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O roubo dos arquivos da PIDE e o seu envio para a URSS


Um dos episódios mais estranhos nas operações europeias do KGB, durante o meu mandato, ocorreu em meados da década de 1970, em Portugal, não muito depois da queda da ditadura salazarista. O Partido Comunista Português era o terceiro maior na Europa (a seguir aos de Itália e de França), e, em meados da década de 1970, o socialismo e o comunismo gozavam de amplo apoio em Portugal. Na verdade, nós tínhamos agentes infiltrados no serviço português de inteligência, e, no caos que se seguiu à revolução socialista que derrubou o salazarismo, os nossos agentes deram um golpe ousado. Uma noite, com a ajuda de infiltrados e simpatizantes dentro do aparelho de segurança, portugueses ao serviço do KGB conduziram um camião até à sede da PIDE e roubaram uma montanha de dados de informação confidencial, incluindo as listas de agentes da polícia secreta que trabalhavam para o regime salazarista. O camião, cheio de documentos, foi entregue na nossa embaixada em Lisboa e depois enviado de avião para Moscovo, onde os analistas passaram meses debruçados sobre os papéis. Portugal era membro da NATO e havia algum material de interesse limitado sobre as operações militares americanas na Europa. Mas o material realmente valioso foi a lista dos milhares de agentes e informadores que trabalharam para a ditadura salazarista. Mais tarde, os nossos oficiais usaram essas informações para coagir alguns desses agentes a trabalhar para o KGB. Na história dos golpes de espionagem da Guerra Fria, a operação portuguesa não foi uma conquista notável. Mas a audácia de fugir com um camião carregado de material directamente da sede da PIDE, não tinha exemplo. No início da década de 1990, viajei para Portugal, onde as autoridades portuguesas me trataram da forma mais cordial, levando-me a todo o país, entretendo-me abundantemente, incentivando-me a falar com diferentes grupos de pessoas. Fui entrevistado pelos principais meios de comunicação nacionais e não poupei nas palavras sobre o papel do Partido Comunista Português no apoio generoso às operações de espionagem soviética. Fui imediatamente denunciado por Álvaro Cunhal, líder do Partido, como mentiroso e traidor. Falando no dia seguinte em rede nacional, não respondi às acusações de Cunhal. Repeti o que já tinha dito várias vezes: "O Partido Comunista Português é o nosso melhor e mais leal aliado na Europa, e como cidadão e membro do Partido Comunista da ex-URSS, só lhes posso estar grato."

Oleg Kalugin in «Spymaster», 1994.

Crimes soviéticos apontados à Rússia


O Ocidente – com indiferença, mas para nossa grande amargura – confunde os termos «Russo» e «Soviético», «Rússia» e «U.R.S.S.», muito embora aplicar os primeiros aos segundos seja o mesmo que conceder ao assassino o direito de usar a roupa e a identidade da sua vítima. É um erro irreflectido considerar os Russos da U.R.S.S. como «nação dominante». Não o são, certamente. Os Russos sofreram o primeiro golpe devastador no tempo de Lenine; desde então, fizeram-se milhões de mortos (e o que é pior ainda: assassinados de modo selectivo, devido à sua elevada qualidade, em relação aos outros), mesmo antes desse genocídio que foi a colectivização. Foi a partir de então que toda a história russa começou a ficar conspurcada, que a Igreja e a cultura foram esmagadas, e que religiosos, nobres, negociantes, e, dentro de pouco tempo também, o campesinato, foram aniquilados. Seguidamente, outros povos sofreram também golpes desses; mas ainda hoje são as regiões rurais da Rússia que têm o nível de vida mais baixo em toda a U.R.S.S., sendo as cidades de província as que possuem os mais baixos índices de abastecimento. Em vastas regiões do nosso País não há nada para comer e as importações de cereais americanos em nada beneficiaram o povo em geral (os cereais são guardados em silos de reserva para serem usados em caso de mobilização). Os Russos constituem a massa principal dos escravos deste Estado. O povo russo está extenuado, em via de degeneração biológica, e a sua consciência nacional aviltada e esmagada.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


Nota: Vale a pena lembrar que faz muitos anos que a propaganda nacionalista ucraniana usa o Holodomor como "prova" histórica da prepotência russa face à Ucrânia, omitindo: 1) que a sua autoria não foi russa, mas soviética [*]; 2) que não apenas os Ucranianos, mas também Russos, Cazaques, Tártaros, etc. foram vítimas da Grande Fome de 1930-1933.

