Mostrar mensagens com a etiqueta Protestantismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Protestantismo. Mostrar todas as mensagens

São Francisco de Sales e os Protestantes


Ninguém ignora que os protestantes, no seu empenho de tudo reformar, ou antes deturpar, deitaram-se aos Livros Sagrados, e adulteraram e mutilaram muitos dos seus textos, e rejeitaram alguns livros. A este propósito diz o insigne Doutor da Igreja S. Francisco de Sales:
Como pode uma alma boa deixar de arder em santo zelo e de sentir uma indignação cristã, considerando com que temeridade aqueles que não falam senão em Escritura Sagrada, desprezaram, aviltaram e profanaram esse divino testamento do Pai Eterno e falsificaram a sagrada aliança de Deus com os homens? Oh Calvino! Oh Lutero! Como ousais vós riscar, trancar e mutilar tantas nobres partes do sagrado texto da Bíblia? – Tirastes Baruch, Tobias, Judite, a Sabedoria, o Eclesiástico e os Macabeus. Porque alterastes desta forma a Sagrada Escritura? Quem vos disse que não são livros sagrados?... Confessai francamente que só o fizestes para contradizer a Igreja.
Incomoda-vos os Macabeus por neles verdes afirmada a intercessão dos Santos e a oração pelos defuntos. O Eclesiástico porque atesta o livre-arbítrio e a honra devida às relíquias dos Santos. Antes de inclinar a vossa fronte e venerar a Escritura, violastes a integridade dela para acomodá-la aos vossos erros e às vossas paixões. – Suprimistes a santa palavra para não refrear as vossas fantasias. – Como vos justificareis deste sacrilégio diante de Deus?

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 3º Ano, Nº 3, Março de 1897.

A invalidade das ordenações anglicanas


Como dissemos no número passado da Voz, Leão XIII, depois de um maduro exame, declarou inválidas as ordenações anglicanas [na bula Apostolicae curae]. Essa declaração produziu, como era de esperar, benéficos resultados. O Cardeal Vaughan já dirigiu um apelo aos católicos ingleses para que se organize uma sociedade protectora dos pastores protestantes que abraçarem o Catolicismo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 23, Novembro de 1896.

Virgem Santíssima nas catacumbas de Roma


Rossi, arqueológo célebre e autor da Roma Subterrânea, acompanhava certo dia, um sábio professor da Universidade de Oxford, nas catacumbas de Santa Priscila.
Chegando a uma sala subterrânea, cujo tecto era adornado de pinturas admiravelmente conservadas, perguntou o sábio Rossi ao estrangeiro:
Sabereis fixar-me, aproximadamente, a data desta pintura?
Sei a de Pompeia, respondeu o doutor inglês, estudei-lhe seus frescos; por eles julgo ser esta a pintura de igual época.
Tendes razão. As pinturas de Pompeia e as das catacumbas são irmãs, e, por conseguinte, temos diante de nós, um monumento do primeiro século.
Ainda falava e já baixava a luz que alumiava, para mostrar ao doutor protestante, na parede lateral, uma delicada pintura, representando a Virgem Santíssima com o Menino Jesus em seus braços.
Olhai, lhe disse Rossi, reconheceis esta imagem?
É o retrato de Maria, respondeu o protestante.
Muito bem! Há três meses, continuou Rossi, estava esta galeria inteiramente obstruída de areia, uso praticado pelos primeiros cristãos, depois de haverem enchido todos os sepulcros de alguma galeria. Temos, pois, diante de nós, um monumento da Igreja primitiva, que testemunha a antiguidade do culto à Virgem Santíssima.
O doutor protestante ficou muito tempo silencioso; examinando detidamente à luz de seu archote uma bela pintura recentemente desenterrada.
Por fim, levantando a cabeça, quebrou o silêncio com estas breves palavras, que encerram todas as peripécias de uma luta interior travada no íntimo da alma:
'Antiqua superstitionum semina' – Velhas sementes de superstições.
Melhor seria, lhe tornou Rossi, que dissésseis com S. Cipriano: 'Tenebrae sole lucidiores' – Ó trevas mais luminosas que o sol!
O golpe foi fundo, porque a prova era convincente, e o inglês não ousou replicar.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 13, Janeiro de 1896.

