16/10/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (II)


Mas o que é a Tradição? Parece-me que, com frequência, a palavra é imperfeitamente compreendida: comparam-na às tradições como existem nas profissões, nas famílias, na vida civil: o bouquet colocado sobre o telhado quando se põe a última telha, o cordão que se corta para inaugurar um monumento, etc. Não é nada disto que eu falo; a Tradição não são os costumes legados pelo passado e conservados por fidelidade a este, mesmo na ausência de razões claras. A Tradição define-se como o depósito de fé transmitido pelo Magistério de século em século. Este depósito é aquele que nos deu a Revelação, isto é, a palavra de Deus confiada aos Apóstolos e cuja transmissão é assegurada pelos seus sucessores.

Mons. Marcel Lefebvre in «Carta Aberta aos Católicos Perplexos», 1984.

13/10/2017

Um testemunho insuspeito do Milagre do Sol


Quebrando um silêncio de mais de vinte anos, e com a invocação dos longínquos e saudosos tempos em que convivemos numa fraternal camaradagem, iluminada então pela fé comum e fortalecida por idênticos propósitos, escreves-me para que te diga, sincera e minuciosamente, o que vi e ouvi na charneca de Fátima, quando a fama de celestes aparições congregou naquele desolado ermo dezenas de milhares de pessoas, mais sedentas, segundo creio, de sobrenatural, do que impelidas por mera curiosidade ou receosas de um logro... Estão os católicos em desacordo sobre a importância e a significação do que presenciaram.
Uns convenceram-se de que se tinham cumprido prometimentos do Alto; outros acham-se ainda longe de acreditar na incontroversa realidade de um milagre. Foste um crente na tua juventude e deixaste de sê-lo. Pessoas da família arrastaram-te a Fátima, no vagalhão colossal daquele povo que ali se juntou a 13 de Outubro.
O teu racionalismo sofreu um formidável embate e queres estabelecer uma opinião segura socorrendo-te de depoimentos insuspeitos como o meu, pois que estive lá apenas no desempenho de uma missão bem difícil, tal a de relatar imparcialmente para um grande diário, "O Século", os factos que diante de mim se desenrolassem e tudo quanto de curioso e de elucidativo a eles se prendesse. Não ficará por satisfazer o teu desejo, mas decerto que os nossos olhos e os nossos ouvidos, não viram nem ouviram, coisas diversas, e que raros foram os que ficaram insensíveis à grandeza de semelhante espectáculo, único entre nós e de todo o ponto digno de meditação e de estudo...
O que ouvi e me levou a Fátima?
Que a Virgem Maria, depois da festa da Ascensão, aparecera a três crianças que apascentavam gado, duas mocinhas e um zagalete, recomendando-lhes que orassem e prometendo-lhes aparecer ali, sobre uma azinheira, no dia 13 de cada mês, até que em Outubro lhes daria um sinal do poder de Deus e faria revelações. Espalhou-se a nova por muitas léguas em redondeza; voou, de terra em terra, até aos confins de Portugal, e a romagem dos crentes foi aumentando de mês para mês, a ponto de se juntarem na charneca de Fátima, em 13 de Outubro, umas cinquenta mil pessoas, consoante os cálculos de indivíduos desapaixonados.
Nas precedentes reuniões de fiéis não faltou quem tivesse suposto ver singularidades astronómicas e atmosféricas, que se tomaram como indício de imediata intervenção divina.
Houve quem falasse de súbitos abaixamentos de temperatura, de cintilação de estrelas em pleno meio-dia e de nuvens lindas e jamais vistas em torno do Sol. Houve quem repetisse e propalasse comovidamente que a Senhora recomendava penitência, que pretendia a criação de uma capela naquele local, que em 13 de Outubro manifestaria, por intermédio de uma prova sensível a todos, a infinita bondade e a omnipotência de Deus.
Foi assim que, no dia célebre e tão ansiado, afluíram de perto e de longe a Fátima, arrostando com todos os embaraços e todas as durezas das viagens, milhares e milhares de pessoas, umas que palmilharam léguas ao sol e à chuva, outras que se transportaram em variadíssimos veículos, desde os quase pré-históricos até aos mais recentes e maravilhosos modelos de automóveis, e ainda muitíssimas que suportaram os incómodos das terceiras classes dos comboios, dentro dos quais, para percorrer hoje relativamente pequenas distâncias, se perdem longas horas e até dias e noites! Vi ranchos de homens e de mulheres, pacientemente, como enlevados num sonho, dirigirem-se de véspera para o sítio famoso, cantando hinos sacros e caminhando descalços ao ritmo deles e à recitação cadenciada do terço do Rosário, sem que os importunasse, os demovesse ou desesperasse, a mudança quase repentina do tempo, quando as bátegas de água transformaram as estradas poeirentas em fundos lamaçais, e às doçuras do Outono sucederem, por um dia, os aspérrimos rigores do Inverno. Vi a multidão, ora comprimida à volta da pequenina árvore do milagre e desbastando-a dos seus ramos para guardar como relíquias, ora espraiada pela vasta charneca que a estrada de Leiria atravessa e domina, e que a mais pitoresca e heterogénea concordância de carros e pessoas atravancou naquele dia memorável, aguardar na melhor ordem as manifestações sobrenaturais, sem temer que a invernia as prejudicasse, diminuindo-lhes o esplendor e a imponência... Vi que o desalento não invadiu as almas, que a confiança se conservou viva e ardente, a despeito das inesperadas contrariedades, que a compostura da multidão, em que superabundavam os campónios, foi perfeita e que as crianças, no seu entender privilegiadas, tiveram a acolhê-las as demonstrações do mais intenso carinho por parte daquele povo que ajoelhou, se descobriu e rezou a seu mandado, ao aproximar-se a hora do milagre, a hora do sinal sensível, a hora mística e suspirada do contacto entre o Céu e a Terra...
E, quando já não imaginava que via alguma coisa mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada pela mesma obsessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio, que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A chuva, à hora pré-anunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens romper-se e o astro-rei – disco de prata fosca – em pleno zénite aparecer e começar dançando num bailado violento e convulso, que grande número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar.
Milagre, como gritava o povo? Fenómeno natural, como dizem os cientistas? Não curo agora de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi... O resto é com a Ciência e com a Igreja...