[*] O primeiro governo soviético era composto por 80-85% de Judeus, conforme reconheceu Vladimir Putin em 2013.

A estranha confusão entre «Rússia» e «URSS»


Em primeiro lugar, usa-se a palavra «Rússia» a torto e a direito: diz-se «Rússia» por «U.R.S.S.» e «russos» por «soviéticos», conferindo sempre uma certa superioridade emocional aos segundos («os blindados russos entraram em Praga», «o imperialismo russo», mas: «as explorações soviéticas no cosmos», «os êxitos do ballet soviético»). Ora, importa estabelecer uma distinção muito nítida entre estes dois conceitos, não apenas opostos, mas inimigos um do outro. A relação existente entre eles assemelha-se àquela que liga um homem à sua doença. Não confundimos o homem com o seu mal, não lhe damos o nome da sua doença, nem o culpamos de a ter! Ao Estado, como entidade actuante, ao País, com o seu governo, a sua política e o seu exército, não se pode chamar Rússia desde 1917. É ilegítimo aplicar a palavra «russo» ao actual governo da U.R.S.S., aos seus próximos êxitos militares e ao poder que virá a implantar nos quatro cantos do mundo, mesmo que o russo continue a ser a sua língua oficial.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.


Estalinismo: bode expiatório do Comunismo


Alguns especialistas recorrem a este processo a fim de demonstrarem que o comunismo é apenas possível nos países cuja história tenha sido «viciada»; e outros para tirar as culpas ao comunismo e imputarem os erros da sua instauração às características peculiares da nação russa. Encontramos esta concepção numa série recente de artigos dedicados ao centenário de Estaline (em especial do Prof. Robert Tucker no New York Times de 21 de Dezembro de 1979).
Sucinto, mas enérgico, o artigo de Tucker causa espanto: não teria sido escrito há vinte e cinco anos? Como é que um especialista em ciências políticas ainda pode, actualmente, ter ideias tão erradas sobre o fenómeno comunista? Nele voltamos a encontrar os infalíveis «ideais revolucionários», que o infame Estaline teria arruinado, visto não ter ido beber a sua ciência a Marx, mas sim à infame história russa. O Prof. Tucker apressa-se a salvar o crédito do socialismo ao declarar que Estaline nunca foi um verdadeiro socialista! A sua acção não foi inspirada pela teoria de Marx, mas pelo exemplo dos eternos Ivã, o Terrível, e Pedro, o Grande. Toda a época estalinista não passaria do regresso radical ao tempo dos czares e não seria a aplicação metódica do marxismo às realidades do mundo contemporâneo. Estaline teria arruinado o bolchevismo (em vez de o ter perpetuado). A minha modéstia não me permite pedir, nem esperar, que o Prof. Tucker leia, pelo menos, o primeiro volume d'O Arquipélago de Gulag (de facto, seria preferível que ele lesse os três). A sua leitura refrescar-lhe-ia a memória: lembrar-se-ia de que o aparelho policial comunista, que viria a fazer sessenta milhões de vítimas, foi criado por Lenine, Trotsky e Dzerjinski. A Tcheca, sua primeira manifestação, tinha poderes ilimitados para, sem instauração de processo, fuzilar grande número de pessoas. Foi Lenine quem, com o seu próprio punho, redigiu o artigo 58 do Código Penal, fundamento de todo o Gulag estalinista. Todo o terror vermelho e a repressão de milhões de camponeses foram obra de Lenine e de Trotsky. Foram as suas instruções que Estaline aplicou escrupulosamente, se bem que estupidamente, à medida da sua capacidade intelectual. Apenas num ponto se afastou de Lenine: foi quando, a fim de reforçar o seu poder, decidiu eliminar os dirigentes do Partido Comunista. Mas também nesse ponto ele se contentou em seguir a lei de todas as revoluções sangrentas: elas acabam, infalivelmente, por devorar os seus próprios autores. Na U.R.S.S. dizia-se com razão: «Estaline é o Lenine de hoje». É verdade: toda a época estalinista é apenas a continuação directa do leninismo, mas com mais maturidade nos resultados e um desenvolvimento mais vasto e mais igual. O estalinismo nunca existiu, nem na teoria, nem na prática: não se pode falar nem de fenómeno estalinista, nem de época estalinista; estes conceitos foram inventados pela ideologia ocidental de esquerda, após 1956, apenas para defender os ideais comunistas. Nem um fantasma perverso conseguiria fazer de Estaline um nacionalista russo, muito embora tenha liquidado quinze milhões de camponeses, e dos melhores, quebrando a espinha ao campesinato russo, isto é, à própria Rússia, sacrificando mais de trinta milhões de homens durante a segunda guerra mundial em que participou, sem se preocupar minimamente em economizar o potencial humano e sem a mais pequena consideração pelo seu povo.