Protestante sem réplica


Declamava um protestante contra as imagens dos santos, alegando textos do Antigo Testamento, que as proibiam. Achava-se presente um velho sapateiro, que poucos dias antes ouvira um sermão sobre o assunto, e tão bem o escutara, que nesta ocasião disse mais do que podia saber!
«Senhor pastor, visto que tem tanta devoção pelo Antigo Testamento, que pretende obrigar os cristãos ao que só foi mandado aos judeus, porque não aplica a si a lei que proíbe comer carne de porco, V. que é tão afeiçoado a um bocado de morcela e de presunto, como ao sumo da parreira?»
Não teve o pastor que responder, e embora tivesse, não seria ouvido de ninguém, pelo barulho das risadas que se armou no auditório.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 14, Fevereiro de 1896.

Protestantismo: inimigo da Europa


O grande inimigo da Europa, que importa sufocar por todos os meios que não sejam criminosos, a úlcera funesta que se apega a todas as soberanias e que as corrói implacavelmente, o filho do orgulho, o pai da anarquia, o solvente universal, é o Protestantismo.
O que é o Protestantismo? É a insurreição da razão individual contra a razão geral, e, por conseguinte, é tudo o que de pior se possa imaginar. Quando o Cardeal de Polignac disse ao célebre Bayle: «Vós dizeis ser protestante; mas essa designação é muito vaga: sois anglicano, luterano, calvinista, etc.?» – Bayle respondeu: «Eu sou protestante no sentido pleno do termo: protesto contra todas as verdades». Este céptico famoso deu assim a verdadeira definição de Protestantismo, que é o inimigo essencial de toda a crença comum aos homens; o que o torna inimigo do género humano, porque a felicidade das sociedades humanas repousa sobre esse tipo de crenças.

Joseph de Maistre in «Réflexions sur le Protestantisme dans ses rapports avec la Souveraineté», 1798.

O espírito das revoluções (I Parte)


