Da religião de Mamom


O Capital não conhece pátrias, nem fronteiras, nem cores, nem raças, nem idades, nem sexos; ele é o Deus internacional, o Deus universal, ele curvará todos os filhos dos homens sob a sua lei! Apaguemos as religiões do passado; esqueçamos os nossos ódios nacionais e as nossas querelas religiosas, unamo-nos de alma e coração para formular os dogmas da nova fé, da Religião do Capital.

Paul Lafargue in «La Religion du Capital», 1887.

Das obrigações entre os maridos e suas mulheres


P. Quais são as obrigações da mulher a respeito do marido?
R. Muitas; porque lhe deve amor, obediência, fidelidade, paciência, e assistência.
P. Em que consiste esse amor?
R. Esse amor consiste em o tratar com afabilidade, como pessoa com quem Deus a ajuntou, para viverem em união.
P. Em que consiste a obediência que lhe deve?
R. Deve obedecer-lhe em tudo o que não for pecado, para que se não rompa a união de corações, que Deus intentou no Matrimónio.
P. Em que consiste a fidelidade que lhe deve?
R. Em não faltar à promessa que lhe fez quando casou com ele, de não violar este Sacramento.
P. E que paciência é essa que deve ter com ele?
R. O marido é a cabeça da mulher, e os membros devem acomodar-se com o mal da cabeça, se o há.
P. E não pode a mulher corrigir o marido dos defeitos que lhe prejudicam?
R. Pode; mas com amor, prudência, e respeito; porque os membros são obrigados a acudir ao mal da cabeça.
P. E que assistência deve a mulher fazer a seu marido?
R. Em todos seus trabalhos e enfermidades, ela deve ser a primeira em lhe dar ou procurar o socorro, quanto ao corpo e também quanto à alma.
P. E quais são as obrigações dos maridos a respeito de suas mulheres?
R. Também têm muitas obrigações.
P. Quais são?
R. Cinco principais: amor terno, sustento, fidelidade, paciência, a assistência.
P. Por que há-de esse amor ser terno?
R. Porque o seu sexo o pede: a mulher deve amar seu marido com respeito, e o marido deve amá-la com ternura.
P. E que obrigação é essa da fidelidade?
R. É a mesma que a mulher deve ao marido, porque tão grande pecado é faltar o marido ao que prometeu a sua mulher, como faltar ela ao que prometeu a seu marido.
P. E que obrigação é essa da Paciência?
R. É a mesma que deve a mulher ter com o marido; porque Deus quando os ajuntou, foi para se suportarem mutuamente as faltas um do outro.
P. E que assistência lhe deve fazer o marido?
R. A mesma que a mulher lhe deve fazer a ele.

Fonte: «Catecismo da Doutrina Cristã, composto por mandado do Exmo. e Revmo. Senhor Cardeal de Mendonça, Patriarca de Lisboa», 1791.