Alexandre Soljenitsin in «O Erro do Ocidente», 1980.

Entre os EUA e a Rússia


Das suas relações comparadas com a Europa, segue-se claramente que uma dominação russo-bárbara de toda a Europa, se tal coisa fosse provocada pela política americana – e essa é a única maneira de tal evento ocorrer – seria menos prejudicial para o Destino da Europa do que a continuação da dominação judaico-americana. Pois o bárbaro, pela sua própria presença, dissolveria o inimigo interno da Europa e uniria a Europa espiritualmente.

Francis Parker Yockey in «The Enemy of Europe», 1981 (póstumo).

§

Este livro terá sido escrito na década de 1950. E que vemos hoje? A Europa Ocidental, que nunca conheceu a barbárie comunista, e que vive desde 1945 sob a hegemonia cultural americana, encontra-se mais avançada nos erros morais e políticos do que o Leste Europeu. Pois conforme ensinou Santo Agostinho: é mais temível o engano do dragão do que a fúria do leão; as insídias são mais perigosas do que a violência.

Portugal e o pós-Segunda Guerra Mundial


Há um coro de clamores trágicos, de gritos aflitivos, de ralhos tempestuosos, de acusações coléricas, e despeitadas, que enchem o mundo de lés-a-lés, como oceano em hora de marés vivas.
No meio desse coro de raivas e angústias, eu sou um dos que podem erguer com autoridade, a voz. E aos que gritam, e ralham, e acusam e se desesperam, assustados, inquietos, aterrados, não sabendo já para onde fugir, é perguntar-lhes: Então?! Quem tinha razão?!
As sereias que cantavam as árias trémulas da conversão da Rússia, da urbanização do Comunismo, do aburguesamento dos Sovietes, da bondade de Estaline, da dissolução do Comintern, ou eu, e os que como eu, defendiam a unidade da Europa diante da catástrofe que víamos formar-se e aproximar-se?
Quem tinha razão? Os que, como eu, preconizavam a concentração das forças de toda a Europa – desde Portugal à Grécia, desde a Grã-Bretanha à Suécia, desde a Bélgica à Itália, desde a Finlândia à Bulgária, contra a invasão moscovita, ou os que arregimentavam todas as forças do mundo, temporais e espirituais, desde o Capitalismo judaico à Maçonaria internacional, desde os bas-fonds das Urbes até os sectores políticos obedientes a Maritain, Mauriac, e à clique da Aube e do Temps Présent, para que se defendesse e salvasse a Rússia?
Quem tinha razão? Os que, como eu, lastimaram a vitória russa de Estalinegrado, ou os que embandeiraram em arco e deitaram morteiros, em saudação a ela?
Quem tinha razão? Os que como eu, proclamavam a unidade espiritual da Europa, pela conjugação da Águia germânica e da Loba romana, diante da Barbárie soviética, ou os que iam, em romagem votiva, a Moscovo, depositar nas mãos de Estaline espadas de honra?
Quem tinha razão? Os que, como eu, defendiam a tese de que devia levantar-se nas fronteiras russas a floresta de ferro que contivesse a onda apocalíptica, e salvasse a Europa do seu alastramento, ou os que acusavam a Espanha de não ser amiga, por ter na frente russa a Divisão Azul, e trouxeram a Rússia até ao meio da Europa, e a deixaram instalar-se, sendo manifesto que sovietizara tudo quanto ocupasse?
Quem tinha razão? Ó Povo Português, que te deixaste embalar pelo canto das sereias democráticas, e acreditaste que a paz que elas te prometiam era a aurora, anunciadora do Sol da Vida?
A Ventura? Aí tens uma Europa faminta, a pedir esmola, a esperar que lhe deitem a côdea que a ajude a morrer mais depressa.
O Sol da Vida? Aí o tens, feito do sangue de milhões de vítimas, desde os fuzilados, os enforcados e assassinados, até os que sucumbem de inanição e horror.
Desceu sobre a maior parte da Europa, a pedra fria do túmulo. E a pequena parte que ainda vive, oásis escasso em cemitério sem limites, essa... está de oratório!
A Paz! A Paz que a Vitória forjou e fez tocar os sinos, e estralejar girândolas de foguetes, reduziu o mundo a uma espessa e intérmina legião de escravos, guardada por dois molossos que se odeiam: no Ocidente, um, de bomba atómica na mão; no Oriente, o outro, cínico, com o veto a funcionar ininterruptamente.