Lede, vos torno a dizer, a história da Revolução Francesa, deste horrendo quadro que desonra os anais do género humano; subi à sua origem, examinai as suas causas e os seus progressos e vede a sua perfeita analogia com as revoluções que renasceram das suas cinzas. A de Espanha vai correspondendo perfeitamente ao seu modelo; a de Nápoles e a do Piemonte começaram adoptando por base a de Espanha, donde emanaram as inspirações; quanto à nossa de Portugal, os factos não precisam comentário: observai e julgai. Todas são filhas da mesma mãe, beberam o mesmo leite e hão-de derramar sobre os homens iguais favores.
João Wycliff, transferindo de Deus para os homens a origem de todo o poder, armou os povos contra os Governos, desenvolvendo no século XIV as sementes da revolução que rebentou no século XVIII. Se ele não as desenvolvesse, outro as desenvolveria, porque existem no espírito humano impaciente de subordinação e amigo da novidade. Era um simples controversista; e as suas doutrinas tiveram a maior influência nos destinos de uma grande parte do género humano. Questões de escola tem por muitas vezes alagado o mundo em sangue.
Tiraram um lugar da Universidade de Oxford a certos religiosos para o darem a Wycliff; e sobrevindo questões a este respeito, tornaram a tirá-lo a este para o restituírem aos religiosos. Wycliff apelou para o Papa, que decidiu contra ele; e daqui começaram as suas declamações contra a Cúria Romana e contra o clero em geral, que o conduziram a atacar os dízimos e a propriedade nos indivíduos e a pregar a igualdade e a independência entre os homens. O efeito foi pronto e nada menos do que uma sublevação geral dos homens do campo, que, segundo as leis de Inglaterra, eram obrigados a cultivar as terras dos senhores territoriais, e quiseram fazer-se independentes. Mais de duzentos mil pegaram em armas e cometeram os maiores excessos gritando liberdade, liberdade. Vede como vão de acordo as revoluções modernas.
De Inglaterra estas doutrinas passaram para Alemanha; e se consultardes a história de João Hus e de Jerónimo de Praga, vereis como estes famosos entusiastas inflamaram com elas o espírito público. João o Vesgo (Žižka) foi ainda mais longe. Formou exércitos, sublevou os povos, queimou cidades, devastou os países por onde passava e tentou estabelecer o Governo republicano, destruindo o monárquico. Três exércitos mandou contra ele o Imperador Sigismundo e todos destruiu Žižka; e perdendo em uma batalha o olho que lhe restava, assim mesmo continuou as suas devastações à frente das tropas. Conta-se que ordenara em seu testamento, que da sua pele se fizesse um tambor, cujo som reunisse os seus sequazes; e aqui tendes um facto que pinta ao vivo o atroz entusiasmo de semelhantes chefes. O certo é que depois de morrer, o seu espírito foi ainda fatal por muito tempo ao Imperador, que gastou 16 anos para pacificar a Boémia. Vede quanto pode o fanatismo revolucionário.
Este mesmo espírito sopeado, mas não extinto, surgiu mais de um século depois para reproduzir ainda por outro as mesmas perturbações em escala mais extensa. Martinho Lutero foi o novo campeão, que em um canto da Saxónia, levantou o estandarte da revolta, na aparência somente contra a Igreja, mas na realidade contra todos os poderes. Comoveu-se todo o Norte com os seus erros teológicos e com as suas máximas políticas: uma delas era a invasão das propriedades eclesiásticas, e foi um meio de dar ainda maior força ao seu partido. No seu tratado do Fisco comum, deu a ideia de um tesouro público em que se recolhessem as rendas de todos os Bispados, Mosteiros e Abadias, e, em geral, de todas as propriedades da Igreja, que intentava usurpar. Com isto acendeu a cobiça dos Governos avarentos e empobrecidos, fornecendo-lhes meios de suprir à sua vaidade; e com estes novos Baltazares não houve mais segurança para os bens eclesiásticos. Vede também como nisto vão de acordo as revoluções modernas.
