O Rei e o Tirano


Bastante se disse já sobre o que separa um Rei de um Tirano. É Rei o que obedece à inspiração divina, segue os ditames da recta razão, promove a justiça, reprime os crimes e as fraudes, observando em tudo a devida ordem e medida.
É Rei o que consegue impor-se a toda a Nação pelos merecimentos de suas virtudes; o que todos os perigos afronta para salvar a pátria; o que, aspirando à posse da eterna glória, chega a desprezar a morte para alcançar a imortalidade.
Será, pelo contrário, Tirano, aquele que não atender a Deus, enjeitar os ditames da razão, der guarida à impureza e ao prazer; o que violar as leis divinas e humanas, e recorrer ao dolo e à simulação.
Será Tirano quem trocar a verdadeira dignidade por uma falsa aparência de decoro; o que julgar ter-se desempenhado cabalmente da sua função quando, dominando pela força, tiver aterrado e pilhado todo o povo para aumentar seus cabedais, recorrendo a violências e fraudes. Portanto: como o protege Deus com a sua graça, como alicia os corações de todos com o fulgor das suas virtudes impolutas, o Rei assisado na sua administração, intrépido em repelir o inimigo, moderado em seu governo, constante em manter justa a lei, e feliz em seus empreendimentos. Sentindo-se ele próprio feliz, torna florescente e prendada a pátria inteira.
O Tirano torna-se odiado pela sua malvadez, pelas suas torpezas e embustes. Já nele não confiam os homens, que lhe são todos hostis. Tudo faz entre raivoso e ousado, entre indeciso e cobarde; já não o ajuda Deus com seu auxílio.
Donde, por força há-de ele corromper-se a si e aos que lhe são sujeitos, não se ficando que os não desgrace a todos.
Bem é de ver agora que tais males – todos quantos desfiámos – não os promove o verdadeiro Rei, mas o que falsamente o nome de Rei se arroga. Cumpre ele a sua missão mais à maneira de Tirano do que de beneficente e legítimo Rei.

D. Jerónimo Osório in «Da Instituição Real e sua Disciplina», 1571.

Da Autoridade legítima e da justa Obediência


Além disso, é obrigação verdadeira prestar reverência à autoridade e obedecer com submissão às leis justas, ficando assim os cidadãos livres da injustiça dos iníquos, graças à força e vigilância da lei. A potestade legítima vem de Deus, e quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; por isso, a obediência é grandemente enobrecida, pois é prestada à mais justa e elevada autoridade. Mas, quando falta o direito de mandar, ou se ordena algo contra a razão, contra a lei eterna ou contra os mandamentos divinos, é justo não obedecer aos homens, entendendo-se, porém, que se deve obedecer a Deus. Fechado deste modo o caminho à tirania, o Estado não absorverá tudo, e ficarão salvaguardados os direitos dos particulares, da família e de todos os membros da sociedade, concedendo-se a todos participação na verdadeira liberdade, que consiste, como demonstrámos, em poder cada um viver segundo as leis justas e a recta razão.
(...)
E com razão, porque esta liberdade cristã testemunha o supremo e justíssimo domínio de Deus sobre os homens e, ao mesmo tempo, a primeira e principal obrigação do homem para com Deus. Nada tem esta liberdade em comum com o espírito sedicioso e desobediente, nem de modo algum se deve pensar que pretenda eximir-se ao respeito devido à autoridade pública; pois a potestade humana só possui o direito de mandar e exigir obediência enquanto não divergir em coisa alguma da potestade divina, mantendo-se dentro dos limites por esta estabelecidos. Mas, quando se ordena algo que claramente contraria a vontade divina, ultrapassam-se esses limites e entra-se simultaneamente em conflito com a divina Autoridade; por isso, então, o justo é não obedecer.

Papa Leão XIII in encíclica «Libertas praestantissimum», 20 de Junho de 1888.

