03/07/2014

EUA: berço da Revolução Mundial


República imperial, capitalista, maçónica e protestante: é a definição dos Estados Unidos. (pág. 151)

Mas os Estados Unidos são o primeiro país cujos governantes são todos ou quase todos maçons, e onde, não havendo oficialmente religião protegida pelo Estado, a situação de facto é: governo maçónico. E governo maçónico quer dizer o seguinte: todos os conflitos abertos, todas as disputas políticas travadas diante do público, que constituem a pulsação da vida democrática, não são senão a exteriorização de divergências nascidas e elaboradas dentro da Maçonaria. A espuma democrática encobre e disfarça a luta interna no seio de uma nova aristocracia, cuja unidade espiritual repousa nas mãos de um novo sacerdócio. (pág. 159)

Os Estados Unidos são uma República protestante. (...). República protestante vai significar, em última instância: Estado laico, Estado sem religião oficial. Os Estados Unidos são o primeiro Estado professadamente a-religioso – no sentido etimológico: a-gnóstico – que se conhece na História do mundo.
A revolução que isto representa na estrutura mental da humanidade é tão profunda, tão vasta nas suas consequências, que perto dela as revoluções seguintes – da França, da Rússia ou da China, para falar só das maiores –, com todo o seu vistoso cortejo de morticínios, de radicalismos ideológicos, de novas modas culturais, de experiências económico-administrativas extravagantes, nada mais são do que acréscimos periféricos e notas de rodapé. Todas essas revoluções passaram, os Estados que fundaram ruíram com fragor ou derreteram-se melancolicamente, e a parte do seu legado cultural que não se dissipou em fumaça terminou por incorporar-se, sem grandes choques, à corrente dominante: a Revolução Americana.
Ora, qual o legado dessa Revolução no mundo? A democracia? Não pode ser, visto que ela convive perfeitamente bem com ditaduras, quando lhe interessa, e visto que a subsistência de uma aristocracia maçónica associada de perto a uma oligarquia económica é um dos pilares do sistema norte-americano. O capitalismo liberal? Também não, porque o próprio sistema norte-americano, através da expansão do assistencialismo estatal, acabou por assimilar várias características da social-democracia. O republicanismo? Não, porque os elementos democráticos e igualitários da ideologia norte-americana que se espalharam pelo mundo puderam, sem traumas, ser incorporados por antigas monarquias tornadas constitucionais, como a Inglaterra, a Dinamarca, a Holanda, a Espanha. Dos vários componentes da ideologia revolucionária norte-americana, o único que foi assimilado integralmente, literalmente e sem alterações por todos os países do mundo foi o princípio do Estado laico. Se é verdade que "pelos frutos os conhecereis" ou que as coisas são em essência aquilo em que enfim se tornam, a Revolução Americana só é democrática, republicana e liberal-capitalista de modo secundário e mais ou menos acidental: em essência, ela é a liquidação do poder político das religiões, a implantação mundial do Estado sem religião oficial. (pág.164)

O predomínio absoluto da moral civil representa o boicote sistemático de toda a transmissão da moral religiosa às novas gerações. A formidável expansão do ateísmo no mundo, bem como o fenómeno das pseudo-religiões que desviam para alvos inócuos ou mesmo prejudiciais os impulsos religiosos que ainda restem na humanidade, jamais teria sido possível sem esta realização da Revolução Americana. (pág. 167)

A Revolução Americana que incorpora o ideal do império laico tende a mundializar-se, arrastando na sua torrente todas as forças intelectuais e políticas que, de uma forma ou de outra, acabam por colocar-se involuntariamente ao seu serviço. Ela intervém decididamente e a fundo na estrutura da alma de todos os seres humanos colocados ao seu alcance, instaurando neles novos reflexos, novos sentimentos, novas crenças que constituirão, em essência, a cultura pós-cristã, ou mais claramente: anti-cristã. (pág. 184)

