24/01/2012

Alma


Um povo vale pela sua consciência, vale pela sua alma! Não há crises fatais para uma nação senão quando elas atingem as fontes profundas da sua Vontade. Todas as imposições do destino serão julgadas pelo juízo ou pelo desprezo das rectas consciências.
Só um pecado é mortal para a vida dos povos: o pecado da indiferença.
Malditos sejam aqueles que criam ou semeiam a indiferença no generoso coração dos homens. É pela indiferença que as nações renunciam à sua grandeza para cair na miséria da sua insignificância sem apelo.
Um povo consciente e resoluto sabe sempre encontrar um caminho novo à sua Esperança.
Duas vezes no nosso tempo caiu o grande povo alemão, para em duas vezes se erguer, por seu duro esforço, a toda a altura da sua confiança.
Para além das grandes agonias começa muitas vezes o impulso de uma grande Fé. A fé inabalável na missão duma comunidade de destino, eis o desafio com que um povo viril enfrenta sempre as hostilidades dos tempos. É essa fé o valor autêntico, o valor positivo que na História explica toda a Aventura Portuguesa. A consciência dessa missão tem-na o povo português em todas as circunstâncias e tempos e por isso não ignora de que deveres ela se reveste nesta hora amarga.
Justo será que toda a verdade dos acontecimentos e toda a responsabilidade dos homens lhes seja patenteada sem reservas. Ele sabe que o povo vive o destino da sua nação e que a nação vive tão-somente do esforço e da consciência do seu povo. Oferecido a todos os sacrifícios e forte para a todos enfrentar, ele sabe claramente como a grandeza futura das nações se medirá menos pela sua extensão do que pelo valor moral dos povos que as constituem.
Melhor esperança não podemos ter do que a que pusermos na alma admirável do nosso povo.

Francisco Rolão Preto in «Inquietação».

1 comentário:

Anónimo disse...

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