18/08/2016

Maçonaria: escola de vulgarização e maçons sem avental


Digam aos neófitos que a Maçonaria é antes de tudo uma escola de vulgarização e aperfeiçoamento, uma espécie de laboratório onde as grandes ideias do momento vêm a se combinar e firmar, para se espalhar pelo mundo profano sob uma forma palpável e prática. Digam-lhes, numa palavra, que somos a Filosofia do Liberalismo.

Eugène Goblet d'Alviella, discurso na Loja dos Amigos Filantrópicos de Bruxelas, 5 de Agosto de 1877.


A Franco-Maçonaria pode tornar-se uma vastíssima associação, sobretudo se ela se espiritualiza, divulgando os seus princípios, sem exigir aos que os aceitam que venham tomar parte nos mistérios das lojas. Os mações sem avental são muitas vezes os melhores. Por que não favorecer a sua auto-formação?

Oswald Wirth in revista «Le Symbolisme», Outubro de 1912.

16/08/2016

A República "Francesa" contra os bons costumes

Francesas na praia (início do século XX)

A República Francesa – como revolucionária e maçónica – rejeita a moral e os bons costumes dos seus antepassados católicos.
A República Francesa – como revolucionária e maçónica – tanto promove aquilo que o Islão tem de mau, como ataca aquilo que o Islão tem de bom, ou de potencialmente bom.
Perante isto, ninguém se pode admirar que grandes e graves castigos recaiam sobre a França.

Ao longo de milénios, na nossa Civilização católica e europeia, o pudor sempre foi visto como uma virtude a desejar e a manter. Porém, hoje querem nos fazer crer que o pudor é um vício de extremistas radicais, e que nada tem a ver com a nossa civilização e cultura.

08/08/2016

Democracia directa? Não, obrigado!


Um grupo de pretensos cristãos tem vindo a apresentar a democracia directa como sendo uma ideia cristã. A esses, caso estejam de boa-fé, importa esclarecer que a democracia, seja directa ou indirecta, não é cristã. Ou tal como disse Garrett L. Gray: O Cristianismo não é democrático, e a Democracia não é cristã. A única coisa que as pessoas na Bíblia alguma vez votaram, foi a Crucificação.

07/08/2016

Os dogmáticos modernos


O mundo moderno encontra-se repleto de homens que defendem dogmas tão avidamente que nem se apercebem que são dogmas.

G. K. Chesterton in «Hereges».

03/08/2016

Os católicos mornos ou liberais

Imagem de Santo Zelo

Conheço as tuas obras e sei que não és frio, nem quente. Antes fosses frio ou quente! Mas como és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca.

Apocalipse 3:15-16

31/07/2016

Sem combate não há vitória


Aparelha-te, pois, para o combate, se queres a vitória. Sem peleja não podes chegar à coroa da vitória. Se não queres sofrer, renuncia à coroa; mas, se desejas ser coroado, luta varonilmente e sofre com paciência. Sem trabalho não se consegue o descanso e sem combate não se alcança a vitória.

Tomás de Kempis in «Imitação de Cristo».

