05/11/2014

Portugal fez o Brasil


Recentemente, alguém fazendo-se passar por uma actriz brasileira de ascendência italiana, disse que Portugal foi o primeiro responsável pela decadência brasileira. Ora, o raciocínio do dito ladrão de identidades assenta em premissas totalmente falsas. São elas:

1) O Brasil já existia antes de 1500 e era uma nação próspera e coesa.
2) Portugal invadiu e explorou, isto é, usurpou e pilhou, esse preexistente Brasil.

Infelizmente este tipo de discurso falacioso é comum entre um grande número de brasileiros. Tal deve-se a uma tentativa forçada das elites intelectuais brasileiras em criar uma identidade própria separada de Portugal, uma espécie de pátria crioula. Daí também que muitos escritores do século XIX, como Machado de Assis, José de Alencar, Castro Alves ou Gonçalves Dias, tenham apostado numa exaltação desmesurada dos índios e dos pretos. O Brasil seria, segundo esta elite intelectual, uma criação exclusivamente afro-indígena, na qual Portugal teve um contributo mínimo e até negativo. Importa pois corrigir esse erro e dizer que o papel de Portugal na Terra de Vera Cruz foi de modo algum irrelevante ou prejudicial. O território brasileiro antes da chegada de Pedro Álvares Cabral era uma manta de retalhos de tribos de caçadores-recolectores – alguns canibais –, pagãos e idólatras, sem ciência desenvolvida ou linguagem escrita. Coube assim a Portugal o papel de conquistar o Pindorama para a Fé e para a Civilização, tal como sempre foi reconhecido e apoiado pela Igreja – o reinado de Cristo sobrepõe-se a qualquer direito humano. Portanto, quem acusa Portugal de roubar ou destruir o Brasil, mente. Até porque Portugal jamais poderia roubar aquilo que lhe pertencia por direito – ninguém se rouba a si mesmo. Contudo, Portugal não é responsável pelo que se sucedeu após 1822. Se hoje o Brasil é uma nação falhada e inviável, tal deve-se em exclusivo aos próprios brasileiros e ao seu afastamento da matriz original portuguesa.

15 comentários:

Reaccionário disse...

Victor Emanuel Vilela Barbuy, presidente da Frente Integralista Brasileira, disse-me que José de Alencar "valorizava muito o papel do elemento português na formação do Brasil e o heroísmo lusíada". Aceito a crítica. Contudo, não esqueço que este escritor do século XIX deixou como legado a trilogia "O Guarani", "Iracema" e "Ubirajara", que são obras de cariz pró-indígena.

ASCENDENS ASCENDENS disse...

O Brasil tem momento de FUNDAÇÃO como expansão de Portugal.

"valorizava muito o papel do elemento português..." o papel do elemento!? ... Tudo para não dizer "valorizava muito o papel de Portugal"... Mas nem assim, porque não foi o PAPEL de PORTUGAL, foi Portugal. Toda essa linguagem não tem outra finalidade que ocultar as palavras pelas quais se dizem as coisas. Mas...mas... mas... nem mesmo assim, porque, repito, o Brasil NASCEU porque foi FUNDADO. Portugal fundou o Brasil, e o desenvolveu durante SÉCULOS, o elevou a Principado e depois a Reino. Depois foi roubado pelo Príncipe D. Pedro a seu PAI, o Rei D. João VI. Forçosamente, D. João VI DEU o Reino do Brasil a seu filho por acordo, acordo que NUNCA FOI CUMPRIDO pela parte do Brasil (ainda está por saldar).

Mas claro... como os liberais para deitarem mão ao Brasil tinham dito que ele estava cativo por Portugal, não aconteceu que eles sofressem na pele o mesmo argumento contra, e viesse depois a República! Veio a ditadura, e a ala mais liberal da república tratou de repetir o argumento e assenhorar-se do poder. Hoje... talvez satisfeitos, livres, muito animados, senhores do seu voto democrático, elegem por segunda vez ser governados por uma criminosa!

Ai Brasil Brasil Brasil ... toma as Reais e legítimas Pessoas, deita fora a república a a monarquia constitucional (liberal), aproveita que tens legítima independência, volta à monarquia tradicional que deixaste nos tempos do teu Senhor D. João VI, converte-te, e sê feliz.

É impossível!? ... não sei ... mas não há outra legítima opção pela qual lutar!

Reaccionário disse...

Caro Ascendens,

Obrigado pelos seus sábios comentários.

De facto, essa linguagem dúbia tipicamente liberal – mas que nem sempre é culpa dos próprios, uma vez que já é adquirida pela educação, etc. – revela muito sobre a forma como se encobre a verdadeira fundação do Brasil, enquanto prolongamento de Portugal.

Mas tenho uma dúvida: Se o acordo está por cumprir, não será a independência do Brasil ilegítima?

Cumprimentos.

Anónimo disse...

