09/01/2020

Americanização


Em nome de uma ideologia perniciosa e anti-europeia, os Estados Unidos, na guerra de 1914-1918, instalaram-se na Europa, acotovelando toda a gente, impondo-se a toda a gente, com os seus modos descorteses de novos-ricos. A Europa deixou. O resultado está à vista de todos. Aí os temos a querer governar-nos, a querer impor-nos as suas concepções de forjadores de absurdos, a querer, numa palavra, a americanizar-nos.

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

08/01/2020

Algarves d'aquém e d'além-mar

Algarves d'aquém e d'além-mar.

A palavra «Algarve» vem do árabe «Al Gharb» e significa «O Ocidente». O termo é usado desde o tempo da invasão muçulmana, para designar os territórios mais ocidentais sob domínio mourisco, tanto na Europa como em África, conforme está indicado no mapa superior.
No entanto, a designação «Ocidente» não é uma originalidade mourisca. Pois já o geógrafo grego Estrabão, no ano 25 a.C., identificava o Cabo de São Vicente (em Sagres) como o extremo ocidental do mundo conhecido. E também, segundo os Gregos, ali era o local em que o Sol se punha, mergulhando no Oceano como ferro em brasa e ao dançar dos deuses.
Com a Reconquista Cristã, o Algarve passou para o domínio do Rei de Portugal. E assim, a partir do século XIII, o Rei de Portugal passou a ser também Rei do Algarve. Mais tarde, com o avanço da Reconquista para sul, até África, o nosso Rei tornou-se Rei dos Algarves d'aquém e d'além-mar em África, direito de posse que persistiu em todos os nossos Monarcas.

Algarve d'além-mar em África.

03/01/2020

Nascimento de Cristo profetizado por um poeta pagão


Agora chegou a última idade cantada pela Sibila de Cumas; uma grande sucessão pacífica de séculos começa de novo; agora também volta a Virgem; volta o reinado de Saturno; uma nova geração humana desce do alto dos céus. Para o Menino que agora deve nascer, sob o qual a raça de ferro terminará, e uma raça de ouro surgirá no mundo todo, tu, casta Lucina, sorri favoravelmente, pois teu Apolo é agora rei.

Esta idade gloriosa começa em teu consulado, ó Polião, quando os meses poderosos começam seu curso. Sob tua liderança todos os vestígios que restem de nossa culpa vão desaparecer e libertar a terra de seu temor incessante. Ele [o Menino] receberá vida divina e verá heróis que se misturam com deuses e será ele próprio visto por eles. E ele governará um mundo pacificado pelas virtudes paternas.

Virgílio in «Bucólicas», 40 a.C.

§

Nota: Virgílio cita a Sibila de Cumas, oráculo da Antiguidade cuja profecia sobre o nascimento de Cristo inspirou o poeta romano. O Imperador Constantino, numa mensagem ao Concílio de Niceia (325), citou uma passagem dos Livros Sibilinos contendo um acróstico cujas iniciais dos versos são: Jesus Cristo Filho de Deus Salvador Cruz. Miguel Ângelo pintou a Sibila de Cumas no tecto da Capela Sistina, entre os profetas do Velho Testamento.

02/01/2020

Da verdadeira amizade


Os amigos que, podendo fazer boas obras a seus amigos, lhas não fazem, e no tempo da necessidade se arredam e retiram, não têm de amigos mais do que o nome, e podem ser condenados como de furto.
Assim como a sombra nos não acompanha senão quando nos alumia o Sol, mas, toldando-se de nuvens o ar, logo desaparece, assim há alguns que nos não acompanham senão no resplendor da prosperidade, mas, vindo a adversidade, logo desaparecem.
Não quero amigos que me sigam quando me dá claridade, que isso faz a sombra, mas que me acudam às necessidades com obras e conselhos, e claros sinais de inteira benevolência, e que tenham para mim, como eu tenho para eles, abertas as arcas e as entranhas; porque nunca tem vazia a mão do benefício quem tem o cofre do coração cheio de amor.
Os leais amigos hão-de ser participantes no prazer e no pesar, na riqueza e na pobreza.
Indo um dia dois homens, um muito rico, outro muito pobre, disseram a Teofrasto, discípulo que foi de Aristóteles, que aqueles dois homens eram amigos, e Teofrasto disse:
– Pois como é logo um rico e outro pobre? Não parece amigo o que não é participante na ventura do amigo, próspera ou adversa.