27/07/2016

Sermão da Primeira Cruzada


Povo dos Francos, povo de além Alpes, povo – como reluz em muitas de vossas acções – eleito e amado por Deus, distinguido entre todas as nações pela posição do vosso país, pela observância da fé católica e pela honra que presta à Santa Igreja, a vós se dirige o nosso discurso e a nossa exortação.
Queremos que vós saibais do lúgubre motivo que nos conduziu até às vossas terras; da necessidade – para vós e para todos os fiéis – de conhecerem o motivo que nos impeliu até aqui.
Desde Jerusalém e desde Constantinopla chegou até nós, mais de uma vez, uma dolorosa notícia: os turcos, povo muito diverso do nosso, povo de facto afastado de Deus, estirpe de coração inconstante e cujo espírito não foi fiel ao Senhor, invadiu as terras daqueles cristãos, as devastou com o ferro, a rapina e o fogo.
Levou parte dos habitantes como prisioneiros até ao seu país, outra parte matou com infames estragos, e as igrejas de Deus, ou as destruiu até aos fundamentos, ou as entregou ao culto da religião deles.
Derrubam os altares após profaná-los imundamente, circuncidam os cristãos e espalham o sangue da circuncisão sobre os altares ou jogam-no nas pias baptismais; e àqueles que querem condenar a uma morte vergonhosa, perfuram o umbigo, arrancam os genitais, os amarram a um pau e, chicoteando-os, levam-nos pelas ruas, para que com as vísceras de fora, acabem caindo mortos prostrados por terra.
Outros se servem deles como alvo de flechas após amarrá-los a um pelourinho; a outros, após obrigá-los a dobrar a cabeça, atacam-nos com espadas e tentam decapitá-los de um só golpe.
O que dizer da violência nefanda praticada com as mulheres, sobre a qual é pior falar do que calar?
O reino dos gregos já foi atingido tão gravemente por eles e tão perturbado na sua vida diária, que não pode ser atravessado sequer numa viagem de dois meses.
A quem, pois, cabe o ónus de vingá-lo e de reconquistá-lo se não a vós a quem Deus, mais de que aos outros povos, concedeu a insigne glória das armas, grandeza de alma, agilidade de corpo, força para humilhar a fundo aqueles que a vós resistem?
Que a gesta dos vossos antepassados vos mova, que excite as vossas almas a actos dignos dela, a probidade e a grandeza do vosso rei Carlos Magno e de Luís, seu filho, e de outros soberanos vossos que destruíram o reino dos pagãos e até eles estenderam os confins da Igreja.
Sobretudo que vos incite o Santo Sepulcro do Senhor, nosso Salvador, que está nas mãos de gentes imundas, e os lugares santos, que agora estão por eles vergonhosamente possuídos e irreverentemente profanados com a sua imundície.
Ó soldados fortíssimos, filhos de pais invictos, não vos mostreis decadentes, mas lembrai-vos da coragem dos vossos predecessores; e se vos segura o doce afecto dos filhos, dos pais e das consortes, atentai para o que diz o Senhor no Evangelho: "Quem ama o pai ou a mãe mais que a Mim, não é digno de Mim. Todo aquele que deixar seu pai ou sua mãe, ou a mulher ou os filhos ou as terras por amor de Meu Nome receberá o cêntuplo nesta terra e terá a vida eterna".
Não vos detenha o pensamento de alguma propriedade, nenhuma preocupação pelas coisas domésticas, pois esta terra que vós habitais, circundada por todo lado pelo mar ou pelas montanhas, ficou estreita para a vossa multidão, não é exuberante de riquezas e apenas fornece do que viver a quem a cultiva.
Por isso vós vos ofendeis e vos hostilizais reciprocamente, vós vos fazeis guerra e com frequência vos matais entre vós mesmos.
Cessem, pois os ódios intestinos, apaguem-se os contenciosos, aplaquem-se as guerras e sossegue toda a discórdia e inimizade.
Empreendei o caminho do Santo Sepulcro, arrancai aquela terra àquele povo celerado e submetei-la a vós: ela foi dada por Deus em propriedade aos filhos de Israel [=cristãos]; como diz a Escritura, nela correm rios de leite e de mel.
Jerusalém é o centro do mundo, terra feraz por cima de qualquer outra quase como um paraíso de delícias; o Redentor do género humano a tornou ilustre com a Sua vinda, a honrou com a Sua passagem, a consagrou com a Sua Paixão, a redimiu com a Sua morte, e a tornou insigne com a Sua sepultura.
Exactamente esta cidade real posta no centro do mundo, agora é tida em sujeição pelos próprios inimigos e pelos infiéis, feita serva do rito pagão.
Ela eleva a sua lamentação e deseja ser libertada, e não cessa de implorar que vós andeis no seu socorro.
De vós mais do que qualquer outro povo ela exige ajuda, pois vos tem sido concedida por Deus, por sobre todas as estirpes, a glória das armas.
Empreendei, pois, este caminho em remissão dos vossos pecados, certos da imarcescível glória do reino dos Céus.
Ó irmãos amadíssimos, hoje em nós manifestou-se o que o Senhor diz no Evangelho: "Onde dois ou três estarão reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles".
Se o Senhor Deus não tivesse inspirado os vossos pensamentos, a vossa voz não teria sido unânime; e ainda que tenha ressoado com timbres diversos, foi única, entretanto a sua origem: foi Deus que a suscitou, foi Deus que a inspirou em vossos corações.
Seja, pois, esta vossa voz, o vosso grito de guerra, posto que ele vem de Deus.
Quando fores ao ataque dos bélicos inimigos, seja este o grito unânime de todos os soldados de Deus: "Deus o quer! Deus o quer!"
Nós não convidamos a empreender este caminho aos velhos ou àqueles que não são aptos para portar armas, nem às mulheres; que as mulheres não partam sem os seus maridos, ou sem irmãos, ou sem representantes legítimos: todos estes são mais um impedimento do que uma ajuda, mais um peso do que uma vantagem.
Que os ricos sustentem os pobres e levem a seu custo homens prestes para combater.
Aos sacerdotes e clérigos de qualquer ordem não seja lícito partir sem licença do seu bispo, porque esta viagem lhes seria inútil sem esse assentimento; e nem sequer aos leigos seja permitido partir sem a bênção do seu sacerdote.
Todo aquele que queira cumprir esta santa peregrinação e que faça promessa a Deus e a Ele se tenha consagrado como vítima viva, santa e aceitável, leve sobre o seu peito o sinal da Cruz do Senhor.
Aquele que, após ter cumprido o seu voto, queira retornar, dê meia-volta.
Cumprirão assim o preceito que o Senhor dá no Evangelho: "Quem não carrega sua cruz e não vem detrás de Mim, não é digno de Mim".

Beato Papa Urbano II, 27 de Novembro de 1095.

24/07/2016

Monsenhor Lefebvre elogia Salazar e Portugal

Salazar beija a mão ao Cardeal Cerejeira

Depois de ter pronunciado o elogio de Salazar, homem «excepcional», «admirável», «profundamente cristão» – o orador [Mons. Marcel Lefebvre] acrescentou entre outras coisas: «O que Portugal fez, não há razão alguma para que nós o não possamos fazer também. Não há razão que impeça reconstruir a sociedade cristã, a família cristã, a escola cristã, a corporação cristã, a profissão cristã e o Estado cristão. Seria duvidar da nossa fé. Só os nossos sucessores tirarão proveito disto, talvez: pouco importa!»

Adaptado de Ascendens.

23/07/2016

As Cruzadas não foram agressivas, mas defensivas


O crítico das Cruzadas fala como se elas tivessem atacado uma tribo inofensiva ou um templo no interior do Tibete, que desconhecia antes de a invadir. Parecem esquecer que antes de os cruzados sonharem em ir a Jerusalém, os muçulmanos quase chegaram a Paris. Parecem esquecer que se os cruzados quase conquistaram a Palestina, isso apenas foi uma reacção aos muçulmanos que quase conquistaram a Europa.

G. K. Chesterton in «The New Jerusalem».

21/07/2016

Os cristãos nasceram para o combate


É uma ilusão supor que a guerra é sempre um erro e que o mundo se poderá ver livre dela. Isto é falso. A guerra deve existir sempre; mas não a guerra exterior: a interna. Quando travamos guerra, contra o mal em nós, diminuem ao mesmo tempo as guerras exteriores. A razão por que vivemos num século de guerras exteriores é a de nos descurarmos no travar da batalha interior contra as forças que destroem a mente e a alma. Aquele que não descobrir o inimigo dentro de si, encontrá-lo-á, sem dúvida alguma, fora. O que se passar na mente, passar-se-á em seguida no mundo. Se a mente estiver no erro, então o mundo será uma loucura.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

16/07/2016

Taqiyya: o engano sagrado islâmico


Atenção: Discordo de Bill Warner quando este refere que os europeus sempre deram igualdade de tratamento aos não-europeus. Essa igualdade entre diferentes é uma invenção liberal que nunca se verificou em épocas transactas. Nos reinos católicos, os estrangeiros e os adeptos das falsas religiões, estavam sujeitos à autoridade e às leis gerais do Reino. Por exemplo, um muçulmano ou um judeu que vivesse em Portugal estava proibido de exercer o seu culto religioso de forma pública, mas não de o prestar de forma privada. Portanto, não se tratava todos de forma igual. Trava-se o diferente como diferente, e o igual como igual. Fazia-se justiça.

14/07/2016

Ainda há heróis?


