Os Estados Unidos decretaram um dia, e não foi há muito tempo, porque o fizeram pela voz de Roosevelt, quais as fronteiras da sua influência e do seu interesse. E não estiveram com cerimónias: meteram dentro dessas fronteiras o arquipélago dos Açores. Agora, com o Pacto do Atlântico, meteram Portugal inteiro.
Sempre tenho perguntado a mim próprio que têm os Estados Unidos da América com o que se passa na Europa, ninguém pensou em intrometer-se nos negócios da América?
Monroe fixou a doutrina de que a América era para os americanos, isto é, para os Estados Unidos. A doutrina, na sua interpretação real, é abusiva, mas entende-se. Transformá-la nessa outra doutrina de o mundo para os Estados Unidos é que não pode ser, com o assentimento de quem se preze. A Europa teve sempre dificuldades para sair das suas dificuldades e resolver os seus problemas.
Em nome de uma ideologia perniciosa e anti-europeia, os Estados Unidos, na guerra de 1914-1918, instalaram-se na Europa, acotovelando toda a gente, impondo-se a toda a gente, com os seus modos descorteses de novos-ricos. A Europa deixou. O resultado está à vista de todos. Aí os temos a querer governar-nos, a querer impor-nos as suas concepções de forjadores de absurdos, a querer, numa palavra, a americanizar-nos.
Foram eles os principais responsáveis pela grande conflagração: uma palavra sua – ou o seu silêncio bastariam para que o conflito germano-polaco tivesse ficado restrito aos dois desentendidos, e nem talvez se tivesse traduzido em guerra; foram eles os principais responsáveis pela vinda da Rússia [URSS] até ao coração da Europa; e estão, agora, a preparar-se para incendiarem de novo a Europa, envolvendo desta vez, a Península Ibérica!
Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

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