Foi esta a Paz que a Vitória nos trouxe. A Europa, quase toda em ruínas, morre de fome. E a Paz, ciranda de conferência em conferência, de Londres para Washington, de Moscovo para Paris, as malas pejadas de planos, muitos planos, extensos planos, inconcebíveis planos, e, rodeada de comissões, muitas comissões, incansáveis comissões, que elaboram planos, comparam planos, destroem planos – para se descobrir, afinal, oh! maravilha das maravilhas! que para matar a fome à Europa, para enriquecer a Europa, a melhor forma ainda é desmantelar-lhe centenas de fábricas!
Só de uma assentada, e na última fornada, a Paz decretou o desmantelamento de setecentas e cinquenta fábricas!
Se a hora não fora de tragédia tenebrosa, seria caso de se morrer de tédio ou de mofa, ante o espectáculo que nos oferece a máquina geradora da Paz que está a trabalhar a toda a força, na América, e é essa chafarica da ONU, sucessora correcta e aumentada daqueloutra chafarica de Genebra, que Deus tenha e mantenha nas profundas dos infernos.
Tudo aquilo, nessa máquina geradora da Paz, é comédia mais ou menos gangsteriana, ou vampismo holywoodesco, que está a pedir, isso sim, em dia de sessão plenária, bomba atómica certeira.
Autêntica assembleia democrática, em que se juntou o mais admirável escol das nulidades! Pior do que isso, só a imbecilidade genial do Sr. Einstein, fiando a salvação do mundo, de um parlamento universal, eleito directamente pelas massas!
Pois foi esta a Paz que a Vitória nos trouxe.
Quem tinha razão, Povo Português? Os que, como eu, te diziam que te acautelasses das serenatas do D. Juan democrático, e do fado do Hilário da Liberdade, ou os que te aconselhavam que te deixasses cair nos braços postiços das Vénus de Milo trabalhadas em Moscovo, em Ialta, em Teerão, ou a bordo do Potomac?
Quem tinha razão?
«Mas você enganou-se», dir-se-á, e já mo disseram – «você enganou-se, quando previa a queda fulminante da situação portuguesa, arrastada pela Vitória».
Enganei-me? Ainda bem que me enganei! Não me tivesse eu enganado, não estaríamos nós, hoje, aqui...
Mas francamente, aqui para nós que ninguém nos ouve – na verdade, na verdade, enganei-me tanto como parece?
Comícios anti-comunistas do Campo Pequeno, onde estais vós?
Campanhas anti-comunistas do Rádio Clube Português, onde estais vós?
Mocidade Portuguesa masculina, onde estão as tuas manifestações viris e audazes, braço erguido, na saudação que primitivamente te ensinaram?
Legião Portuguesa, onde estão as tuas paradas sensacionais, face aos teus chefes a acolher-te, braço estendido, em saudação que todos conhecíamos e entendíamos?
Isto me basta para fundamentar a minha pergunta: na verdade, enganei-me de todo?
O Homem é o mesmo? Graças a Deus, é. E que Deus o conserve e no-lo conserve. Mas o ar nacional é o mesmo? O rumo nacional é o mesmo? A tranquilidade nacional é a mesma?
Desçamos mais fundo: o Homem, sendo o mesmo, é a mesma a sua posição?
Exigem direitos de cidade, a MUD senil e a MUD juvenil. Exigiu-os, tê-los-ia exigido qualquer delas, antes de 1945? Frutos da Vitória...
O panorama internacional é confuso, cada vez mais confuso, e ameaçador. Todos falam, e ninguém os entende ou acredita!
A tentar impedir que essa confusão nos atinja, afogue e nos subverta – Salazar!

Alfredo Pimenta in «Em Defesa da Portugalidade», 1947.

E metade da Europa ficou em mãos comunistas...


Faz hoje, 3 de Setembro, 80 anos que os Aliados ocidentais declararam guerra à Alemanha, com a justificação de defender a Polónia da invasão germânica – e assim começava a Segunda Guerra Mundial. Porém, quase seis anos depois, derrotada a Alemanha, os mesmos Aliados entregaram deliberadamente, não só a Polónia, mas metade do território europeu nas mãos dos comunistas da União Soviética (que já em 1939-1940 tinham feito vários avanços territoriais para Ocidente, sem que aos Aliados isso inquietasse).

