A Páscoa na União Soviética

Propaganda ateia na URSS.

Na noite de Sábado para Domingo de Páscoa, antes do início da missa, os templos cristãos em Moscovo eram cercados por polícias e drujiniki (uma espécie de milícias populares) que identificavam as pessoas antes de as deixarem entrar. No caso de estudantes da Universidade de Moscovo (Lomonossov), onde eu estudei, a ida a uma dessas cerimónias poderia significar a expulsão da escola superior... Além disso, a fim de afastar os cidadãos soviéticos das igrejas, principalmente jovens, a televisão transmitia programas musicais em que participavam cantores nacionais e estrangeiros que só muito raramente podiam ser vistos nos ecrãs.

José Milhazes in «A Mensagem de Fátima na Rússia», 2016.


Defensor de "causas perdidas"


Já citei aquele pensamento salutar: não se é obrigado a vencer; mas toda a gente é obrigada a lutar.
Neste, como noutros campos, lutarei, sozinho, sem esperanças de ser ouvido; já estou habituado ao silêncio – ou a minha doença me não tivesse ensinado a conformar-me com o silêncio...
Lutarei, pois, sozinho, sem esperanças de ver os meus esforços serem secundados.
Já um dia me chamaram, com envenenada má-fé, «defensor de causas perdidas».
Admirável coisa esta de defender causas vencidas, homens vencidos, sobre que as vagas alterosas da Vitória passam, altaneiras e invencíveis! Com essa defesa, não se colhem bens, nem louros; colhem-se antes desgostos e lágrimas. Mas fica-nos a consciência tão límpida como a água que brota de rocha virgem...

Alfredo Pimenta in «Três Verdades Vencidas: Deus, Pátria, Rei», 1949.

Os Pastorinhos de Fátima e as canonizações


Por muito que nos custe, a verdade é que as canonizações dos Pastorinhos de Fátima não são autênticas canonizações. Isto porque os critérios actualmente usados para canonizar já não são católicos. O que não significa que não se possa reconhecer a santidade de vida dos Pastorinhos. Mas o mesmo já não se pode dizer de outros neo-canonizados como o Papa João Paulo II ou a Madre Teresa de Calcutá. O problema está pois no critério que hoje estabelece a canonização. Porque aquele que actualmente Roma nos apresenta, não nos dá garantias de estarmos perante uma pessoa que é verdadeiro modelo de santidade.
Canonizar não é fazer santo. Canonizar é reconhecer a santidade já existente em vida, e fazer dela um exemplo ou modelo (cânone) para toda a Igreja.
Em traços gerais, para uma canonização existir, o canonizado tem de cumprir as seguintes condições:

- Ter uma doutrina recta.
- Ter praticado as virtudes de modo heróico.
- Ter feito, pelo menos, três milagres depois da morte.

E tudo isto deve ser averiguado e provado autenticamente, por testemunhas, escritos, documentos, etc.
Ora, analisando as condições necessárias, é fácil concluir que alguns neo-canonizados como João Paulo II ou a Madre Teresa, não são sequer canonizáveis, visto que não cumprem as condições mínimas exigidas para a canonização. E já nem falo do número e da qualidade dos milagres, um requisito que claramente não tem sido cumprido pelas autoridades em Roma... Basta só lembrar que João Paulo II ou a Madre Teresa não tinham doutrina recta (heresias, blasfémias, etc.) nem praticaram as virtudes (teologais, cardeias e evangélicas) de modo heróico. Notem bem: Nem sequer a primeira de todas as virtudes, que é a Fé, eles praticaram de modo heróico. Ensina o Catecismo que a Fé é a virtude sobrenatural pela qual cremos em Deus e em tudo aquilo que Ele revelou à Santa Igreja, e que Ela nos propõe para crer. A Fé é de absoluta necessidade para a salvação. E é sabido que o Papa João Paulo II ou a Madre Teresa tiveram actos públicos contra a Fé (desde homenagear falsos deuses e falsas religiões, rezar com pagãos e em templos pagãos, receber honras de falsas religiões, beijar livros de falsas religiões, etc.). Tudo actos públicos que nunca foram rejeitados nem corrigidos pelos próprios. Até ao fim das suas vidas terrenas, nunca deram nenhum sinal público de arrependimento por actos que vão directamente contra o 1º Mandamento. Em caso de arrependimento, estavam obrigados a publicamente desfazer o que tinham feito. Mas nunca o fizeram... Como se pode então dizer que são modelo de santidade?
Mas mais uma vez digo: Creio que Francisco e Jacinta levaram uma vida santa. Todavia, por coerência, não podemos aceitar a sua "canonização". Porque ao abandonar-se o critério tradicional, não há verdadeira canonização. Há apenas uma aparência formal de canonização. E é precisamente essa aparência que vai ser celebrada no próximo dia 13 de Maio.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós!

