08/12/2018

Nossa Senhora, Rainha de Portugal

Quis a Providência que a Virgem de Fátima fosse coroada no 300º aniversário da coroação da Imaculada Conceição.

O amor ardente e reconhecido vos trouxe: e vós quisestes dar-lhe uma expressão sensível condensando-o e simbolizando-o naquela coroa preciosa, fruto de tantas generosidades e tantos sacrifícios, com que, por mão do Nosso Cardeal Legado, acabamos de coroar a Imagem taumaturga.
Símbolo expressivo, que, se aos olhos da celeste Rainha atesta o vosso filial amor e gratidão, primeiro vos recorda a vós o amor imenso, expresso em benefícios sem conta, que a Virgem Mãe tem desparzido sobre a sua «Terra de S. Maria». Oito séculos de benefícios! Os cinco primeiros sob a signa de S. Maria de Alcobaça, de S. Maria da Vitória, de S. Maria de Belém, nas lutas épicas contra o Crescente pela constituição da nacionalidade, em todos os heroísmos aventurosos dos descobrimentos de novas ilhas e novos continentes, por onde vossos maiores andaram plantando, com as Quinas, a Cruz de Cristo. Estes três últimos séculos sob a especial protecção da Imaculada, a quem o Monarca restaurador com toda a Nação reunida em Cortes aclamou Padroeira de seus Reinos e Senhorios, consagrando-lhe a coroa, com especial tributo de vassalagem e com juramento de defender, até dar a vida, o privilégio de sua Conceição Imaculada: «esperando com grande confiança na infinita misericórdia de Nosso Senhor, que por meio desta Senhora, Padroeira e Protectora de nossos Reinos e Senhorios, de quem por honra nossa nos confessamos e reconhecemos vassalos e tributários, nos ampare e defenda de nossos inimigos, com grandes acrescentamentos destes Reinos, para a glória de Cristo nosso Deus e exaltação de nossa Santa Fé Católica Romana, conversão dos Gentios e redução dos Hereges» (Auto da aclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal, 1646).
E a Virgem fidelíssima não confundiu a esperança que n'Ela se depositava. Basta reflectir nestes três últimos decénios, pelas crises atravessadas e pelos benefícios recebidos equivalentes a séculos; basta abrir os olhos e ver esta Cova da Iria transformada em fonte manancial de graças soberanas, de prodígios físicos e muito mais de milagres morais. Que a torrentes daqui se derramam sobre todo Portugal, e de lá, rompendo pelas fronteiras, se vão espraiando por toda a Igreja e por todo o mundo.
Como não agradecer? Ou antes, como agradecer condignamente? Há trezentos anos o Monarca da restauração, em sinal do amor e reconhecimento seu e do seu povo, depôs a coroa real aos pés da Imaculada, proclamada Rainha e Padroeira. Hoje vós todos, todo o povo da Terra de Santa Maria, com os Pastores de suas almas, com o seu Governo, às preces ardentes, aos sacrifícios generosos, às solenidades eucarísticas, às mil homenagens que vos ditou o amor filial e reconhecido, juntastes aquela preciosa coroa e com ela cingistes a fronte de Nossa Senhora da Fátima, aqui neste oásis bendito, impregnado de sobrenatural, onde mais sensível se experimenta o seu prodigioso patrocínio, onde todos sentis mais perto o seu Coração Imaculado a pulsar de imensa ternura e solicitude materna por vós e pelo mundo.
Coroa preciosa, símbolo expressivo de amor e gratidão!
(...)
É que a sua realeza é essencialmente materna, exclusivamente benéfica.
E não é precisamente essa realeza que vós tendes experimentado? Não são os infindos benefícios, os carinhos inumeráveis com que vos tem mimoseado o Coração materno da augusta Rainha, que vós hoje aqui proclamais e agradeceis? A mais tremenda guerra que nunca assolou o mundo, por quatro longos anos andou rondando as vossas fronteiras, mas não as ultrapassou, graças sobretudo a Nossa Senhora, que deste seu trono de misericórdia, como de sublime atalaia, colocada aqui no centro do país, velava por vós e por vossos governantes; nem permitiu que a guerra vos tocasse, senão o bastante para melhor avaliardes as inauditas calamidades de que a sua protecção vos preservava.
Vós coroai-la Rainha da paz e do mundo, para que o ajude a encontrar a paz e a ressurgir das suas ruínas.
E assim aquela coroa, símbolo de amor e gratidão pelo passado, de fé e de vassalagem no presente, torna-se ainda, para o futuro, coroa de lealdade e esperança.
Vós, coroando a imagem de Nossa Senhora, assinastes, com o atestado de fé na sua realeza, o de uma submissão à sua autoridade, de uma correspondência filial e constante ao seu amor. Fizestes mais ainda: alistastes-vos Cruzados para a conquista ou reconquista do seu Reino, que é o Reino de Deus. Quer dizer: obrigastes-vos a trabalhar para que Ela seja amada, venerada, servida à volta de vós, na família, na sociedade, no mundo.

