Causas da ingratidão


Se não me engano, três causas há da ingratidão dos homens: ou inveja, que, tomando por injúria os benefícios que se fazem a outros, não olha os que a ela se conferem; ou soberba, que cuida merecer mais do que lhe dão, e não sofre que alguém lhe seja preferido; ou cobiça, cujo fogo se não apaga com as mercês de Deus, antes se acende mais e, cobiçando o que está por ganhar, não se lembra do ganhado. Para esta não há serviço que não seja desserviço, nem liberalidade que não seja escasseza.
Estas três pestes da alma procedem da falta do conhecimento do verdadeiro bem e da perversidade de falsas opiniões, e de ser firme e mais dura nos homens a memória das ofensas que a dos benefícios, dos quais se perdem muitos por culpa de quem os dá ou de quem os recebe: aquele porque os assoalha e encarece, e este porque os não publica e deles se esquece. Mas a verdade é que entre todos os animais não há outro mais desagradecido que o homem.

D. Fr. Amador Arrais in «Diálogos», 1589.

As cruzes dos nossos mortos


Quando se tem vivido uma vida já longa, e, sobre longa, intensa, de trabalhos, de fadigas, de inquietações, até de sonhos, o caminho que percorremos fica ladeado de numerosas cruzes – as cruzes dos nossos mortos. E se essa vida foi sobretudo colaboração íntima, soma de esforços comuns, inteiro dom das qualidades nobres da alma, eles não ficam para trás: continuam caminhando a nosso lado, graves e doces como entes tutelares, purificados pelo sacrifício da vida, despidos da jaça da terra, sublimados na serenidade augusta da morte. Na verdade, há mortos que não morrem...

António de Oliveira Salazar in «Discursos e Notas Políticas».

25 de Julho de 1139: Batalha de Ourique


A 25 de Julho na festa de S. Tiago Apóstolo, no undécimo ano do seu reinado, o mesmo rei D. Afonso travou uma grande batalha com o rei dos Sarracenos, de nome Esmar, num lugar que se chama Ourique. Efectivamente aquele rei dos Sarracenos, conhecendo a coragem e a audácia do rei D. Afonso, e vendo que ele frequentemente entrava na terra dos Sarracenos fazendo grandes depredações e vexava grandemente os seus domínios, quis; se fazê-lo pudesse, travar batalha com ele e encontrá-lo incauto e despercebido em qualquer parte. Por isso uma vez, quando o rei D. Afonso com o seu exército entrava por terra dos Sarracenos e estava no coração das suas terras, o rei sarraceno Esmar, tendo congregado grande número de Mouros de além-mar, que trouxera consigo e daqueles que moravam aquém-mar, no termo de Sevilha, de Badajoz, de Elvas, de Évora, de Beja e de todos os castelos até Santarém, veio ao encontro dele para o atacar, confiando no seu valor e no grande número do seu exército, pois mais numerosos era ainda pela presença aí das mulheres que combatiam à laia de amazonas, como depois se provou por aquelas que no fim se encontraram mortas. Como o rei D. Afonso estivesse com alguns dos seus acampado num promontório foi cercado e bloqueado de todos os lados pelos Sarracenos de manhã até à noite. Como estes quisessem atacar e invadir o acampamento dos Cristãos, alguns soldados escolhidos destes investiram com eles (Sarracenos), combatendo valorosamente, expulsaram-nos do acampamento, fizeram neles grande carnificina e separaram-nos. Como o rei Esmar visse isto, isto é, o valor dos Cristãos, e porque estes estavam preparados mais para vencer ou morrer do que para fugir, ele próprio se pôs em fuga e todos os que estavam com ele, e toda aquela multidão de infiéis foi aniquilada e dispersa quer pela matança quer pela fuga. Também o rei deles fugiu vencido, tendo sido preso ali um seu sobrinho e neto do rei Ali, de nome Omar Atagor.
Com muitos homens mortos também da sua parte, D. Afonso, com a ajuda da graça de Deus, alcançou um grande triunfo dos seus inimigos, e, desde aquela ocasião, a força e a audácia dos Sarracenos enfraqueceu muitíssimo.

