidente que não resolveremos os problemas do Terceiro Mundo convidando as suas populações a vir em massa instalar-se nos países ocidentais! Ao mesmo tempo, temos que ter uma visão mais global dos problemas. Crer que é a imigração que atenta principalmente contra a identidade colectiva dos países de acolhimento é um erro. O que atenta contra as identidades colectivas é, em primeiro lugar, a forma de existência que prevalece hoje em dia nos países ocidentais e que ameaça estender-se progressivamente ao mundo inteiro. Os imigrantes não têm culpa que a maioria dos europeus já não seja capaz de dar ao mundo o exemplo de um modo de vida que lhes seja próprio! A imigração, deste ponto de vista, é uma consequência antes de ser uma causa: ela constitui um problema porque, face aos imigrantes que normalmente conservam as suas tradições, os ocidentais já decidiram renunciar às suas.

Alain de Benoist in «C'est-à-dire», 2006.

21/03/2016

Poema: Conta e Tempo


Deus pede estrita conta de meu tempo.
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta,
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...

Frei António das Chagas (século XVII)

19/03/2016

As monarquias modernas

Constitucionalistas pseudo-monárquicos.

Dizem-se constitucionais as monarquias hodiernas. Porque comportam consigo um princípio contrário à sua índole, terminam sempre numa balbúrdia inglória da rua, depois da insignificância de meia dúzia de tiros. É que o poder sobe-lhes de baixo para cima, derivado dessa heresia social e religiosa que é a concepção materialista da soberania do povo. São por isso a negação da verdadeira Realeza, que depõe na fé e na legitimidade do direito a inspiração segura do seu carácter providencial.

António Sardinha in «Ao Ritmo da Ampulheta».

16/03/2016

Não precisamos de pragmáticos


Surgiu no nosso tempo uma moda muito peculiar: a ideia de que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem pragmático. Ora, é bastante mais correcto afirmar que, quando as coisas estão a correr muito mal, do que nós precisamos é de um homem que não seja pragmático; precisamos, pelo menos, de um teórico. Um homem pragmático é um homem que só conhece a prática do dia-a-dia, o modo como as coisas habitualmente funcionam. Quando as coisas não funcionam, temos de recorrer ao pensador, ao homem que tem algum conhecimento da razão pela qual elas funcionam. É má ideia tocar harpa enquanto Roma está a arder; mas é uma excelente ideia estudar hidráulica enquanto Roma está a arder.

G. K. Chesterton in «Disparates do Mundo».

13/03/2016

Todos têm opinião sobre tudo


Hoje, pelo contrário, o homem médio tem as "ideias" mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão da vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo a sua "opinião".
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham "ideias", quer dizer, que sejam cultas? De maneira nenhuma. As "ideias" deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura.

José Ortega y Gasset in «A Rebelião das Massas».

11/03/2016

Poema para sexta-feira de Quaresma


Se sois Riqueza, como estais despido?
Se Omnipotente, como desprezado?
Se Rei, como de espinhos coroado?
Se Forte, como estais enfraquecido?

Se Luz, como a luz tendes perdida?
Se Sol Divino, como eclipsado?
Se Verbo, como é que estais calado?
Se Vida, como estais amortecido?

Se Deus, como estais como homem nessa Cruz?
Se Homem, como dais a um ladrão,
Com tão grande poder, posse dos Céus?

Ah, que sois Deus e Homem, bom Jesus!
Morrendo por Adão enquanto Adão,
E redimindo Adão enquanto Deus.

Frei António das Chagas (século XVII)

08/03/2016

Como homossexuais entraram para os seminários


As dioceses têm que ter cuidado para rejeitar aqueles que demonstram tendências para as perversões sexuais. As evidências, contudo, mostram que muitos dos psicólogos contratados para fazer a selecção [dos seminaristas] para a diocese, recusam-se a recomendar homens que se atenham ao Magistério da Igreja em matérias sexuais, especialmente em relação ao celibato do sacerdócio e à homossexualidade. Tais candidatos são chamados de sexualmente imaturos ou sexualmente disfuncionais. Assim, aqueles que abraçam o celibato sacerdotal como proposto pela Igreja e que dão evidências que não aceitam relações homossexuais como normais e aceitáveis do ponto de vista comportamental, são tratados como os que mostram sinais de perversões sexuais.

Michael S. Rose in «Goodbye, Good Men», 2002.

05/03/2016

"Fascismo" em todo o lado


Por razões de estratégia política, o marxismo militante divulgou a tese que confundia todos os movimentos políticos ou atitudes de direita, que a ele se opusessem, debaixo da mesma designação – Fascismo – até porque esta ideologia fora estrondosamente derrotada na II Guerra Mundial pelos aliados, gerando assim uma reacção primária contra os visados. Se bem que se possa entender tal atitude numa perspectiva de combate político, ela é inaceitável do ponto de vista histórico e politológico. A ciência existe para distinguir e classificar e não para baralhar e confundir.

António de Sousa Lara in «Da História das Ideias Políticas à Teoria das Ideologias».

03/03/2016

Da abdicação do papel de Pai


Arriscar-me-ia a dizer que há uma correlação directa entre um pai dominante e as animosidades dos filhos. É claro que a dominação não necessita ser brutal. Na família da minha mulher eram cinco crianças e nunca houve rivalidades odientas. O pai era um animal alfa – imbatível e incontestável chefe. Os seus avisos eram do mais moderado que se pode imaginar: "Estou realmente surpreendido que tenhas podido fazer isso". E era terrível. A hostilidade que se vê hoje entre irmãos é um fenómeno novo, particularmente observável nos Estados Unidos.