A Soberania do Povo


De que na antiguidade sagrada, ou profana, por mais que se busque, não aparecem vestígios, antes pelo contrário, quanto mais perto da origem da sociedade chegam os trabalhos e exames históricos, vai-se parar constantemente em algum Rei ou Juiz ou Magistrado Supremo... o que é tão certo, que o ditado vulgar – Haja um que nos governe... já o era mil anos antes que Jesus Cristo viesse ao mundo...
Foi a Soberania do povo quem levou ao Cadafalso o Rei Carlos I de Inglaterra e em nossos dias o malfadado Luís XVI, e acabaria infalivelmente por fazer a todos a mesma gracinha, se lhe não forem a mão, e cortarem os herpes mui radicalmente de maneira, que nunca mais pegue tal doutrina, quer seja de sementeira, quer de enxertia, quer de estaca... Assentemos por uma vez que nunca o povo se diz soberano para outro fim mais do que para cair toda a Soberania nas mãos de um punhado de aventureiros, que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto mui a salvo, e a despeito da moral cristã, e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa, e por certo que não há coisa melhor nesta vida...
Se pegou a lábia ficaremos verdadeiramente Soberanos, e o povo terá de obedecer a muitos que só curam de esmagá-lo e saqueá-lo, em lugar de um só que nenhum interesse tinha de o vexar e de o oprimir. Se o tiro falhou e não acerta no alvo, não falharão as louras que vão na algibeira e que darão para comer e viver folgadamente em qualquer parte do mundo. São pois os heróis deste jaez inimigos do povo a quem esbulham de todo fruto dos seus suores e fadigas; são inimigos dos Reis cuja autoridade aviltam a ponto de fazerem sensível pela experiência de alguns anos, que um Rei é traste supérfluo, e que se todas as suas funções se devem reduzir a assinar de cruz em todos os papéis que lhe arrumarem, será melhor que o não haja... pois um Rei assim que custa um conto de reis por dia, sai mui caro à Nação (1). Ora tem saído a lume refutações sem conto desses Puritanos, liberais, Pedreiros, carbonários, etc., etc., etc. mas quem deu chiste foi o autor de Hudibras.
Ainda que o restabelecimento de Carlos II no trono do Inglaterra sufocou os partidos, e restituiu a paz e a tranquilidade ao próprio Reino, que nessa parte mais feliz do que acaba de ser o nosso, não fora roubado sob a Protecção de Cromwell e que à primeira voz que soltou o General Monck (mais feliz do que o nosso ínclito Silveira) gritou em altas vozes pela Monarquia; nem por isso deixou de haver uma chusma de descontentes, que sem embargo de que todas as classes tinham aceitado cordialmente a mudança de governo, mordiam-se de raiva, e não perdiam de todo a esperança de tornarem a subir...
Apareceu o Hudibras, ficaram todos metidos num chinelo, e nunca mais ninguém piou, e o que não chegaria a fazer toda a severidade de um rei, que desagravava o trono de seu desgraçado Pai, conseguiu-o a pena de um escritor, que sem nomear pessoas, ainda que designando-as mui claramente pelas suas artes, prendas e manhas, triunfou daquela emperrada teima de reformar a torto e a direito, e por certo mais esforçado que Alcides livrou a sua ditosa pátria destes verdadeiros leões de Nemeia... Apareça entre nós um Hudibras – e sem pão nem pedra daremos cabo dos Pedreirinhos, que conseguirem escapar ao desterro e à morte, e a qualquer outra pena que lhes infligir a justa severidade das Leis.

(1) Expressão de um ilustre deputado às Cortes Ordinárias, que decerto não podiam ser mais ordinárias.

D. Fr. Fortunato de S. Boaventura in «O Punhal dos Corcundas», Nº1, 1823.

Mais escândalos demo-republicanos


É pecado de escândalo a normalização do mal como se fosse bem ou menos mal; é pecado de escândalo honrar e louvar os inimigos públicos de Jesus Cristo, da Santa Igreja, da Cristandade, da nossa Pátria Portuguesa, dos nossos legítimos Reis e antepassados Católicos.

Os dirigentes republicanos no poder usurpado multiplicam os escândalos públicos, com elogios e homenagens aos criminosos, seus heróis ou pais ideológicos. Já há muito que vemos espalhadas por todo o lado as estátuas, ruas e avenidas com figuras do Liberalismo (1820), da República (1910) e da Democracia (1974)...

