18/10/2015

Visão de Portugal em 1799


Alguns autores medievalistas ou ligados à Hispanidade, costumam divulgar o erro de que Portugal depois dos Descobrimentos ter-se-ia tornado num reino decadente, governado pela maçonaria e corrompido tanto moral como politicamente. Essa ideia difamatória não tem qualquer correspondência na nossa História, uma vez que é precisamente no século XVIII que Portugal conhece o seu expoente máximo, no reinado de Dom João V. Além disso, todos os antigos historiadores são unânimes em dizer que a maçonaria só entrou em Portugal com as invasões napoleónicas, no século XIX. Contudo, ouvi hoje mais um disparate por parte de um castelhano. Disse o referido castelhano que Portugal no início do século XVIII era «o país mais secularizado do mundo». Absurdo completo! Vejamos, por exemplo, como o Marquês de Penalva descrevia Portugal dez anos depois da Revolução Francesa:
Neste dilúvio quase geral, como o primeiro, tem Portugal, graças a Deus, conservado pura a sua fidelidade Religiosa e Política; e o Céu tem-nos pago com usura; porque os géneros de primeira necessidade não nos têm faltado, as searas são abundantes, o flagelo da guerra ouve-se ao longe, e ricos comboios atravessam os mares com segurança, e vêm fazer Lisboa o Empório da Europa. Contudo não são para desprezar os riscos, que corre a mocidade indiscreta, e são temíveis os efeitos da lição de perniciosos escritores, que com engraçado estilo enganam leitores de pouca capacidade e mal educados.
Marquês de Penalva in «Dissertação a Favor da Monarquia», 1799.

6 comentários:

Miles disse...

Caro Reaccionário

Tinha preparado um texto de resposta (mais de esclarecimento para desfazer alguns mal entendidos) ao que aqui foi escrito inicialmente pelo comentador Ascendens. Considerando que V. apagou tudo o que neste espaço já estava publicado, provavelmente para evitar confusões desnecessárias entre tradicionalistas, julgo que agora não valerá mais a pena perder o meu tempo e trabalho com algo que deixou de fazer sentido, ¿não lhe parece?

ASCENDENS ASCENDENS disse...

(PARTE I)

Caro Miles,

eu mesmo sugeri à Acção Integral apagar todos os comentários, e posteriormente fiz mesmo o pedido. Achei que apagar a intervenção do Miles seria menos amável; consultei todos os outros comentadores, e não houve objecção a que também os nossos comentários fossem removidos. Considere isto um acto de simpatia para com a sua pessoa.

Evidentemente que se a sua argumentação tivesse vindo, eu não teria feito o pedido. Houve espera, não tinha havido argumento da sua parte, havia apenas um linck sedevacantista montado em suposições, evidentemente pareceu que a sua posição (sobejamente conhecida desde o período liberal, e depois enfeitada pela militância da "hispanidad") não era defensável contra os argumentos que aqui lhe apresentaram: também agora o Miles se dispensa de colocar argumentos.

O Miles e eu, fomos também industriados pelas versões da militância da "hispanidad". O Miles achou piada, e eu achei os erros por conhecer previamente os nossos antigos autores, a tradição do interior de Portugal (coração da Lusitânia - Beiras). Por brincadeira direi que o blog ASCENDENS é uma "Frei-fortunatice", e o blog A CASA DE SARTO é uma "Sardinhada". Sardinha tem o seu valor, mas ainda lhe faltavam uns degraus para chegar a tradicionalista propriamente dito (sem conhecer o seu, foi ao vizinho, e veio do vizinho a interpretar o seu).

Mons. Lefebvre, pela relação com a Acção Francesa, é criticado pelos "hispanholatras" (desculpe se lhe abalo a sensibilidade com este exagerado nome criado por um tradicionalista de língua castelhana, em 2010). O blog A CASA DE SARTO peca por isso mesmo: serve ainda linha espanhola tradicionalista (que historicamente pouco mais faz que criticar os vizinhos e armar-se em salvadora deles). Blogues como o ASCENDENS e a Acção Integral seguem a linha portuguesa que, EM PARTE, tem mais semelhança com a francesa! Digo isto com bastante segurança, e com a pouca vaidade de português: Miles, a nossa, além de pouco conhecida, é a mais "fraca", a que foi menos retocada, a que sobreviveu da forma mais discreta, é a que dá "chave" para um importante número de coisas, permanece fora de grupos e ambições partidárias, e é filha do último Reino Católico a cair: Portugal.

(a continuar)

ASCENDENS ASCENDENS disse...