Se por este meio conseguiu Lutero chamar ao seu partido Príncipes, Senhores e Magistrados, sublevando-os contra os Papas e contra os Bispos: Müntzer, um dos seus mais célebres sectários, achou o de sublevar os povos contra todos estes, pregando a igualdade. Ele e os seus discípulos armaram novos bandos de furiosos, que cometeram, em nome de Deus, cruezas inauditas, despedaçando tudo quanto encontravam nas suas correrias, principalmente os eclesiásticos e os nobres, que são também o alvo principal a que se encaminha o ódio dos revolucionários modernos. Aqui teve principio a seita dos Anabaptistas, que como feras assolaram ainda por muito tempo a Alemanha depois da morte dos seus chefes.
Por outra parte João Calvino, chefe de uma nova seita conforme à de Lutero em muitos princípios, e diversa em outros, ateava o fogo da discórdia e das guerras civis nos países onde lavrou. O espírito do Calvinismo era republicanizar os povos. Depois que Genebra o admitiu é que foi verdadeiramente República. Executou a mesma empresa na Holanda; e se o não conseguiu em França não foi por falta de diligências. Uma longa série de perturbações e de guerras civis desde Francisco I até Luís XIV foi o fruto das intrigas dos Reformadores: os Reis foram obrigados a conceder-lhes muitas praças de segurança e verificou-se por monumentos autênticos que o seu projecto era fazer de toda a França uma República dividida em departamentos, como depois fizeram os revolucionários de 1792; e escolhendo La Rochelle para sua capital, nesta cidade sustentaram dois cercos, sendo as tropas Reais obrigadas a levantar o primeiro e indo o Cardeal de Richelieu comandar o segundo, que durou mais de um ano, depois do qual foram obrigados a render-se.
Destas doutrinas nasceu em Inglaterra a facção dos Puritanos, que por muito tempo dispôs do trono, e mais de uma vez o ensanguentou. Foram elas as que sublevaram os povos na longa série de revoluções e de guerras civis que devastaram as ilhas Britânicas. Estes mesmos Puritanos chegaram também a formar uma espécie de República na Escócia. Dentre eles se levantou o famoso Prégador João Knox, que com as suas declamações violentas concitou os povos contra a Rainha Maria Stuart e foi o mais ardente promotor das desgraças desta infeliz Princesa, que só terminaram no cadafalso.
Foram estas mesmas doutrinas, estes mesmos Puritanos os que animaram os Comuns de Inglaterra a declararem-se Soberanos; os que levaram Carlos I ao patíbulo, os que formaram a efémera República Inglesa, a qual teve de ceder bem depressa ao génio e às intrigas do hipócrita Cromwell, que no meio de tantas perturbações se apoderou facilmente do poder supremo debaixo do título de Protector. As perturbações que a Inglaterra sofreu nesta época foram o prelúdio e o modelo porque depois se havia de desenvolver a Revolução Francesa: Cromwell o protótipo de Bonaparte. Por morte do Protector, seu filho Ricardo Cromwell, que não tinha o génio do pai, foi expulso, e os Ingleses chamaram ao trono Carlos II; mas a tranquilidade pública continuou a ser perturbada durante o seu reinado; e o de Jacques II pelas mesmas facções, imbuídas nos mesmos princípios. Jacques foi expulso e em lugar dele foi entronizado seu genro Guilherme III, que sabendo reinar com firmeza, soube também conter as facções.
Assim acabaram na Inglaterra as guerras de opinião, depois de terem feito correr ondas de sangue. No Continente as perturbações causadas pela Reforma só acalmaram com a paz de Vestefália, que sancionou muitos daqueles princípios contra os quais se tinham levantado tantos Príncipes e deu à Europa um novo Direito público. Digo que acalmaram e vai muito do acalmar ao extinguir. O espírito da Reforma sobreviveu aos Reformadores do século XVI e não podia saciar-se sem uma revolução geral de princípios que desorganizasse toda a ordem existente, confundindo todos os seus elementos. A matéria é mui vasta, e eu não tenho feito mais do que marcar certos pontos cardeais na história de quatro séculos, para que possais, sem divagar muito, chegar ao conhecimento do mais essencial. Lançai uma vista de olhos sobre eles e sobre todos os grandes acontecimentos públicos que com ele tem relação, vereis como estão ligados entre si, formando uma longa cadeia bem perceptível desde Wycliff e seus sequazes, até Mirabeau e seus confrades, em que aparece sempre o amor da novidade agitando o mundo para destruir tudo o que é antigo, ou seja bom, ou seja mau; e as paixões procurando sacudir o freio que lhes impõe a Religião e os Governos; e uma vez que o tenham conseguido perturbar o mundo com seus excessos.

