A Ásia como arma de arremesso


Como o Ocidente resistiu à propagação comunista na Europa, os sovietes voltaram-se então para o Oriente. É o cumprimento de uma ordem de Lenine: «Se o Ocidente se mantiver contra nós, voltar-nos-emos para a Ásia. Voltaremos ao Ocidente por meio do Oriente». Noutra ocasião declarou: «O caminho mais curto para Paris passa através de Pequim». Na Conferência de Bacu, em 1920, Zinoviev declarou: «Os oitocentos milhões de asiáticos são necessários para esmagar a Europa».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

De Deus não se zomba


Não vos enganeis; de Deus não se zomba. Porque aquilo que o homem semear, isso também colherá. Aquele que semeia na sua carne, da carne colherá corrupção; mas o que semeia no Espírito, colherá do Espírito a vida eterna. Não nos cansemos, pois, de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, não desfalecendo. Logo, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos irmãos da fé.

Epístola de S. Paulo aos Gálatas, VI, 7-10.

Agnus Dei


Agnus Dei (significa Cordeiro de Deus) é uma breve oração que o Sacerdote repete três vezes, na Missa, antes de comungar. – Também se dá este nome a uma espécie de medalha de cera branca, feita dos restos do círio pascal de anos anteriores, tendo de um lado a efígie de um cordeiro. Por virtude da oração da bênção, que é reservada ao Papa, a medalha protege contra os perigos das doenças contagiosas, do mar, dos incêndios, das inundações.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Curiosidades em tempo de "pandemia"


Durante a "longa noite fascista", o Ministério da Educação distribuía gratuitamente óleo de fígado de bacalhau pelas escolas de Portugal, que todas as crianças tomavam como xarope. O óleo é um suplemento alimentar riquíssimo em vitaminas A e D, essenciais ao bom funcionamento do sistema imunitário. E assim, com uma acção tão simples e barata, as crianças portuguesas cresciam saudáveis e com maior resistência às doenças. É caso para repetir as palavras do político inglês Enoch Powell: A função suprema do Estadista é proteger a sociedade dos males previsíveis.

Dia de São José, dia do Pai


A Igreja honra sempre a S. José com Maria e Jesus, especialmente nas festas de Natal, por isso lê hoje o Evangelho de 24 de Dezembro. Por um calendário copta, sabemos que a Igreja prestava a este Santo um culto litúrgico na data de 20 de Julho, desde o século VIII. A festa foi estabelecida, no fim do século XV, para o dia 19 de Março e, em 1621, Gregório XV estendeu-a à Igreja universal. Em 1870, Pio IX proclamou S. José protector da Igreja universal. O Santo «da raça real de David» era um homem justo (Ev.). Como, pelo facto de seus esponsais com a SS.ma Virgem, São José tem direitos sobre o bendito fruto do seio virginal da esposa; uma afinidade de ordem moral existe entre ele e Jesus. Exerceu sobre o Menino Deus certo direito paternal ao qual o Prefácio de S. José delicadamente alude pela palavra «paterna vice». Sem haver engendrado Jesus, S. José, pelos laços que o unem a Maria, é legal e moralmente o Pai do Filho da SS.ma Virgem; é pois mister reconhecer esta dignidade ou excelência sobrenatural de São José, por actos do culto. «Havia na família de Nazaré, diz Cornélio a Lápide, as três pessoas mais ilustres, mais excelentes do universo, o Cristo Homem-Deus, a Virgem Mãe de Deus e José, pai matrimonial de Cristo. Por isso ao Cristo é devido o culto de latria, à Virgem o culto de hiperdulia e a S. José o culto de suprema dulia». Deus lhe revelou o mistério da Encarnação e «o escolheu entre todos» (Ep.) para confiar-lhe a guarda do Verbo encarnado e a Virgindade de Maria. Diz o Hino de Laudes: «O Cristo e a Virgem o assistiram na hora suprema. S. José tinha a face estampada de doce serenidade». S. José foi para o Céu gozar eternamente da visão, face a face, do Verbo, cuja humanidade contemplara, tanto tempo e de tão perto, na terra. O Santo é, com razão, considerado como padroeiro e modelo das almas interiores e contemplativas. Na pátria celeste ele conserva grande poder sobre o coração do Filho da sua Santíssima Esposa. Imitemos neste Santo Tempo a pureza, a humildade, o espírito de oração e de recolhimento de José em Nazaré, onde viveu com Deus, como Moisés na nuvem.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Da fraqueza e ineficiência da Democracia