Mas nos últimos anos vemos surgir um fenómeno novo, igualmente escandaloso: as honras e os elogios aos históricos invasores Mouros – inimigos de Portugal, da Fé Cristã e contra os quais lutaram os nossos egrégios Avós, cuja memória é ofendida. A mais recente foi a estátua de um Rei Mouro, inaugurada em Beja, a 13 de Junho, logo no dia do maior Santo português e padroeiro equi-principal de Portugal.

Ai do mundo por causa dos escândalos, diz Nosso Senhor. Ao que acrescentamos: que falta faz a Justiça dos bons Reis e a Santa Inquisição para pôr termo a tantas desordens!

10 de Junho: Festa do Anjo de Portugal


Todos os Reinos e Pátrias têm o seu Anjo Custódio, que os protege dos perigos e auxilia nas adversidades. A fidelíssima Nação Portuguesa é a única cujo Santo Anjo tem culto litúrgico próprio, oficial e instituído pela Igreja em 1504. Por origem o Anjo de Portugal é São Miguel Arcanjo, guardião do Reino pelo qual o Príncipe da Milícia Celeste batalhou ao lado de D. Afonso Henriques na reconquista de Santarém aos Mouros. Roguemos ao nosso Anjo Custódio do Reino de Portugal, para que sempre nos defenda e dignifique:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os Portugueses de todo o mal.

Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais, assim como tudo o que puder perturbar a paz dos Portugueses.

Anjo Custódio de Portugal, defendei a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, salvai a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, santificai a nossa Pátria!

Corpus Christi


Corpus Christi ou Corpo de Deus é a festa que se celebra na quinta-feira seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade. A Igreja instituiu esta festa para louvar com uma procissão solene a Santíssima Eucaristia. É certo que a Eucaristia foi instituída por Jesus Cristo na Quinta-Feira Santa; mas, como nesse dia não pode haver uma comemoração festiva, por causa das cerimónias que recordam a Paixão de Jesus, a Igreja escolheu outro dia – a quinta-feira seguinte ao Domingo da SS. Trindade – para festejar aquela sublime instituição. É dia santo de guarda. Nos povos onde se faz a procissão, costumam os fiéis embandeirar as janelas e juncar de flores as ruas por onde passa em procissão Jesus Sacramentado.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

O Estado Novo e os Republicanos


Para que sirva de testemunho, transcrevo um vídeo-entrevista ao Prof. António José de Brito para o projecto «Direitas Radicais em Portugal», em Dezembro de 2009:

«Ser-se republicano [no Estado Novo] era quase tão despiciente como ser-se filiado [...?], só provocava chacota. E alguns sinceros e muitos respeitáveis republicanos de então, apoiantes do sistema, quando confessavam o seu republicanismo, confessavam-no brincalhonamente, para não escandalizar o possível monarquismo dos interlocutores. Dar um "viva a República" num comício do Estado Novo era tão extraordinário como dar um "viva o Comunismo".»

Os republicanos eram republicanos em banho-maria. Havia... o que pode dizer-se é que havia bastantes indiferentes... indiferentes. Mas que também nunca poriam resistência a uma restauração monárquica a sério, evidentemente, não a monarquia que depois os integralistas deram... a monarquia do [Paiva] Couceiro, e tal...; a uma monarquia autêntica, com uma certa indiferença nunca se oporiam. (...)

Salazar dizia que o grande apoio do Estado Novo são os monárquicos, são os católicos e alguns republicanos sidonistas. Os republicanos tinham o peso todo da tradição republicana, que era democrática, liberal, partidos, etc... Eles lá iam fazer apelo ao governo de um só!? Eles eram [em geral] contra o regime que estava, exactamente por ser próximo de monarquia: ser o regime de um só, Salazar a mandar.

Nós gritávamos quando estávamos na Mocidade Portuguesa: "Quem manda? – Salazar, Salazar, Salazar! Quem vive? – Portugal, Portugal, Portugal!". Sempre o apelo a um chefe, a um chefe único. Evidentemente que um republicano genuíno, como é que ele ia a... [apoiar]? Só se tivesse, como por exemplo agora... pode admitir-se porque o pretendente ao Trono não é pretendente a coisa nenhuma (...), não é monárquico, ele não é monárquico! Como dizia o [Alfredo] Pimenta, e muito bem: «Eu sou monárquico sem Rei, temos que proclamar a excelência dos princípios e a carência das pessoas».