A contradição resolve-se, tão logo entendemos que a dinâmica imperial dos Estados Unidos não provém de causas económicas, porém intelectuais, culturais e políticas: os Estados Unidos são uma potência imperial porque a sua fundação constituiu um revigoramento da ideia imperial; porque o projecto de império laico que incorpora as concepções iluministas do Estado representou, no instante da fundação da República Americana, a síntese e o resultado das contradições entre sacerdócio e aristocracia (...); porque o surgimento do moderno Estado laico incorporado no Império Americano é, por essência, um projecto expansivo, revolucionário, modernizante, destinado a reformar o mundo; porque a Revolução Americana é, enfim, o primeiro passo da Revolução Mundial que, dando uma "solução final" ao conflito entre autoridade espiritual e poder temporal, absorverá no Estado, em aliança com a intelligentzia, toda autoridade espiritual, neutralizando todas as religiões do mundo e instaurando a religião de César. (pág. 185)

Ora, o único lugar do mundo onde os ideais iluministas foram realizados na máxima extensão possível das faculdades humanas foram os Estados Unidos. (pág. 193)

O facto é que, sepultado o comunismo, os Estados Unidos voltam a ser a sede central da Revolução Mundial, tal como no século XVIII foram o seu berço. (pág. 195)

Olavo de Carvalho in «O Jardim das Aflições».

6 comentários:

Anónimo disse...

Brilhante análise crítica do que significa na sua verdadeira essência política, social e moral, o país E.U.A. Sem descurar o tremendo perigo que que ele representa para o equilíbrio espiritual dos povos e para a paz da humanidade, ambos dramàticamente ameaçados.
Parabéns aos dois, a quem escreveu e a quem publicou.
Maria

Reaccionário disse...

Obrigado, Maria. Mas, infelizmente, o autor destas palavras já não concorda com elas. Olavo de Carvalho vendeu-se ao sonho americano, tal como o "General sem Medo".

Reaccionário disse...

Ainda a propósito, eis como Olavo de Carvalho justifica as mudanças de opinião:

http://www.facebook.com/olavo.decarvalho/posts/10152502150987192

Anónimo disse...

O que me diz sobre a mudança de orientação política de O. de Carvalho não pode deixar de entristecer quem sempre apreciou a sua verticalidade e nobreza de espírito. Uma mudança tão estranha (e repentina?) deve-se a quê? Oportunismo? Brutas vantagens materiais? Vendeu a alma ao Diabo ? Aderiu à maçonaria e foi naturalmente obrigado a mudar d'agulha ou seja, de discurso, para conservar a integridade física? Seja lá o que for que o tenha motivado a tomar tão drástica quão surpreendente atitute, só há a lamentar. Não se espera que personalidades da sua craveira intelectual se deixem influenciar seja para que lado for do espectro político. Enfim, mais um exemplo típico da força que os ventos 'democráticos' são capazes d'operar no carácter de uma pessoa outrora supostamente independente, íntegra e honesta.
Maria

Meire Cristiane disse...

Olavo de Carvalho não mudou de ideias, apenas mostrou sua verdadeira face que é um lacaio sionista, defensor do capitalismo liberal e obviamente um herege declarado. Aos poucos alguns estão percebendo a malandragem desse senhor senil. Este falador de palavrões felizmente nunca me enganou, e por sorte obtive mais provas de que é mais um inimigo da Santa Madre Igreja. Quando tiverem um tempo leiam atentamente este blog: http://libertoprometheo.blogspot.com.br/

Meire Cristiane disse...

Para que não fique nenhuma dúvida quanto ao sionismo declarado de Olavo de Carvalho, basta que façam uma pesquisa na página do guru de Virgínia a fédida "mídia sem máscara", uma sugestão é que pesquisem sobre o que ele diz sobre a tradição Teotônica, fora outras comprovações. Me causou tristeza em ver um campo dedicado a este Sr. que se auto intitula filósofo, e defende algo contrário a fé Católica.