(Continua...)

José Acúrsio das Neves in «Cartas de um Português aos seus Concidadãos sobre diferentes objectos de utilidade geral e individual», Carta VIII, 1822.

Padre Cruz ao povo de Alcochete


Uns anos atrás, não muitos, os propagandistas da heresia de Lutero, apostados em arrastar para a apostasia o povo católico da Outra Banda, preparavam-se para assentar arraiais em Alcochete. Fez-lhes frente o Padre Cruz com a seguinte carta, que surtiu plenamente o efeito desejado:

Caríssimos patrícios,
Visitando a Penitenciária de Coimbra, encontrei um preso sustentando doutrinas protestantes.
Disse-lhe: não posso agora discutir e mostrar-lhe a falsidade dessas doutrinas contrárias aos ensinamentos da Santa Igreja Católica.
Só lhe digo: – o que eu, graças a Deus, prego e pratico foi o que pregou e praticou de um modo extraordinário o grande apóstolo das Índias S. Francisco Xavier, um dos santos que Nosso Senhor suscitou na Sua Igreja para combater a heresia protestante. Ora, disse eu ao mesmo preso, ponha em confronto a vida extraordinária em virtude e prodígios de S. Francisco Xavier (que chegou a ressuscitar mortos com o poder de Nosso Senhor) – com a vida miserável e escandalosa de Lutero e outros que se revoltaram contra a Santa Igreja Católica.
Queridos patrícios, eu também agora não pretendo mostrar a falsidade do protestantismo, só vos digo que na nossa querida terra também nasceu o grande Rei D. Manuel, que tanto dilatou o nosso Império Português e a Santa Fé Católica que temos a dita de professar; foi também o berço do bem-aventurado Manuel Rodrigues, um dos 40 mártires do Brasil, que foram barbaramente martirizados (quando se dirigiam para o Brasil) pelos hereges protestantes, cujo chefe morreu depois miseravelmente, desesperado, uivando como os cães: enquanto os santos mártires (entre os quais o nosso santo patrício) morreram contentes, dizendo: sirvam-nos os anjos de testemunha que nós morremos pela nossa Santa Fé Católica. Lembro-vos a resposta que deu Melanchton, protestante, à sua mãe, que tinha abraçado o protestantismo a seu pedido: – «minha mãe, para viver é melhor a religião protestante, mas para morrer é melhor e mais segura a católica». Nunca um católico se arrepende, à última hora, de o ser.
Peçamos muito à nossa Mãe Santíssima Nossa Senhora (a quem os infelizes protestantes desprezam) que nos alcance a santa perseverança até ao fim da vida, para vivermos e morrermos como verdadeiros católicos – e para eles a graça da conversão, e que não tenham o atrevimento de virem à nossa terra roubar-nos o precioso tesouro da nossa Santa Fé.
Vosso patrício e muitíssimo dedicado que só deseja a vossa prosperidade e principalmente a salvação de vossas almas.
Pe. Cruz, S. J.

Fonte: Jornal «O Monumento», Nº 20, 24 de Dezembro de 1948.

Lutero: herói da Alemanha Comunista


Celebra-se neste ano de 1983 os 500 anos do nascimento de Lutero. Ele nasceu em 10 de Novembro de 1483 e a sua influência é ainda considerável no nosso tempo. Na Alemanha, o Lutherjahr une as duas partes da nação alemã [ocidental e oriental] na comemoração da vida e obra do monge herege que professou na Ordem dos Agostinhos. Filmes, livros, cerimónias oficiais e iniciativas de índole religiosa, chamam a atenção do povo germânico para os remotos tempos do século XV.
No Ocidente, o presidente Karl Carstens inaugurou no Verão uma exposição em Nuremberga e declarou sintomaticamente: «Lutero tornou-se um símbolo de unidade para toda a Alemanha. Nós somos todos herdeiros de Lutero». Bustos, medalhas, colóquios e debates, fazem parte do bric-à-brac, que também inclui uma participação católica...
Na Alemanha de Leste, depois de o terem injuriado como um serventuário dos príncipes e um traidor à causa revolucionária, a elite política entendeu que ele é, a quinhentos anos de distância, um herói. É justamente o chefe do Partido Comunista, o presidente Erich Honecker, que chefia o quadro de honra das comemorações oficiais e foi ele que se lhe referiu como «o iniciador de um grande movimento revolucionário», descrevendo a Bíblia de Lutero como «uma das maiores realizações culturais da nossa história».
O governo do Leste, em cujo território se encontram a maior parte dos locais em que Lutero se movimentou, teve o cuidado de restaurar, à custa de milhões de dólares, as instalações primitivas: Eisleben, onde ele nasceu e morreu, Erfurt, onde se preparou para o sacerdócio católico, Wartburg, onde traduziu o Novo Testamento e, evidentemente, Wittenberg, o berço do Protestantismo. O famoso Lutherjahr da RDA tem uma comissão oficial com 104 membros, 6 membros do Politburo e uma larga equipa de especialistas e burocratas do governo. Honecker e o seu aparelho estão apostados na recuperação do «herói» germânico, o que ajudaria a forjar um mito fundacional e a demonstrar a genuína realidade de uma verdadeira Alemanha no Leste, herdeira e admiradora das suas belas tradições históricas.
Paradoxalmente, este interesse objectivo por Lutero por parte do Leste alemão depara-se com um grande problema. É que Lutero ajudou e incitou os príncipes a liquidar os camponeses revoltosos, que apenas desejavam pôr em prática as teorias de Lutero... Mas o facto é que o interesse alemão é demasiado para se prender a estes pormenores. O Partido Comunista da República Democrática Alemã (RDA) preparou-se antecipadamente e, em 1981, declarou Lutero «precursor da Revolução» e «objectivamente progressista», e contra isto não há nada que objectar. Assim, fica arrumado o monge falaz na galeria honrada dos heróis germânicos, de leste e oeste, penhor de uma revolta contra o Papado, contra o Vaticano, contra a Doutrina Tradicional e, enfim, contra a herança velha de séculos que a Igreja tem à sua guarda.