Relembro:

Os salvadores da União Soviética


Douglas Hyde, o primeiro editor do jornal comunista britânico, disse que depois da coligação contra os Nazis, ele e os seus amigos conduziram em parada uma bandeira de Churchill e de Estaline, embora, até àquela data, tivessem escarnecido muito do primeiro. Dizia-se na bandeira: «Caminhemos juntos com Churchill e Estaline». Hyde perguntou ao seu camarada: «O que sentias quando conduzias a bandeira de Churchill?». «Descontentamento! Mas nós derrubaremos este diabo quando ele tiver salvo a União Soviética».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Ideologias contra a Verdade


No tempo de Estaline, os grandes biólogos russos, que descobriram o gene como núcleo invariável da herança humana, foram condenados por Lisenko e enviados a morrer na Sibéria. De facto, o gene, invariável, estabilizado, passando a mesma herança cromossómica de pais para filhos, não se acomodava à dialéctica marxista, e era, segundo a óptica dos funcionários do partido, uma heresia idealista. Mas mais recentemente, nos Estados Unidos, vários professores universitários foram banidos e caluniados por terem descoberto uma sensível diferença entre a inteligência de negros, brancos e mestiços. Além disso, puseram a claro uma correlação entre a herança genética e o grau de inteligência. Tais descobertas iam contra a ideologia reinante que afirmava ser a inteligência um factor igual para todos e só dependente da educação e do meio familiar. Toda a investigação foi paralisada e os cientistas foram condenados como racistas e nazis.
Estes dois exemplos demonstram que embora a ciência contrarie as teses fundamentais das ideologias mais divulgadas, estas conservam a sua dinâmica e poder de proselitismo, porque o seu impacto nas massas não se baseia na verdade, ou falsidade, dos seus dogmas e explicações. Antes repousa nos mitos, nas emoções que desencadeiam e nos interesses que cobrem.

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

A realidade e a fantasia "intramuros"


Se é a linha do Partido que determina o que é a verdade, e não a realidade, segue-se daqui que o mundo real deve estar separado dos que são escravos do Comunismo. Aquela mãe que sempre desejou uma menina, pode vestir o seu petiz como tal, encaracolar-lhe o cabelo, trazê-lo sempre de saias e fazê-lo acreditar que no mundo só existem meninas. Esta é a «linha do Partido» ou do «mito». Mas para a sustentar é preciso conservar sempre a criança isolada do mundo real. Doutro modo a linha do Partido provaria ser falsa. A necessidade de uma cortina de ferro para fechar o mundo real, torna-se necessária devido ao mito. O que o rapazinho precisa de descobrir para se sentir decepcionado com a linha do Partido da sua mãe, é ver outros rapazinhos. A Cortina de Ferro na Europa e a Cortina de Bambu na China, são a prova de que o isolamento da Rússia é preciso para a conservação do mito de que a URSS é um paraíso, afastando-a do verdadeiro contacto com o resto do mundo. Se não existisse a Cortina de Ferro, qualquer homem poderia medir-se pela realidade, isto é, pelo que se passava fora da Rússia.
Nada é mais grave para o Partido do que um escravo quebrar a casca e verificar que fora dela também há galinheiros e galinhas. (...) Os milhões de soldados que desertaram do exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial provaram que ao contacto com a realidade ficaram desiludidos com o seu mito.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

URSS: feminismo, aborto, divórcio, amor livre


Adaptado da revista brasileira «Época», 16 de Maio de 2014:

Em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, em 1918, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição do casamento religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução Comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários.

A ambição dos bolcheviques ia além de garantir às mulheres os mesmos direitos dos homens. Os revolucionários acreditavam que, na sociedade socialista, seria possível libertar a mulher das tarefas domésticas que, segundo Lenine, embruteciam a mulher e a impediam de participar da vida social e política.

Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e o amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 1920. Em «Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviética entre 1917 e 1936», escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil, Goldman reconta a história do "verão do amor" soviético.

As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adoptadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. «As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada», diz.

Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavandarias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objectivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. «Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo», afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. «O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coacção desapareceria.»

Na década de 1920, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e os restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e o acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência económica.

No entanto, «a experiência de liberdade foi muito dolorosa para as mulheres», afirma Goldman. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.

Em 1936, o governo de Josef Estaline decretou um conjunto de leis cujo objectivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que só vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. «Em 1938, o número de abortos era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal», afirma Goldman.

