Mostrar mensagens com a etiqueta Inglaterra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Inglaterra. Mostrar todas as mensagens

Isabel, a católica, e a ajuda ao Conde de Penamacor


Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa-majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!

Fonte: ASCENDENS

A invalidade das ordenações anglicanas


Como dissemos no número passado da Voz, Leão XIII, depois de um maduro exame, declarou inválidas as ordenações anglicanas [na bula Apostolicae curae]. Essa declaração produziu, como era de esperar, benéficos resultados. O Cardeal Vaughan já dirigiu um apelo aos católicos ingleses para que se organize uma sociedade protectora dos pastores protestantes que abraçarem o Catolicismo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 23, Novembro de 1896.

Celebra-se o casamento do Rei Carlos II de Inglaterra com a Princesa Dona Catarina de Bragança


Navegava na volta de Inglaterra a Armada que conduzia a Senhora Infante Dona Catarina, Rainha da Grã-Bretanha, e chegando finalmente à vista do porto de Portsmouth, lhe saíram ao encontro cinco Fragatas de guerra em que vinha o Duque de Iorque, irmão d'El-Rei, e muitos Títulos e Fidalgos Ingleses, e concedida licença da Rainha, subiram à Capitania, e o Duque, observando as maiores demonstrações de rendimento, não quis sentar-se em uma cadeira de espaldas, que lhe estava prevenida, puxou de uma rasa, e sentado nela, e a Rainha em outra de espaldas, lhe expressou com discretas palavras a sua alegria e de todo o Reino na consideração de ter por senhora uma Princesa de tão altos merecimentos e de tão singulares perfeições. Respondeu-lhe a Rainha com agradável e majestosa urbanidade, e logo entraram a beijar-lhe a mão o Duque de Ormond e outros Títulos e pessoas principais, e ao despedir-se o Duque de Iorque, deu a Rainha três passos, honra a que o Duque protestou novas humilhações e rendimentos. A Portsmouth veio El-Rei com toda a Côrte buscar a Rainha, e nestas primeiras vistas sucedeu ao Marquês de Sande o caso, que em outra parte referimos. Pagou-se sumamente El-Rei da presença e discrição da Rainha, e não perdoou a demostração alguma que pudesse expressar as finezas do seu afecto e da sua estimação. Na mesma Cidade se celebrou o acto do desposório a uso de Inglaterra. Saiu El-Rei com a Rainha pela mão a uma grande sala, aonde estava debaixo do dossel um Trono com duas cadeiras, em que os Reis se sentaram, assistindo toda a nobreza com custosíssimas galas; E lido um papel em que se expressava o consentimento d'El-Rei, e outro em que se expressava o da Rainha, disse um dos Bispos Ingleses, em voz alta: Que aquela era a mulher com quem El-Rei estava casado, e todos romperam em alegres vivas a uma e outra Majestade. Logo se levantou El-Rei, tornando a levar a Rainha pela mão ao seu quarto, e observando o uso de Inglaterra, em actos semelhantes, lhe tirou as fitas que levava, e as repartiu, dando a primeira ao Duque de Iorque, e as outras aos principais Senhores e Damas que estavam presentes. Por algumas indisposições que sobrevieram à Rainha, se dilatou a sua entrada em Londres, a qual se fez, neste dia [2 de Setembro], ano de 1662, com as maiores demonstrações de grandeza, em que aquela Côrte se não deixa exceder das mais insignes da Europa. No mesmo dia se celebrou o casamento dos Reis conforme os ritos Católicos, assistindo Mylord de Aubigny, Capelão-mor da Rainha, e fez mais luzido este acto a presença da Rainha-mãe de Inglaterra, que de França viera assistir a ele: Seguiram-se por muitos dias majestosas festas.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Escravatura: potências maçónicas contra Portugal


