Convite


Convite – Quanto mais cruel foi a Democracia em obras, outro tanto cuidou em ser cortês e suave em palavras. Ela é a verdadeira Esfinge, que tendo bela cara e belos lábios, as unhas são de tigre. Para tudo convida, até para ser roubado e morto. Convida de palavra e manda na realidade. Sendo propriedade sua não dizer nunca o que faz, nem fazer nunca o que diz, teve justamente a desgraça de se lhe transtornarem todos os seus convites. Porém, ela acudiu logo com o remédio das baionetas e dos arcabuzes, para que lhos aceitassem.
Tanto há convidado a Democracia, que assim se acha com um contra-convite, que a convida a acabar com todos eles.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 12, 1832.

Sem comentários: