20/06/2014

20 de Junho de 1834


Em consequência dos acontecimentos que Me obrigaram a sair de Portugal e abandonar temporariamente o exercício do Meu poder, a honra da Minha Pessoa, o interesse dos Meus Vassalos e finalmente todos os motivos de justiça e de decoro exigem que Eu proteste, como por este faço, à face da Europa, a respeito dos sobreditos acontecimentos e contra quaisquer inovações que o governo que ora existe em Lisboa possa ter introduzido, ou para o futuro procurar introduzir contrarias às Leis fundamentais do Reino.
D'esta exposição pode-se concluir que o Meu assentimento a todas as condições que Me foram impostas pelas forças preponderantes, confiadas nos generais dos dois governos de presente existentes em Madrid e Lisboa, de acordo com duas grandes Potências, foi da Minha parte um mero acto provisório, com as vistas de salvar os Meus Vassalos de Portugal das desgraças que a justa resistência que poderia ter feito, lhes não teria poupado, havendo sido surpreendido por um inesperado e indesculpável ataque de uma Potência amiga e aliada.
Por todos estes motivos tinha Eu firmemente resolvido, apenas tivesse liberdade de o praticar, como cumpria à Minha honra e dever, fazer constar a todas as Potências da Europa a injustiça da agressão contra Meus direitos e contra a Minha Pessoa; e protestar e declarar, como por este protesto e declaro, agora que me acho livre de coação, contra a capitulação de 26 de Maio passado, que Me foi imposta pelo governo ora existente em Lisboa; auto que fui obrigado a assinar, a fim de evitar maiores desgraças e poupar o sangue de Meus Fieis Vassalos. Em consequência do que deve considerar-se a dita capitulação como nula e de nenhum valor.

Génova, 20 de Junho de 1834

Dom Miguel

3 comentários:

Ferdinand disse...

Este argumento de poupar o sangue dos vassalos foi o mesmo usado por Dom Pedro II aqui no Brasil para não resistir ao golpe dos militares maçons que implantaram a república. Decerto terão sido poupadas algumas vidas, mas ao preço da constante desgraça e decaimento da nação ao longo de sua história desde então. Sem falar na perda de inumeráveis almas cuja fé foi abalada ou destruída pela instituição da liberdade religiosa e culto público permitido de seitas invasoras de todo tipo.

Carlos Cobalto disse...

Ou o monarca usou esta desculpa para facilitar a vitória siono-maçônica.

Reaccionário disse...

Ferdinand,

A monarquia brasileira é fruto da maçonaria e do liberalismo, ou não fosse Dom Pedro I ele próprio maçon e liberal. Portanto, é perfeitamente natural esse passo em direcção à República, uma vez que está mais de acordo com as ideias liberais-maçónicas.

Mas em Portugal o caso é diferente. Dom Miguel, anti-liberal e anti-maçon, vê-se afrontado na Sua dignidade e legitimidade de rei, pela ingerência de um rei estrangeiro (Dom Pedro I) com o apoio financeiro e militar de potências estrangeiras (Inglaterra, França, Espanha e Bélgica). O resultado foi uma guerra civil que durou 6 anos e terminou com a derrota de Dom Miguel e a implantação de uma monarquia liberal-parlamentar em Portugal. A derrota de Dom Miguel foi assinada a 26 de Maio de 1834. A declaração de 20 de Junho de 1834, é um protesto de Dom Miguel, já no exílio, contra a cobardia e a ilegitimidade das acções de quem o obrigou a capitular por meio de coacção e chantagem. Se Dom Miguel tivesse resistido, estaria a pôr em causa a Sua própria vida e de Seus vassalos, o que seria bem pior para a Causa Legitimista.


Carlos,

Pelo contrário, Dom Miguel é a antítese dos princípios liberais-maçónicos. Essa afirmação é injusta e difamatória.