Acabando de traduzir este artigo da humanidade despertou-se-nos a lembrança do que há pouco lemos na fala do Rei dos Ingleses, em que ele diz ter feito um Tratado com a França sobre a Escravatura, para destruir este flagelo que há tantos Séculos pesa sobre a humanidade, para cujo efeito se haviam reunir as forças navais das duas Nações em certos pontos, etc. Ora, a falarmos a verdade, a nossa política é tão rasteira, e nós tão pouco versados nas maniversas inglesas, que não podemos compreender como a humanidade Negra, que vive nos Sertões d'África, lhes mereça tanta atenção, quando a humanidade Branca, que vive debaixo de Leis férreas na Irlanda e nas Colónias em que dominam; assim como não podemos compreender como estas duas Nações se arvorassem em Procuradores dos Negros, para quem a Escravatura sem dúvida era um benefício, e dispusessem de forças Marítimas numa ocasião em que sem dúvida outras questões mais graves deviam chamar a sua atenção: também não sabemos como seja necessária essa união de Esquadras para um fim tão diminuto, como é obstar ao Contrabando dos Negros: Latet anguis in herba: aqui há serpente escondida, e é muito venenosa. Talvez se realize agora, o que há muito disse um Periódico Francês (l'Avenir) que tendo havido na França tantos Governos, desde que começou a Revolução, ainda lhe restava ter um, que era a liga do Leopardo com o Galo: cremos não estar longe. Estas Esquadras, que se diz reunirem-se por causa dos Negros, quem sabe para onde endireitarão a proa! Nos papéis Franceses se escreveu, e a nossa mesma Gazeta nos afiançou, que a Esquadra que saíra de Toulon em Junho do ano passado, ia para a Grécia, e eis senão quando aparece-nos no Cabo do Espichel, logo em Cascais, e daí a pouco em Lisboa; e se nos não enganamos, uma Curveta Inglesa fez sinais na véspera com tigelinhas, e no dia com bandeirolas, que todos viram, etc. E porque não acontecerá agora o mesmo? Que errem o rumo?! Não, não nos apanham de susto; não nos adormecem. Talvez também os 8 ou 10 mil homens que vieram para Toulon, com o fim aparente de irem para Argel mudar a Guarnição, talvez que venham entrar na Esquadra que vai defender os direitos dos Negros?! Olhem vossas mercês que há duas qualidades de Negros: Negros, a quem os raios do Sol na Zona tórrida fazem da côr de azeviche; e Negros, discípulos do diabo, que trabalham às escuras; é provável que por causa destes, e por causa da escravidão e extorsão, que um Fernando e um MIGUEL lhes preparam, se unam essas Esquadras. Mas, quid ad nos? Que nos importa tudo isso?! Toda a Nação é sempre poderosa, e demasiado forte, quando trata de defender a sua independência, a sua Religião, e o seu Rei: E que Rei?! Suspendemos por ora os nossos juízos a este respeito, e não queremos que este mesquinho papel aumente mais o número das extorsões. Ah! Se fizéssemos a oração pela passiva, que bem que ficava então esta palavra extorsões! (a bom entendedor meia palavra basta) mas lembramos sempre a todo o mundo, se possível é, que lance os olhos sobre a história do passado, e verá sempre que aquelas Nações, que têm sido auxiliadoras de Portugal, têm crescido e fizeram-se opulentas com as suas Alianças, donde resultava haver uma rivalidade imensa, sobre quem havia proteger mais este cantinho do Mundo; e pelo contrário, aquelas cuja Política era oprimir-nos, desandaram da sua grandeza e nunca mais voltaram a ser o que eram. Veja-se a Política do grande Richelieu e do profundo Pitt: e o que se encontra nela?! Dar a mão a Portugal a todo o custo, para sustentar a grandeza de qualquer daqueles Estados. Não falharam os seus planos, e a repetida experiência o mostrou. Mas uma Política, que tenha por base princípios opostos, poderá ter os mesmos resultados?! Não, não. Porque princípios diversos produzem diversas consequências. E talvez seja este o meio, de que a Providência queira servir-se para confirmar as promessas feitas ao 1º Afonso, deprimindo o orgulho, e premiando a inocência... Esta é a esperança, e quase certeza.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 5, 1832.