Portugal velho


E é possível que uma tal contaminação viesse fazer tais estragos no meio dos Portugueses! Nenhuma Nação se mostrava no Mundo de carácter mais seguro, de costumes não só os mais graves, porém os mais austeros, sempre impetuosos na vingança das injúrias, não feitas a cada um deles em particular, mas à Pátria, fiéis e atenciosos por natureza, modestos em sua grandeza e glória; nunca encarecidos, e ostentadores em suas proezas; grandes e imperturbáveis em sua adversa fortuna, escravos de sua palavra, amando mais a honra que a vida; enfim um homem honrado sempre teve em Portugal, não um sinónimo, ou equivalente, mas um exemplar, ou, o que é mais ainda, uma prova – Portugal velho –. Trouxe o Maçonismo a revolução, e de quão poucos se pode dizer – é Portugal velho! – Parece de pouco momento este desgraçado fim, que teve a revolução; pois não é assim; para este Reino um Português degenerado é a maior de todas as nossas desgraças. Os tesouros roubados e levados a estranhos Países; as Colónias as mais extensas e opulentas perdidas, a Representação Política quase acabada por acinte ou vingança; tudo isto são males muito menores, que um Português sem vergonha, que professa o liberalismo.

Pe. José Agostinho de Macedo in «O Desengano: periódico político e moral», Nº7, 1830.

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