Da relativização do Mal


Existe uma conspiração contra o Mal, não para o destruir, ah! não! – mas simplesmente para o disfarçar. Se temos tanta repugnância em acreditar no diabo – enfim, no espírito do Mal – é porque não ousamos acreditar que o Mal tenha um espírito, uma vontade, um desígnio. Não! Não queremos imaginar que esse animal perverso e encantador, que a disciplina social transformou quase num animal familiar, tão fácil de sustentar com pouca despesa, para nosso agrado, medite em devorar tudo, seja realmente não menos insaciável do que a dor e, em matéria de avidez, apenas ceda perante a morte.

Georges Bernanos in «Une vision catholique du réel», 1927.

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