Em 1966, o Governo português planeava enviar a fragata Almirante Pereira da Silva a Luanda, para saudar a vinda de uma esquadra brasileira. A fragata, que era nova, tinha sido construída com colaboração financeira dos Estados Unidos. Ora, o Governo de Washington, sabendo da intenção portuguesa, opõe-se imediatamente à ida da fragata a Angola e ameaça rasgar o acordo naval com Portugal. O Ministro da Marinha, Quintanilha Dias, sem o conhecimento de Salazar, cede à pressão americana. A missão é cancelada, e, Salazar, ao saber de mais este incidente com os EUA, terá confessado a Franco Nogueira:
«Recebemos uma bofetada, uma humilhação estúpida. Os Estados Unidos acabam de nos tratar sem consideração nenhuma, pior do que aos novos Estados negros, e isso não o podemos consentir. Não somos um protectorado americano, nem de ninguém. Está a chegar o momento em que temos de romper com os Estados Unidos, espero que seja ainda na minha vida».
Fonte: «Salazar – Volume VI – O último combate (1964-1970)», 1985.

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