(II PARTE)

Experimente esquecer o Sardinha e agarrar no Arcebispo Fr. Fortunato de S. Boaventura (este que era homem santo e sábio, de doutrina implacável, e sofreu perseguição).

Voltando à "vaca fria": convido-o a pegar no conceito "absolutismo" e passar pelos vários reis de Portugal e Espanha, e outros, que tenham vivido antes dos séc. XVIII e XVII. Irá concluir que o "absolutismo" sempre existiu?! ... Convido-o a pegar no conceito de "despotismo" e a passear-se pelos séculos anteriores em toda a Europa. Irá concluir que o "despotismo" tinha existido antes, mais que no séc. XVIII!? Também o convido a ver o que os nossos diziam sobre o "anticlericalismo" e o que diziam os da "hispanidad": encontrará situações interessantes, pois em Portugal o "anticlerical" era maçon e carbonário, e certos autores dos da "hispanidad" têm a MESMA POSIÇÃO (não estou a dizer que uns e outros são do mesmo GRUPO, mas pelo menos foram influenciados pela mesma opinião estando cada qual em grupos rivais)!

Diz não ter tempo, e sei que estes convites poderão ficar apenas por iniciativa minha. A uns Deus dá tempo para umas coisas, e a outros para outras, dá a uns umas tarefas, e a outros outras, conforme a situação onde os coloque. Se concordar, proponho que tenhamos contacto, e, enquanto eu tenha disponibilidade, lhe vá mostrando a refutação aos erros interpretativos de "nuestros hermanos" e seguidos pelo Miles; evidentemente que me disponho a mostrar maravilhas da nossa tradição. Do tempo que Deus ainda me dá para estes estudos e outros trabalhos, prometo empregar um pouco dele em arranjar-lhe formas abreviadas, com as quais o Miles poupará no tempo que lhe foi dado para a sua profissão. Aguardo a sua resposta, aqui ou privadamente.

Como durante estes anos houve outras questões importantes (uma delas relativa ao Magistério Ordinário da Santa igreja), assuntos que da sua parte estão suspensos, continuo a estar disponível para elas.

Com os meus melhores cumprimentos,
Pedro Oliveira.

Miles disse...

Caros Reaccionário e Ascendens

Ainda bem que os comentários foram apagados e pela minha parte, se tal me houvesse sido proposto, nada teria a opor. Pela minha parte, a querela - se é que ela porventura chegou a existir… - está finda.

Sem prejuízo, como português que sou, permitam que me reclame eu também da tradição católica e da tradição portuguesa corporizada em Álvaro Pais, em D. Jerónimo Osório, em Francisco Velasco Gouveia, em Sebastião César Meneses, no Marquês de Penalva, no meu querido Padre António Vieira, em Frei Fortunato de São Boaventura, no padre José Agostinho de Macedo, em António Ribeiro Saraiva, em Dom Miguel de Sotto-Mayor, no Ramalho Ortigão, das “Últimas Farpas”, em António Sardinha, em Alfredo Pimenta, em João Ameal e em Oliveira Salazar.

Agradeço sinceramente sensibilizado ao Ascendens o convite que me dirige, mas ora por ora, sem qualquer menosprezo, não posso aceitá-lo. Como este bem diz, Deus dá tempo a uns para umas coisas e a outros para outros. Ainda assim, talvez um dia, em Lisboa, em Fátima, onde Deus quiser, talvez possamos falar todos de viva voz sobre estes e muitos outros temas.

A ambos, cumprimentos em Cristo e Maria.

ASCENDENS ASCENDENS disse...

Caro Miles,

obrigado pelas palavras que me dirige, redigidas em estilo exemplar (e eu que lhe possa seguir o exemplo). Como sabe, as probabilidades de nos encontrarmos pessoalmente deverão mais ou menos ser tão rara como aquela que durante 8 anos aconteceram. E se assim custou com duas pessoas, quanto mais não custará com "todos" ("talvez possamos falar todos de viva voz").

Com tanta variedade de autores que refere, muitos dos quais se contradizem entre si (misturando tradicionalistas e semi-tradicionalistas), prefiro realmente aceitar a sua proposta dificultosa, refinando: desde que só hajam portugueses presentes (o assunto é nosso).

Pelas Cinco Chagas de Nosso Senhor,
Pedro Oliveira.

Anónimo disse...

Vídeo com a opinião de José Hermano Saraiva a respeito do "malvado" D. João V
http://ascendensblog.blogspot.pt/2015/12/d-joao-v-o-fidelissimo-j-hermano-saraiva.html