Centenário do 28 de Maio de 1926


Passam hoje 100 anos sobre o glorioso golpe contra-revolucionário que pôs fim à República e instaurou a Ditadura Nacional, posteriormente Estado Novo. Sobre isso, vale a pena lembrar as palavras de Salazar:

Faz hoje dez anos, neste mesmo local, às ordens de Gomes da Costa, cujo optimismo e valentia quase não eram virtudes – brotavam-lhe espontaneamente da alma como exigência da própria natureza –, o Exército português desencadeara o movimento, triunfante sem luta, glorioso sem sangue, porque na verdade a voz de comando foi apenas a expressão militar de uma ordem irresistível da Nação. E começou a nova era.
Eis agora o que se passou.
Às almas dilaceradas pela dúvida e o negativismo do século procurámos restituir o conforto das grandes certezas. Não discutimos Deus e a virtude; não discutimos a Pátria e a sua História; não discutimos a autoridade e o seu prestígio; não discutimos a família e a sua moral; não discutimos a glória do trabalho e o seu dever.
(...)
Assim se assentaram os grandes pilares do edifício e se construiu a paz, a ordem, a união dos portugueses, o Estado forte, a autoridade prestigiada, a administração honesta, o revigoramento da economia, o sentimento patriótico, a organização corporativa e o Império Colonial.

António de Oliveira Salazar in discurso «As Grandes Certezas da Revolução Nacional», 28 de Maio de 1936.

Dons do Espírito Santo


Dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais que dispõem as faculdades a obedecer prontamente à moção do divino Espírito Santo. Posto que as virtudes movam aos actos bons, os Dons são necessários para a prática dos actos mais perfeitos e para actos heróicos. Nisso se distinguem as virtudes dos Dons do Espírito Santo. São sete:
I Sapiência – move-nos a julgar rectamente das coisas divinas e a dedicarmo-nos a elas.
II Entendimento – faz-nos penetrar as verdades da Fé.
III Conselho – dirige-nos em todas as circunstâncias particulares da vida.
IV Fortaleza – aperfeiçoa a vontade, quanto aos nossos deveres em ocasião de perigo.
V Ciência – faz-nos julgar acertadamente das coisas humanas.
VI Piedade – aperfeiçoa a vontade, quanto aos deveres relativos ao próximo e a Deus.
VII Temor de Deus – aperfeiçoa a vontade, quando é necessário resistir ao atractivo dos prazeres proibidos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Pentecostes


Pentecostes é o décimo dia após a Ascensão do Senhor. Chama-se dia de Pentecostes – palavra que quer dizer quinquagésimo – porque a festa se realiza 50 dias depois da Páscoa. Chama-se também Domingo do Espírito Santo, porque nesse dia, estando os Apóstolos reunidos numa casa da cidade de Jerusalém, em oração, desceu sobre eles o divino Espírito Santo, em forma de línguas de fogo, produzindo efeitos maravilhosos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Espírito Santo


Espírito Santo é uma Pessoa Divina, a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Esta verdade é ensinada pela Sagrada Escritura, dizendo Jesus Cristo aos seus Apóstolos que baptizassem «em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo» (Ev. S. Mat. X X V III, 19). Com estas palavras proclama que o Espírito é igual ao Pai, que é Deus, e ao Filho, que é igualmente Deus. Nos Actos dos Apóstolos conta S. Lucas que o apóstolo S. Pedro, repreendendo Ananias, disse-lhe: «Satanás tentou o teu coração para que tu mentisses ao Espírito Santo; não mentiste aos homens, mas a Deus» (Act. V, II). Deus Pai e Deus Filho e Deus Espírito Santo são um só Deus em três pessoas divinas, e, embora estas três divinas Pessoas operem igualmente em toda a nossa vida natural e sobrenatural, atribuímos a Deus Pai a nossa criação, a Deus Filho a nossa redenção e a Deus Espírito Santo a nossa santificação. Peçamos ao divino Espírito Santo que nos conceda as graças precisas para cooperarmos com as graças que lhe pedimos, e nos santificarmos.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

República anti-portuguesa


Quanto mais se caminhou para a Democracia, mais se desorganizou Portugal. Por consequência, a lei a formular é esta: – a prosperidade da República está na razão inversa da prosperidade da Nação.
É preciso, portanto, cavar bem fundo o abismo que separa a República da Nacionalidade; porque, quanto mais a Nação se deixar dominar pela acção deletéria da República, mais a República aniquilará e esfacelará a Nação.
A República é um regime anti-nacional.