Os defeitos da democracia política como sistema de governo são tão óbvios, e têm sido tantas vezes catalogados, que não preciso mais do que resumi-los aqui. A democracia política foi criticada porque conduz à ineficiência e fraqueza de direcção, porque permite aos homens menos desejáveis obter o poder, porque fomenta a corrupção. A ineficiência e fraqueza da democracia política tornam-se mais evidentes nos momentos de crise, quando é preciso tomar e cumprir decisões rapidamente. Averiguar e registar os desejos de muitos milhões de eleitores em poucas horas é uma impossibilidade física. Segue-se, portanto, que, numa crise, uma de duas coisas tem de acontecer: ou os governantes decidem apresentar o facto consumado da sua decisão aos eleitores – em cujo caso todo o princípio da democracia política terá sido tratado com o desprezo, que em circunstâncias críticas ela merece; ou então o povo é consultado e perde-se tempo, frequentemente, com consequências fatais. Durante a guerra todos os beligerantes adoptaram o primeiro caminho. A democracia política foi em toda a parte temporariamente abolida. Um sistema de governo que necessita de ser abolido todas as vezes que surge um perigo, dificilmente se pode descrever como um sistema perfeito.

Aldous Huxley in «Sobre a Democracia e outros estudos», 1927.

O poder conformador dos mass media


Referindo-se à influência dos meios de comunicação nas sociedades modernas, e às suas características como força determinante de certos comportamentos, Wright Mills escreveu: «Os meios de comunicação, tal como estão organizados e operam, não são apenas uma das causas principais da transformação da América do Norte numa sociedade de massas. São também um dos mais importantes instrumentos de poder, cada vez mais numerosos, de que dispõem hoje as elites do dinheiro e do poder».

António Marques Bessa e Jaime Nogueira Pinto in «Introdução à Política», 1977.

Da República ocupante


Pode a República, dentro dos seus princípios, ou mesmo contra eles, curar estas doenças de aspecto mortal?
Não, porque estes três males [anarquia, impiedade e miséria], no seu somatório patológico, têm um só nome – a República; porque dos princípios republicanos, e da instituição republicana, essas doenças derivam, como a morte do veneno.
Regime baseado em ideias não-portuguesas, enraizado no maçonismo e no judaísmo internacional, essencialmente centralizador e tirânico, entronizador da ficção corruptora do voto, regime de tumultos por via das eleições, e de impotência nacional por efeito da acefalia governativa, – a República é a lenta ou catastrófica estrangeirização, é a traição nacional traduzida em lei escrita, a guerra civil e o assassinato infrene há dez anos, a alienação das colónias iminente, a soberania nacional periclitante.
Do voto que entronizou o «político», deriva irremediavelmente a constituição parasitária, alimentícia, depravadora da República, que desorganizou a riqueza nacional, desperdiçando o melhor dos seus valores, não praticando aqueles actos necessários de positiva gestão, empenhando ao estrangeiro a Terra portuguesa, e operando em favor dos piores portugueses, e quantas vezes de metecos qualificados, a usurpação de uma grande parte da velha riqueza legítima e nacional.
Sendo a democracia o governo da maçonaria, e, nos domínios do espírito, uma barbárie orgulhosa e sarapintada, a República tem-nos levado, apesar das suas escolas, a uma depressão incalculável de todos os valores intelectuais e morais.
Pela sua constituição parlamentarista e eleitoral, não pode a República, na pureza dos seus princípios, deixar de ser tendencialmente o governo do estrangeiro após a guerra civil, o trabalho servil após a fome e a miséria, a barbárie moral e mental pela impiedade e renúncia a Deus.
Também fora dos seus princípios, pela acção dos homens, a República não pode salvar o País. Nenhum regime vive fora dos seus princípios. E os princípios da República, não só afastam do poder os legítimos e os mais competentes, mas ainda tem o poder de corromper os homens e inutilizar as suas boas intenções. Além disso, não só os princípios negativos da República impedem a salvação nacional: removidos estes, são necessários os princípios e as virtudes positivas da Monarquia.
Faliu a república radical; faliu o presidencialismo conservador de Sidónio Pais, que, para não trair a República, atraiçoou inconscientemente o interesse nacional; há-de falir um novo Sidónio, se não tiver a envergadura de um Monk; haveria de falir miseravelmente qualquer parlamentarismo conservador, que somente significaria para a Pátria a morte numa paralisia humilhante, sem sobressaltos.