Papa Pio XII in «Anúncio radiofónico aos fiéis portugueses por ocasião da solene celebração da coroação de Nossa Senhora de Fátima», 13 de Maio de 1946.

01/12/2018

Viva o 1º de Dezembro! Viva Portugal!


Episódios:
A – A morte do traidor Miguel de Vasconcelos.
B – A Restauração é proclamada entre a população de Lisboa.
C – D. João IV é jurado Rei de Portugal.
D – D. João IV é coroado Rei de Portugal.

29/11/2018

113º aniversário de Monsenhor Marcel Lefebvre


No entanto, o nosso dever consiste em tudo fazer para conservar o respeito à Hierarquia na medida em que os seus membros formam parte dela, e saber fazer a distinção entre a instituição divina à qual devemos estar muito aferrados, e os erros que podem professar alguns maus pastores. Devemos fazer o que for possível para iluminá-los e convertê-los com as nossas orações e o nosso exemplo de mansidão e firmeza.
À medida que se fundam os nossos priorados teremos esta preocupação de inserir-nos nas dioceses mediante o nosso verdadeiro apostolado sacerdotal submetido ao sucessor de Pedro, como sucessor de Pedro, não como sucessor de Lutero ou de Lamennais. Teremos respeito e inclusive afecto sacerdotal por todos os sacerdotes, esforçando-nos por lhes dar a verdadeira noção do Sacerdócio e do Sacrifício, por acolhê-los para retiros, por pregar missões nas paróquias como São Luís Maria Grignion de Montfort, pregando a Cruz de Jesus e o verdadeiro Sacrifício da Missa.
Assim, pela graça da Verdade, da Tradição, se desvanecerão os prejuízos a nosso respeito, ao menos por parte dos espíritos ainda bem dispostos, e a nossa futura inserção oficial ver-se-á, por isso, grandemente facilitada.
Evitemos os anátemas, as injúrias, as torpezas, evitemos as polémicas estéreis, rezemos, santifiquemo-nos, santifiquemos as almas que virão a nós cada vez mais numerosas, na medida em que encontrem em nós aquilo do qual têm sede: a graça de um verdadeiro sacerdote, de um pastor de almas, zeloso, forte na sua Fé, paciente, misericordioso, sedento da salvação das almas e da glória de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mons. Marcel Lefebvre in «O golpe mestre de Satanás», 1977.

26/11/2018

Sociedade Fabiana


Fundada em Londres em 1884, a Sociedade Fabiana é uma associação político-cultural que propõe a implementação do socialismo no mundo de uma forma gradual, não-revolucionária, não-violenta, democrática, através de pequenas reformas, "gota a gota". Herdou o seu nome do general romano Fábio Máximo, que derrotou Aníbal Barca evitando uma confrontação directa e aberta, adoptando uma estratégia de atrito e desgaste. A Sociedade Fabiana influenciou a social-democracia, os comunistas moderados (mencheviques) e os marxistas culturais. O seu símbolo original era um lobo com pele de cordeiro.