E se dizem nacionalistas ainda. Esse lusitanismo é um lixo, vejam só o racismo explícito do primeiro comentáruio sobre José de Alencar, como se valorizar o índio fosse um atentado ao português. Um espírito de Ku Kluis Klan católica.

Reaccionário disse...

Anónimo,

Sobre a forma:

1) Teria a amabilidade e a coragem de assinar os seus comentários?
2) Teria a amabilidade de escrever um português correcto, sem erros ortográficos?

Sobre o conteúdo:

1) Acusa-me de "racismo explícito" no primeiro comentário. Ora onde está esse racismo explícito? Não vejo no meu comentário nenhum apelo ao ódio contra determinada raça. A não ser que tenha uma noção diferente de racismo. Se tiver, agradeço que me diga.
2) Naturalmente que, não havendo qualquer racismo explícito, o senhor calunia-me ao dizer que promovo um "espírito de KKK católico".
3) Diz que o lusitanismo é um "lixo". Vindo dum brasileiro essa afirmação assume um carácter mais grave, uma vez que demonstra desprezo pelos seus antepassados, sejam eles de sangue ou não – pecado contra o 4º Mandamento. Noutros tempos poderia ser acusado de traição e condenado à morte.
4) A sua afirmação de que o "lusitanismo é um lixo" não pode ser encarada como racismo explícito? Creio que sim. Portanto, tenho muito mais razões de queixa de racismo do que o senhor.

Brasileiro disse...

"Contudo, não esqueço que este escritor do século XIX deixou como legado a trilogia "O Guarani", "Iracema" e "Ubirajara", que são obras de cariz pró-indígena."

De fato, esse comentário soou estranho. Ao ser contra o pró-indígena fica parecendo que é anti-indígena.

Falar mal dos maiores escritores brasileiros não foi nada bom. E foi injusto. Desconheço qualquer anti-lusitanismo do Machado ou do Alencar.

A identidade afro-indígena brasileira em nada tem de artificial. Ela é obra dos próprios portugueses que aqui chegaram justamente com o intuito de cristianizar os índios. Até Pombal, o Brasil era bilíngue, falava o português e o tupi. O elemento indígena está em tudo, na língua, na comida, nos costumes, nas fisionomias, na nobreza, etc. Fidalgos portugueses desposaram as filhas dos caciques. E também os próprios caciques por vezes ganharam títulos.

Então, antes mesmo da guerra contra portugal, o Brasil já era Brasil. Embora não fosse anti-português como parece que passou a ser. Essa identidade anti-portuguesa é artificial; e é, em muito, resultado da guerra de independência de 1822. Creio que após a independência, devido aos interesses, tenham decidido reforçar essa identidade.

É bom não confundir essas coisas. Não misturar identidade afro-indígena (que é natural e legítima) com anti-portuguesismo.

Sobre o acordo com Portugal. Uma das cláusulas cumpridas que é de conhecimento de todos os brasileiros é um pagamento de milhões de libras aos portugueses. Pagamento que foi efetuado. Logo, se o acordo não foi cumprido, então devolvam o nosso dinheiro!

Por fim, a culpa da separação é totalmente dos portugueses. O Brasil já era independente desde 1815 por decreto do Dom João VI. Mas as Cortes portuguesas, a contragosto da família real, e tendo sequestrado o Rei, insistiram em recolonizar o Brasil.

Reaccionário disse...

Brasileiro,

O elemento essencial e indispensável do Brasil é o português. Negar isto, é negar o próprio Brasil. O Brasil foi fundado por Portugal e enquanto prolongamento deste. Os restantes elementos, seja o africano, o indígena, o italiano ou o japonês, são elementos acessórios. Sei que isto pode parecer duro, mas é mesmo assim. E o que se passou é que alguns intelectuais do século XIX, na tentativa de criar uma identidade brasileira distinta da portuguesa, começaram a exaltar a cultura afro-indígena. Ora, isto levou ao relativismo cultural e ao sincretismo religioso, que conhecemos hoje num nível gritante. De pátria católica e lusa, o Brasil passou a pátria multicultural e multirreligiosa. E o próprio nacionalismo brasileiro (vulgo integralismo), muito contribuiu para que assim fosse. Mas atenção: não confundir cultura com raça! Um brasileiro negro que repudie esses elementos africanos (candomblé, etc.), tem mais valor do que um descendente de portugueses que faça a apologia da cultura afro-indígena.

O Brasil não foi tornado independente em 1815. O Brasil foi elevado à categoria de Reino em 1815. O Rei de Portugal era rei de vários reinos, entre os quais o Brasil. Essa superstição da independência é típica do liberalismo. O liberal é um fanático da independência, proclama-a em tudo e para tudo.

É totalmente falso que o acordo tenha sido cumprido. Essa cláusula, em particular, não foi cumprida. Lamento que no Brasil digam o contrário.