A Páscoa na União Soviética

Propaganda ateia na URSS.

Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão da escola superior... Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser vistos nos ecrãs.

José Milhazes in «A Mensagem de Fátima na Rússia», 2016.


Livro: O Grande Culpado


Sinopse
Estaline planeava atacar a Alemanha e provocar a Segunda Guerra Mundial em Agosto de 1941. Nessa data, imaginava ele, todo o esforço soviético a fim de formar o exército mais moderno da História estaria concluído. O serviço de espionagem da Alemanha informou Hitler sobre esses planos. Estaline fez todo o possível para conseguir o seu intento antes que o governo nazi pudesse reagir, inclusive fingiu aliar-se ao inimigo. Os esforços foram em vão. Em 22 de Junho de 1941 o exército alemão invadiu a União Soviética.
Solucionar enigmas é uma das paixões de Viktor Suvorov. Essa paixão, aliada ao conhecimento e prática inerente à sua formação militar, levaram-no a questionar o modo como a União Soviética agiu antes e durante a Segunda Guerra Mundial e o papel de Joseph Estaline em toda a trama. Levaram-no também a estudar e a descobrir todas as facetas do ditador com perfil de um génio maquiavélico, um líder obcecado pela revolução comunista internacional a qualquer preço.
Viktor Suvorov baseia-se em documentos até então secretos dos arquivos da ex-URSS para trazer à tona os bastidores do conflito, apontando as contradições nas narrativas históricas mais célebres sobre o período da Segunda Guerra Mundial.

O testemunho de um dissidente soviético


Palavras de quem sofreu directamente a brutalidade do sistema comunista:

Se me perguntarem se eu quero propor ao meu país como modelo o Ocidente, tal como hoje se apresenta, devo responder com franqueza: não, não posso recomendar a vossa sociedade como ideal para a transformação da nossa. (...) Uma sociedade não pode permanecer no fundo do abismo sem leis, como é o nosso caso, mas será irrisório manter-se à superfície lisa de um juridismo sem alma, como sucede convosco. Uma alma humana acabrunhada por muitas dezenas de anos de violência aspira a algo de mais elevado, mais quente e mais puro do que o que pode propor-lhe a existência de massa no Ocidente, anunciada, como se fosse um cartão-de-visita, por uma pressão enjoativa de publicidade, pelo embrutecimento da televisão e por uma música insuportável.

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

17 de Setembro de 1939


Neste mesmo dia, há 75 anos, o Exército Vermelho invadia a parte oriental da Polónia, anexando-a à União Soviética. Ficava assim fechada a ocupação da Polónia, cuja parte ocidental já tinha sido anexada pela Alemanha, a 1 de Setembro de 1939. Contudo, se a conquista alemã levou a França e a Inglaterra a declararem guerra à Alemanha, o mesmo já não aconteceu em relação à URSS, que além da Polónia Oriental, também invadiu os Países do Báltico, a Carélia, a Moldávia e a Ruténia. À invasão soviética só sobreviveu a Finlândia, que lutou arduamente na célebre Guerra do Inverno, com uma humilhante derrota para a URSS.
Para a História, fica esta estranha dualidade por parte dos Aliados: passividade perante as invasões soviéticas, agressividade perante a invasão alemã.

A URSS perseguia os judeus?

Região Autónoma Judaica fundada por Estaline

Dado o mito amplamente difundido por sionistas de Direita, segundo o qual a URSS sob Estaline tinha uma política anti-semita, importa repor a verdade com factos históricos que refutem essa fantasia:
Os comunistas, como internacionalistas consistentes, não podem deixar de ser irreconciliáveis inimigos declarados do anti-semitismo. Na URSS o anti-semitismo é punível com a máxima severidade da lei, como um fenómeno profundamente hostil ao regime soviético. Sob a lei soviética, anti-semitas activos são passíveis de pena-de-morte.
José Estaline, 12 de Janeiro de 1931
Não só o anti-semitismo foi declarado incompatível com o Comunismo e punido com a morte, como o próprio Estaline fundou um Estado Nacional Judaico dentro da URSS, em Birobidjan, vinte anos antes da criação do Estado de Israel.

As incríveis semelhanças entre a UE e a URSS


Atenção: Não aprovo o vídeo inteiramente, pela razão que a crítica feita à UE parte de uma perspectiva demoliberal. No entanto, as grandes evidências apresentadas fazem com que este mereça ser visto.