Caetano Beirão in «A lição da Democracia – Oitenta e oito anos de República em Portugal», 1922.

Ascensão: exposição dogmática, histórica e litúrgica


A segunda festa celebrada no Tempo Pascoal é a Ascensão, coroação de toda a vida de Jesus. Era mister que o Divino Ressuscitado, sem mais tocar a lama da nossa pobre terra, voltasse a Seu Pai, no seio do qual, como Deus, está de toda a eternidade e o qual acolheu Sua humanidade, diz S. Cipriano, «com alegria inexprimível em língua alguma». O Cristo devia tomar posse do Reino dos Céus, que adquirirá por Seus sofrimentos e, aí colocando «nossa frágil natureza à direita da glória de Deus», abrir-nos a casa de Seu Pai para podermos ocupar, como filhos de Deus, o lugar dos Anjos decaídos. Vencedor de Satanás e do pecado, Jesus entra no Céu: os Anjos aclamam e saúdam o seu Rei, as almas dos justos, libertas do Limbo, formam a Sua gloriosa escolta. «Eu vou preparar-vos um lugar» declarara Jesus aos Seus Apóstolos e S. Paulo afirma que «Deus nos fez assentar com Jesus no Céu», pois, «pela esperança já estamos salvos». «O corpo é chamado a penetrar onde a cabeça entrou», diz S. Leão. O triunfo de Jesus Cristo é o da Sua Igreja. Como o Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer a Deus o sangue das vítimas, na Lei Antiga, Jesus, diz o Apóstolo, entrou no Santo dos Santos da Jerusalém celeste, para ali oferecer o Seu próprio sangue, o sangue da Nova Aliança e alcançar-nos os favores de Deus. No dia da Ascensão, mostrando a Deus as Suas chagas gloriosas, Jesus começou o Seu sacerdócio celeste, «tornou-se o nosso intercessor junto ao Pai» e obteve-nos o Espírito Santo com os Seus dons. Complemento de todas as festas de Cristo, a Ascensão é o princípio da nossa santificação, «Ele eleva-Se ao Céu, canta o Prefácio, para tornar-nos participantes da Sua divindade». «Não basta ao homem, diz D. Guéranger, apoiar-se nos méritos da Paixão do Redentor, não lhe basta acrescentar a esta lembrança à da Ressurreição: o homem só se salva, unindo a esses dois mistérios um terceiro mistério, o da triunfante Ascensão d'Aquele que morreu e ressuscitou».

Quarenta dias depois da Ressurreição de Cristo, o Ciclo Pascoal celebra o aniversário do dia que marcou o termo do reino visível de Cristo na Terra. Os Apóstolos vindo a Jerusalém, para a festa de Pentecostes, estavam no Cenáculo quando Jesus lhes apareceu e com eles tomou uma última refeição. Em seguida conduziu-os fora da cidade para os lados de Betânia, ao Monte das Oliveiras, o mais alto dos que rodeiam a capital. Jesus abençoou os Apóstolos e elevou-Se aos Céus. Era meio-dia. Uma nuvem o escondeu aos olhares e, dois Anjos anunciaram aos discípulos que o Cristo, tendo subido ao Céu, desceria novamente no fim do mundo. Em memória do cortejo de Jesus e dos Apóstolos, fazia-se em Roma, à hora de sexta (meio-dia) solene procissão. O Papa, depois da celebração da Missa Pontifical em S. Pedro, dirigia-se com os Cardeais e os Bispos a S. João de Laterão: – Santa Helena mandou construir no Monte das Oliveiras uma basílica (no género do Santo Sepulcro) no lugar em que Jesus subira aos Céus. A basílica era aberta no alto, expressivo símbolo desse mistério. Arrasada pelos Muçulmanos, foi substituída no século XIII por um monumento medíocre.