Fonte: Revista «Futuro Presente», 1984.

Monsenhor Lefebvre e o Barroco

Capela de São João Baptista (Lisboa)

Já na arte barroca da contra-reforma católica, o meu julgamento é bem diferente, especialmente nos países que resistiram ao Protestantismo: o barroco utilizará ainda anjinhos rechonchudos, mas esta arte de puro movimento e expressões às vezes patéticas é um canto de triunfo da Redenção, um canto de vitória do Catolicismo sobre o pessimismo de um Protestantismo frio e desesperado.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

EUA: berço da Revolução Mundial


República imperial, capitalista, maçónica e protestante: é a definição dos Estados Unidos. (pág. 151)

Mas os Estados Unidos são o primeiro país cujos governantes são todos ou quase todos maçons, e onde, não havendo oficialmente religião protegida pelo Estado, a situação de facto é: governo maçónico. E governo maçónico quer dizer o seguinte: todos os conflitos abertos, todas as disputas políticas travadas diante do público, que constituem a pulsação da vida democrática, não são senão a exteriorização de divergências nascidas e elaboradas dentro da Maçonaria. A espuma democrática encobre e disfarça a luta interna no seio de uma nova aristocracia, cuja unidade espiritual repousa nas mãos de um novo sacerdócio. (pág. 159)

Os Estados Unidos são uma República protestante. (...). República protestante vai significar, em última instância: Estado laico, Estado sem religião oficial. Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente areligioso – no sentido etimológico: agnóstico – que se conhece na História do mundo.
A revolução que isto representa na estrutura mental da humanidade é tão profunda, tão vasta nas suas consequências, que perto dela as revoluções seguintes – da França, da Rússia ou da China, para falar só das maiores –, com todo o seu vistoso cortejo de morticínios, de radicalismos ideológicos, de novas modas culturais, de experiências económico-administrativas extravagantes, nada mais são do que acréscimos periféricos e notas de rodapé. Todas essas revoluções passaram, os Estados que fundaram ruíram com fragor ou derreteram-se melancolicamente, e a parte do seu legado cultural que não se dissipou em fumaça terminou por incorporar-se, sem grandes choques, à corrente dominante: a Revolução Americana.
Ora, qual o legado dessa Revolução no mundo? A democracia? Não pode ser, visto que ela convive perfeitamente bem com ditaduras, quando lhe interessa, e visto que a subsistência de uma aristocracia maçónica associada de perto a uma oligarquia económica é um dos pilares do sistema norte-americano. O capitalismo liberal? Também não, porque o próprio sistema norte-americano, através da expansão do assistencialismo estatal, acabou por assimilar várias características da social-democracia. O republicanismo? Não, porque os elementos democráticos e igualitários da ideologia norte-americana que se espalharam pelo mundo puderam, sem traumas, ser incorporados por antigas monarquias tornadas constitucionais, como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Espanha. Dos vários componentes da ideologia revolucionária norte-americana, o único que foi assimilado integralmente, literalmente e sem alterações por todos os países do mundo foi o princípio do Estado laico. Se é verdade que "pelos frutos os conhecereis" ou que as coisas são em essência aquilo em que enfim se tornam, a Revolução Americana só é democrática, republicana e liberal-capitalista de modo secundário e mais ou menos acidental: em essência, ela é a liquidação do poder político das religiões, a implantação mundial do Estado sem religião oficial. (pág.164)