Konrad Lorenz, entrevista in «Etologia - Colectivo Nova Geração».

28/02/2016

Os actores principais da História


Tradução: «Sem os chefes, sem os santos, sem os heróis, sem os reis, a História é ininteligível.»

26/02/2016

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

25/02/2016

B'nai B'rith e o Vaticano II


Vocês sabem, e é um facto histórico publicado na ocasião pelos jornais de Nova Iorque, que o Cardeal Bea, na véspera do Concílio, foi visitar os B'nai B'rith, os "filhos da Aliança", uma seita maçónica reservada aos judeus de grande influência no mundo. Na qualidade de secretário do Secretariado para a Unidade dos Cristãos, fundado por João XXIII, ele perguntou-lhes: – Maçons, o que vós quereis? Eles responderam-lhe: – A liberdade religiosa, proclamem a liberdade religiosa e cessarão as hostilidades entre a Maçonaria e a Igreja Católica! E eles ganharam a liberdade religiosa; ela é pois uma vitória [judaico-]maçónica!

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

21/02/2016

Marxismo e Ateísmo


Marx não foi primeiro um comunista e depois um ateísta. Foi primeiro um ateísta e depois um comunista. O comunismo era uma mera expressão do seu ateísmo. Assim como odiava Deus, odiava também aqueles que possuíam propriedades. Eis o que ele escreveu: "O que o Ateísmo é para o pensamento, o Comunismo é-o para a acção social". A sua relação intrínseca explica-se deste modo: "O Comunismo principia onde principia o Ateísmo". Quando uma pessoa é desenraizada espiritualmente pelo ateísmo, fica preparada para economicamente ser desenraizada pela destruição da propriedade privada. O comunismo não nasceu do pensamento: nasceu do ódio, o ódio pelo que o homem é, um filho de Deus; e o ódio pelo que o homem possui, em especial a propriedade, garantia da sua liberdade económica. Fundi estes dois ódios e fazei com eles uma teoria, e aí tereis a filosofia comunista.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

18/02/2016

O Rei como Pai da Nação


Sendo a Nação, no seu melhor conceito, uma família extensa e permanente, na impossibilidade de a manter sob o governo do mesmo chefe, recorre-se ao benefício da hereditariedade para que o poder não sofra interrupção. Por isso o Rei representa tanto a Nação, como cada um de nós os seus antepassados. Ninguém escolhe o Rei, como ninguém escolhe o próprio Pai para lhe obedecer.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

14/02/2016

Quem está a mais?


A resposta para quem fala em excesso de população, é perguntar se essa pessoa faz parte do excesso de população; e se não faz parte, como é que sabe disso?

G. K. Chesterton in «Introduction to a Christmas Carol».

11/02/2016

Detalhes sobre Humberto Delgado

O (des)governo da República decidiu atribuir ao Aeroporto de Lisboa o nome do General Humberto Delgado, militar conhecido por ter traído e feito oposição ao Estado Novo, tornado herói pelos democratas de Abril.
Sobre a traição propriamente dita, nada direi de momento. Retomo apenas dois panfletos das eleições de 1958, que dão conta da baixa moral do General sem medo.


08/02/2016

A tirania do politicamente correcto


3ª Tese: A ideologia politicamente correcta não é apenas dominante, tornou-se também a única ideologia.
Diz-se que "o maior truque do Diabo é fazer crer que não existe". A força da ideologia politicamente correcta consiste em ter imposto a ideia que os debates ideológicos estavam ultrapassados. Mas como observou oportunamente Dominique Venner em "O Século de 1914", não vivemos numa sociedade a-ideológica, mas numa sociedade saturada de ideologia, de uma ideologia única [e falsa].
É por isso que não há mais debate ideológico nos grandes meios de comunicação social, já que os únicos que podem exprimir-se – incluindo nas páginas de "opinião" dos jornais – são aqueles que respeitam os cânones da [falsa] ideologia única.

Jean-Yves Le Gallou in «Douze thèses pour un gramscisme technologique», 2008.

05/02/2016

A inversão do espírito missionário católico


É também este falso pensamento que foi sugerido aos missionários: inicialmente não falem de Jesus Cristo a estes pobres indígenas que morrem de fome! Dai primeiro de comer, depois ferramentas, depois ensinai a trabalhar, o alfabeto, a higiene... e, porque não, o controlo de natalidade?! Mas não falem em Deus, pois eles têm o estômago vazio! Eu porém diria: precisamente porque são pobres e desprovidos de bens terrenos, eles são extraordinariamente acessíveis ao Reino dos Céus, a este "procurai primeiro o Reino dos Céus", ao Deus que os ama e sofreu por eles, para que eles participem por suas misérias, do Seu sofrimento Redentor. Se, ao contrário, vocês pretendem pôr-se no nível deles, farão eles gritar contra a injustiça e acender neles o ódio. Mas se levam Deus até eles, os levantarão, os elevarão, e eles serão verdadeiramente enriquecidos.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

02/02/2016

Os tíbios


Por cobardia ou por estupidez, levam a cabo a política dos nossos inimigos. É o inimigo que os define. E eles permitem-no. Conformam-se à imagem desenhada pelo inimigo. Acusam-nos de etnicismo, e eles desculpam-se. Acusam-nos de xenofobia, de racismo, de anti-semitismo, e eles desculpam-se. Passam a vida a desculpar-se, quais colonizados. A desculpar-se de pensar, de existir, de ser.

Pierre Falardeau in jornal «Le Québécois», Novembro de 2001.