Avelino de Almeida, agnóstico e jornalista de "O Século", Outubro de 1917.

11/10/2017

Soneto de Camões


Tu que, descanso buscas com cuidado,
Neste mar do mundo tempestuoso
Não esperes de achar nenhum repouso,
Senão em Cristo Jesus Crucificado.

Se por riquezas vives desvelado,
Em Deus está o tesouro mais precioso,
Se estás de formosura desejoso,
Se olhas este Senhor ficas namorado.

Se tu buscas deleites ou prazeres,
Nele está o dulçor dos dulçores,
Que a todos nos deleita com vitória.

Se porventura glória ou honra queres,
Que maior honra pode ser nem glória
Que servir ao Senhor Grande dos senhores?

Luís Vaz de Camões

10/10/2017

Os Lusitanos


Cumpre ter sempre presente que a Lusitânia é habitada pela mais poderosa das tribos da Península Ibérica; e que, achando-se já subjugadas as outras, é esta a que se atreve ainda a deter as armas romanas.
Não provém a sua força do número dos seus habitantes, mas da sua resistência devida a um temperamento tenaz e incansável, a uma dignidade individual que antes prefere a morte a qualquer aparência de servidão a Roma.

Caio Lélio, Cônsul Romano, 190 a.C.

07/10/2017

7 de Outubro: Nossa Senhora do Rosário


Neste ano do centenário das Aparições de Fátima, mais do que nunca é dever lembrar a Nossa Senhora do Rosário em Fátima:

"Eu sou a Senhora do Rosário..."