O predomínio absoluto da moral civil representa o boicote sistemático de toda a transmissão da moral religiosa às novas gerações. A formidável expansão do ateísmo no mundo, bem como o fenómeno das pseudo-religiões que desviam para alvos inócuos ou mesmo prejudiciais os impulsos religiosos que ainda restem na humanidade, jamais teria sido possível sem esta realização da Revolução Americana. (pág. 167)

A Revolução Americana que incorpora o ideal do império laico tende a mundializar-se, arrastando na sua torrente todas as forças intelectuais e políticas que, de uma forma ou de outra, acabam por colocar-se involuntariamente ao seu serviço. Ela intervém decididamente e a fundo na estrutura da alma de todos os seres humanos colocados ao seu alcance, instaurando neles novos reflexos, novos sentimentos, novas crenças que constituirão, em essência, a cultura pós-cristã, ou mais claramente: anti-cristã. (pág. 184)

A contradição resolve-se, tão logo entendemos que a dinâmica imperial dos Estados Unidos não provém de causas económicas, porém intelectuais, culturais e políticas: os Estados Unidos são uma potência imperial porque a sua fundação constituiu um revigoramento da ideia imperial; porque o projecto de império laico que incorpora as concepções iluministas do Estado representou, no instante da fundação da República Americana, a síntese e o resultado das contradições entre sacerdócio e aristocracia (...); porque o surgimento do moderno Estado laico incorporado no Império Americano é, por essência, um projecto expansivo, revolucionário, modernizante, destinado a reformar o mundo; porque a Revolução Americana é, enfim, o primeiro passo da Revolução Mundial que, dando uma "solução final" ao conflito entre autoridade espiritual e poder temporal, absorverá no Estado, em aliança com a intelligentzia, toda autoridade espiritual, neutralizando todas as religiões do mundo e instaurando a religião de César. (pág. 185)

Ora, o único lugar do mundo onde os ideais iluministas foram realizados na máxima extensão possível das faculdades humanas foram os Estados Unidos. (pág. 193)

O facto é que, sepultado o comunismo, os Estados Unidos voltam a ser a sede central da Revolução Mundial, tal como no século XVIII foram o seu berço. (pág. 195)

Olavo de Carvalho in «O Jardim das Aflições», 1995.

As três revoluções


Este inimigo terrível tem um nome: chama-se Revolução. A sua causa profunda é uma explosão de orgulho e de sensualidade que inspirou, não diríamos um sistema, mas toda uma cadeia de sistemas ideológicos. Da larga aceitação dada a estes no mundo inteiro, decorreram as três grandes revoluções da História do Ocidente: a Pseudo-Reforma, a Revolução Francesa e o Comunismo. (...)
A Pseudo-Reforma foi uma primeira Revolução. Ela implantou o espírito de dúvida, o liberalismo religioso e o igualitarismo eclesiástico, em medida variável aliás nas várias seitas a que deu origem.
Seguiu-se-lhe a Revolução Francesa, que foi o triunfo do igualitarismo em dois campos. No campo religioso, sob a forma do ateísmo, especiosamente rotulado de laicismo. E na esfera política, pela falsa máxima de que toda a desigualdade é uma injustiça, toda a autoridade é um perigo, e a liberdade é o bem supremo.
O Comunismo é a transposição destas máximas para o campo social e económico.