Porque diz "devolvam o nosso dinheiro" e não "devolvam o dinheiro"? Esse "nosso" dá entender que há má vontade no pagamento da dívida. E se assim é, é muito grave.

A culpa da separação é dos portugueses? Suponho que esteja a considerar como portugueses D. Pedro de Alcântara e José Bonifácio...

As Cortes de Lisboa (nas quais também havia deputados brasileiros) sequestraram D. João VI? Onde ouviu tamanho disparate?

Reaccionário disse...

Brasileiro,

A sua mentalidade liberal e alguns erros graves em matéria de História e Religião levaram à desaprovação do seu último comentário. A censura prévia foi exercida para bem de todos os que por aqui passam.

Brasileiro disse...

É uma pena, pois eu estava ansioso pela resposta.

Seria mais interessante se tu mostrasses os erros. Mas se preferes fugir do debate, fica a vontade.

WO

Reaccionário disse...

Brasileiro,

Dos erros anteriores, você deu mostras de não se corrigir. E pior, acrescentou novos erros e mais graves. Portanto, seria imoral da minha parte permitir o seu comentário. Essa ideia de que devemos permitir o erro para depois o corrigir, é liberal. Porque há que ter sempre em conta a tendência que o Homem tem para o mal. Por isso, a melhor forma de evitar um erro é impedir que ele se propague. Além disso, você citou por duas vezes a burropédia (wikipédia), um claro sinal de que você não está preparado para uma discussão séria, que apenas se deseja entre pares.

Aproveito para lhe reafirmar que o sincretismo e o relativismo são erros graves condenados pela Igreja. E o nacionalismo brasileiro (integralismo brasileiro) tem sido um grande veículo de propagação destes erros. Por tudo o que tenho lido, a FIB coloca em mesmo pé de igualdade a cultura portuguesa, indígena e africana.

Anónimo disse...

Apenas alguns ponderações:

1)De fato,Portugal fez o Brasil.Sem Portugal não haveria Brasil.

2)Não há problema algum em reconhecer que a identidade brasileira é composta pelos elementos portugueses,indígenas e africanos,com evidente predominância dos primeiros,obviamente.
O que se deve rechaçar são os elementos indígenas e africanos no que tange à religião:nos demais não há nenhum problemas exceto naqueles os quais foram deletados da vivência do país.


3)Concordo com o tal do ''brasileiro'' quando ele diz não conhecer nenhum anti-lusitanismo nos autores da prosa romântica brasileira nacionalista.O fato de ressaltar outras identidades culturais que contribuíram para a construção da ''brasilidade'' não significa desprezar a dominante contribuição lusitana.


R W.










Anónimo disse...

E ainda esqueci de acrescentar que com concordo com o Reaccionário em relação ao integralismo brasileiro.Este movimento quando defende uma identidade católica no Brasil,o faz mais por nacionalismo do que amor à fé,uma vez que ela faz parte da formação da nação brasileira.

R W.

Mem de Sá disse...

Caro Reacionário,

Sou brasileiro e parabenizo-o pelo excelente texto. Portugal fez o Brasil e o Brasil mais do que nunca precisa de Portugal. Os católicos hispânicos já perceberam faz tempo a necessidade de se voltarem a Espanha, mas parece que o processo similar de tornar-se a Portugal leva muito mais tempo no Brasil. Essa reunião de Brasil e Portugal tem de ser refeita; união que, como o senhor bem falou, foi desfeita ilegitimamente: nem Pedro de Alcântara tinha o direito de tomar o que era do seu pai, nem D. João VI tinha poderes de dividir e ceder o que, por obrigação moral grave, ele tinha o máximo dever de preservar. Assim que a tal "independência" e os regimes que a seguiram padecem de ilegitimidade de raiz, vício fundamental, cujo reconhecimento e direito de saná-lo não prescrevem.

No Brasil há o negro, o índio, e, mais recentemente, o italiano e o alemão, mas a essência do país reside na fundação portuguesa. Não é certo dizer que precisamos da fé católica, mas não de Portugal, porque assim é e deve ser sempre nesta terra, estamos até à morte atrelados a certas raízes e a certo modo de vida. E esta ascendência espiritual da fundação lusa impõe-se a todos os brasileiros, incluídos os que reclamam serem "de puro sangue italiano ou alemão".

Deixo uma pergunta ao Reacionário: como português, que acha pode ser feito para sanar esses problemas e promover o retorno de Brasil a Portugal (e o interesse de Portugal pelo Brasil)?

Genário Silva disse...

O Brasil peca ao distanciar-se de suas origens, que não estão na África, Japão, Itália ou EUA, mas em Portugal e na Santa Madre Igreja. Sou brasileiro e fico envergonhado com o processo de africanização a que estamos sendo submetidos.

Genário Silva

Rogério Maciel disse...

Excelentemente bem dito!