Frei Heitor Pinto in «Imagem da Vida Cristã», 1565.

31/12/2019

A "grande substituição" é um mito?


Desde a antiguidade, facto já assinalado por Aristóteles, Tucídides e Xenofonte, toda a nação que admite no seu seio a entrada desenfreada de alógenos [estrangeiros] está condenada a desaparecer, sendo que estes últimos substituem gradualmente os autóctones e tendem a persegui-los e a destruí-los culturalmente e/ou fisicamente.

Guillaume Faye in «Pourquoi nous combattons», 2001.


Se o Ocidente continuar por esta estrada fatal, existe um grande risco – devido à baixa taxa de natalidade – de que o Ocidente desapareça, invadido por estrangeiros, como Roma foi invadida pelos bárbaros. E eu falo enquanto africano. O meu país é maioritariamente muçulmano. Acho que sei do que estou a falar.

Cardeal Robert Sarah in revista «Valeurs Actuelles», 27 de Março de 2019.

26/12/2019

Jesus Cristo, luz do mundo e sol de justiça


Através desta homenagem prestada ao deus nunca vencido, abriu-se o caminho para o culto do Sol, também nunca vencido, astro venerado pelos povos do Oriente sob diferentes nomes; no ano 274 d.C., Aureliano erigiu em sua honra um templo no Campo de Marte. A festa do Sol ficou estabelecida para o 25 de Dezembro, data em que – segundo o calendário antigo – o astro voltava a empreender a sua ascensão.
Fonte: «História Universal», Publicações Alfa, Volume I, 1985.

25 de Dezembro de 274, ia a Igreja no seu 26º Papa quando o Imperador Aureliano estabeleceu a festa pagã do Sol Invicto. No entanto, difunde-se hoje a mentira que o Cristianismo usurpou esta data e a substituiu pelo Nascimento de Cristo. Mas a verdade é que desde sempre os cristãos celebraram o Natal a 25 de Dezembro, pois é Tradição antiga e constante da Igreja que o nascimento do Redentor do Género Humano seja coincidente com o Solstício de Inverno – ou não fosse Jesus Cristo a luz do mundo (cf. João VIII, 12) e o sol de justiça (cf. Malaquias IV, 2).
Igualmente, antes da instituição do Sol Invicto, Padres da Igreja, como São Teófilo de Antioquia (180 d.C.), Santo Irineu de Lião (202 d.C.) ou São Hipólito de Roma (204 d.C.), averiguaram e confirmaram que o nascimento de Cristo ocorreu a 25 de Dezembro.
São Telésforo, Papa que governou a Igreja entre 126 e 137 d.C., foi responsável pela introdução da Missa do Galo, celebrada à meia-noite de 25 de Dezembro, marcando a hora exacta do nascimento de Cristo.
Há ainda registos históricos de peregrinações à gruta de Belém no século II, lugar que mais tarde veio a ser a Basílica da Natividade.

25/12/2019

Jesus nasceu! Feliz Natal!

Presépio da Basílica da Estrela (século XVIII)

Nasce o Verbo em Belém, pobre, humilhado,
Sendo Supremo Rei de toda a Terra,
E no corpo pequeno, e breve, encerra
Do seu Divino Ser, o imenso estado.

Naquela idade se prepara armado
Contra o inferno imortal que almas enterra;
E ao soberbo Lusbel movendo guerra
Por humilde, se vê mais alentado.

Os Demónios cruéis todos se espantam,
Chora, treme de frio o Verbo eterno,
Os Anjos, com voz doce, nos encantam.

De sorte que o menino, e Deus superno,
Chora, porém de gosto os Anjos cantam,
Treme, porém de medo treme o inferno.

Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711)

21/12/2019

A Família e a Pátria


Se examinarmos os quadros sociais a que pertence necessariamente um indivíduo e em relação aos quais ele não é inteiramente livre, dois há a que pertence obrigatoriamente: a Família e a Pátria.
«Não sabemos se é justo que um filho não possa escolher o pai – escreve Charles Maurras – ou que um cidadão seja lançado numa raça antes de ter manifestado a sua livre vontade, a sua livre escolha! Sabemos que as coisas não podem passar-se de outro modo».
A Família e a Pátria são, pois, dois quadros naturais em que, sem preocupações pela sua vontade, antes mesmo que ela se manifeste, qualquer homem desde que nasce, se encontra integrado. Nasce de tal família e de tal povo, exactamente como nasce moreno ou loiro, pequeno ou grande, forte ou fraco. Não tem sobre esta escolha nenhuma liberdade. A sua dependência é fatal e obrigatória.
Mesmo que mais tarde entenda renegar a família ou a pátria, só artificialmente é que o faz, tal como as morenas que oxigenam os cabelos, sem que por isso deixem de manter a sua compleição.
Contudo, o homem, fazendo uso da sua vontade, pode apertar ou afrouxar os laços naturais que o ligam, desde que nasce, à Família e à Pátria. Pode amar os pais ou odiá-los, ter o sentido da Família, procurar nela o ponto de apoio moral e material nas lutas da vida, ou afastar-se dela, ser mau filho, ou indiferente, cultivar o eu em vez do nós familiar, e assim os laços naturais estreitam-se ou relaxam-se.
Do mesmo modo, pelo facto de pertencer a um povo, um indivíduo, chegado à idade adulta, pode discuti-lo, renegá-lo, quer se integre noutra comunidade humana (caso dos emigrantes), quer se recuse a aceitar os encargos inerentes à sua qualidade de cidadão de um país, e se proclame internacionalista (caso dos comunistas).

Jacques Ploncard d'Assac in «Três Estudos Políticos», 1956.

19/12/2019

Escravos dos bens materiais


Compras mobília. Dizes a ti próprio: este é o último sofá de que vou precisar para o resto da minha vida. Compras o sofá e depois, durante um par de anos, sentes-te satisfeito porque, aconteça o que acontecer de errado, pelo menos, conseguiste resolver a problemática do sofá. Depois é o serviço de pratos certo. Depois a cama perfeita. Os cortinados. A carpete.
Depois ficas encurralado dentro do teu lindo ninho e as coisas que dantes possuías, agora possuem-te a ti.

Chuck Palahniuk in «Clube de Combate», 1996.

16/12/2019

Rei de Portugal ou Rei dos Portugueses?