São Luís, Rei de França


Luís IX, nascido em 1214, tornou-se Rei de França aos doze anos; foi muito piedosamente educado pela Rainha Branca, sua mãe, que lhe ensinou a preferir a morte a cometer um pecado mortal. Gostava de se chamar Luís de Poissy, lugar onde fora baptizado, a fim de indicar ser o seu mais glorioso título de nobreza, o de Cristão. «Desprezando as delícias do mundo, procurou unicamente agradar a Jesus Cristo, o verdadeiro Rei», e foi, diz Bossuet, «o mais santo e o mais justo Rei que tenha trazido uma coroa». Assíduo aos ofícios da Igreja, fazia celebrá-los solenemente em seu palácio, onde diariamente assistia a duas missas. Levantava-se à meia-noite para dizer Matinas, começando pelo ofício de Prima o seu dia real. Introduziu em sua capela o hábito de dobrar-se o joelho a estas palavras do Credo: Homo factus est, e de prostrar-se à leitura da Paixão, quando se narra a morte de Jesus Cristo. Essas duas piedosas práticas foram, depois, adoptadas pela Igreja. «Julgam um crime a minha assiduidade à oração», dizia ele, «porém nada diriam, se as horas nelas empregadas, as passasse no jogo ou na caça». A piedade jamais o impediu de dar a maior parte de seu tempo aos negócios do Reino. Depois de uma doença, fez voto de empreender uma cruzada, a fim de reconquistar Jerusalém. Primeiramente vitorioso, caiu em seguida nas mãos dos Sarracenos. Libertado, permaneceu ainda cinco anos no Oriente para socorrer os cristãos; voltando à França, ocupou-se com numerosas fundações piedosas e fez construir a Santa Capela, com o insigne relicário da santa coroa de espinhos e da importante parcela da verdadeira Cruz que lhe oferecera Balduíno II, imperador de Constantinopla. Muito austero para consigo e muito caridoso para com os outros, dizia: «Mais vale a um Rei arruinar-se pelas esmolas feitas por amor de Deus, do que pelo fausto e a vã glória». «Muitas vezes», diz Joinville, «vi o bom Rei, depois da Missa, ir ao bosque de Vincennes, assentar-se junto a um carvalho e dar audiência a todos que precisavam falar-lhe». Sargento de Cristo, trazia continuamente a cruz, a fim de indicar que seu voto estava por se realizar. Em 1270, empreendeu nova cruzada, porém uma epidemia lhe dizimou o exército na África, atingindo-o também. Com os braços em cruz, deitado na cinza, entregou a alma a Deus, em 1270, à mesma hora em que Cristo morreu sobre a Cruz. Na véspera de morrer, ouviram-no repetir: «Iremos a Jerusalém». Na Jerusalém celeste, conquistada pela sua paciência no meio das adversidades, devia ele reinar com o Rei dos Reis.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Justiça secular castiga um atroz e sacrílego delito


Neste dia [23 de Agosto], ano de 1728, em segunda-feira, foi levado à praça do Rossio de Lisboa, um homem de dezoito para dezanove anos, arrastado à cauda de um cavalo, e na mesma praça, em um alto poste, se lhe cortaram as mãos, se lhe deu garrote, e foi seu corpo queimado, em castigo do atroz e sacrílego delito, que cometeu ao roubar a Píxide [ou Cibório], em que estava o Santíssimo Sacramento na Igreja Paroquial de Monforte, na Província de Alentejo.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Reforma de D. João I que introduz a Era de Cristo


No mesmo dia [22 de Agosto], ano da Era de César de 1460, saiu El-Rei Dom João I de Portugal com um memorável Decreto, ordenando que em todos os Estados da sua jurisdição, se fizesse a conta aos anos pelo do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo; e logo se trocou a conta do sobre dito ano de 1460, que então corria segundo a Era de César, no de 1422, por exceder aquela Era à do Nascimento trinta e oito anos. Já em Castela se havia feito esta louvável introdução, sendo Autor dela o famoso Português Dom Pedro Tenório. Foi invento verdadeiramente digno da piedade Católica; Porque por este modo, todas as vezes que fazemos menção do ano que corre, renovamos por consequência a felicíssima memória daquele sacrossanto Mistério, de que resultou a maior glória a Deus, a Paz, e todos os bens aos homens.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Capitalistas e comunistas pela abolição de fronteiras


A este respeito, não podemos deixar de ficar impressionados pela forma como as redes de "ilegais" da extrema-esquerda, que acreditam encontrar nos imigrantes um proletariado de substituição, servem os interesses do patronato. Redes mafiosas, traficantes de pessoas e de mercadorias, grandes empresários, activistas "humanitários", empregadores de mão-de-obra barata: todos são adeptos da abolição de fronteiras pelo comércio-livre mundial. Olivier Besançenot [comunista] e Laurence Parisot [capitalista], o mesmo combate!
(...)
Quem critica o capitalismo e aprova a imigração, da qual a classe trabalhadora é a primeira vítima, faria melhor que se calasse. Quem critica a imigração e permanece mudo sobre o capitalismo, deveria fazer o mesmo.

Alain de Benoist in revista «Éléments», nº 139, Abril-Junho de 2011.