Plinio Corrêa de Oliveira in «Revolução e Contra-Revolução», 1959.

Mórmons: aberração anti-cristã


Documentário completo, aqui.

***
Maravilho-me de que, tão depressa, passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo, para outro evangelho; o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu, vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo, também, vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho, além do que já recebestes, seja anátema.

Gálatas 1:6-9

Testemunhas de Jeová: aberração anti-cristã




Documentário completo, aqui.

***
E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição; e muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade; e, por avareza, farão de vós negócio, com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

2 Pedro 2:1-3

Protestantismo: 1ª Revolução


A Igreja Católica, segundo o ensinamento de São Pio X, é uma Igreja de desiguais. Uns foram instituídos para ensinar, governar e santificar. E outros para serem ensinados, governados e santificados. Estes últimos são os leigos. (cf. Encíclica Vehementer, de 11-2-1906)
Nesta sociedade de desiguais há uma hierarquia: Cardeais, Arcebispos, Bispos, cónegos, párocos e coadjutores. Em baixo, o povo fiel, que está para a Igreja, como a plebe para a sociedade civil.
O protestantismo nega a autoridade doutrinária da Hierarquia eclesiástica. Cada qual tem o direito de interpretar a Bíblia como quer. A partir desse momento deixa de haver hierarquia. Todas as seitas protestantes têm esse denominador comum igualitário: não há mestres para interpretar o Evangelho, cada um é mestre de si mesmo.
Elas negaram o monarca da Igreja Católica, o Papa, excepto os anglicanos, que reconhecem ao Papa um vago primado de honra, mas não jurídico. Na seita protestante anglicana continuaram os arcebispos, bispos, certos dignitários eclesiásticos à maneira de cónegos, párocos, coadjutores.
A seita luterana também admite esses graus. Mas Calvino, que foi um heresiarca pouco posterior a Lutero, negou os Arcebispos e Bispos, admitindo apenas os padres; são os chamados presbiterianos.
Surgiu depois uma outra seita, a dos niveladores, também conhecidos por quackers, que não admitiam sequer os padres. Ficaram abolidos todos os graus, restando apenas o povo. É uma hierarquia que se destruiu.
Dentro das próprias seitas protestantes esse trabalho de demolição continuou. Na igreja anglicana como na luterana, a autoridade dos homens que continuaram a se dizer bispos e arcebispos foi reduzida a quase a zero. Não tem comparação com a autoridade de um Bispo católico. Os bispos anglicanos não passam de figuras decorativas. O título ainda existe, mas nada significa. Também entre os presbiterianos o título de padre, de ministro, ainda existe, mas quase nada significa. Eles não têm autoridade doutrinária sobre seus fiéis.
Esse movimento igualitário não ficou apenas dentro do protestantismo, mas tentou penetrar várias vezes na Igreja Católica. E acabou penetrando e triunfando por meio do progressismo, que quer reduzir a Igreja a uma república, em que o povo fiel tem o direito soberano de mandar, e o Papa e os bispos fazerem o que o povo quer. Portanto, o contrário da organização hierárquica que estudamos; no fundo não haveria governo, seria a anarquia, o fim da Igreja.
Os protestantes acabaram com as ordens religiosas. Confiscaram, saquearam, fecharam. Algumas se mantiveram na aparência, mas com um ar de mero pensionato. O estado religioso desapareceu nas seitas protestantes. Toda a hierarquia eclesiástica começou a sofrer uma corrosão, cujo termo último é o progressismo em nossos dias.

Plinio Corrêa de Oliveira in conferência «As três Revoluções», 25 de Março de 1965.