24/11/2018

Aldeia de Idanha-a-Velha

Situada na Beira Baixa, nas margens do Rio Ponsul, a aldeia de Idanha-a-Velha foi fundada pelos Romanos no século I a.C. com o nome de Civitas Igaeditanorum (Cidade dos Igeditanos). Com o nome de Egitânia, foi elevada a sede episcopal pelos Suevos, seguindo-se um período de grande esplendor, que se manteve com os Visigodos. Após a Reconquista, D. Afonso Henriques doou-a aos Templários. D. Sancho II concedeu-lhe foral em 1229.

22/11/2018

Islamofilia e Lusofobia

Em 2015 a Câmara Municipal de Lisboa, liderada pelo socialista Fernando Medina, iniciou o projecto de construir uma mesquita no bairro da Mouraria. A obra, participada pela Câmara em 3 milhões de euros, irá ser construída no lugar de edifícios classificados. Moradores indignados protestaram, mas a Câmara já avançou com a desclassificação e com a expropriação dos edifícios.

Praça do Martim Moniz

Entretanto, surgiu um novo projecto que visa "requalificar" a Praça do Martim Moniz, igualmente no bairro da Mouraria. O projecto, a cargo da empresa Moon Brigade (Brigada da Lua), também já foi alvo da crítica dos moradores, e visa, entre outras coisas, "reabilitar" dois pequenos lagos já existentes na praça. Um dos lagos é em formato de Rub el Hizb, uma estrela de oito pontas que é usada no Alcorão para marcar o fim de cada capítulo e que também foi usada como bandeira de Marrocos dos séculos XIII a XVII. O outro lago é em formato de meia-lua, famoso símbolo islâmico. Vale a pena lembrar que Martim Moniz, cavaleiro da corte de D. Afonso Henriques, foi herói mártir e é um dos maiores símbolos da reconquista de Lisboa.

Sheik Munir e Fernando Medina

Maquiavélico? Pois... parece que existe uma agenda oculta que visa promover o anti-Portugal dentro de Portugal.

19/11/2018

A realidade e a fantasia "intramuros"


Se é a linha do Partido que determina o que é a verdade, e não a realidade, segue-se daqui que o mundo real deve estar separado dos que são escravos do Comunismo. Aquela mãe que sempre desejou uma menina, pode vestir o seu petiz como tal, encaracolar-lhe o cabelo, trazê-lo sempre de saias e fazê-lo acreditar que no mundo só existem meninas. Esta é a «linha do Partido» ou do «mito». Mas para a sustentar é preciso conservar sempre a criança isolada do mundo real. Doutro modo a linha do Partido provaria ser falsa. A necessidade de uma cortina de ferro para fechar o mundo real, torna-se necessária devido ao mito. O que o rapazinho precisa de descobrir para se sentir decepcionado com a linha do Partido da sua mãe, é ver outros rapazinhos. A Cortina de Ferro na Europa e a Cortina de Bambu na China, são a prova de que o isolamento da Rússia é preciso para a conservação do mito de que a URSS é um paraíso, afastando-a do verdadeiro contacto com o resto do mundo. Se não existisse a Cortina de Ferro, qualquer homem poderia medir-se pela realidade, isto é, pelo que se passava fora da Rússia.
Nada é mais grave para o Partido do que um escravo quebrar a casca e verificar que fora dela também há galinheiros e galinhas. (...) Os milhões de soldados que desertaram do exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial provaram que ao contacto com a realidade ficaram desiludidos com o seu mito.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

18/11/2018

A origem da União Europeia


No início de 1924, chegou-nos uma carta do barão Louis Rothschild: um dos seus amigos, Max Warburg, de Hamburgo, havia lido o meu livro e queria conhecer-nos. Com grande assombro vi que espontaneamente me oferecia sessenta mil marcos de ouro para subvencionar o movimento [pan-europeu] durante os três primeiros anos.

Richard Coudenhove-Kalergi in «Ein Leben für Europa», 1966.

15/11/2018

É Portugal que revive


A charrua penetra o solo mais que o ferro da espada; o suor fertiliza a terra mais que o sangue das veias; o espírito afeiçoa e transforma os homens e a natureza mais profundamente que a força material dos dominadores. As fundas pegadas e traços que ficaram de nós na terra e nas almas, por muita parte onde não é hoje nosso domínio político, e têm maravilhado os observadores desde as costas de Marrocos à Etiópia e do Mar Vermelho aos Estreitos e ao Mar da China, vêm exactamente de que a nossa obra não é a do caminheiro que olha e passa, do explorador que busca à pressa as riquezas fáceis e levantou a tenda e seguiu, mas a do que, levando em seu coração a imagem da Pátria, se ocupa amorosamente em gravá-la fundo onde adrega de levar a vida, ao mesmo tempo que lhe desabrocha espontâneo da alma o sentido da missão civilizadora. Não é a terra que se explora: é Portugal que revive.

António de Oliveira Salazar in discurso de 9 de Outubro de 1939.

09/11/2018

Patriotismo: um dever de caridade


Se o Catolicismo fosse um inimigo da Pátria, não seria uma religião divina. A Pátria é um nome que trás à nossa memória as recordações mais queridas, ou porque carregamos o mesmo sangue que os nascidos no nosso próprio solo, ou devido ainda à mais nobre semelhança de afectos e tradições, a nossa Pátria não é apenas digna de amor, mas de predilecção.

Papa São Pio X, discurso pronunciado a 20 de Abril de 1909.

08/11/2018

O tomismo e o neo-tomismo


Antes de mais, uma reflexão. O problema, como nos interessa, hoje, e como se apresenta hoje, às nossas considerações, é relativamente moderno: é consequência da Revolução francesa e da Declaração dos Direitos do Homem. A Democracia de Aristóteles ou de S. Tomás é a democracia das Repúblicas gregas e da República romana. Entre essa Democracia e a Democracia dos Direitos do Homem, do Sufrágio universal e da Soberania popular, há tanta semelhança como a que possa haver entre o ovo e o espeto.
E a prova disto temo-la no que acontece com S. Tomás: pano para todas as mangas; manjar para todos os paladares; bandeira para todos os partidos. Tenho a impressão de que se S. Tomás viesse a este mundo, e ouvisse os seus comentadores nesta matéria, só teria uma resposta: «não os percebo!»
Para o meu amigo João Ameal, afigura-se-lhe «indubitável a preferência do Aquinense pela hereditariedade dinástica» (São Tomaz de Aquino, pág. 440).
O Pe. Gillet* decretava, nas semanas Sociais de Leão, em 1925, que «é bem difícil saber se ele é, em princípio, realista [monárquico] ou republicano».
M. Charles, na Croix de 7 de Janeiro de 1911, afirmava que «os partidários do Sufrágio universal invocavam a autoridade de S. Tomás e, ao que parece, com razão».
Por mim, penso que entre S. Tomás e nós, há sete séculos e a Revolução francesa. Se o Angélico Doutor pudesse ouvir o que dizemos, e nos percebesse, devia optar, sem hesitação, pela Monarquia – não tanto por fidelidade às doutrinas que expôs, como pelo que é a filosofia da Democracia parlamentar e revolucionária.
Se antes do século XVIII, se desconheciam os Direitos do Homem, a Enciclopédia, Rousseau, a República parlamentar e a Monarquia constitucional, não nos deitemos à aventura à busca de juízos, na Igreja, sobre tais doutrinas ou instituições.
Há uma coisa que a Igreja nos ensinou: obediência ao Poder legítimo, porque todo o Poder legítimo vem de Deus. É à luz deste princípio que devemos julgar as instituições criadas pela Revolução.

Alfredo Pimenta in «A Igreja e os Regimes Políticos», 1942.

*O Pe. Louis Gillet, sacerdote dominicano da escola neo-tomista, abandonou a Fé católica e tornou-se cismático oriental (ortodoxo) em 1928.

06/11/2018

6 de Novembro: Beato Nuno de Santa Maria


Nuno Álvares Pereira, o santo Condestável, aliou desde a mais tenra idade as mais belas virtudes cristãs à cavalheiresca fidalguia da sua estirpe. Herói e santo, consolidada a nossa independência, recolheu-se ao mosteiro do Carmo por ele fundado e onde passou na penitência e oração os últimos anos da sua longa carreira.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

05/11/2018

Sã Filosofia


Para combater o subjectivismo e o racionalismo, que são a base dos erros liberais, não farei alusão às filosofias modernas infectadas precisamente de subjectivismo e racionalismo. Não é nem o sujeito, nem os seus conhecimentos e os seus anseios que a filosofia de sempre, e em particular a metafísica, toma por objecto, é o ser mesmo das coisas, é aquilo que é. Com efeito, é o ser com as suas leis e princípios, o que nosso conhecimento mais espontâneo descobre. E no seu ápice a sabedoria natural (que é essa filosofia) chega pela teodiceia ou teologia natural ao Ser por excelência, ao Ser subsistente por si mesmo. É este Ser primeiro que o senso comum, apoiado, sustentado e elevado pelas verdades da fé, sugere que seja colocado no topo do real, conforme a Sua definição revelada: Ego sum qui sum (Ex 3, 14): Eu sou aquele que sou. Bem sabeis que quando Moisés perguntou o Seu nome, Deus respondeu: Eu sou o que sou, o que significa: Eu sou Aquele que é por si mesmo, possuo o Ser por mim mesmo. É o ens a se: o ser por si mesmo, em oposição a todos os outros seres que são ens ab alio: ser por outro ser, pelo dom que Deus lhes fez da existência! Este é um princípio tão admirável, que se pode meditar sobre ele durante horas. Ter o ser por si, é viver na eternidade, é ser eterno. Aquele que tem o ser por si mesmo sempre teve que tê-lo, o ser nunca poderia havê-lo abandonado. É sempre, foi sempre, será sempre. Pelo contrário, aquele que é ens ab alio, ser por outro ser, recebeu de outro, portanto começou a ser em algum momento, portanto começou!

Como esta consideração nos deve manter humildes! Compenetrarmo-nos do nada que somos diante de Deus! "Eu sou aquele que é, e tu és aquele que não é", dizia Nosso Senhor a uma santa alma. Como é verdadeiro! Quanto mais o homem absorver este princípio da mais elementar filosofia, melhor saberá o seu verdadeiro lugar diante de Deus.

Somente o facto de dizer: eu sou ab alio, Deus é ens a se; eu comecei a ser, Deus é sempre. Que contraste admirável! Que abismo! É por acaso este pequeno ab alio, que recebe o seu ser de Deus, que teria o poder de limitar a Glória de Deus? Teria o direito de dizer a Deus: tens direito a isto, mas mais nada? "Reina nos corações, nas sacristias, nas capelas, sim; mas na rua e na cidade não!" Que insolência! Igualmente seria este ab alio quem teria o poder de reformar os planos de Deus, de fazer com que as coisas sejam de outra maneira, diferentes de como Deus as fez? E as leis que Deus, em Sua sabedoria e omnipotência criou para todos os seres e especialmente para o homem e para a sociedade, teria o desprezível ab alio o poder de rechaçá-las a seu capricho, dizendo: "Eu sou livre!" Que pretensão! Que absurda esta rebelião do Liberalismo! Vede como é importante possuir uma sã filosofia e ter assim um conhecimento profundo da ordem natural, individual, social e política. Para isto o ensinamento de Santo Tomás de Aquino é insubstituível. Leão XIII o citou na sua encíclica Aeterni Patris de 4 de Agosto de 1879:
«Some-se a isto que o Doutor Angélico procurou as conclusões filosóficas na razão e princípio das coisas, princípios estes que se estendem amplamente e encerram em seu interior as sementes de inúmeras verdades que dariam abundantes frutos com os mestres posteriores. Tendo empregado este método de filosofia, conseguiu vencer os erros dos tempos passados e fornecer armas invencíveis para refutar os erros que sempre haviam de se renovar nos séculos futuros.»

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

04/11/2018

As culpas da Grande Guerra


Aquela civilização material, que sem Deus quisera resolver o problema da vida, vai sendo destruída por culpa do seu orgulho; as facilidades da vida restringem-se, prepara-se a crise profunda do Após-Guerra; numa pavorosa catástrofe final antevê-se a falência económica e financeira dos Estados. E até o renascimento moral das trincheiras por momentos nos parece anulado por esta desmoralização crescente no mundo dos parvenus que a guerra enriqueceu, dos novos-ricos, desligados de toda a moralidade, de todo o espírito nacional.
Esta guerra não é a guerra antiga, a guerra mínima, a guerra normal, que o nosso militarismo prevê e aceita; é a guerra total, no espaço e na variedade e na imoralidade dos recursos, a Guerra Universal, tão absurda e nociva à Civilização...
Onde reside, perante a História Universal, a responsabilidade desta hecatombe geral, onde residem as culpas da Grande Guerra?
Nesse complexo de desequilíbrios sociais que cabem nas designações gerais de Revolução, Democracia, Individualismo, Liberalismo, Protestantismo, Maçonaria.
É bem esta guerra uma guerra de Princípios, no sentido de que foi causada por princípios falsos; o erro democrático no seu tríplice aspecto, político, económico e religioso, foi o grande assassino.

José Pequito Rebelo in jornal «Monarquia», Outubro de 1917.

28/10/2018

Dia de Cristo Rei

Santuário de Cristo Rei (Almada)

Instituindo a festa de Cristo Rei, o Papa Pio XI quis proclamar solenemente a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o mundo. Rei das almas e das consciências, das inteligências e das vontades, Cristo é também o Rei das famílias e das cidades, dos povos e das nações, o Rei de todo o universo. Como Pio XI demonstrou na encíclica Quas Primas de 11 de Dezembro de 1925, o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo; organizando a vida social como se Deus não existisse, leva à apostasia das massas e conduz a sociedade à ruína.
Toda a missa e o ofício da festa de Cristo Rei são uma proclamação solene da realeza universal de Cristo contra o laicismo do nosso tempo. A missa começa por uma das mais belas visões do Apocalipse, em que o Cordeiro de Deus, imolado, mas doravante na glória, é aclamado pela imensa legião dos anjos e dos santos. Fixada no último domingo de Outubro, no fim do ciclo litúrgico, e precisamente nas vésperas de Todos os Santos, a festa de Cristo Rei apresenta-se como a coroa de todos os mistérios de Cristo e como a antecipação no tempo, da realeza eterna por Ele exercida sobre todos os eleitos na glória do Céu. A grande realidade do Cristianismo é Cristo ressuscitado, reinando com todo o esplendor da Sua vitória, no meio dos eleitos que são a Sua conquista.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

§

Hino: Ó Cristo, nós vos proclamamos Príncipe dos séculos, Rei das nações, único árbitro dos espíritos e dos corações. Ámen.

27/10/2018

Quantidade não é qualidade


Porque é muito melhor ter poucos ministros, mas bons, idóneos e úteis, do que ter muitos que de nada servirão para a edificação do Corpo de Cristo, que é a Igreja Católica.

Papa Bento XIV in «Ubi Primum», 1740.