28/01/2017

Oração de Fátima: o testemunho da Irmã Lúcia


Na continuação do tema Oração de Fátima, transcrevo um excerto de uma carta da Irmã Lúcia de 31 de Agosto de 1941, e que mais uma vez comprova que a versão original é a que se refere às almas que estão em perigo de condenação e não às almas do Purgatório:

Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Bispo: disse já a V. Ex.cia Rev.ma, em os apontamentos que enviei depois de ler o livro «Jacinta», que ela se impressionava muito com algumas coisas reveladas no segredo. Realmente, assim era. A vista do Inferno tinha-a horrorizado a tal ponto, que todas as penitências e mortificações lhe pareciam nada, para conseguir livrar de lá algumas almas.
Bem; agora respondo já ao segundo ponto de interrogação que, de várias partes, aqui me tem chegado. Como é que a Jacinta, tão pequenina, se deixou possuir e compreendeu um tal espírito de mortificação e penitência?
Parece-me que foi: primeiro, por uma graça especial que Deus, por meio do Imaculado Coração de Maria, lhe quis conceder; segundo, olhando para o Inferno e desgraça das almas que aí caem.
Algumas pessoas, mesmo piedosas, não querem falar às crianças do Inferno, para não as assustar; mas Deus não hesitou em mostrá-lo a três, e uma de 6 anos apenas, e que Ele sabia se havia de horrorizar a ponto de, quase me atrevia a dizer, de susto se definhar.
Com frequência se sentava no chão ou em alguma pedra e, pensativa, começava a dizer:
O Inferno! o Inferno! que pena eu tenho das almas que vão para o Inferno! E as pessoas lá vivas a arder como a lenha no fogo!
E meio trémula ajoelhava, de mãos postas, a rezar a oração que Nossa Senhora nos tinha ensinado:
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
Agora, Ex.mo e Rev.mo Senhor Bispo, já V. Ex.cia Rev.ma compreenderá por que a mim me ficou a impressão de que as últimas palavras desta oração se referiam às almas que se encontram em maior perigo ou mais iminente de condenação.

Irmã Lúcia in «Memórias da Irmã Lúcia».

5 comentários:

Pedro Oliveira disse...

Caro Veritatis,

parece pouco necessário este texto agora depois das publicações que se têm feito... É como voltar atrás no percurso já trilhado. Mas, tudo bem... é um um reforço na transmissão da sua convicção.

Bom final de semana, e bom início de semana.

Cláudia Arruda disse...

Salve Maria.

Quando rezava, acreditava também, que a oração , era pelas almas do Purgatório. Que bom que nos esclarece. Mas faz todo o sentido, pois mesmo que tenham grande sofrimento no Purgatório, as almas que se encontram lá, vão para o Céu. Rezamos por elas, para abreviar o sofrimento.

"Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem."

Reaccionário disse...

Caro Pedro Oliveira,

De facto esta publicação não traz nenhuma novidade. Mas por notar que este assunto continua a despertar o interesse e a dúvida entre os católicos, julgo que é importante clarificar e transcrever as próprias palavras da Irmã Lúcia.

Continuação de um santo Domingo!

Reaccionário disse...

Cara Cláudia Arruda,

Salve!

A versão original: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem".

A versão modificada: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do Inferno e aliviai as almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas".

A oração que Nossa Senhora ensinou aos pastorinhos é sobretudo dirigida às almas dos vivos, que estão em grave perigo de condenação. Tanto que essa oração vinha na sequência das palavras de Nossa Senhora: "Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas". No entanto, note que a versão original não despreza as almas do Purgatório, pelo contrário, roga-se que se leve todas as almas mais necessitadas para o Céu. Ou seja, está implícito... Contudo, a versão modificada excluí as almas dos pecadores, dirigindo-se apenas às almas padecentes.

Por tudo isto, é melhor rezar a versão original.

Cláudia Arruda disse...

Muito obrigada Reaccionário.

Santa semana.