A micro-elite tem, acima de tudo, uma ideologia pragmática e
de vocação prioritariamente económica e financeira. Tudo aquilo que for contra
esta prioridade deve ser desguarnecido para ser apagado a breve prazo. E assim
devem morrer as religiões de vocação missionária mais intervencionista e
inquieta (...) devem desaparecer os nacionalismos e os regionalismos mais
teimosos e emancipalistas (...) O sistema deve criar serventuários eficientes e
acéfalos. É preciso investir em tecnologia e em técnicos e fugir da formação de
críticos ou inconformistas. Nos jovens, é preciso criar subliminarmente a
impressão da fatalidade gerada pelos novos dias: ou se integram no sistema e o
servem, podendo, se conformados, vir a beneficiar razoavelmente daquilo que
este pode conceder em termos materiais, ou se é considerado disfuncional, e
portanto um marginal, descartável como aliás os objectos de consumo que o
próprio candidato vê e compra sistematicamente.
António de Sousa Lara in «A Grande Mentira».

1 comentário:
Muito bom. Num curto parágrafo, uma explicação rigorosa do sistema totalitário em que vivemos.
Enviar um comentário