Numa tentativa de suavizar a aparência do Estado Novo, dizem alguns revisionistas que este nunca foi uma ditadura, mas antes um governo democrático com tendência autoritária. E reforçam a opinião, dizendo que constitucionalmente o regime nunca se chamou de ditadura. Mas é evidente que o regime não se chamou assim, como também não se chamou de governo com tendência autoritária, democracia autoritária, nacional-democracia, ou outras tolices que por aí andam a inventar. Contudo, houve oficialmente Ditadura Militar até 1933. E até 1945 nunca houve receio em continuar a chamar Salazar de ditador, até porque a palavra não tinha a falsa conotação negativa que muitos hoje lhe atribuem.
Se imagens valem mais que mil palavras, vejamos como Salazar era retratado publicamente na época da sua chegada ao Governo:
A palavra ditadura tem origem na Antiga Roma. O ditador (do latim dictator, "aquele que dita") era o magistrado romano que, em circunstâncias excepcionais, concentrava em si todos os poderes públicos. Era nomeado em situações graves e de emergência, por decisão do Senado.
Ora, Salazar, numa situação grave e excepcional, não foi chamado pelo Exército a governar Portugal com autoridade quase absoluta? Pois, então, parece-me que a palavra "ditadura" se aplica muito bem ao governo de Salazar... Com o Legítimo ausente e a desordem instalada, coube a Salazar segurar providencialmente as rédeas do Estado. Tratou-se, por isso, de uma ditadura, no sentido autêntico do termo. Tenhamos, então, a coragem de chamar as coisas pelos próprios nomes – a bem da verdade e da coerência intelectual.


3 comentários:
Eu chamo-lhe o salvador da Pátria.
Salazar era a favor da Republica. O seu Lema não é Deus, Pátria, Rei?
Salazar disse: «Sinto que a minha vocação é a de ser Ministro de um Rei Absoluto».
Esse assunto já foi devidamente tratado aqui no blogue. Dou como exemplo este texto do Capitão Luís Fernandes:
http://accao-integral.blogspot.com/2018/02/o-estado-novo-nao-era-republicano.html
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