Alfredo Pimenta

António Sardinha sacrifica bastante à retórica; daí aquele «destemperado arrojo» que não tem pés nem cabeça.
Porque não fatigou os olhos no estudo dos documentos, tem a audácia de afirmar entonadamente que D. Afonso I e seu filho D. Sancho se intitularam «reis dos portugueses», como se não tivessem usado outros títulos, que provam que a significação dada por Sardinha àquela expressão é manifestamente errada.
Às vezes, no mesmo documento, D. Afonso I chama-se «rex portugalensium» e «rex portugalensis» (Reuter, Chanc. med. port., I, nº 198) ou «portugalensium rex» e «rex portugalis» (idem, nº 209 e 249).
Para Sardinha, em Castela, a terra pertencia ao Rei; em Portugal, não. Daí, os Reis serem, em Castela, «de Castela», e em Portugal, «dos portugueses»!
Mas os documentos desmentem-no.
D. Afonso I chama-se «urbium portugalensium dominus» (in Reuter, loc. cit., nº 15); «portugalensium patriae Rex» (ou Dominus ou Princeps) (idem, nº 49, 78, 83, 89, 93, 144, 186, 208); ou «portugalie rex» (idem, nº 103, 122, 233, 253); ou «rex portugalis» (idem, nº 151, 171, 209, 213, 219, 241, 249); ou «tocius portugalensis provincie princeps» (ou Rex) (idem, nº 12, 24, 34, 41, 51, 93, 109, 143); ou «portugalensis rex» (idem, nº 156, 159, 181, 198, 199, 243, 245, 262); ou «rex portugalensis» (idem, nº 161, 162, 210, 253 a 255, 257, 267 a 269).
António Sardinha tinha à mão os Forais publicados nos Port. Mon. Hist.; se os tivesse consultado, veria que só em dois, o de Leiria e o de Lisboa, D. Afonso I se dizia «portugalensium rex». No de Mesão Frio, diz-se «portugalis rex». E nos outros, Lousã, Freixo, Sintra, Santarém, Coimbra, Urros, Valdigem, Aregos, Marialva, e também no de Mesão Frio, intitula-se «portugalensis rex». Nos restantes, o editor não desenvolveu a abreviatura «Port», e por isso a ponho de remissa.
Quanto aos Reis de Castela serem só de Castela, e quem diz de Castela, diz também de Leão, tenho, pelo menos, nove documentos que desmentem a doutrina de Sardinha:
1º – a  doação de Dezembro de 1164 (in Serrano, Cartulário de San Vicente de Oviedo, nº 278) em que D. Fernando II se diz: «ego domnus Fernandus dei gratia rex hispanorum»;
2º – a doação de 12 de Junho de 1170 (in loc. cit., nº 284) em que D. Urraca se diz: «ego Urraka dei gratia Hyspanorum regina»;
3º – a doação de 5 de Novembro de 1172 (in Serrano, Cartulário de San Pedro de Arlanza, nº 119);
4º – a doação de 20 de Janeiro de 1174 (in Indice de los docs. procedentes de los monasterios y conventos suprimidos que se conservan en el Archivo de la Real Academia de la Historia, I, pág. 6, nº 6);
5º – a confirmação do foral de Toledo, de Fevereiro de 1174 (in Muñoz y Romero, Colecion de Fueros municipales, I, pág. 380);
6º – a doação de Maio de 1174 (in Serrano, Cartulário de San Pedro de Arlanza, nº 121);
7º – a doação de 9 de Maio de 1175 (in Férotin, Recueil des Chartes de l’Abbaye de Silos, nº 65);
8º – o privilégio rodado de 18 de Março de 1177 (in Villalobos y Nieto, Docs. de la Iglesia colegial de Santa Marial a Mayor de Valladolid, I, nº 48) – todos estes seis diplomas de D. Afonso VIII, em que ele se diz: «...dei gratia yspanorum (ou hispanorum) rex»;
9º – a doação de Julho de 1175 (in Serrano, Cartulário de San Vicente de Oviedo, nº 294), em que D. Fernando II se diz: «ego Fernandus dei gratia yspanorum rex».
E também os Reis de Inglaterra se dizem «anglorum rex», e os de França, «francorum rex».
O que é curioso é que tanto os Reis de Castela como os Reis de Leão se consideram Reis «hispanorum».
É possível que me tenha escapado algum documento; mas estes são suficientes para se verificar a leviandade da afirmação de Sardinha.

Alfredo Pimenta in «A propósito de António Sardinha», 1944.

13/12/2019

Pátria Portuguesa


Possivelmente para alguns, associação transitória ou permanente de interesses materiais, a [Pátria] é para nós sobretudo uma entidade moral, que se formou através de séculos pelo trabalho e solidariedade de sucessivas gerações, ligadas por afinidades de sangue e de espírito, e a que nada repugna crer, esteja atribuída no plano providencial, uma missão específica no conjunto humano.
Só esse peso do sacrifício sem conta, da cooperação de esforços, da identidade de origem, só esse património colectivo, só essa comunhão espiritual, podem moralmente alicerçar o dever de servi-la e dar a vida por ela.

António de Oliveira Salazar in discurso de 7 de Janeiro de 1949.

