19/07/2018

Nicolau II e as aparições de Fátima

Romanov

O fenómeno das aparições de Fátima na Cova de Iria está estreitamente ligado à Rússia, porque os destinos deste País estiveram no centro de um dos seus "três segredos". Daí também a atenção dedicada no País aos acontecimentos de 13 de Maio de 1917.
Uma das questões que os estudiosos colocam é se chegaram notícias sobre as aparições na Cova da Iria ao último czar russo, Nicolau II, que, em 1917, tinha sido detido na cidade de Tobolsk e, em Julho de 1918, foi fuzilado pelos comunistas com toda a família.
Em 1975, em Nova Iorque, foi publicado o livro de memórias Casa Especial, de Charles Gibbes, preceptor do filho e das quatro filhas de Nicolau II e de Alexandra. Este inglês, que esteve com a família real russa entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918, conseguiu escapar às mãos dos carrascos comunistas, regressou a Inglaterra, onde se converteu do anglicanismo à ortodoxia, e dirigiu a comunidade ortodoxa de Oxford até 1963, ano em que morreu.
Nessa obra, Charles Gibbes escreveu: "Em meados de Outubro chegaram alguns jornais, publicados nos meses de Junho e Julho. Sua Alteza mostrou-me alguns jornais onde, com títulos diferentes, se fazia a descrição do milagre de Fátima... Todos os jornais descreviam pormenorizadamente as aparições extraordinárias na azinheira na Cova da Iria, assinalando que crianças camponesas analfabetas de uma aldeiazinha remota portuguesa tinham alguma noção sobre a Rússia. Isso era simplesmente incrível!"
"No lugar de Vossa Alteza – assinalei com cuidado –, eu não prestaria especial atenção a essas notícias. Sabe como são os jornalistas e a sua eterna inclinação para os exageros. Nos países católicos, semelhantes casos como o milagre de Fátima não são uma raridade."
No entanto, segundo escreve Gibbes, Nicolau II não concordou com ele: "Nenhum jornalista português teria a ideia de pôr nos lábios dessa menina profecias sobre a Rússia... Em Portugal não só essa menina analfabeta, mas a maioria dos proprietários sabe tanto da Rússia como nós deles, talvez menos. Quem podia colocar nos lábios da menina, talvez santa no futuro, palavras precisamente sobre a Rússia?"
No seu diário, o czar Nicolau II regista a presença de Charles Gibbes em Tobolsk entre Outubro de 1917 e Fevereiro de 1918.
"Dia frio, claro. Soubemos ontem que chegou o Mr. Gibbes, mas ainda não o vimos, talvez porque as coisas e as cartas que trouxe ainda não foram revistadas!", escreve Nicolau no dia 6 de Outubro de 1917.

Adaptado de «Diário de Notícias», 10 de Maio de 2008.

1 comentário:

Terpsichore Diotima (lusitana combatente) disse...

E assim, ainda outra vez, me prenderam precisamente nesse ano...
Porque não sabem o que fazem.
+++
<3