19/01/2013

Quem nos está a matar?


Um marxista italiano, Antonio Gramsci, foi o primeiro a compreender que o Estado não está confinado a uma estrutura política. De facto, estabeleceu que o aparelho político funciona paralelamente a uma chamada estrutura civil. Por outras palavras, cada estrutura política é reforçada por um consenso civil, o apoio psicológico das massas. Esse apoio psicológico expressa-se através de um consenso ao nível da cultura, da visão do mundo e do ethos. De forma a existir de todo, o poder político encontra-se, portanto, dependente de um poder cultural difundido no interior das massas. Com base nesta análise, Gramsci compreendeu por que razão os marxistas não conseguiam tomar o poder em democracias burguesas: não tinham o poder cultural. Para ser preciso, é impossível derrubar uma estrutura política sem antes ter tomado o controlo do poder cultural. O parecer favorável do povo tem que ser conquistado primeiro: as suas ideias, ethos, formas de pensar, sistema de valores, arte, educação, têm que ser trabalhadas e modificadas. Apenas quando as pessoas sentem a necessidade de uma mudança como algo auto-evidente é que o poder político existente, agora separado do consenso geral, começa a desmoronar-se e a ser derrubado. A Metapolítica pode ser vista como a guerra revolucionária travada ao nível das visões do mundo, dos modos de pensar e da cultura.

Pierre Krebs in «Die Europäische Wiedergeburt».

9 comentários:

Marcos Pinho de Escobar disse...

Certíssimo! É o que bem explica o mundo apocalíptico no qual vivemos. Aproveito para sugerir a leitura dos trabalhos sobre "metapolítica" do argentino Alberto Buela.
Abraço amigo.

Reaccionário disse...

Muito obrigado, caro Marcos. Curiosamente tive oportunidade de assistir à conferência do Professor Buela em Outubro passado em Lisboa, e gostei bastante do que ouvi.

Abraço e volte sempre!

FireHead disse...

Acredito mais num futuro dominado por chineses do que islâmico, pois os chineses, ao contrário dos ocidentais, não lhes dão abébias nenhumas. Aliás, nem a eles, nem mesmo aos africanos. Isso, claro, partindo do princípio que os brancos estão a desaparecer aos poucos.

Reaccionário disse...

Bem, até agora o crescimento chinês tem sido sobretudo económico e político, enquanto o crescimento islâmico tem sido cultural e colonizador.
Mas no futuro se verá qual destas "bestas" irá triunfar, possivelmente até as duas em simultâneo. Isto, claro, se o Ocidente continuar dominado pelas "elites" marxistas culturais.
Urge criar uma resistência nacional e católica, pois só assim se conseguirá por termo a este processo de destruição em curso.

FireHead disse...

Não te esqueças do poderio militar chinês. Já estão a lançar as bases do domínio dos mares. Já estão a desenvolver armamento de quinta ou sexta geração. Não tarda estão a superar a Rússia em termos de poderio (a Coreia do Norte, a aliada da China, é a quarta maior potência militar do mundo). Para além de já ser uma potência económica, sempre foi a principal potência demográfica. Os chineses estão em todo o lado. Tenho dúvidas que os muçulmanos consigam fazer-lhes frente. O que os chineses andam a fazer aos muçulmanos de Xinjian só prova que eles não lhes dão abébias nenhumas.

Reaccionário disse...

A China é uma potência regional com ambições de se tornar uma potência mundial, portanto o seu armamento é decorrente dessa política ou geopolítica. No entanto, não estou a ver a China a adoptar uma política de colonização semelhante àquela que a Europa hoje enfrenta face à África e Médio Oriente. Os EUA nunca fizeram isso, porque razão os chineses haveriam de o fazer? Creio que caso a China venha a afirmar-se como super-potência mundial, superando os EUA (o que não será fácil), vai adoptar uma posição de domínio meramente político e económico. Mas posso estar enganado...

FireHead disse...

O problema é se os chineses entrarem no capítulo do imperialismo total. Nas regiões autónomas chinesas eles estão a praticar o genocídio étnico através da importação maciça do povo han (a etnia principal e dominante da China) para assim destruir a identidade dessas mesmas províncias. Os tibetanos e os iugures étnicos já são minoritários nas suas próprias terras. Se fossem povos brancos a fazer tal atrocidade, seriam racistas, como são os chineses, é naquela...

Superar os EUA não é fácil, mas com os Obamas da vida airada no poder, não sei, não... Tal como a Europa, os EUA também já começam a definhar...

Reaccionário disse...

Sim, a China propriamente dita é muito menor do que o seu actual território. Nem o Tibete, nem o Xinjiang, nem a Mongólia Interior, são territórios historicamente chineses.

O meu problema não é a destruição desta Europa ou destes EUA, o meu problema é não existir alternativa a esta Europa e a estes EUA. Porque infelizmente o socialismo continua a apresentar-se como única alternativa ao liberalismo... Ainda não nos conseguimos libertar dessas malditas ideologias!

Anónimo disse...

"Ainda não nos conseguimos libertar dessas malditas ideologias!"

Palavras que traduzem o desejo profundo dos milhões de seres humanos nos quais se escudam cobardemente os diabólicos governantes a nível global que venderam a alma ao Diabo.
Sem que os povos daqueles poucos países que ainda não estão sob as garras mortíferas do poder mundial, desenvolvam uma estratégia qualquer - uma revolução ou outro método igualmente eficaz, não interessa "o quê" nem "o como" desde que atinja os objectivos a que se propõe - capaz de aniquilar para todo o sempre a malignidade que subjaz àquele maldito poder e o que de verdadeiramente trágico representa para a sobrevivência da humanidade tal como a conhecemos, o mundo que ainda se considera são jamais terá descanço.
Maria