10/12/2019

Meios de desinformação em massa


A imprensa, a rádio e a televisão, que constituem os meios de comunicação de massas, são, a par de importantes meios de combate, instrumentos fundamentais das ideologias. Os jornais, os boletins informativos, ou formativos, da televisão, os programas da rádio, nunca são neutrais: veiculam uma concepção do mundo e da vida, defendem um determinado tipo de doutrina, fazem a propaganda de certos modelos e atacam directa, ou indirectamente, as outras posições.
O seu alcance é considerável: os mass media cobrem todo o território, transformando os Estados no que McLuhan chamou de "aldeia global". Penetram todos os rincões, invadem todos os lares, difundem verdades, factos, mentiras e semi-mentiras, a um ritmo inultrapassável. Os estudos de propaganda política, que se ocupam da eficácia destes meios no tratamento das populações, demonstram que bem manipulados e cientificamente utilizados, os mass media podem controlar os gostos e as aspirações dos cidadãos. Encaminhá-los num sentido ou empurrá-los para outro. Fazê-los odiar o que antes admiravam, levá-los a desejar o que anteriormente recusavam. (...)
A imprensa, mais antiga, reparte-se por formações partidárias, grupos industriais e comerciais, bancos, empresas jornalísticas, instituições sociais e, normalmente, reflecte a ideologia dos seus detentores. Cada partido procura possuir um ou vários diários, controlar semanários, editoras, emissoras, e daí difundir a sua propaganda sob o aspecto de notícias ou comentários objectivos. Como afirmava Lenine, um jornal é indispensável à organização e progresso de um partido. É efectivamente o "grande organizador colectivo", e, à falta de meios mais eficazes como a televisão, ele ainda desempenha essa tarefa primordial.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

08/12/2019

Imaculada Conceição: Rainha e Padroeira de Portugal


Salve, nobre Padroeira
Do Povo, teu protegido,
Entre todos escolhido,
Para povo do Senhor.

Ó glória da nossa terra,
Que tens salvado mil vezes,
Enquanto houver Portugueses,
Tu serás o seu amor.

Com tua graça e beleza
Um jardim não ornas só,
Linda flor de Jericó,
De Portugal és a Flor!

Flor de suave perfume,
Para toda a Lusa gente,
Entre nós, em cada crente
Tens esmerado cultor.

Acode-nos, Mãe piedosa,
Nestes dias desgraçados,
Em que vivemos lançados
No pranto, no dissabor.

Lobos famintos, raivosos
O teu rebanho atassalham,
As ovelhas se tresmalham,
Surdas à voz do pastor.

Da fé a lâmpada santa,
Que tão viva outrora ardia,
Se teu zelo a não vigia,
Perde o restante fulgor.

Ai! da Lusa sociedade,
Se o sol do mundo moral
Se apaga... Ó noite fatal!
Ó noite de negro horror!

És a nossa Padroeira,
Não largues o padroado
Do rebanho confiado
A teu poder protector.

Portugal, qual outra Fénix,
À vida torne outra vez.
Não se chame Português
Quem cristão de fé não for.

Hino composto pelo Padre Francisco Rafael da Silveira Malhão, por ocasião da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pelo Beato Pio IX, a 8 de Dezembro de 1854.