"Rezai o Terço todos os dias..."

06/10/2017

Infiltração esquerdista nos bairros problemáticos


Notícia de 16 de Janeiro de 2009, recuperada agora:

Novopress.info – A PJ, o SIS e a PSP estão atentos à aproximação que grupos de extrema-esquerda (anarquistas e anti-globalização) estão a efectuar a populações de bairros "problemáticos" da periferia de Lisboa.
De acordo com as forças policiais os extremistas de esquerda estarão a fomentar a revolta contra a polícia, que acusam de "assassinar" negros em "execuções sumárias", com a conivência do Governo e da comunicação social "racistas".
As polícias sabem, por exemplo, que a morte de um rapaz de 14 anos na Amadora está a ser aproveitada para algumas acusações destes movimentos. Um deles, a Plataforma Gueto, está a promover uma manifestação de solidariedade com a família do jovem Kuku, marcada para o próximo Sábado, no Casal da Boba (Amadora), em frente à esquadra da PSP, como já anunciou a Novopress.
Para a PJ, que está a acompanhar intensamente estas movimentações, é notória a facilidade com que elementos das organizações anarquistas têm entrado nos bairros e encontrado adeptos. "Estes bairros vivem em permanente tensão, agudizada pela crise económica. A pobreza e as dificuldades são grandes e, por isso, são 'presa' fácil para abordagens anti-Governo e anti-Polícia. Foram registadas aproximações em bairros da Amadora e Loures, precisamente onde os problemas sociais são maiores". As polícias admitem que a concentração de Sábado possa atrair militantes extremistas de outros países.

05/10/2017

A Monarquia caiu antes de 5 de Outubro de 1910


JOÃO TIAGO – Vejo, com certo espanto, que julgas perfeitamente legítimos governos, ou regimes, que não tenham a adesão da generalidade dos governados.

JORGE GUILHERME – Não percebo porque te admiras. Se a adesão dos governados na generalidade fosse o fundamento da legitimidade, toda a revolução tornaria ipso facto ilegítimo um regime. E até o regime que aceite tal fundamento, também, por seu turno, se tornaria ilegítimo se contra ele se erguessem alguns cidadãos. Seria o absurdo e o caos sem tirar nem pôr. O que já é pitoresco é que tão estranha doutrina também tenha sido defendida hoje em dia por cavalheiros que se proclamam monárquicos, isto é, adeptos de uma forma de governo em que a vontade dos governados não entra em nada para a designação dos governantes. A serem lógicos, o rei poderia ser deposto a cada instante, desde que a ele não aderissem os súbditos na sua generalidade. Claro que, então, a monarquia passaria a república e o rei a presidente. Enfim, sintomas de degenerescência intelectual que confrangem.

António José de Brito in «Diálogos de Doutrina Anti-Democrática», 1975.

02/10/2017

2 de Outubro: Dia dos Anjos da Guarda

Iluminura Manuelina

O nosso Santo Anjo da Guarda tem por missão proteger-nos e defender-nos, pôr-nos ao abrigo das ciladas do Demónio e dos inimigos da alma, para podermos alcançar a vida eterna. Este fiel companheiro merece o nosso reconhecimento e a veneração que convém a um santo que goza da visão de Deus no Céu. Por isso, roguemos ao nosso Anjo da Guarda:

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Ámen.

Também as famílias, os povos, os reinos, as dioceses, as igrejas, as comunidades religiosas, todos têm o seu Anjo da Guarda que as protege dos perigos e adversidades. Assim, roguemos também ao Santo Anjo Custódio de Portugal, que sempre defenda e dignifique a nossa Pátria:

Vinde, Anjo de Portugal, livrar a Pátria e os portugueses de todo o mal.

Vinde, Anjo de Portugal, afastar da Pátria a vós confiada os males espirituais assim como tudo o que puder perturbar a paz dos portugueses.

Anjo Custódio de Portugal, defendei a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, salvai a nossa Pátria!
Anjo Custódio de Portugal, santificai a nossa Pátria!

29/09/2017

Subjectivismo

Inteligência

Subjectivismo é introduzir a liberdade na inteligência, quando pelo contrário, a nobreza desta consiste em submeter-se ao objecto, consiste na acomodação ou conformidade do pensamento com o objecto conhecido. A inteligência funciona como uma câmara fotográfica, deve reproduzir exactamente as características perceptíveis do real. A sua perfeição consiste na fidelidade ao real. Por este motivo a verdade define-se como a adequação da inteligência com a coisa. A verdade é esta qualidade do pensamento, de estar de acordo com a coisa, com o que é. Não é a inteligência que cria as coisas, mas as coisas que se impõem à inteligência tal como são. Consequentemente, a verdade de uma afirmação depende do que ela é, é algo de objectivo; e aquele que procura a verdade deve renunciar-se a si, renunciar a uma construção do seu espírito, renunciar a inventar a verdade.

Pelo contrário, no subjectivismo, é a razão que constrói a verdade: deparamo-nos com a submissão do objecto ao sujeito. Este passa a ser o centro de todas as coisas. As coisas não são mais o que são, mas o que se pensa delas. O homem passa a dispor da verdade conforme a sua vontade: a este erro chama-se idealismo no plano filosófico, e liberalismo no plano moral, político e religioso. Como consequência, a verdade será diferente conforme os indivíduos e os grupos sociais. A verdade torna-se necessariamente compartilhada. Ninguém pode pretender tê-la exclusivamente na sua integridade; ela faz-se e procura-se sem descanso. Pode ver-se o quanto isto é contrário a Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua Igreja.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

25/09/2017

As sete abominações


Seis são as coisas que ao Senhor aborrece e sete as que a Sua alma abomina: Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina projectos iníquos, pés apressados para o mal, testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia discórdias entre irmãos.

Provérbios 6: 16, 19

22/09/2017

Os erros do Comunismo


Partindo de fontes soviéticas, o Padre Baldomero Ortoneda analisou 15 mil afirmações ideológicas comunistas do ponto de vista das ciências naturais, da matemática e da filosofia. Como resultado, descobriu 400 erros científicos, 600 de raciocínio e 200 filosóficos, que a doutrina marxista expressa através das suas três "leis": unidade e antagonismo dos contrários; negação da negação; e transição da quantidade em qualidade.
O trabalho foi publicado no livro Principios Fundamentales del Marxismo-Leninismo em 1974.

18/09/2017

O Tradicionalismo tem que vir da Tradição (I)


Por ocasião da publicação de certas proposições, e por uma incompreensível má inteligência, para não dizer intencional, os jornais disseram e repetiram, com inaudita ligeireza, que Roma, a Santa Sé e a Igreja condenaram o tradicionalismo; o que equivaleria a dizer que a Igreja Católica condenou o princípio fundamental do Catolicismo e se condenou a si mesma; porque no fundo, o Catolicismo não é mais que a tradição apostólica, que nos garante a autenticidade da Escritura, da qual a Igreja é fiel e infalível depositária.

Pe. Ventura de Raulica in «La Tradición y los Semipelagianos de la Filosofia», 1862.

(Via: Ascendens)

16/09/2017

Falácia de inversão do ónus da prova


Esta falácia consiste em exigir o ónus da prova de inocência ao acusado sem prova. Esquema:

Pessoa A acusa de X a Pessoa B.
Pessoa B não aceita a acusação.
Pessoa A exige-lhe prova de inocência.

Este tipo de raciocínio é falso e pode até ser caso grave de injustiça. A presunção de inocência até caso provado, tem um princípio justo. Segundo a falácia da inversão do ónus da prova, a prova caberia ao acusado e não a quem acusa.

11/09/2017

Roma não paga a traidores

Viriato

Em 155 a.C., o Império Romano dominava já todo o território leste e sul da Península Ibérica. Nesse mesmo ano começa a chamada Guerra Lusitana.
Entre 155 e 150 a.C. os combates sucedem-se, quase sempre favoráveis aos lusitanos. Até que, neste último ano, os lusitanos sofrem um grande revés. Tal deve-se à promessa do governador romano, Galba, de oferecer terras aos lusitanos. Mas a promessa era uma cilada. Com os lusitanos concentrados em poucos lugares perto dos romanos, Galba promoveu uma chacina.
Após a matança de Galba, segue-se um período de relativa acalmia. Até que no ano 147 a.C., os lusitanos irrompem num novo ataque aos romanos. Nesta altura, o governador romano Vetílio propõe um novo acordo de paz. Mas contra esse acordo levanta-se Viriato, um sobrevivente da chacina de Galba, que, lembrando aos lusitanos a perfídia dos romanos, apela à resistência.
Viriato, aclamado como "rei" (Dux Lusitanorum), venceu o governador Vetílio. Os romanos reagiram, mas foram quase sempre vencidos em batalha.
Para Roma, a guerra estava a revelar-se um verdadeiro fracasso. Após vários desaires e uma pesada derrota em 140 a.C., os romanos propõem novamente a paz. Viriato firma o tratado e recebe o título de "amigo do povo romano" (amicus populi romani). No Senado Romano, porém, este tratado é visto como uma humilhação, e no ano seguinte, Roma rompe as tréguas e envia um novo governador para terminar a guerra.
O novo governador romano, Cipião, desencadeou uma ofensiva fulgurante, mas Viriato mantém a superioridade militar e força-o a pedir a paz. Envia três emissários para negociar com Cipião, mas este suborna-os, prometendo-lhes grandes recompensas caso matassem Viriato. E assim aconteceu. Enquanto dormia, Viriato foi assassinado à punhalada.
Os lusitanos, enfraquecidos, acabaram por ser derrotados pelos romanos. A morte de Viriato marcou o início da ocupação romana do ocidente da Península Ibérica.
Quanto aos traidores, estes refugiaram-se em Roma, reclamando o prémio prometido. No entanto, as autoridades romanas ordenaram a sua execução em praça pública, onde ficaram expostos com as inscrições: "Roma não paga a traidores".

A morte de Viriato

04/09/2017

Vós sois o sal da Terra


Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da Terra; e chama-lhe sal da Terra, porque quer que façam na Terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a Terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a Terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que eles dizem; ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo, ou porque a Terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.
Suposto pois que, ou o sal não salgue, ou a terra se não deixe salgar, que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: "E se o sal perder a sua força, com que outra coisa se há-de salgar? Para nenhuma coisa mais fica servindo senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens" (Mateus V, 13). Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos. Quem se atrevera a dizer tal coisa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.

Pe. António Vieira in «Sermão de Santo António aos peixes», 1654.

01/09/2017

LIVROS II (Parte B)

(continuação do LIVROS II (Parte A))

Já muitos sabem, mas ainda é notícia. O Pedro Oliveira abriu no Youtube o seu canal pessoal PEDRO DE OLIVEIRA. O blogue VERITATIS recomenda aos seus leitores que subscrevam este canal, que é de inteira confiança e segurança.

Aqui fica uma mostra, com uma listagem dos mais importantes assuntos do vídeo (clicando nas indicações de tempo, na lista, irá ter à parte correspondente do vídeo).

1 - Capela de S. João Baptista - continuação (00:00)
2 - Guerra Marxista na Infância (4:34)
3 - A Rússia em Face do Mundo (6:07)
4 - Convite ao diálogo com a militância dos da "hispanidad" (7:04)
5 - Novidades, informações, e achegas jeitosas (8:46)


(a continuar...)