O Erro não tem direitos


O nada não tem direito nenhum, visto que não existe. É impossível, aquilo que não existe, ter direitos. Atribuir direitos ao nada é portanto uma injustiça. Ora, o que se faz quando se atribui direito ao erro? Atribui-se direito ao nada. Basta tomar consciência do que são a verdade e o erro para entender. A verdade encontra-se na inteligência, na medida em que a inteligência reproduz exactamente uma realidade existente. Quando a inteligência produz intelectualmente uma coisa que não é, então há erro. Ora, o que acontece em caso similar? Tenho na minha mente a ideia de uma coisa como se fosse. Atribuo-lhe o direito de ser na minha mente como se existisse. Na realidade não é. Visto que não é, ela é uma criação do meu próprio espírito, sem fundamento nenhum. Como posso dar como base à minha vida, à minha actividade, uma realidade que não existe? O que deve resultar de uma tal aberração? O que resulta necessariamente em todo o prédio que se constrói sem fundamento. Dou como base à minha vida e à minha actividade uma ideia a que não corresponde nada de objectivo e de real, necessariamente todo o edifício intelectual e social, que se ergue assente nesta ideia, está destinado a ruir. Para uma vida e uma acção não pode haver outro fundamento senão uma realidade verdadeira. E por isso, só a verdade tem, na ordem individual e social, o direito à existência. Sob nenhum ponto de vista, o erro pode reivindicar este direito. Quando o erro se instala numa inteligência, ou nas multidões, usurpa os direitos que não lhe pertencem; é injusto.

Pe. Philippe C.SS.R. in «Catecismo dos Direitos Divinos na Ordem Social».

Anima Christi


Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos dos séculos.
Ámen.

Santo Inácio de Loyola

Jesus Cristo e o sentido da História


Qual é pois o verdadeiro sentido da História? Há por acaso um sentido da História? Toda a História tem por centro uma pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo, porque como diz São Paulo: "Nele foram fundadas todas as coisas, as dos céus e as que estão sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, dominações, principados ou potestades. Tudo foi criado por Ele e n'Ele, e Ele é antes de todas as coisas e n'Ele todas subsistem. Ele é a cabeça do corpo da Igreja, sendo Ele mesmo o princípio (...) para que em tudo tenha o primeiro lugar. Deus quis que toda a plenitude habitasse n'Ele, e por meio d'Ele reconciliar todas as coisas tanto as da Terra como as do Céu, trazendo a Paz mediante o sangue de Sua Cruz".

Jesus Cristo é portanto o pólo da História. A História tem somente uma lei: "É necessário que Ele reine" (I Coríntios 15, 25). Se Ele reina, reinam também o verdadeiro progresso e a prosperidade, que são bens muito mais espirituais do que materiais. Se Ele não reina, vem a decadência, a caducidade, a escravidão em todas as formas, o reino do mal. É o que profetiza a Sagrada Escritura: "Porque a nação e o reino que não Te servem perecerão, estas nações serão completamente destruídas" (Isaías 60, 12). Há excelentes livros sobre a filosofia da História, mas que me deixam surpreso e impaciente ao comprovar que omitem este princípio absolutamente capital, ou não o põe no lugar que lhe é devido. Trata-se do princípio da filosofia da História, sendo também uma verdade de Fé, verdadeiro dogma revelado e confirmado centenas de vezes pelos factos!

Eis a resposta à pergunta: Qual é o sentido da História? A História não tem um sentido, uma direcção imanente. Não existe o sentido da História. O que há é um fim da História, um fim transcendente: a "recapitulação de todas as coisas em Cristo"; é a submissão de toda ordem temporal à Sua obra redentora; é o domínio da Igreja militante sobre a cidade temporal que se prepara para o reino eterno da Igreja triunfante no Céu. A Fé afirma e os factos o demonstram que a História tem um primeiro pólo: a Encarnação, a Cruz, Pentecostes; ela teve o seu completo desenvolvimento na cidade católica, quer seja em Carlos Magno ou em Garcia Moreno; e terminará, chegará ao seu pólo final quando o número dos eleitos se completar, depois do tempo da grande apostasia (II Tessalonicenses 2, 3); não estamos vivendo este tempo?

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

História dos Milagres do Rosário (VII)

(continuação da parte VI)

Declara-se o fundamento da história e diálogo que é uma peregrinação, que três Teólogos pregadores do Colégio Real da Purificação da Universidade de Évora fizeram a Nossa Senhora de Guadalupe.

Entre outras muito magníficas e reais obras, que o Sereníssimo Rei Dom Henrique, de gloriosa memória, fez sendo Cardeal e Arcebispo de Évora, depois de haver fundado o Colégio da Companhia de Jesus e sua Universidade, com largueza e magnificência que convinha a sua pessoa Real, e zelo que tinha do acrescentamento da religião Cristã foi levantar de novo Colégio para Colegiais Teólogos, que chegassem a número de cento, e este com tanta grandeza e formosura de edifício, que bem parece obra digna de tal Rei. Nele se recebem os Colegiais por oposição e concurso, como se costuma em todas as outras Universidades, e recebidos se criam todos em letras e virtude, como convém ao fim para que são recebidos. E porque o que pretendeu seu fundador foi ajudar as almas de todo este Alentejo, e Reino de Portugal, sua ocupação (depois da que tem nas letras) e de exercícios muito acomodados à perfeição do Sacerdócio e pregação Evangélica a que todos vão encaminhados, sendo em tudo ajudados do Reitor do Colégio e Universidade da Companhia, a que está em tudo sujeito este da Purificação.

Introduzimos pois (imitando muitos e graves autores) o que realmente muitas vezes aconteceu em semelhantes colégios, três Colegiais sacerdotes e pregadores, todos de muitas letras e exemplo de virtudes, entre os quais havia particular amizade espiritual, todos muito zelosos da honra de Deus, e de aproveitar as almas, com pregar e confessar, o que muitas vezes tinham feito e por tempo. Um deles se chamava Anselmo, homem já de idade e que por muitos anos se tinha ocupado em pregar em diversas partes deste Reino. Marcelo era também pregador e muito inclinado a ouvir confissões, com que tinha feito grande fruto: e Eusébio era Diácono, que tinha acabado seus estudos de Teologia e dava esperanças de que havia de ser um grande sujeito e instrumento, de que os prelados se ajudassem de seu talento.