06/12/2019

6 de Dezembro: Venerável D. Afonso Henriques

D. Afonso Henriques funda a Igreja da Alcáçova, Santarém.

Tendo-se sempre desejado neste Reino a Canonização do seu primeiro Rei, o Senhor D. Afonso Henriques, na consideração das suas muitas e relevantes virtudes, se têm feito para isso várias diligências. No Reinado do Senhor Rei D. João III se fez o costumado processo sobre suas virtudes [D. Afonso Henriques foi declarado Venerável]. Nas Cortes, que se celebraram em Lisboa em 1641, pediram os Povos ao Senhor Rei D. João IV mandasse tratar deste negócio na Cúria Romana. José Pinto Pereira, Doutor em Teologia e em Direito Canónico, estando expedicionário Régio em Roma, aí escreveu Apparatus Historicus decem continens argumenta, sive non obscura sanctitatis indicia Religiosissimi Principis D. Alfonsi Henrici, Primi Portugaliae Regis, impresso em Roma em 1728, um Tomo de quarto; é dedicado ao Papa Benedito XIII, e juntamente ao Senhor Rei D. João V; o seu assunto é mostrar em Discursos a Santidade do Senhor D. Afonso Henriques, primeiro Rei deste Reino. A prova do primeiro Discurso é a aparição de Cristo Nosso Senhor ao dito Soberano, e declarar-lhe a vitória, que havia de obter dos Mouros, e o desígnio da Fundação de um Império nele para Si. A prova do segundo é ser impetrado, por meio de votos e orações, depois de uma longa enfermidade de seus Pais. A prova do terceiro é a maravilha da sanidade dos defeitos, com que nascera, das pernas pegadas uma por detrás da outra, obtida pela protecção da Virgem Mãe de Deus. A do quarto, a aparição também da mesma Senhora, e dos Anjos, prestando-lhe auxílio em diversas Batalhas. A do quinto, o grande zelo que tinha pela Fé. A do sexto, o objecto da instituição das duas Ordens Militares, de Avis e da Ala, ou Asa. A do sétimo, a piedosa fundação de cento e cinquenta Conventos, ou mais, além de vários Mosteiros, para culto e honra de Deus. A do oitavo, a oferta generosa que de si, e do Reino, fez ao Apóstolo S. Pedro e a Santa Maria do Claraval. A do nono, a grande piedade e reverência com que tratava os Vigários de Cristo, e a pia afeição com que ouvia os Varões justos e Santos. A do décimo, as virtudes que em sua vida praticou; os benefícios que nela lhe fez Deus; os prodígios que obrou depois da sua morte; a inteireza e fragrância do corpo; e a fama póstuma de Santo. Além de tudo isto, mandou o Senhor Rei D. José I principiar outro Processo para a sua canonização, cujas Ordens, Procurações e outros papéis conducentes ao mesmo respeito, foram lidos no Real Mosteiro de Santa Cruz, junto ao sepulcro do mesmo Rei, na presença de toda a sua numerosa Comunidade, no dia 6 de Junho, em que o mesmo Senhor cumpria os seus anos, e se apresentaram ao Bispo Conde, que logo destinou o dia 11 de Julho, oitava da Festa da Gloriosa Rainha Santa Isabel, para se fazer a primeira Sessão, como efectivamente se fez, com assistência das Comunidades Religiosas, Lentes e Doutores da Universidade, e de toda a Nobreza de Coimbra, com universal contentamento de todos. Repicaram-se os sinos da Catedral, da Universidade, e de todos os Conventos, Colégios e Freguesias: com a mesma solenidade se fizeram as mais seguintes Sessões. Tais têm sido os desejos e diligências dos Portugueses, com o fim de verem colocado sobre os Sagrados Altares, um Príncipe, que pelo seu valor e zelo da Fé, livrou grande parte deste Reino do jugo Maometano, e deixou estabelecido o Trono para os seus gloriosos descendentes.

Fr. Cláudio da Conceição in «Gabinete Histórico», Tomo XII, 1828.

04/12/2019

O que é a Natureza?


Natureza, considerada genericamente, significa o princípio universal espalhado por todas as coisas, que opera em todos os corpos, que os move, que lhes dá certas propriedades, tudo por virtude do seu Agente eterno, que é Deus. Ou, é o princípio intrínseco e essencial do que se faz e do que se recebe. No homem, a natureza é simultaneamente o corpo e a alma, porque o corpo e a alma são os princípios intrínsecos de tudo o que o homem faz ou recebe.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

03/12/2019

O caso Climategate


Transcrição: O caso já foi apelidado de Climategate. Em causa estão e-mails trocados entre dois cientistas de renome internacional que foram parar à Internet. Nas conversas entre Phil Jones, director da universidade de investigação climática de East Anglia, na Inglaterra, e o climatologista norte-americano Michael Mann, é possível traduzir a manobra de tentar ocultar do relatório de 2007 do IPCC da ONU, artigos que contrariam a tese do aquecimento global. Esse documento pedia a redução da emissão de gases com efeito de estufa até 85% até ao ano de 2050. Os investigadores tentaram mesmo que fossem eliminadas quaisquer referências de cientistas cépticos sobre os motivos do aquecimento global e dos que assumem que o aumento da temperatura, ou o arrefecimento do Planeta, é um acontecimento cíclico e não exclusivamente relacionado com a poluição. De resto ficou também exposta a tentativa de eliminar as referências ao facto da temperatura estar mesmo a diminuir desde o fim dos anos 90. Um caso que foi omitido até pela própria imprensa, mas que está agora a ser investigado pela ONU e que levou já à suspensão de funções de Phil Jones, o cientista que dirige a prestigiada universidade de investigação do clima, em East Anglia, no Reino Unido.

01/12/2019

Viva a Restauração de 1640!



