Das Ordens de Cristo, Avis e Santiago


Em Dezembro de 1551, através da Bula «Praeclara charissimi in Christo», S.S. o Papa Júlio III concedeu in perpetuum o grão-mestrado das Ordens Militares de Cristo, Avis e Santiago aos Reis de Portugal, na pessoa de El-Rei D. João III. Pelo que, nem o Presidente dos republicanos, nem nenhum Monarca estrangeiro, pode reclamar para si tal dignidade e legitimidade, que é própria do Rei de Portugal.

Da americanização


Os Estados Unidos decretaram um dia, e não foi há muito tempo, porque o fizeram pela voz de Roosevelt, quais as fronteiras da sua influência e do seu interesse. E não estiveram com cerimónias: meteram dentro dessas fronteiras o arquipélago dos Açores. Agora, com o Pacto do Atlântico, meteram Portugal inteiro.
Sempre tenho perguntado a mim próprio que têm os Estados Unidos da América com o que se passa na Europa, ninguém pensou em intrometer-se nos negócios da América?
Monroe fixou a doutrina de que a América era para os americanos, isto é, para os Estados Unidos. A doutrina, na sua interpretação real, é abusiva, mas entende-se. Transformá-la nessa outra doutrina de o mundo para os Estados Unidos é que não pode ser, com o assentimento de quem se preze. A Europa teve sempre dificuldades para sair das suas dificuldades e resolver os seus problemas.
Em nome de uma ideologia perniciosa e anti-europeia, os Estados Unidos, na guerra de 1914-1918, instalaram-se na Europa, acotovelando toda a gente, impondo-se a toda a gente, com os seus modos descorteses de novos-ricos. A Europa deixou. O resultado está à vista de todos. Aí os temos a querer governar-nos, a querer impor-nos as suas concepções de forjadores de absurdos, a querer, numa palavra, a americanizar-nos.
Foram eles os principais responsáveis pela grande conflagração: uma palavra sua – ou o seu silêncio bastariam para que o conflito germano-polaco tivesse ficado restrito aos dois desentendidos, e nem talvez se tivesse traduzido em guerra; foram eles os principais responsáveis pela vinda da Rússia [URSS] até ao coração da Europa; e estão, agora, a preparar-se para incendiarem de novo a Europa, envolvendo desta vez, a Península Ibérica!

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

Isabel, a católica, e a ajuda ao Conde de Penamacor


Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa-majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!

Fonte: ASCENDENS

São Carlos Borromeu e a nobreza de sangue


A visão que o próprio Cardeal [Borromeu] tinha da hierarquia social pode ser observada na conclusão de um sermão que pregou na festa da Natividade de Nossa Senhora, em 1584, quando explicou a inclusão da sua genealogia pelos evangelistas, do seguinte modo: "O nascimento nobre é um dom e uma graça de Deus. Não devemos desprezar este benefício; fazê-lo seria ingratidão. O sangue nobre é um poderoso estímulo à prática da virtude e um grande freio ao vício. Pois, num nobre, o vício é ainda mais odioso; mas também a virtude resplandece com maior fulgor e assemelha-se a uma jóia cravada em ouro: a gema brilha muito mais intensamente do que se estivesse apenas cravada em prata."

Pe. Cyril Martindale in «The Vocation of Aloysius Gonzaga», 1927.

Natal 2025


O blogue VERITATIS deseja a todos os amigos e leitores um santo e feliz Natal.

Profecia de S. Tomé sobre as Armas de Portugal


Muitas coisas profetizou S. Tomé na Índia, dos Portugueses, mas esta profecia foi o cumprimento de todas. Que havia de ser conquistada a infidelidade das gentes, em virtude das cinco Chagas de Cristo: que havia de ser conquistada a infidelidade das gentes, não pelas armas dos Portugueses, senão pelas Armas de Portugal. Deu-nos Cristo por Armas e por Brasão as sagradas Quinas, e essas Quinas foram as nossas Armas.

Pe. António Vieira in «Sermões», 1682.

Da Cristandade


Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devida, em toda a parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à protecção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a qualquer expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer.

Papa Leão XIII in encíclica «Immortale Dei», 1 de Novembro de 1885.

Dogma da Imaculada Conceição


A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus omnipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Redentor do género humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina é revelada por Deus, e por isso deve ser firme e constantemente crida por todos os fiéis.

Papa Pio IX in bula «Ineffabilis Deus», 8 de Dezembro de 1854.

Reis absolutos: todos os nossos


Rei absoluto quer dizer: um Rei como sempre foram os nossos, que fundaram, restauraram e ampliaram a monarquia... Foi Rei absoluto o Senhor D. Afonso Henriques... Foi Rei absoluto o Senhor D. João I, foi Rei absoluto o Senhor D. Manuel, e foi Rei absoluto o Senhor D. João III. Rei absoluto é um Rei que governa o seu Reino sem conhecer por seu superior senão o mesmo Deus... O poder dos Reis é absoluto, porque não é responsável a nenhuma jurisdição humana, do que fizer ou determinar, porque se houvesse jurisdição de inquirir do seu procedimento, seguia-se que este se devia chamar propriamente Soberano, e o Soberano seria ao mesmo tempo inferior e dependente, o que repugna segundo a hipótese!