Quem conhece um mínimo de História, sabe que, durante milénios, tanto os mais elevados espíritos pagãos como os cristãos – no Ocidente e no Oriente – chegaram à certeza de que a autêntica felicidade só podia encontrar-se na virtude, no bem, na realização do ideal divino sobre o homem.
Os homens e as mulheres falhavam, pecavam, cometiam crimes, eram muitas vezes mesquinhos; mas em nenhum momento se apregoou ou se pensou que o mal residisse no sofrimento ou no sacrifício; o mal estava, sim, na falta de virtude, na falta de valores, na mentira, no desregramento, na escravidão da alma às paixões baixas, em suma, no mal moral, no pecado.
Todos os heróis admirados e propostos como modelo à juventude eram homens e mulheres capazes de grandes sacrifícios, de generosas renúncias, de heróicos sofrimentos por uma causa, por um ideal que se identificava sempre com a verdade e o bem, e nunca com a auto-satisfação hedonista ou o interesse egoísta. Este era o comum denominador dos grandes personagens bíblicos – Moisés, David, Judite, Ester... –, dos heróis pagãos – Aquiles, Penélope, Eneias, Dido... – e dos heróis cristãos, quer se tratasse de mártires, de virgens enamoradas de Deus, de grandes servidores dos pobres; quer de modelos de cavaleiro cristão, como o rei São Luís da França ou El-Rei Dom Sebastião; ou os heróis lendários como Sir Lancelot, Tirant lo Blanc e o louco e genial Dom Quixote de la Mancha. O espelho da grandeza era a virtude. E a virtude não só tolerava, mas exigia o sofrimento heróico, paciente, e o sacrifício desinteressado, até chegar à entrega – sem um arrepio – da própria vida.

Pe. Francisco Faus in «A Sabedoria da Cruz».

08/07/2016

Carta do assassino de uma santa

Alessandro Serenelli

Tenho agora quase 80 anos. Estou perto do fim dos meus dias.
Olhando para o meu passado, reconheço que na minha juventude eu segui um mau caminho, um caminho que levou à minha ruína.
Através das revistas, dos espectáculos imorais e dos maus exemplos na imprensa, eu vi a maioria dos jovens da minha idade seguir o caminho do mal sem pensar duas vezes. Despreocupado, eu fiz a mesma coisa.
Havia fiéis e cristãos verdadeiramente praticantes à minha volta, mas eu não lhes dava importância. Eu estava cego por um impulso bruto que me empurrava para uma forma errada de vida.
Com a idade de 20 anos, eu cometi um crime passional, cuja memória ainda hoje me horroriza. Maria Goretti, hoje uma santa, foi o bom anjo que Deus colocou no meu caminho para me salvar. As palavras dela, tanto de repreensão como de perdão, ainda hoje estão impressas no meu coração. Ela rezou por mim, intercedeu pelo seu assassino. Quase 30 anos de prisão se seguiram.
Se eu não fosse menor de idade, pela lei italiana eu teria sido condenado a prisão perpétua. No entanto, eu aceitei a pena como algo que eu merecia.
Resignado, eu expiei pelo meu pecado. A pequena Maria foi verdadeiramente a minha luz, a minha protecção. Com a ajuda dela, eu cumpri bem esses 27 anos na prisão. Quando a sociedade me aceitou de volta entre os seus membros, eu procurei viver de forma honesta. Com caridade angélica, os filhos de São Francisco, os frades capuchinhos menores, receberam-me entre eles, não como servo, mas como irmão. Tenho vivido com eles há 24 anos. Agora eu olho serenamente para o dia em que serei admitido à visão de Deus, para abraçar os meus entes queridos mais uma vez, e para ficar próximo do meu anjo da guarda, Maria Goretti, e a sua querida mãe, Assunta.
Que todos os que vierem a ler esta carta desejem seguir o santo ensinamento de fazer o bem e evitar o mal. Que todos possam acreditar, com a fé dos pequeninos, que a religião e os seus preceitos, não são algo que se possa prescindir. Pelo contrário, é o verdadeiro conforto e a única via segura em todas as circunstâncias da vida, mesmo nas mais dolorosas.
Paz e bem.

Alessandro Serenelli
Macerata, Itália
5 de Maio de 1961

05/07/2016

Bancocracia ou a Escravatura do Crédito


Receio que o homem comum não gostará de saber que os bancos podem criar – e de facto criam – dinheiro. O volume de dinheiro existente varia somente com a acção dos bancos, aumentando ou reduzindo os empréstimos. Cada empréstimo ou conta a descoberto criam dinheiro. E os que controlam o crédito de uma nação dirigem a política do seu governo e têm nas mãos o destino do povo.

Reginald McKenna, discurso no Midland Bank, Janeiro de 1924.

03/07/2016

Comunismo e pornografia

TV: instrumento de guerra psicológica.

A juventude polaca rejeita o socialismo, tal como manifestou um artigo do jornal diário do Partido Comunista Polaco, reproduzido por Newsweek (13/01/1986).
Tal artigo revela que a maior parte dos jovens encontram na Idade Média (quando reinava a dinastia Piast) a época mais positiva da história nacional. Um dirigente do Partido Comunista alertou então sobre a inexistência de um "compromisso socialista" na juventude, que "se deixaria influenciar pela Igreja".
Perante o fracasso da ostentosa propaganda marxista, houve então um novo recurso: passar filmes pornográficos pela televisão, a fim de afastar os jovens da Fé Católica.
É interessante constatar através deste testemunho insuspeitável do próprio Partido Comunista Polaco o nexo íntimo entre a imoralidade e o marxismo. A corrupção dos costumes, para as autoridades polacas, predispõe a mente para a aceitação passiva das teses comunistas. No Ocidente, a guerra psicológica revolucionária (de inspiração comunista), vem empregando esta táctica com grande êxito nas últimas décadas, destruindo assim os ideais de combate e heroísmo.

