15/01/2018

A falsidade da soberania do povo


Na sua luta contra a Monarquia que era chamada de tirânica, a Democracia disfarçada em Monarquia Constitucional ou Liberal, transferiu para o povo a soberania do Rei. Assim se abatiam os tronos e se davam aos descontentes motivos de exaltação, estabelecendo entre os reis e os povos, uma oposição que na Monarquia não pode existir.
De elemento obediente, o povo tornou-se autoritário e os reis foram declarados empregados públicos ou mandatários da Nação. De todas as mentiras democráticas, nenhuma mais irrisória do que a da soberania do povo. Da soberania advém a faculdade de declarar o interesse nacional e o poder de o defender; mas o povo nunca atinge o grau de consciência e a unidade de pensar que o exercício da soberania exige. Os únicos soberanos são os chefes políticos, manobrando à sombra de maiorias inconscientes e irresponsáveis. Uma consulta ao sufrágio do povo pode exprimir o seu agrado a estes ou àqueles homens, a uma ou a outra medida, mas nunca o que mais lhe convém, porque não tem capacidade para conhecer do interesse nacional. Só o Rei, com o conselho dos Estados, pode decidir no sentido da maior utilidade colectiva [bem-comum].

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

5 comentários:

Jaime de Andrade disse...

Mas em democracia quem decide o que é o interesse nacional, na práctica? O povo? Não me parece. Parece-me a mim que são as elites -- por exemplo, os membros do Clube Bilderberg. Democracia? Não me parece que exista tal sistema na realidade. A meu ver, "democracia" é apenas uma máscara para apaziguar as massas e manter-las em linha. Provavelmente têm de ser assim, pelos motivos explicados nesta passágem. O problema com a "democracia liberal" de hoje em dia, a meu ver, é que as elites que a controlam não defendem o interesse nacional. Defendem interesses estrangeiros, principalmente o do capital estrangeiro. Daí fenômenos tão perniciosos como a imigração em massa para a Europa... Dito em outras palavras, o problema fundamental é que os estados do Ocidente hoje em dia não são verdadeiramente nacionais. Pelo menos assim me parece.

Reaccionário disse...

Jaime de Andrade,

Não foi a Democracia que se corrompeu, a Democracia é a própria corrupção. É um sistema anti-Verdade, anti-Justiça, anti-Inteligência, anti-Natura, anti-Divino, anti-Ordem, anti-Autoridade, anti-Unidade, anti-Tradição, anti-Hierarquia, anti-Disciplina.
Maçonaria é o verdadeiro nome de Democracia.

Ontem, o blogue SANTO ZELO deu um excelente apontamento sobre a Democracia:

"Pio XII, de saudosa memória, falou na Mensagem Natalícia, de 1944, transmitida por via radiofónica, sobre as qualidades que deveria ter a democracia para ser cristã. Eram tantos os requisitos exigidos pelo Pontífice que, tida por muitos a celebre Radiomensagem como uma apologia da democracia, na realidade bem mais parece ser a condenação total e definitiva desse regime, por nunca poder vir a ser cristã. Uma das exigências do Pontífice era a sujeição da democracia a uma lei superior, à lei de Deus. Caso contrário seria um regime «totalitário», na acepção condenável do termo."

http://santozelo.blogspot.pt/2018/01/democracia-eterea.html

Jaime de Andrade disse...

"Uma das exigências do Pontífice era a sujeição da democracia a uma lei superior, à lei de Deus."

Sem dúvida, isto é um grande problema da democracia liberal. A falta de sujeição à lei de Deus é o motivo pelo qual o Ocidente está cada vez mais degenerado, e o motivo pelo qual a ordem liberal é cada vez mais totalitária. Muitos dizem que estamos a testemunhar a corrompimento da democracia liberal, mas não estou convencido de tal coisa. A meu ver, parece-me que a democracia está evoluindo e o transformar-se na tirania em que inevitavelmente teria que se transformar um dia, devido à sua lógica não-Cristã. Creio que na ausência de uma cultura profundamente Cristã, a democracia está condenada a se transformer numa tirania.

Repito: não acho que a democracia está corrompida. A sociedade sim está corrompida.

O que eu estava a tentar dizer no meu anterior comentário é que não creio que em democracia o povo seja quem mais ordena. Numa democracia, como em qualquer sistema político, há uma hierarquia. Sem hierarquia não existe uma sociedade em funcionamento.

Reaccionário disse...

Jaime de Andrade,

O que é importante salientar é:

- A democracia é má em si mesma, seja ela mais ou menos liberal, tenha ela melhores ou piores políticos.
- Aperfeiçoar a democracia é reduzir a democracia, retirando-lhe características próprias.
- Não se conhecem democracias verdadeiramente cristãs. Uma democracia cristã é uma abstracção puramente intelectual, que não existe na prática.
- Pelos frutos se conhece a árvore. A democracia é uma má árvore, por isso não pode dar bons frutos.
- Sendo um mal, é lógico que com o tempo a democracia vá ficando pior. Seria um milagre se acontecesse o contrário.
- O católico rege-se pelo que é Bom, Verdadeiro, Justo. A democracia não deve ser aperfeiçoada, mas combatida, porque é um mal, um erro, uma injustiça.
- É óbvio que na prática o povo não ordena. Essa coisa da soberania do povo é também uma ideia abstracta para se dar "aos descontentes motivos de exaltação".

Anónimo disse...

E por trás da democracia, nas sombras, ela: a maçonaria.