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Advento


Advento é o tempo de quatro semanas anteriores à festa do Natal. O primeiro dia do Advento ocorre no fim de Novembro ou primeiros dias de Dezembro, e com ele começa o ano litúrgico ou ano eclesiástico. Quer a Igreja que durante o tempo do Advento os fiéis se preparem com a oração e o jejum, para comemorarem cristãmente a vinda ou nascimento de Jesus Cristo. As sextas-feiras do Advento são de abstinência sem jejum, mesmo para os fiéis que têm o Indulto Quaresmal.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Rei Mouro Joás, depois Cristão e Religioso


Neste dia [27 de Novembro] morreu no Real Convento de Santa Cruz de Coimbra o Rei Mouro Joás que fora cativo na batalha de Ourique, e que depois foi convertido e baptizado por São Teotónio, e Religioso professo no mesmo Mosteiro, como em outra parte dissemos. Depois estudou a língua Latina, e por sua Capacidade, virtude e perfeição de vida, foi promovido ao Sacerdócio, e desempenhando com grande satisfação e admiração de todos, as obrigações da nova dignidade, faleceu santamente neste dia. Não ficou memória do ano no livro dos óbitos de Santa Cruz de Coimbra.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O Ministério preferido da Maçonaria


O senador Alexandre Rossi, interpelando o Presidente de Ministros acerca da Maçonaria, declarou e acusou-a de que o seu Ministério predilecto é o da Instrução Pública. A Maçonaria prefere este Ministério a todos os demais para fazer dele o mais forte baluarte na guerra contra Deus e contra o Género Humano, começando pela revolução das ideias [*]. Nenhum maçon ousou negá-lo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 19, Julho de 1896.


[*] A este respeito, lembremos as palavras do Papa Leão XIII na encíclica Humanum Genus.

São Francisco de Sales e os Protestantes


Ninguém ignora que os protestantes, no seu empenho de tudo reformar, ou antes deturpar, deitaram-se aos Livros Sagrados, e adulteraram e mutilaram muitos dos seus textos, e rejeitaram alguns livros. A este propósito diz o insigne Doutor da Igreja S. Francisco de Sales:
Como pode uma alma boa deixar de arder em santo zelo e de sentir uma indignação cristã, considerando com que temeridade aqueles que não falam senão em Escritura Sagrada, desprezaram, aviltaram e profanaram esse divino testamento do Pai Eterno e falsificaram a sagrada aliança de Deus com os homens? Oh Calvino! Oh Lutero! Como ousais vós riscar, trancar e mutilar tantas nobres partes do sagrado texto da Bíblia? – Tirastes Baruch, Tobias, Judite, a Sabedoria, o Eclesiástico e os Macabeus. Porque alterastes desta forma a Sagrada Escritura? Quem vos disse que não são livros sagrados?... Confessai francamente que só o fizestes para contradizer a Igreja.
Incomoda-vos os Macabeus por neles verdes afirmada a intercessão dos Santos e a oração pelos defuntos. O Eclesiástico porque atesta o livre-arbítrio e a honra devida às relíquias dos Santos. Antes de inclinar a vossa fronte e venerar a Escritura, violastes a integridade dela para acomodá-la aos vossos erros e às vossas paixões. – Suprimistes a santa palavra para não refrear as vossas fantasias. – Como vos justificareis deste sacrilégio diante de Deus?

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 3º Ano, Nº 3, Março de 1897.

D. José Pereira de Lacerda é criado Cardeal


No mesmo dia [19 de Novembro], ano de 1719, por nomina d'el-Rei D. João V, nosso Senhor, o Sumo Pontífice Clemente XI criou Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana ao ilustríssimo Dom José Pereira de Lacerda, Bispo do Algarve. Já dissemos dele em outro dia.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Aclamação de El-Rei Dom Afonso VI


Neste dia [15 de Novembro], em quarta-feira, ano de 1656, foi aclamado Rei de Portugal o Sereníssimo Príncipe Dom Afonso, filho dos Senhores Reis Dom João IV e Dona Luísa Francisca de Gusmão. Celebrou-se o acto com a grandeza e ostentação que se estila em casos semelhantes: Houve dúvida entre Dom Nuno Álvares Pereira, Duque do Cadaval, e Dom Francisco de Faro, Conde de Odemira, sobre a qual dos dois tocava exercitar, com o estoque desembainhado, o ofício de Condestável; A Rainha-mãe (que governava o Reino), por evitar contendas, tomou a acertada resolução de que o Infante Dom Pedro (que então era de oito anos) exercitasse aquele ofício. Concluída festivamente a função, se continuou o luto e o sentimento, devidos ambos à grande falta que fazia a Portugal o grande Rei Dom João, o Restaurador, falecido poucos dias antes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

A invalidade das ordenações anglicanas


Como dissemos no número passado da Voz, Leão XIII, depois de um maduro exame, declarou inválidas as ordenações anglicanas [na bula Apostolicae curae]. Essa declaração produziu, como era de esperar, benéficos resultados. O Cardeal Vaughan já dirigiu um apelo aos católicos ingleses para que se organize uma sociedade protectora dos pastores protestantes que abraçarem o Catolicismo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 23, Novembro de 1896.