29/06/2016

Salazar sobre a 'União Europeia'


A criação de uma Federação Europeia constitui uma das ideias dominantes da política actual, pelo que os problemas que se levantam à sua volta e as decisões já tomadas, orientadas nesse mesmo sentido, têm sido objecto de atenta consideração por parte do Governo Português.
Por se tratar de uma questão que continua a manter a maior actualidade, convém marcar a nossa posição em face de tal política.
(...)
A Europa nasceu de certo modo e o processo da sua formação imprimiu-lhe carácter. A sua diversidade, se por um lado é motivo de fraquezas, verificou-se por outro ser fonte de radiação universal. Há neste conjunto nações de tão antiga independência que o arreigado nacionalismo quase se confunde com o sentimento, com o instinto de propriedade e de uma propriedade não transmissível (caso português – Constituição, art.° 2.°).
Nestas circunstâncias é duvidoso que se possa constituir por combinações ou tratados um Estado Europeu.
Ou melhor: podem os governos acordá-lo, mas os povos dificilmente se ajustarão a ele.
(...)
Não me parece oferecer dúvidas que essa federação, em cujo seio entrariam de começo três grandes repúblicas e três pequenas monarquias, se faria ou fará sob a égide republicana. Nem a força representada pela Alemanha, França e Itália e a dificuldade de escolha duma dinastia permitiriam outra solução nem os Estados Unidos compreenderiam coisa diferente. E tem de pôr-se de lado a hipótese da coexistência dos dois regimes. A Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo teriam pois de desfazer-se das suas instituições. Acontece porém que a monarquia é na Bélgica o factor de integração de populações nas quais coexistem fortes elementos de diferenciação como a língua, a religião e até as concepções políticas. Quer dizer que, por imposição dos acontecimentos, a Bélgica, nem mesmo como província ou Estado secundário da federação, poderá subsistir, pois a breve trecho se deverá dissolver no conjunto.
(...)
A federação europeia, como pretende constituir-se, suscitará mais problemas do que os que resolve, e não contém em si aquele reforço da defesa que se deseja para um futuro imediato; antes constituirá por muito tempo uma construção política frágil. Economicamente, pondo-se de lado os sacrifícios e sofrimentos a impor às gerações actuais, a federação apresentar-se-á como um grande espaço em que os vários sectores da produção podem ser mais facilmente racionalizados, e disporá de territórios ultramarinos que aumentarão a base económica do conjunto. As monarquias serão banidas. Como elemento mais forte pela extensão do território, população e conjunto das suas qualidades e espírito industrioso, será a Alemanha quem deverá conduzir efectivamente a federação para todos os seus destinos. Para isto, talvez não valesse a pena ter feito a guerra.
(...)
Se posso ser intérprete do sentimento do povo português, devo afirmar que é tão entranhado o seu amor à independência e aos territórios ultramarinos, como parte relevante e essencial da sua história, que a ideia de federação, com prejuízo de uma e de outros, lhe repugna absolutamente. Precisamos aliás ter presente que o Ultramar lhe tem interessado sempre mais que a Europa continental: raras vezes Portugal interveio nos seus dissídios e sempre que o fez foi com prejuízo de outros interesses mais altos. A expansão ultramarina – descobrir, missionar, fazer nações além-mar, como o Brasil – é o traço mais saliente da sua história, é decididamente a sua vocação. (...) A nossa feição atlântica impõe-nos, pois, limites à colaboração europeia, quando esta colaboração revista formas de destruição daquilo que somos e integração naquilo que não nos importa ser.
(...)
Nestas circunstâncias, a questão da federação que se pretende fazer nascer no centro e ocidente da Europa não nos interessa senão na dupla medida em que pode diminuir a capacidade europeia de defesa e em que, pretendendo alargar-se para além dos limites primários, nos embarace ou impeça de seguir o nosso caminho.

António de Oliveira Salazar in «Circular enviada às embaixadas e legações de Portugal», 6 de Março de 1953.

25/06/2016

Harry Truman e os Estados Unidos da Europa

Harry Truman

Ainda em plena guerra, um amigo meu que foi de visita aos Estados Unidos, e por lá andou cerca de dois meses, e conversou com este e com aquele, regressou com a seguinte impressão: os Estados Unidos consideram-se portadores de uma nova civilização; entendem que a civilização faliu ou está em coma; pensam que nós não sabemos viver, nem organizar a vida; em consequência do que têm o propósito de transformar a Europa, estruturando-a à sua maneira.
Não se enganava o meu amigo e foi bom observador.
Porque aqui está diante de mim, nas páginas de Le Monde, a confirmação das suas impressões.
O Sr. George Creel, director dos serviços de informação americanos durante a guerra de 1914, é da intimidade do actual Presidente dos Estados Unidos, e «pode ser considerado o reflexo fiel das ideias» do Sr. Truman.
Deu ele ao jornal francês um artigo que se intitula: "Un projet du Président Truman", e tem como subtítulo esta expressão que me causa calafrios: "Les États Unis d'Europe".
Nesse artigo, depois de anunciar ser possível que esteja em preparação uma política americana mais nítida e mais construtiva em relação à Europa, avisa: «Não é segredo para ninguém que o Presidente Truman encara favoravelmente a possibilidade de criar os Estados Unidos da Europa». Assim mesmo: «Ce n'est pas un secret pour personne que le Président Truman envisage favorablement la possibilité de créer les États-Unis d'Europe».
Acrescenta que o problema está a estudar-se, mas que a ideia fundamental se percebe já com clareza.
Para o Sr. Truman, trata-se de «criar uma federação dos Estados europeus, baseada numa coordenação económica e política que fará sair do caos a ordem, e formará a esperança de ver reinar no futuro a estabilidade, a paz e a prosperidade. Sem ser a réplica exacta dos Estados Unidos, essa federação deveria em todo o caso possuir uma moeda alfandegária, uma comunidade de todos os recursos naturais da Europa e a utilização comum de todas as vias navegáveis».
(...)
Nos meios diplomáticos americanos, pretende-se uma união mais apertada e limitada à Europa propriamente dita. Quer dizer: ficarão fora da Federação, a Rússia e a Inglaterra, cuja amizade mútua é tida por indispensável à criação e bom resultado da Federação europeia.
Esta ficaria na «impossibilidade de alimentar ambições imperialistas ou desencadear guerras agressivas, porque os seus recursos militares se limitariam estritamente à defensiva; e, para tranquilizar a Rússia, que teme a formação de um bloco ocidental hostil, a nova Federação poderia declarar o Fascismo fora da lei e oferecer garantias de estrita neutralidade».
Com tal projecto, que tem em vista o Sr. Truman? Em primeiro lugar, evitar que a Rússia tenha preocupações em relação às suas fronteiras ocidentais e que a Inglaterra se distraia da solução dos problemas complicados do seu Império; em segundo lugar, poupar os Estados Unidos às aventuras para que são arrebatados – em consequência de um sistema que dura há dezenas de séculos e transformou a Europa numa «torre de Babel» ou «asilo de alienados».
Numa palavra: o Sr. Truman, Presidente dos Estados Unidos da América, declara guerra às [Pátrias] europeias, à sua independência, à sua soberania, à sua auto-determinação, à sua liberdade. Constituem elas para o Presidente da América uma torre de Babel, ou asilo de alienados! E então quer federar-nos, sujeitar-nos a uma direcção comum, a uma fiscalização superior, ao poder supremo de uma entidade que disponha dos nossos destinos, pondo termo à nossa História.
(...)
Pela minha Pátria falo, e, pensando nela, ergo o meu protesto, que se perderá no vozear confuso das turbas dementadas, mas documentará uma atitude. Portugal, nascido no século XII, atravessou estes oito séculos concorrendo como nenhuma outra [Pátria] para o esforço civilizador do mundo. Portugal não compreende nem poderá compreender que o integrem numa federação que o absorverá, o reduzirá ao anonimato infecundo, lhe levará o seu Império Ultramarino e porá um ponto final repugnante e hediondo à sua História grandiosa pelo sacrifício e pela projecção. Portugal não compreende nem poderá compreender limitações à sua soberania, embaraços à sua independência, seja qual for a máscara que se adopte para a encobrir.

