21/12/2016

O último soneto de Bocage


Nos 211 anos da morte de Bocage, recordo o último soneto do poeta, ditado no seu próprio leito de morte:

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

O último soneto do liberal e libertino Bocage tem sido segundo a opinião geral um dos frutos da sua possível conversão, às portas da morte. Bocage tinha até então representado oposição ao Pe. José Agostinho de Macedo (grande defensor da pureza da Fé, um dos maiores inimigos da Maçonaria e do Liberalismo), motivo pelo qual a Maçonaria (e outros que tal) preferem difundir um Bocage desgraçado até ao fim dos seus dias, e dizer que os seus últimos versos são alteração feita pelos católicos.

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