Dizem alguns, numa tentativa de aligeirar o Estado Novo, que este nunca foi uma ditadura, mas antes um governo de tendência autoritária. E reforçam a ideia, dizendo que constitucionalmente o regime nunca se chamou de ditadura. É evidente que não, mas também nunca se chamou de governo de tendência autoritária, ou nacional-conservador, ou outras tolices que queiram inventar.
Contudo, sobretudo até 1945, nunca houve qualquer problema em chamar Salazar de ditador, até porque a palavra ditadura não tinha a conotação negativa, que muitos hoje atribuem.
A palavra ditadura tem origem na Antiga Roma. O ditador era o magistrado romano que, em circunstâncias excepcionais, concentrava em si todos os poderes públicos. Era nomeado em situações graves e de emergência, por decisão do Senado.
E Salazar, numa situação grave e excepcional, não foi convocado pelo Exército a governar com autoridade quase absoluta? Pois parece-me que a designação de ditadura se aplica muito bem ao governo de Salazar. Com o Legítimo ausente e a desordem instalada, coube a Salazar segurar as rédeas do Estado. Tratou-se por isso de uma ditadura, no exacto sentido do termo. Tenhamos, então, a coragem de chamar as coisas pelos seus próprios nomes. A bem da verdade.


3 comentários:
Eu chamo-lhe o salvador da Pátria.
Salazar era a favor da Republica. O seu Lema não é Deus, Pátria, Rei?
Salazar disse: «Sinto que a minha vocação é a de ser Ministro de um Rei Absoluto».
Esse assunto já foi devidamente tratado aqui no blogue. Dou como exemplo este texto do Capitão Luís Fernandes:
http://accao-integral.blogspot.com/2018/02/o-estado-novo-nao-era-republicano.html
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