Alfredo Pimenta, 2 de Março de 1946.

§

É deveras interessante constatar que o presidente americano Harry Truman (maçon grau 33 e responsável moral pelas bombas de Hiroxima e Nagasaki) foi também um grande impulsionador da constituição daquilo que hoje se chama União Europeia.

21/06/2016

A extrema-esquerda ao serviço do mundialismo


A extrema-esquerda desempenha, em toda a Europa, o mesmo papel: denunciar e atacar as forças identitárias e nacionais. Constitui-se em polícia do pensamento por conta da Nova Ordem Mundial. Por toda a parte a extrema-esquerda é um instrumento de pressão sobre os poderes: umas vezes para parar os movimentos de "direitização" dos partidos tradicionais (anos 80) e outras para lutar contra o surgimento do populismo (anos 90).

Adoptando um ascendente moral em nome da luta contra as "fobias" – xenofobia, homofobia, islamofobia – a extrema-esquerda utiliza uma retórica incapacitante contra os valores familiares e nacionais susceptíveis de pararem o desenvolvimento do capitalismo globalizado. Não hesitando em utilizar leis repressivas ("as fobias não são uma questão de opinião, são um crime"), a extrema-esquerda é uma alavanca do poder mediático e judicial, frequentemente executante das baixas obras da superclasse mundial. A intimidação e a sideração são os seus meios de acção privilegiados.

A vitimização das "minorias" sexuais serve de máscara ao velho projecto revolucionário de dissolução da instituição familiar, obstáculo ao império do mercado; e, a coberto de pôr fim a pretensas discriminações ou reprimir intenções homofóbicas, conseguem impedir a expressão dos valores tradicionais. E foi assim que foi expulso da Comissão Europeia o pouco politicamente correcto e muito católico Rocco Buttiglione. Simetricamente, foi assim que foi protegido Frédéric Mitterand, esse "magnífico símbolo de abertura", segundo as palavras de Nicolas Sarkozy, que escreveu no seu livro La Mauvaise Vie: "sexo e dinheiro, estou no centro do meu sistema".

A extrema-esquerda joga também no registo da provocação: por todo o lado na Europa onde movimentos nacionais, identitários ou populistas se desenvolveram, a extrema-esquerda apelou a contra-manifestações, frequentemente violentas, com dois objectivos:

– Conseguir a interdição das reuniões dos movimentos que ameaçam a ideologia da superclasse mundial;
– Conduzir esses movimentos dissidentes a defenderem-se para assegurarem a sua liberdade, com o risco de darem às televisões imagens de violência.

Na revista Contretemps, de Setembro de 2003, Anne Tristan, antiga responsável da associação de extrema-esquerda Ras L'Front explica o funcionamento dessa organização: utilizar iniciativas espectaculares e contra-manifestações para evitar a banalização do Front National – uma estratégia com benefícios, utilizada também na Alemanha ou Grã-Bretanha, por exemplo.

Jean-Yves Le Gallou in «Les convergences paradoxales de l’extrême gauche et de la superclasse mondiale».

17/06/2016

Todos os homens são iguais?


Proclamar que "todos os homens são iguais" é coisa que felizmente hoje só dizem os mentecaptos, e as mulheres umas às outras quando falam dos maridos.

António Alçada Baptista in «Peregrinação Interior: Reflexões sobre Deus».

10/06/2016

Oração por Portugal


Majestade Divina, Senhor da vida e da morte, dos que Vos amam e dos que Vos perseguem!
Por intercessão da Santíssima Virgem de Fátima, Rainha da paz e nossa Mãe, dos Pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta e da Beata Alexandrina que tanto amou Portugal, pedimo-Vos que não deixeis que a nossa Pátria, onde Maria ergueu o seu Trono, venha a ser dominada e destruída por obra dos seus inimigos.
Enviai os Vossos Santos Anjos a todos os locais da nossa Terra e permiti que eles possam desenvolver as suas potências em todos os seus recantos para que o inimigo não venha a triunfar nesta Terra de Santa Maria.
Nós queremos formar um exército de almas que rezam para que Vós, Deus Uno e Trino, estendais a Vossa Mão poderosa sobre este povo que é de Maria, nossa Mãe.
Fazei, ó Deus, que as nuvens tempestuosas que pairam sobre a humanidade e tendem a espalhar-se e submergir a nossa Pátria, sejam afastadas.
Só Vós podeis salvar-nos! Vinde depressa socorrer-nos, Senhor!
Pela Vossa graça e especial protecção da nossa Padroeira Maria Imaculada e do Anjo Custódio de Portugal, fazei, ó Deus, que a nossa Terra nunca venha a ser aniquilada pelo inimigo.
Deus Santo, Deus Forte, Deus Todo-Poderoso: em união com todos os Santos Anjos pedimo-Vos auxílio e Bênção para a nossa Pátria. Ámen.

Irmã Lúcia, venerável serva de Deus.

09/06/2016

Poema: Europa


Europa! Europa (e já não te avisto!)
Não ouves esta voz que por ti chama?
Onde ficou o lábaro de Cristo?
Onde deixaste, Europa, a tua flama?

Eis novamente o caos tumultuário
Negando os claros dons que tu semeias.
Ó Madre antiga, embora no Calvário
Não passes o teu facho a mãos alheias!