Fonte: «Annales Portucalenses Veteres».


Relembro ainda: Juramento de Ourique.

D. Marcel Lefebvre e Portugal

Nunca é demais lembrar as palavras de D. Marcel a respeito de Portugal e de Salazar, publicadas numa revista "católica" modernista em 1969 (ver Ascendens):

Mais livros recomendados


Tenho o prazer de anunciar aos leitores, que acrescentei na coluna da esquerda do blogue mais quatro obras de leitura. São elas:

Cartas de um Português aos seus Concidadãos de José Acúrsio das Neves.
Defesa de Portugal do Padre Alvito Buela Pereira de Miranda.
O Mastigóforo de Frei Fortunato de São Boaventura.
Refutação dos Princípios Metafísicos e Morais dos Pedreiros Livres Iluminados do Padre José Agostinho de Macedo.

Estas obras são de grande valor, indispensáveis a qualquer patriota e tradicionalista autêntico. Os seus autores, não foram meros escritores de realidades passadas, foram sim testemunhos dos avanços liberais contra os quais lutaram e de quem foram vítimas. Eles, melhor do que ninguém, conheceram e combateram a infiltração maçónico-liberal, dando-nos assim todas as munições necessárias contras os erros modernos, incluindo os que hoje se fazem passar por tradicionalistas. Por isso, aproveitem.

Liberdade


"Porque o homem livre é aquele a quem tudo acontece como ele deseja", diz-me um louco, "quero também que tudo me aconteça como me agrada". Ah, meu amigo! A loucura e a liberdade não se encontram nunca juntas. A liberdade é uma coisa não somente muito bela, mas muito racional, e não há nada mais absurdo e menos razoável que desejar temerariamente, e querer que as coisas aconteçam como nós as havíamos pensado. Quando tenho de escrever o nome de Díon, é preciso que o escreva não como quero, mas como é, sem lhe mudar uma única letra. Passa-se o mesmo em todas as artes e em todas as ciências! E tu... queres que na liberdade reine o capricho e a fantasia! Não, meu amigo: a liberdade consiste em querer que as coisas aconteçam não como te agrada, mas como elas na verdade são.

Epicteto, filósofo grego (55-135 d.C.)

Um rebanho... de ovelhas negras


No Ocidente, sem censura, as correntes de pensamento e ideias politicamente correctas são cuidadosamente separadas daquelas que não o são; nada é proibido, mas o que não é politicamente correcto dificilmente encontrará forma de se expressar nos jornais, livros ou nas faculdades. Por lei os vossos investigadores são livres, mas na realidade estão condicionados pelo que está na moda. Não há uma violência aberta como no Leste, contudo, uma selecção ditada pelo que é politicamente correcto e a necessidade de corresponder a critérios de massa impede frequentemente as pessoas intelectualmente livres de darem a sua contribuição à vida pública. Há uma tendência perigosa para formar um rebanho...

Aleksandr Solzhenitsyn in «O Declínio da Coragem», 1978.

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A virtude do Patriotismo


Mas os nossos primeiros antepassados são pai e mãe. Não é pois fora de propósito dizer que o patriotismo começa pela reverência dos pais, esses elos vivos, esses nós entre dois mundos. A etimologia nem sempre é argumento; mas aqui, neste problema que hoje nos ocupa, a etimologia vale por definição. Pátria deriva de pai. Patriotismo deriva de uma lei natural que foi elevada à dignidade de mandamento divino: honrar pai e mãe [e outros legítimos superiores]. Patriotismo é pois a virtude da longa continuação e da grande fidelidade.

(...)

