O Estado Novo e os Republicanos


Para que sirva de testemunho, transcrevo um vídeo-entrevista ao Prof. António José de Brito para o projecto «Direitas Radicais em Portugal», Dezembro 2009:

«Ser-se republicano [no Estado Novo] era quase tão despiciente como ser-se filiado na União Nacional, só provocava chacota. E alguns sinceros e muitos respeitáveis republicanos de então, apoiantes do sistema, quando confessavam o seu republicanismo, confessavam-no brincalhonamente, para não escandalizar o possível monarquismo dos interlocutores. Dar um "viva a República" num comício do Estado Novo era tão extraordinário como dar um "viva o Comunismo".»

Os republicanos eram republicanos em banho-maria. Havia... o que pode dizer-se é que havia bastantes indiferentes... indiferentes. Mas que também nunca poriam resistência a uma restauração monárquica a sério, evidentemente, não a monarquia que depois os integralistas deram... a monarquia do [Paiva] Couceiro, e tal...; a uma monarquia autêntica, com uma certa indiferença nunca se oporiam. (...)

Salazar dizia que o grande apoio do Estado Novo são os monárquicos, são os católicos e alguns republicanos sidonistas. Os republicanos tinham o peso todo da tradição republicana, que era democrática, liberal, partidos, etc... Eles lá iam fazer apelo ao governo de um só!? Eles eram [em geral] contra o regime que estava, exactamente por ser próximo de monarquia: ser o regime de um só, Salazar a mandar.

Nós gritávamos quando estávamos na Mocidade Portuguesa: "Quem manda? – Salazar, Salazar, Salazar! Quem vive? – Portugal, Portugal, Portugal!". Sempre o apelo a um chefe, a um chefe único. Evidentemente que um republicano genuíno, como é que ele ia a... [apoiar]? Só se tivesse, como por exemplo agora... pode admitir-se porque o pretendente ao Trono não é pretendente a coisa nenhuma (...), não é monárquico, ele não é monárquico! Como dizia o [Alfredo] Pimenta, e muito bem: «Eu sou monárquico sem Rei, temos que proclamar a excelência dos princípios e a carência das pessoas».

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