António Sardinha

07/06/2016

Nunca a humanidade viveu tão às cegas


Tanto jornal, tanta rádio, tanta agência de informações, e nunca a humanidade viveu tão às cegas. Cada hora que passa é um enigma camuflado por mil explicações. A verdade, agora, é uma espécie de sombra da mentira. E como qualquer de nós procura quase sempre apenas o concreto, cada coisa que toca deixa-lhe nas mãos o simples negativo da sua realidade.

Miguel Torga in «Diário», 26 de Fevereiro de 1948.

03/06/2016

Declaração de um historiador agnóstico

Marcha de tarados sexuais nos EUA.

Sempre e por toda a parte, desde há mil e oitocentos anos, quando o Cristianismo desfalece, os costumes públicos e privados degradam-se. Na Itália, durante a Renascença, na Inglaterra, sob a Restauração, em França, durante a Convenção e o Directório, viu-se o homem tornar-se pagão como nos primeiros séculos. Achava-se como no tempo de Augusto ou de Tibério, voluptuoso e duro. Abusava dos outros e de si próprio. O egoísmo brutal e calculista tomara o ascendente. Faziam estendal a crueldade e a sensualidade. A sociedade convertia-se numa Falperra e em lugar suspeito.

Hippolyte Taine, citado por Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos».

01/06/2016

O fascismo tem origem no marxismo?


Contrariamente à tese apresentada pelo jornalista José Rodrigues dos Santos, o Fascismo não teve origem no Marxismo, e nega-o inclusivamente. Eis, por exemplo, o ponto de vista fascista sobre a luta de classes:
Colaboração das classes – ponto fundamental do sindicalismo fascista. O capital e o trabalho não são dois termos antagónicos; são dois termos complementares.
Benito Mussolini in revista «Gerarchia», n° 5, Maio de 1925.

30/05/2016

O embrutecimento artístico


Quando começamos a substituir os Salmos de David pelos conselhos de auto-ajuda, e os trágicos gregos e Dante por biografias de celebridades, já não conseguimos exigir muita coisa da inteligência. E com o consequente embotamento da sensibilidade, os nossos olhos e os nossos ouvidos perdem a antiga capacidade de captar imagens e sons que dantes faziam parte do registo poderoso de uma cultura da qual ficámos, em poucas décadas, completamente órfãos.

Ângelo Monteiro in «Arte ou Desastre».

28/05/2016

90 anos: 28 de Maio de 1926


Reduzir, tal como já vimos, o movimento que instaurou a ditadura a uma "conspiração de caserna" para que a classe militar pudesse usufruir do poder, significa ignorar as razões profundas do desassossego geral, as tendências do nosso tempo, todas as fraquezas, as abdicações, as insuficiências do poder público, que estão na base daquilo que se podia chamar a crise do Estado moderno. [30 de Julho de 1930]

A garantia suprema da estabilidade da obra realizada está precisamente na reforma moral, intelectual e política, sem a qual as melhorias materiais, o equilíbrio financeiro e a ordem administrativa, ou não se podem realizar, ou não podem durar. [27 de Abril de 1935]

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

26/05/2016

Festa de Corpo de Deus


A minha carne é verdadeiramente alimento e o meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em Mim e Eu nele. (João 6: 56-57)

Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálix, anunciareis a morte do Senhor até que Ele venha. Por isso todo aquele que comer deste pão e beber do cálix do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. (I Coríntios 11: 26-27)

22/05/2016

Doutrina católica sobre o ensino público


Que lugar deixa a doutrina da Igreja ao Estado, no ensino e na educação? A resposta é simples: tirando certas escolas preparatórias aos serviços públicos, como por exemplo as escolas militares, o Estado não é educador nem docente. A sua função, de acordo com o princípio de subsidiariedade aplicado por Pio XI na citação acima [encíclica Divini Illius Magistri], é promover a fundação de escolas particulares pelos pais e pela Igreja, e não substituí-los. A escola pública, o princípio de um "grande projecto nacional educativo", inclusive se não é laico e se o Estado não reivindica o monopólio da educação, é um princípio contrário à doutrina da Igreja.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

20/05/2016

Salazar e a Monarquia

Imagem adaptada de N.E.O.S.