A solenidade da Ascensão confundia-se outrora com a de Pentecostes, porque o Tempo Pascoal era considerado como um só dia de festa, começando na Páscoa para terminar por ocasião da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Mais tarde, porém, a Ascensão celebrou-se no quadragésimo dia depois da Ressurreição e teve a sua Vigília e Oitava. É festa de guarda. O rito simbólico que a caracteriza é a extinção definitiva do Círio Pascoal, cuja luz, durante a santa quarentena, figurava a presença de Jesus no meio de seus discípulos. Apaga-se o Círio depois da leitura do Evangelho do dia da Ascensão, que nos fala da partida do Salvador para o Céu. Os paramentos brancos e o Aleluia, «essa gota, diz Ruperto, da suprema alegria que faz estremecer a Jerusalém superna», mostram a alegria ressentida pela Igreja ao lembrar-se do triunfo de Cristo, ao pensar na felicidade dos Anjos e dos Justos da Antiga Lei, que dele participaram e na espera do Espírito Santo, que lhe permitirá a Ele associar-se. O espírito da festa é marcado pela Oração do dia da Ascensão que nos lembra a obrigação de, após haver seguido o Ciclo a Jesus no curso de Sua vida, elevarmos os olhos ao Céu e, pela fé e esperança, ali habitarmos com Ele, pois é a verdadeira pátria dos filhos de Deus.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

A conspiração do silêncio


No entanto, são mal conhecidos de grande público muitos dos nossos contra-revolucionários, como o Marquês de Penalva, D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Faustino José da Madre de Deus, e tantos mais [como o Pe. José Agostinho de Macedo]. De outros, só se tornaram divulgados aqueles escritos que ao Maçonismo triunfante parecia não defenderem doutrinas prejudiciais aos seus intentos, como sucedeu, por exemplo, com Oliveira Martins, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. As obras desses autores, que, em oposição à corrente do século, combateram com ardor a desordem revolucionária e as suas consequências no nosso País, foram escrupulosamente atabafadas pelos corifeus da Soberania Popular. E assim, à volta de grandes nomes da nossa história e das letras pátrias, se fazia a conspiração do silêncio, no objectivo evidente de fugir a um debate que se afigurava de resultados pouco vantajosos, e também com o fim de que as gerações vindouras os viessem a ignorar.

Fernando Campos in prefácio a «Os Nossos Mestres, ou Breviário da Contra-Revolução», 1924.

Dez Mandamentos


Na China ouvindo certo Mandarim propor a um Padre Missionário os Mandamentos da Lei de Deus, disse em presença de muitos Senhores: Sem dúvida esta Lei é Divina; porque se algum Rei particular a fizera, servira só para o seu Reino; logo servindo para todo o Mundo, quem a fez é o Senhor do Mundo.

Pe. Manuel Bernardes in «Nova Floresta, ou Silva de vários apoftegmas e ditos sentenciosos espirituais e morais», Tomo V, 1728.

Ladainha de São Marcos


Ladainha de S. Marcos. No dia 25 de Abril reza-se ou canta-se nas igrejas a Ladainha de Todos os Santos, a que nesse dia se dá o nome de Ladainha de S. Marcos, com ou sem Procissão. É esta a sua origem: No ano de 589 trasbordou o rio Tibre, de tal modo que quase submergiu a cidade de Roma, causando a inundação uma violenta peste, da qual uma das primeiras vítimas foi o Papa Gelásio II. O seu sucessor, S. Gregório Magno, exortou o povo à oração e à penitência, para aplacar a justiça divina que pesava tão duramente. Instituiu preces públicas com procissões pelas ruas da cidade, e ao fim de três dias cessou o flagelo. Em memória deste acontecimento a Igreja continua a fazer preces públicas no dia 25 de Abril, dia em que se celebra a festa do Evangelista S. Marcos.
Segundo alguns autores esta procissão fora instituída para substituir outra pagã que se fazia no mesmo dia em Roma. Nas Igrejas Paroquiais deve-se fazer a Procissão (C. P).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.