Depois que entraram naquele Colégio, se assinalaram em letras e virtude, e como tinham os mesmos intentos para os levar adiante, tratavam todos três muito particular amizade, ocupando-se sempre em santos exercícios, de modo que quem os via dizia que não lhes faltava nada para ser religiosos senão a profissão e hábito. Atava esta amizade uma particular propriedade que todos três tinham, a qual era serem muito devotos de Nossa Senhora, e muitas vezes quando se ajuntavam falavam dela e tratavam de suas devoções, e do modo com que fariam devoto a todo o mundo. Chegado o tempo das férias, que começa o primeiro de Agosto e acaba o último de Setembro, estando todos três em boa conversação, disse Anselmo: Temos chegado às férias, nas quais são muito diferentes as ocupações e exercícios, que os estudantes nelas tomam para suas recreações, eu desejo alguma que fosse de proveito para nossas almas e para as dos próximos. Certo, respondeu Marcelo, não se pode cuidar melhor coisa que ela, nem empregar o tempo em outra. Alegrou-se muito Eusébio e disse: Este mesmo pensamento tive esta manhã, desejando de não passar ocioso estes dois meses de férias, mas não me ocorreu até agora exercício em que os pudesse bem gastar, e aquela que apontou o senhor Anselmo, que seja proveitosa para nossas almas e para as dos próximos, me contenta sobre todas: mas ainda até agora não dou no particular dela. Muitas pode haver, acudiu Anselmo, muito próprias de sacerdotes e pregadores, como todos somos, e a mim se me oferece uma que cuido todos devem de aprovar, e é, que façamos todos três uma peregrinação a Nossa Senhora de Guadalupe, pregando no caminho a todos e em todos os lugares, vilas, e a imitação de Cristo, a devoção do santíssimo Rosário, e da Coroa e de seus milagres, e outras devoções, e com isto confessaremos a todos os que se quiserem confessar, e ensinaremos a doutrina aos que a quiserem ouvir. Ficaram estranhamente contentes Marcelo e Eusébio com o alvitre de tão boa e santa ocupação, e confirmou Marcelo o intento de Anselmo, com dizer assim se costumava antigamente, e que de Roma os Papas mandavam sacerdotes pregadores por toda a Itália, para que pregassem e confessassem, e o mesmo faziam os prelados que tinham zelo de aproveitar as suas ovelhas, e que havia poucos anos que o Cardeal Bartolomeu Arcebispo de Milão viera a pé, em forma de peregrino com alguns seus clérigos a Sabóia adorar o Santo Sudário, e naquela peregrinação fizeram tão grande fruto, assim com a doutrina, como com o exemplo: e se os Cardeais isto faziam em Itália, que também seria de muita edificação fazerem-no os sacerdotes em Portugal, e em Évora. Estando todos neste acordo, foram dar conta ao Reitor da Universidade deste seu conselho e peregrinação, o qual como homem muito espiritual e zeloso da honra de Deus, se alegrou grandemente de ver seus santos desejos, e abraçando-os a todos com muito amor, lhe deu sua bênção e os animou com muitos santos conselhos, louvando a boa obra em que se ocupavam, e que teria muito cuidado de os mandar encomendar a Deus, para que fosse muito servido nesta peregrinação. Eles despedidos de todos os Colegiais, se partiram caminho direito de Nossa Senhora de Guadalupe, no qual lhe aconteceram as coisas que a história nos irá descobrindo.

(continuação parte VIII)

Dia das mentiras?


Que é a mentira?
A mentira é um pecado que consiste em afirmar como verdadeiro ou como falso, por meio de palavras ou de acções, o que se sabe não ser assim.

De quantas espécies é a mentira?
A mentira é de três espécies: jocosa, oficiosa e danosa.

Que é a mentira jocosa?
Mentira jocosa é aquela pela qual se mente por gracejo e sem prejuízo para ninguém.

Que é a mentira oficiosa?
Mentira oficiosa é a afirmação de uma falsidade para utilidade própria ou alheia, sem prejuízo para ninguém.

Que é a mentira danosa?
Mentira danosa é a afirmação de uma falsidade com prejuízo do próximo.

É lícito alguma vez mentir?
Nunca é lícito mentir, nem por gracejo, nem para proveito próprio ou alheio, porque é coisa má por si mesma.

Que pecado é a mentira?
A mentira, quando é jocosa ou oficiosa, é pecado venial; mas, quando é danosa, é pecado mortal, se o prejuízo que causa é grave.

Retirado do «Catecismo Maior de São Pio X» (que é uma simplificação por meio de perguntas e respostas do Catecismo Romano de 1566, o catecismo católico propriamente dito).