Reparem, Senhores: o pensamento político de Salazar que se denuncia nas Festas centenárias que idealizou e promoveu, que raízes tem? De que sangue se alimenta? Em que doutrinas se funda? Numa palavra, – de onde emana, o Pensamento político de Salazar?
É, porventura, da ideologia que inspirou as disposições da Constituição de 1911? É por acaso do Verbo dos agitadores da plebe da geração de 90, e das gerações suas discípulas?
É, porventura, dos princípios fixados pela Tábua dos Direitos do Homem, ou das doutrinas execráveis da Enciclopédia do século XVIII? Quem foram os mestres desse Pensamento? Rousseau e Voltaire, Lamartine e Victor Hugo? Mouzinho e Oliveira Martins? Guilherme Braga e Junqueiro? Todos nós sabemos que esses doutrinadores são antitéticos da orientação de Salazar.
Leiam-se os discursos políticos deste; interpretem-se as suas posições, não sob o ângulo da hora em que são ditas, mas à luz da crítica filosófica, e, sem dificuldades, se verá que os seus Mestres foram Maurras e Le Play, Jean Guiraud e Menendez y Pelayo, Leão XIII e Pio X, os Mestres da contra-revolução portuguesa, e Alberto Sampaio. E se, algum dia, os seus olhos se poisaram em rimas ou estrofes, para receber os eflúvios espirituais que contêm foi – nas de Camões ou Bernardes, Sá de Miranda ou Correia de Oliveira, António Nobre ou Eugénio de Castro, Guilherme de Faria ou Mário Beirão, – poetas cristãos e genuinamente portugueses e não em certos pretensos modernistas, deformadores ou falsificadores da Beleza pura e da Poesia em si.
Ora tudo isto traduz, não Revolução francesa – alma mater do Liberalismo comunizante, mas Realeza tradicional de Portugal.
Veja-se a orgânica política do Estado Novo – obra de Salazar: a Assembleia política, reduzida ao mínimo, no tempo, e nas funções; quase só consultiva e esclarecedora, é a versão actual das nossas Côrtes tradicionais; a Câmara corporativa é o reconhecimento legal dos grandes elementos tradicionais da Nação – desde a Família à Província, desde as Corporações aos ofícios; o predomínio da Autoridade, benéfico para todos, sobre a Liberdade, prejudicial para todos; o predomínio do Bem comum sobre o Bem individual; o conceito da Família primando sobre o conceito do Indivíduo; o Social preferido ao Individual; o Bem de cada um consequência do Bem de todos, em vez do Bem de todos consequência do Bem de cada um – tudo isto que é se não de origem tradicional, obra da Realeza secular da nossa terra?
E se isto não bastasse, tínhamos no princípio da reeleição presidencial sem limites, garantindo na Constituição em vigor, o reconhecimento da grande virtude da Realeza, – como adopção da minha velha lei: «a República é tanto mais perfeita quanto mais se aproximar da Monarquia, sem nunca a atingir».
Qual tem sido o grande fundamento da obra de Salazar?
A continuidade no Poder.
Há perto de trinta anos que eu formulei, diante do público, as condições essenciais de um governo fecundo: estabilidade, continuidade e homogeneidade – características específicas da Realeza hereditária.
Têm essas características sido o instrumento feliz da política de Salazar. Estabilidade: – há mais de dez anos que governa o País; Continuidade: – promete e realiza, porque a Estabilidade lho permite; Homogeneidade: – com todas as suas falhas e desvios, os elencos ministeriais têm-se, mais ou menos, adaptado ao pensamento director do Presidente do Conselho.
A sua política, quer nas directrizes de técnica constitucional, quer nos processos realistas da execução, é de pura inspiração monárquica, e anda manifestamente distante do Estado de coisas que preparou o regime de 5 de Outubro.
E Salazar, o homem profundamente nacionalista, católico como o Portugal de sete séculos; ele que proclamou D. Afonso I «fundador do nacionalismo» português; Salazar, o espírito culto e reflectido que é, não podia sonhar para os tempos novos que idealiza, para o futuro português que prepara, outros alicerces morais que não fossem os do Catolicismo, e outros alicerces políticos que não fossem os da Realeza hereditária, matriz admirável em que se criou Portugal: ou sejam – o Trono e o Altar.
Portugal foi durante sete séculos um Estado hierarquizado, vertebrado – imagem do Homem ou imagem de Deus: um pensamento a mandar; órgãos a executar; e o corpo a obedecer.
Só assim o Rei D. Afonso I pôde fundar Portugal, e o Rei D. João IV pôde restaurar a sua Independência.
Só assim Portugal pôde realizar a grande obra de seus descobrimentos e do seu Império.
Pulverizem a Autoridade de um só; invertam as funções, e ponham o dirigente à mercê dos votos ou caprichos dos dirigidos – e nem Portugal se teria fundado, nem Portugal se teria restaurado, nem o Império português se criaria.
Como podia Salazar inspirar-se no Portugal acéfalo ou anárquico, invertebrado e catastrófico da Demência parlamentar e liberal que a Revolução de 1820 introduziu entre nós, e a de 5 de Outubro consagrou, se tudo nele é propósito realizador, dentro do mais estreme nacionalismo?

Alfredo Pimenta in «A Fundação e a Restauração de Portugal», 1940.

§

Nota: Alfredo Pimenta caiu num certo intelectualismo ao dar a entender que Salazar apenas foi quem foi, porque leu determinados autores. Seria mais justo dizer que Salazar, apesar de ter lido certos autores, herdou um espírito, uma moral e uma mentalidade que era típica no Portugal rural daquela época.

16/05/2016

O mundo e a mediocridade

Andar na corda bamba.

O mundo gosta do que é medíocre, e assim é que tanto odeia o que é extremamente bom, como o que é demasiadamente mau. O que é muito bom, constitui vergonha para o medíocre, e o que é muito mau afigura-se-lhe aborrecimento e até perigo.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz».

14/05/2016

Verdade inconveniente ou mentira reconfortante?


Só a verdade liberta...

Tenham paciência, mas acho que é muito mais útil uma verdade, ainda que amarga e agressiva, do que um engano saboroso e consolador e, se as pessoas estão verdadeiramente interessadas neste processo de libertação, um dia verão que só a verdade o pode servir.

António Alçada Baptista in «Peregrinação Interior: Reflexões sobre Deus».

13/05/2016

Sobre a oração de Fátima


Quanto à oração ensinada por Nossa Senhora aos pastorinhos, a 13 de Julho, é referida, pela primeira vez, no dia 8 de Setembro de 1917, pelo Dr. Carlos de Azevedo Mendes, numa carta à sua futura esposa, Maria dos Prazeres Courinha: "A oração que dizem a Senhora lhes ensinou é simples; é a seguinte: 'Ó meu Jesus perdoai-me. Livrai-me do fogo do inferno. Levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem'. Queres maior simplicidade? Achei interessante que a Senhora a tivesse ensinado, mas não lhes recomendasse que a rezassem" (DCF I, Doc. 55, de 8 de Setembro de 1917, p. 392). É estranha esta afirmação do Dr. Mendes, porque, poucos dias depois, a 27 de Setembro, no seu primeiro interrogatório, o Dr. Formigão perguntou se Nossa Senhora tinha ensinado alguma oração e Lúcia responde: "Ensinou, e quer que a recitemos, depois de cada mistério do rosário": 'Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem' (DCF I, Doc. 7, de 27 de Setembro de 1917, p. 61). O Dr. Formigão escreveu-a também num papelinho, exactamente na mesma forma, excepto: 'e aquelas que mais precisarem' (DCF 1, Doc. 8, de 27 de Setembro de 1917, p. 69). No dia 5 de Janeiro de 1922, Lúcia, já no Instituto de Van Zeller (Asilo de Vilar), no Porto, fez o seu primeiro escrito sobre as aparições. Sobre a aparição de Julho de 1917, há poucas novidades, relativamente ao que ela tinha dito em 1917, e sobre o segredo, escreveu: "Em seguida, confiou-nos algumas palavrinhas, dizendo-nos: Não digam isto a ninguém, só o podem dizer ao Francisco" (DCF III, 3, Doc. 685 de 5 de Janeiro de 1922).