Sendo o patriotismo uma virtude moral anexa da justiça e inscrita na esfera do Quarto Mandamento, é óbvio, para os católicos, que não pode haver vida cristã perfeita onde faltar essa forma de piedade. Daí se segue que um católico não pode desinteressar-se do seu país, da sua história e dos seus destinos, sem trair um preceito.

Gustavo Corção, adaptado de «Patriotismo e Nacionalismo».

A falácia do envenenamento do poço


Na sequência da falácia do espantalho parece útil apresentar outras; quem sabe uma pequena colecção delas. Estas falácias são muito usadas, mas pouco conhecidas como tal.

A "falácia do envenenamento do poço" é o errado recurso retórico que consiste na comunicação adversa (ou condicionante) a respeito de pessoa-alvo (declarada ou encoberta), de forma a descredibilizar ou ridicularizar a(s) intervenção(ões) que esta pessoa-alvo venha a fazer. Assim, por meio de falácias, e perante o público, coloca-se a pessoa-alvo limitada na sua apresentação, ou mesmo impossibilitada de intervir. É uma variante do argumento ad hominem.

Esquema:
Pessoa A comunica ao público mentiras ou verdades prejudiciais a Pessoa B (ou a pessoa incógnita).
Pessoa B ao falar ao público é identificada como a pessoa incógnita, ou mesmo como a Pessoa B.
Pessoa B fica vista com descrédito, e qualquer afirmação que faça será apenas vista no quadro de descredibilidade que lhe tinha sido previamente preparado por Pessoa A.

Quem usa este tipo de falácia espera que a informação prejudicial contamine os ouvintes, de modo que, quanto mais a pessoa-alvo afirme, mais se agrava. Como sabemos, a mera apresentação de informações negativas sobre alguém (mesmo que sejam verídicas) não têm poder para tornar uma declaração falsa, nem um testemunho inválido. Qualquer declaração ou testemunho tem o seu valor objectivo, que não depende da pessoa que pronuncia.

Rainha Santa Isabel


Filha de D. Pedro III de Aragão, Sta. Isabel de Portugal herdara o nome e as virtudes da sua tia-avó Sta. Isabel da Hungria. Casada com o Rei D. Dinis de Portugal, a vida conjugal proporcionou-lhe uma série de provas que suportou com heroísmo. Por mais de uma vez se empenhou em reconciliar seus filhos com o pai. Tendo enviuvado, tomou o hábito da ordem terceira de S. Francisco, e revelou inexcedível caridade para com os pobres. Morreu a 4 de Julho de 1336; o seu corpo conserva-se incorrupto no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

O Direito moderno e o Direito católico


O Direito moderno baseia-se no Homem. O Direito católico coloca-se na perspectiva do fim supremo e último do Homem.
O Direito moderno coloca-se na perspectiva do Homem, a sua finalidade por si mesmo. O Direito católico começa por tomar conta da dependência absoluta de toda a criatura em relação a Deus, e especialmente da dependência, em relação a Ele, de toda a sociedade e de todos os Estados.
O Direito moderno constitui a união das vontades que funda a sociedade nas vontades de cada um dos associados, independentemente de toda a vontade divina. O Direito católico é o estabelecimento, em virtude do Direito, do Reino de Deus no indivíduo e nas sociedades.
O Direito moderno é a negação prática da verdade católica e de toda a verdade divina. É o estabelecimento oficial, e consagrado pelo "Direito", do laicismo, do ateísmo, e mesmo de todos os outros erros.
Em poucas palavras, o Direito católico é o Direito, é a autoridade e a potência que resultam do Direito colocado ao serviço da verdade católica, que é a única capaz de salvar os indivíduos e os povos. O Direito moderno é a autoridade e o poder colocados ao serviço do Homem para baixar juridicamente – logo, legalmente – as inteligências e as vontades, as sociedades e os Estados, ao nível do Homem deificado, isto é, considerado o princípio e o fim de todas as coisas.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social», 1926.