José Pequito Rebelo in jornal «A Monarquia», Janeiro de 1920.

Mulher


Mulher foi criada por Deus depois de Adão e com dependência deste (Gen. 11-22), mas sujeita, como o homem, a direitos e deveres humanos. A mulher é, quando fiel à sua missão, o Anjo da Paz e do Amor:
Pelo casamento indissolúvel, Sacramento instituído por Nosso Senhor, a mulher obriga-se a dedicar a sua vida à felicidade do seu marido e à educação dos filhos – é o ideal da mulher esposa. Não convém por isso que se obrigue a um trabalho fora do lar doméstico, que a impeça de cumprir os seus deveres de esposa e de mãe. Com o trabalho da mulher casada fora do lar doméstico sofre a sua saúde, pelo excesso de trabalho, sofre o marido, a quem não pode dedicar os seus carinhos; sofrem os filhos, de cuja educação não pode cuidar; sofre o próprio lar doméstico, por falta de ordem e de higiene. E a desorganização da família. Para evitar isso a organização social deve remunerar suficientemente o trabalho do homem; é um dever de justiça.
A mulher pode às vezes não ser chamada à vida matrimonial – pode também consagrar-se exclusivamente a Deus na vida religiosa; e, neste caso, a sua missão é ainda mais universal – é hóstia no holocausto da vida religiosa e bálsamo para tantas dores que o seu amor divinamente puro suaviza nos hospitais e em outras instituições de caridade.
As mulheres, quando assistem nas igrejas aos actos do culto, convém que estejam separadas dos homens; devem ter a cabeça coberta e estar vestidas modestamente, sobretudo quando vão à sagrada Comunhão (C. 1262). Podem estar inscritas nas Confrarias, mas somente para lucrarem as Indulgências e as graças espirituais concedidas aos Confrades (C. 709). Não se podem confessar fora do Confessionário, a não ser em caso de enfermidade ou por outra verdadeira necessidade (C. 910). Não podem ajudar à Missa, a não ser por falta absoluta de acólito, respondendo de longe e sem chegar ao altar (C. 813). Excluam-se dos Sacramentos as que não trajarem decentemente. Não se admitam como madrinhas, quer no Baptismo quer na Confirmação, ou como testemunhas no Matrimónio, e até sejam repelidas da igreja, se isso poder fazer-se sem escândalo (C. P.). Em qualquer Procissão, ainda que levem velas, devem ir atrás do Sacerdote, e não podem incorporar-se nas alas da Procissão (S. C. R.).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