Chegada dos Portugueses à China


No mesmo dia [15 de Agosto], ano de 1517, chegou Fernão Peres de Andrada, com oito velas, à Ilha chamada Tamão, distante três léguas da terra firme da China, e então foi quando começou a ser conhecida no Mundo a estupenda grandeza daquela nobilíssima região, situada debaixo do Trópico de Capricórnio [Errata: Trópico de Caranguejo], e a última terra firme e a mais Oriental que se conhece na Ásia: É pouco menor que toda a Europa, tem de comprido mais de seiscentas léguas, de largo mais de quatrocentas, e em círculo duas mil: Divide-se da Tartária por um muro de trezentas léguas: A Cidade de Pequim tem doze de circuito, e o mesmo a de Nanquim: O Emperador sustenta vivos cinco milhões de Infantes, um de Cavalaria: As Cidades muradas são quinhentas: É habitada de duzentos milhões de pessoas, e as Cidades sobreditas a dois milhões cada uma: Há nela quinze Províncias, cada uma bastante a formar um grande Reino: É muito povoada, fértil, fresca, e rica; Seus habitadores têm mais de políticos e engenhosos, do que de bárbaros e rudes.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Salazar antifascista?


Se é certo que Salazar não era fascista, como o próprio afirmou em «Como se levanta um Estado», também é certo que Salazar não era antifascista, como erradamente afirmou José Hermano Saraiva, em 1999, e ainda hoje querem fazer crer alguns salazaristas de pontes e estradas. Como se não fosse do conhecimento público que Salazar teve um retrato de Mussolini (assinado e com dedicatória do Duce) na sua mesa de trabalho até 1945. Por isso, «dizer que ele era antifascista, só por graça, pelo amor de Deus! A menos que ele só tivesse o retrato para lhe cuspir» – António José de Brito em entrevista ao jornal «Independente», 1999.

Do Modernismo


– O que é a "abominação da desolação"? Parece-me que os Santos Padres entendem por essa expressão semítica a idolatria...
– A pior idolatria. Pois no fundo do modernismo está latente a mais execrável idolatria, a apostasia perfeita, a adoração do homem no lugar de Deus; e isso sob formas cristãs e até talvez mantendo a estrutura exterior da Igreja. Já leu The Soul of Spain do psicólogo inglês Havelock Ellis?
– Não. O que diz?
– É um livro de viagens por Espanha. Leia o capítulo intitulado Uma missa cantada em Barcelona e verá o que quero dizer quando falo de modernismo.
– Ridiculariza a missa cantada?
– Quê?! Pelo contrário! Cobre-a de flores, enche-a de elogios... estéticos. Diz que é um espectáculo imponente, uma criação artística, e que não se pode deixar cair essa nobre conquista de "património cultural" da humanidade, mas procurar preservá-la e aperfeiçoá-la... podada da pequena superstição que a informa, ou seja, a presença real de Cristo no Sacramento... Anulada essa pequena superstição, tudo mais...

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

Vitória insigne no Reino de Benguela


Pelos anos de 1679, sendo Governador de Angola, Aires de Saldanha de Menezes e Sousa, se levantou nas vastíssimas campanhas do Reino de Benguela, um Negro chamado Quitequi, que na sua língua significa Feiticeiro; E valendo-se das más Artes, que eram próprias do seu nome, e não menos da sua grande indústria e valor, foi adquirindo um numeroso séquito; E crescendo-lhe com o poder a arrogância, começou a vexar aos Portugueses, que negociavam naquele Sertão, e muito mais aos Negros confinantes, que eram Vassalos de El-Rei de Portugal; Com que foi preciso castigá-lo, mas não foi fácil. Saiu em campanha contra ele, com duzentos e cinquenta Portugueses, o herói daqueles tempos naquelas partes, Luís Lopes de Sequeira, a quem precedia um esquadrão volante de Negros, nossos aliados, que serviam mais a engrossar que a fortalecer o corpo do nosso Exército: Porque geralmente aos primeiros ataques costumam desemparar aos brancos, levando mal o pelejarem contra os da sua côr. Estava o Quitequi alojado em umas altas penhas, com boas fortificações, e fiado na eminência do sítio, e muito mais no esforço dos companheiros, gente escolhida e bem armada, lançava do alto juntamente com grande número de pedras, muitas palavras injuriosas contra os Portugueses; Mas cedo experimentou o castigo da sua arrogância; Investiram os nossos aquele monte, posto que se lhe representava inexpugnável, e por entre infinitas pedras que se despenhavam furiosas, por entre inumeráveis balas e flechas, foram ganhando terra apesar de dura oposição: Uns empenhados em subir: Restados outros a lhe impedirem a subida; Chegaram finalmente os Portugueses ao alto, e começaram a batalhar-se corpo a corpo com os inimigos; Travou-se uma brava peleja, que durou mais de quatro horas; Até que caiu morto de uma bala o Quitequi, e com ele caíram os seus de ânimo, e largando as armas, se encomendaram aos pés: Muitos pereceram cortados do nosso ferro: Muitos precipitados daquelas eminências: Muitos foram metidos ao grilhão; Dos nossos ficaram mortos cinco, feridos dezasseis: E não houve quem não julgasse pequena a perda, na comparação de um sucesso tão glorioso, e de tantas consequências: Em que ficou castigada a soberba daquele bárbaro, desassombrados os Príncipes e Sobas amigos: Temido e respeitado o valor Português: Aberto e seguro o comércio; e os Soldados ricos e contentes com os despojos; conseguiu-se esta memorável vitória neste dia [9 de Agosto], no ano referido.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Conflito memorável em Ceilão