Sob o pseudónimo de Visconde de Montelo, o Dr. Formigão escreveu, em 1918 e 1919, no jornal "A Guarda", uma série de artigos que intitulou "Os episódios de Fátima". Não chegou a publicar, nessa altura, a oração recolhida por ele, em Setembro de 1917. Mas, em Junho de 1921, escreveu um opúsculo, com o título, Os episódios maravilhosos de Fátima. Na página 12, colocou esta nota: "Reproduzo este interrogatório dos videntes, sem alteração de uma vírgula, exactamente como o redigi, no dia 29 de Setembro de 1917, em face das notas tomadas". Apesar desta afirmação, modificou a segunda parte da oração, com sentido diferente: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e aliviai as almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas". Por este opúsculo e sobretudo pela obra, As grandes maravilhas de Fátima (1927), a fórmula modificada foi substituindo a primitiva, que era pouco conhecida. Deve-se ao escritor Antero de Figueiredo a reposição da fórmula primitiva, depois de interrogar a Irmã Lúcia e ter contactado com D. José Alves Correia e com o próprio Dr. Formigão, na sua obra, Fátima: Graças, Segredos, Mistérios, editada em Novembro de 1936: "Esta é a verdadeira oração ensinada pela Virgem Santíssima à Lúcia. A que anda impressa foi alterada por quem a editou, com certeza no bom intuito de a tornar mais acessível e mais conforme às fórmulas teológicas das preces em sufrágio das almas do Purgatório" (Ob. cit., nota 1, p. 369). A 18 de maio de 1941, a Ir. Lúcia explicava ao Pe. José Bernardo Gonçalves, seu confessor em Espanha, que a jaculatória tinha sido modificada, "fazendo a última súplica pelas almas do Purgatório, porque diziam não entender o sentido das últimas palavras; mas eu creio que Nossa Senhora se referia às almas que se encontram em maior perigo de condenação; foi esta a impressão que me ficou, e talvez que a V. Revª lhe pareça o mesmo, depois de ter lido a parte que escrevi do segredo e sabendo que no-la ensinou a seguir, em a 3ª [aparição], Julho" (Memórias e cartas da Irmã Lúcia, introdução, notas e tradução inglesa pelo Pe. Dr. António Maria Martins, S. J., Porto, L. E., 1973, p. 442 (fac-simile) e 443 (transcrição em português). E na Terceira Memória, redigida a 31 de Agosto de 1941, explica ao Senhor Bispo de Leiria a sua interpretação sobre a jaculatória, na sua forma primitiva: "Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, compreenderá porque a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação" (Memórias, III, 3). Na Quarta Memória, a Irmã Lúcia transcreve duas vezes a oração, segundo a fórmula primitiva, com pequeníssimas variantes (Memórias, IV, I, 16 e II, 5). A 23 de Junho de 1944, D. José, Bispo de Leiria, autorizava a publicação e indulgenciava duas "orações que podem ser intercaladas nos mistérios do rosário". A decisão de publicar as duas versões, praticamente ao mesmo nível de valor, embora com o esclarecimento de que a primeira "foi ensinada por Nossa Senhora à Ir. Lúcia, vidente de Fátima" ("Voz da Fátima", 22 (262), 13 Jul. 1944, p. 4, col. 4), não ajudou a impor, como fórmula única, aquela que era mais aceitável, em razão da sua origem. Durante algum tempo, verificou-se uma certa hesitação, mas, a pouco e pouco, foi-se deixando de usar a fórmula que refere "as almas do Purgatório".

Cónego Luciano Cristino in «A terceira Aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria em 13 de Julho de 1917».

11/05/2016

A igualdade é um falso deus


A igualdade – fim social é, não só, contra naturam, mas também, logicamente, um absurdo; para que o não fosse, seria preciso, primeiro, que o indivíduo fosse o fim da sociedade, segundo, que a igualdade fosse o fim do indivíduo; ora o fim do indivíduo pode ser a sua utilidade, o seu bem; mas como a igualdade?
O conceito de igualdade encerra mesmo dois absurdos – a negação das desigualdades e a negação das diferenças; com efeito os elementos sociais ou são comparáveis e neste caso desiguais, ou incomparáveis e nesse caso diferentes. A sociologia igualitária radicalmente desconhece os dois aspectos e, assim, por um lado, nivela superior e inferior (destruição da aristocracia, do escol, do bom gosto, etc.) e por outro lado considera idêntico o que é diferente (estabelecendo artificialmente um tipo único de homem, estereotipado pela uniformidade do critério teórico ou legislativo, sem atenção às diferenças [legítimas] do tempo, local, nação, etc.).

José Pequito Rebelo in «Pela dedução à Monarquia».

09/05/2016

Temos de ser mente aberta?


Eu estou incuravelmente convencido que o objectivo de abrir a mente, como o de abrir a boca, é voltar a fechá-la perante algo sólido.

G. K. Chesterton in «Autobiografia».

07/05/2016

Rios de Sangue


Enoch Powell, no seu discurso de 1968 Rivers of Blood, avisou para os perigos de uma política de portas abertas à imigração. No entanto, muitos preferiram apelidá-lo de louco, extremista e exagerado. Mas eis agora os frutos da cegueira dos seus detractores:

06/05/2016

O ateísmo é ilógico


Testemunho de um ateu que se converteu ao Cristianismo:

O meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha recta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto? Se o espectáculo inteiro era mau do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, podia ter uma reacção assim tão violenta? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. E claro que eu poderia ter desistido da minha ideia de justiça dizendo que ela não passava de uma ideia particular minha. Se procedesse assim, porém, o meu argumento contra Deus também desmoronaria – pois depende da premissa de que o mundo é realmente injusto, e não de que simplesmente não agrada aos meus caprichos pessoais. Assim, no próprio acto de tentar provar que Deus não existe – ou, por outra, que a realidade como um todo não tem sentido –, vi-me forçado a admitir que uma parte da realidade – a saber, a minha ideia de justiça – tem sentido, sim. Ou seja, o ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido – do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado.

C. S. Lewis in «Cristianismo Puro e Simples».

04/05/2016

Dívida pública e democracia


A dívida pública portuguesa aumentou para 233 mil milhões de euros (140,2% do PIB). E por mais que tentem escamotear, é evidente que o problema da dívida pública está intimamente ligado com a democracia. Sempre que Portugal esteve sujeito a regimes baseados no voto popular e nos aparelhos partidários (e na maçonaria que os domina), a dívida pública aumentou em termos absolutos. Porquê? Porque uma dívida pública elevada serve o propósito de tornar os Estados prisioneiros da Banca.

Pela análise do gráfico que relaciona a dívida pública em função do PIB no período 1850-2010, é possível constatar que só na Ditadura Militar/Estado Novo tivemos uma redução da dívida pública em termos absolutos, chegando a uns notáveis 13% do PIB. Já nos regimes demo-liberais, a dívida pública teve sempre tendência para aumentar ou estagnar em valores astronómicos.