Martim Moniz na reconquista de Lisboa aos Mouros


Durou o combate seis horas contínuas, em que se pelejou com fúria desusada. Morreu Martim Moniz à entrada da porta que conserva o seu nome, parte mais arriscada por onde os Portugueses acometeram. Uns dizem que tendo os nossos entrado na Cidade e sendo rebatidos dos Mouros que pretendiam fechar outra vez aquela porta, pelejou com tanto valor o esforçado Capitão, até que perdendo a vida, fez de seu corpo ponte para os nossos passarem, e impediu aos Mouros seu intento. Outros querem que sendo ferido na entrada desta porta de um golpe mortal, foi milagrosamente seguindo e ferindo os Mouros com a cabeça meia cortada até cair morto na outra parte do Castelo, para onde fica a Igreja do Apóstolo Santiago. De qualquer modo, se teve sua morte por notável, e em um nicho sobre a mesma porta se mandou pôr uma cabeça de pedra, que ainda hoje se conserva em memória sua. Honrosa lembrança e justa remuneração devida a quem com tanta glória ofereceu a vida pela Fé e honra da Pátria, na entrada da maior Cidade, no lugar de maior dificuldade.

Frei António Brandão in «Terceira parte da Monarquia Lusitana: Que contém a História de Portugal desde o Conde Dom Henrique, até todo o reinado d'el-Rei Dom Afonso Henriques», 1632.

1 comentário:

Anónimo disse...

Hoje "Martim Monhés". Traidores, é o mínimo que posso dizer.