Havendo-se levantado com a maior parte da Ilha de Ceilão um Gentio, por nome Rajú, não se dava por inteiramente ditoso, até não lançar os Portugueses fora da mesma Ilha. A este fim veio com numerosos esquadrões sobre a Cidade de Colombo, e neste dia [5 de Agosto], ano de 1587, lhe deu fortíssimos assaltos, ao mesmo tempo por três partes: Os Portugueses eram em pouco número, e os inimigos sem ele, e não lhes faltava disciplina, sobre resolução e valor; Traziam elefantes de guerra, que são naquela Ilha por extremo ferozes e belicosos, a que ajuntavam todos os outros instrumentos de expugnação. Caiu esta grande máquina sobre aquela Cidade, e o estrondo da artilharia, e mais bocas-de-fogo, as nuvens de fumo, as vozes desentoadas e roucas de uns e outros combatentes, os urros dos elefantes, as lágrimas e prantos das mulheres e meninos, as feridas, as mortes, os gemidos, tudo formava uma confusão indistinta e temerosa. Por vezes subiram os inimigos as muralhas e outras tantas foram despenhados delas: Aos que caiam, sucediam outros, e os nossos sempre os mesmos. Assim durou a peleja muitas horas, bem disputada e ferida de ambas as partes; Até que, não podendo os inimigos sustentar mais o peso dos defensores, se retiraram destroçados.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

É obrigação moral defender a integridade nacional


Todos os Estados, todas as Famílias, todos os Grupos ou Organismos são mais ou menos racistas, segundo a força da sua constituição, e a consciência que têm da sua missão. Isto é, defendem-se, repelindo do seu meio, tudo quanto seja portador de gérmenes de decomposição ou dissolução. É a luta pela vida. É a aplicação do preceito evangélico relativo aos ramos estéreis das vides (Segundo S. João, XV, 6); é a aplicação da doutrina de S. Tomás (II da II, quest. XI, artigo 3).
Se os nativos de Angola, ou da Guiné, se infiltrassem em doses maciças na Sociedade portuguesa, e, por seus cruzamentos, a ameaçassem de se abastar, tingindo-a, deformando-a, e anulando-lhe a sua consciência histórica, não tinha o governo responsável por obrigação indeclinável barrar tal infiltração, e defender a pureza do nosso sangue e da nossa consciência nacional? Que são senão medidas racistas, as limitações à imigração que certos Estados decretam?
Não. Não se confunda o que é inconfundível. Não se caricature, para não se desvirtuar, o que se pretende julgar. (...) Ninguém me poderá condenar por eu tentar impedir que a minha Pátria se dissolva, pela mestiçagem biológica, ou pela invasão de não-portugueses que ocupem todas as posições-chave das actividades nacionais – nas Universidades, nos Bancos, nas Empresas, na Administração, nos Tribunais, na Indústria, nas Oficinas.

Alfredo Pimenta in «Contra o Comunismo: Análise comparativa das Encíclicas Mit brennender Sorge e Divini Redemptoris», 1944.