8 de Março: São João de Deus


S. João de Deus nasceu em Portugal, em 1495. Depois de uma juventude tempestuosa, na idade de quarenta anos, um dia, ao escutar a palavra divina, sentiu-se de tal modo inflamado de caridade para com Deus, no próximo, que distribuiu aos pobres tudo o que possuía, consagrando a vida ao seu serviço. O amor de Deus confunde-se com o do próximo, diz o Evangelho, pois os homens trazem em si a imagem do Pai celeste, de quem são filhos, em virtude da sua união com Deus e com Jesus, pela graça [recebida no Baptismo]. Por sua abnegação e esmolas, obtidas para a erecção de dois vastos hospitais na cidade de Granada, enriqueceu a Igreja com uma nova família que tomou o nome de Irmãos Hospitaleiros de S. João de Deus, e que, à imitação de Cristo na sua vida de apostolado, se dedica ao mesmo tempo à cura dos corpos e das almas. Tendo-se declarado tremendo incêndio num hospital, o Santo atirou-se intrépido no meio das chamas, salvando todos os doentes, porque o fogo do amor divino, a abrasar-lhe o coração, era mais forte do que o fogo que ardia exteriormente. S. João, ao qual o seu grande amor divino fez acrescentar o nome de Deus, estava continuamente mergulhado na contemplação das coisas celestes. Atacado por grave moléstia, recebeu os últimos sacramentos, e, pondo-se de joelhos, morreu apertando contra o peito a imagem de Jesus crucificado, no ano de 1550. Leão XIII declarou-o Padroeiro dos hospitaleiros e dos enfermos, e ordenou que se colocasse o seu nome nas Ladainhas dos agonizantes. A exemplo de S. João de Deus, abrasem-se os nossos corações com o fogo da caridade divina, que nos purificará dos vícios, e recorramos à sua protecção a fim de estarmos sempre providos com os remédios que conduzem à eternidade.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Tudo pela Verdade


O filosofismo começara abalando nas inteligências a adesão às verdades eternas e corroendo nos espíritos as grandes certezas. A certa altura da obra destruidora, viu-se, com pânico, que nada se havia substituído a estes marcos miliários de que as almas se servem para se guiarem na vida. Negou-se Deus, a certeza, a verdade, a justiça, a moral, em nome do materialismo, do cepticismo, do pragmatismo, do epicurismo, de mil sistemas confusos, em que o vácuo foi preenchido com dificuldades. Mas a negação, a indiferença, a dúvida não podem ser fontes de acção e a vida é feita de acção.

António de Oliveira Salazar in discurso «A Escola, a Vida e a Nação», 28 de Janeiro de 1934.


A vida humana tem um valor absoluto?


Num debate sobre a "eutanásia", a deputada esquerdista Isabel Moreira afirmou que «a vida humana não é um direito absoluto». Tal afirmação provocou indignação em muitos direitistas, que, assumindo uma posição mais humanista que católica, chegaram a diabolizar a deputada, acusando-a de "nazismo". Contudo, apesar de errada quanto ao fim, a afirmação está correcta quanto ao princípio. De facto, à luz do Direito e da Moral Católica, a vida humana não tem valor nem direito absoluto. Deus, que não Se engana nem nos engana, diz-nos pelo 5º Mandamento que é proibido matar. Mas também no diz, pelo mesmo Mandamento, que é lícito tirar a vida de outrem em certas ocasiões. Se o valor e o direito da vida humana fosse absoluto, não haveria excepções em que fosse lícito matar. Eis o que diz o Catecismo da Doutrina Cristã, de São Pio X (1908):

Que nos proíbe o quinto Mandamento: não matar? O quinto Mandamento, não matar, proíbe dar a morte, ferir, ou causar qualquer outro dano no corpo do próximo, por nós ou por meio de outrem. Proíbe também ofendê-lo com palavras injuriosas e querer-lhe mal. Neste Mandamento, Deus proíbe também ao homem dar a morte a si mesmo, isto é, o suicídio.
Por que é pecado grave matar o próximo? Porque o que mata, usurpa temerariamente o direito que só Deus tem sobre a vida do homem; porque destrói a segurança da sociedade humana, e porque tira ao próximo a vida, que é o maior bem natural que ele tem neste mundo.
Haverá casos em que seja lícito matar o próximo? É lícito matar o próximo: durante o combate em guerra justa; quando se executa por ordem da autoridade suprema a condenação à morte em castigo de algum crime grave; e finalmente, quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, no momento de uma injusta agressão.

Fica assim reposta a verdade, que neste caso, como em tantos outros, foi ofuscada pelos clubismos políticos. E quão prejudiciais à Verdade têm sido esses clubismos... Ou tal como observou G. K. Chesterton: O papel dos progressistas é cometer erros continuamente; o papel dos conservadores é impedir que os erros sejam corrigidos.