03/04/2016

Contra o mito do absolutismo


Voltando ao tema do absolutismo, tomemos o exemplo de França:

Como bem o mostraram os trabalhos de Fustel de Coulanges, o poder de Clóvis e de todos os seus sucessores, era de facto tão absoluto como o dos reis depois de Luís XIV. Este rei, na pessoa do qual se encarna o absolutismo, não destruiu em parte alguma os estados provinciais, os quais a monarquia costumava respeitar, quando tinham bastante vitalidade.
José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Junho de 1917.

Tal como hoje em dia a esquerda acusa de "fascismo" qualquer oposição à sua direita, os liberais do século XVIII e XIX acusavam os reis de "absolutismo" como forma de os tornar odiosos aos olhos de todos, para assim melhor passar a sua mensagem revolucionária (maçónica, democrática, republicana). Foram portanto os liberais quem inventou a tese do "absolutismo", segundo a qual a monarquia do período barroco seria uma degeneração totalitária da monarquia medieval, que segundo eles era democrática. Mas como demonstrou Fustel de Coulanges, entre outros autores, não existia diferenças no poder real entre o período medieval e barroco. Fica assim mais uma vez desfeita a teoria segundo a qual estávamos perante dois tipos diferentes de monarquia. Pelo contrário, a natureza e as leias da monarquia sempre foram as mesmas, até que vieram os revolucionários e introduziram o veneno do constitucionalismo, usurpando a soberania do Rei. Contudo, o pior disto tudo é verificar que existem alguns monárquicos que se auto-intitulam como tradicionalistas, mas que seguem a mesma tese maçónica. Ora, com esses pseudo-tradicionalistas há que ter muita cautela, para que o seu erro não leve os incautos. Que ninguém se engane, numa monarquia católica, seja em França ou Portugal, sempre a soberania residiu no Rei, responsável pela governação, e cujo poder e legitimidade vinha de Deus, não do povo por meio das Cortes.

3 comentários:

Anónimo disse...

Como monárquico e católico que sou só aceito uma restauração da monarquia em Portugal se esta não for constitucional,porque se assim for será p mesmo que ter uma república coroada. Fico bastante admirado com a defesa que D. Duarte faz da democracia e da monarquia constitucional, indo sempre buscar os exemplos das monarquias existentes na Europa,maioritariamente protestantes,como grandes defensoras das liberdades individuais. Não quero um Rei Constitucional(que não é mais do que um presidente coroado),quero um Rei Absoluto numa verdadeira monarquia tradicional portuguesa.
Que venha um novo D. Miguel.

Ass. João Miguel

Anónimo disse...

Sou brasileiro, católico, e tenho aprendido muito com as postagens do blogue.

Pedro Oliveira disse...

"Absolutismo", como ficará provado definitivamente perante todo o mundo, assim Deus queira, não foi mais que uma adjectivação criada pelo iluminismo-maçonaria-liberalismo para atacar a MONARQUIA na sua versão verdadeira, antiga, aquela que tínhamos em Portugal até 1834. Esta palavra nasce nos USA e é rapidamente difundida nas Lojas de Inglaterra e França, e mais tarde alastrou-se: por exemplo, à Espanha para atacar o rei de então, agora por boca de católicos activos, e até conservadores. Um infeliz sucesso.