28/01/2013

A miséria das cidades


A miséria parece uma secreção do progresso, da civilização. Não é nos campos (até em plena crise), onde a vida é simples e sem ambições, que a miséria se torna aflitiva, dramática. A sua tragédia sem remédio desenvolve-se antes nas cidades, nas grandes capitais, tanto mais insensíveis e duras quanto mais civilizadas. A mecanização, o automatismo do progresso que transforma os homens em máquinas, isolam-no brutalmente substituindo os seus gestos e impulsos afectivos por complicadas e frias engrenagens. O homem das cidades, modelado, esculpido na própria luta com os outros que lhe disputam o seu lugar ao sol, é talvez, sem reparar, a encarnação do próprio egoísmo.

António de Oliveira Salazar in «Salazar: O Homem e a Sua Obra» de António Ferro.

2 comentários:

PEDRO LOPES disse...


Excelente análise do grande estadista.
Já na altura observara tal fenómeno que hoje é ainda muito maior.
E o homem do campo mesmo sendo pobre, arranja sempre algo para matar a fome. E mesmo sem quase nada é livre.
No campo raramente assistíamos a suicídios, hoje nas grandes cidades o suicídio é uma mera estatística como outra qualquer.


Anónimo disse...

Novamente nos deparamos com as palavras sábias e premonitórias de Salazar. Todos os perigos que ele vaticinou estarem a ocorrer nos países supostamnte desenvolvidos, se vêm verificando desde há muito e à escala global, nos chamados regimes democráticos, que de democrático nada têm. Muito mais do que em qualquer ditadura ou regime autoritário, daqueles que ainda não são controlados pelo poder mundial. (Excluídas estão, òbviamente, as ditaduras africanas e mais algumas espalhadas pelos restantes Continentes. Países, estes, que ascenderam à independência mas cujos povos outrora sem doenças e sem fome, hoje sobrevivem a pão e água - quando não morrem de inanição aos milhões - sob a batuta de tiranos sanguinários. Presidentes-fantoche escolhidos a dedo e colocados no poder pelo super poder supra-citado).

Através de um discurso aparentemente simples mas sobremaneira inteligente, Salazar dá testemunho mais uma vez do grande Patriota e do grande Estadista que efectivamente foi.
Maria