Na Era de 1639, um ano antes da Aclamação deste Reino, teve esta visão a Venerável Serva de Deus Leonor Rodrigues, na qual viu o Duque de Bragança sentado num Trono Real, e a Santa Teresa [de Ávila] que com a mão esquerda lhe metia um ceptro na mão; e deu-se a entender a esta Serva de Deus, que dali a um ano teriam os Portugueses Rei natural, por intercessão da Santa, e por estar a sua mão esquerda em Portugal; por isso com esta mão lhe punha o ceptro, e não com a direita. Assim se cumpriu no ano seguinte de 1640.

27/11/2019

Da essência do Comunismo

Rússia sacrificada no altar da Internacional.

O comunismo é, na sua essência transcendente, uma solicitação demoníaca, operando por dois processos aparentemente antagónicos, o da vingança de injustiças seculares e o da promessa definitiva de plena satisfação dos desejos humanos.

Leonardo Coimbra in «A Rússia de Hoje e o Homem de Sempre», 1935.


23/11/2019

Sobre a educação dos filhos


Amar é querer algum bem à pessoa amada. Os pais que repreendem e castigam a seus filhos, que lhes apertam o freio em seus apetites, que lhes quebram as suas próprias vontades, que velam sobre as companhias em que andam, exercícios em que se ocupam, e que fazem os mais ofícios de uma boa e solícita educação, o que com isto pretendem para seus filhos é, quanto ao temporal, que logrem vida, saúde e honra, e boa opinião, e tenham préstimo para os ofícios públicos e honrosos, etc.; e quanto ao espiritual, o que pretendem é que tenham virtude e a graça de Deus, e ultimamente consigam o morgado da felicidade eterna.
Pelo contrário, os pais que se descuidam desta boa educação, o que podem pretender, quanto ao temporal, é que os filhos vivam a seu gosto, sem coisa que os contriste ou penalize, que comam, e bebam, e galem, e engordem, e passem, e se façam temidos, ou célebres, ou invejados por algumas prendas naturais, ou pelas riquezas. Quanto ao espiritual nada pretendem; descuidando-se disso totalmente, e deixando-o à comum Providência de Deus; e o que a experiência quotidiana mostra resultar daqui, são muitas desgraças do corpo e da alma, brigas, encontros, mortes, amizades torpes, gastos excessivos, prisões, doenças, desterros, parcialidades, glutonarias, casamentos infelizes e indecorosos, até que amontoando-se pecados sobre pecados, se vem a incorrer na perdição eterna.
Pois perguntara eu agora, qual destes pais ama verdadeiramente a seu filho? De tal sorte formou Deus o nosso entendimento, que proposta ante seus olhos a luz da razão, não possa deixar de reconhecê-la. Claro está que aquele primeiro pai tem amor verdadeiro a seu filho; e que este segundo lhe tem amor falso, com os mesmos efeitos, que se fora ódio fino: Qui parcit virgae, odit filium suum; qui autem diligit illum, instanter erudit illum. O primeiro livra-lhe a sua alma do inferno, ao mesmo tempo que o castiga: Tu virga percuties eum, et animam ejus de inferno liberabis. O segundo ao mesmo tempo que o anima, o vai precipitando no inferno, como cavalo a quem se solta a rédea: Equus indomitus evadit durus, et filius remissus evadet praeceps.

Pe. Manuel Bernardes in «Discurso sobre a Educação», século XVII.

19/11/2019

19 de Novembro: Santa Isabel da Hungria


Viera esta Princesa à igreja ouvir missa, grinalda de ouro na cabeça estrelada de diamantes, grande fausto, grande cortejo de criados e senhores. Ajoelha diante de um Crucifixo, levanta os olhos, vê uma coroa de espinhos, e em si uma de pedraria; vê um corpo nu e chagado, e o seu bem vestido e tratado; vê o Senhor do Céu cercado de dor, angústia e desamparo, e a si de honra, estimação e glória. Cai em terra com um desmaio, como morta. Todos se assustam; levam-na em braços para o palácio; torna a si; muda de vida e começa a ser o que depois foi Santa Isabel, a amantíssima da Cruz e sempre sequiosa de padecer.

Pe. Manuel Bernardes in «Sermões e Práticas», 1711.