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Adágios portugueses sobre o mês de Setembro


Agosto madura, Setembro vindima.
Agosto tem a culpa, Setembro leva a fruta.
Setembro, ou seca as fontes, ou leva as pontes.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo VII, 1720.

Adágios portugueses sobre o mês de Agosto


Água de Agosto, açafrão, mel e mosto.
Agosto e vindima, não vem cada dia.
Agosto madura, Setembro vindima.
Agosto tem a culpa, Setembro leva a fruta.
Agosto frio em rosto.
A quem não tem pão semeado, de Agosto se faz Maio.
Em Agosto sardinha e mosto.
Em Agosto aguilhoa o preguiçoso.
Por Santa Maria de Agosto, repasta a vaca um pouco.
Quando chover em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.
Quem não debulha em Agosto, debulha com mau rosto.
Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.
Lá vem Agosto com seus Santos ao pescoço.
Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.
Não é bom o mosto colhido em Agosto.
Primeiro dia de Agosto, primeiro dia de Inverno.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo I, 1712.

Adágios portugueses sobre o mês de Junho


Em Junho foice em punho.
Feno alto ou baixo, em Junho é segado.
Junho, Julho e Agosto, senhora não sou vosso.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo IV, 1713.

Adágios portugueses sobre o mês de Maio


A quem em Maio come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.
Câmaras de Maio, saúde de todo o ano.
Em Maio vai e torna com recado.
Enxame de Maio, quem to pedir dá-lho, e de Abril, guarda-o para ti.
Em Maio a quem não tem, basta-lhe o saio.
Guarda pão para Maio e lenha para Abril.
Uma água de Maio e três de Abril, valem por mil.
Sono de Abril deixa-o a teu filho dormir, e o de Maio a teu cunhado.
Maio couveiro não é vinhateiro.
Maio come o trigo e Agosto bebe o vinho.
Maio hortelão, muita palha, pouco pão.
Maio pardo, Junho claro.
Maio pardo faz o pão grado.
Pão tremês, não o comas nem o dês, mas guarda-o para Maio.
Primeiro de Maio, corre o lobo e o veado.
Quanto Maio acha nado, tudo deixa espigado.
Quem em Maio relia, não tem pão nem erva.
Quem em Maio não merenda, aos mortos se encomenda, ou aos finados se encomenda.
Touro, galo e barbo, todos têm sazão em Maio.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo V, 1716.

Adágios portugueses sobre o mês de Abril


Abril águas mil, coadas por um mandil.
Abril frio, pão e vinho.
Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.
A ti chova todo o ano, e a mim chova Abril e Maio.
Altas ou baixas, em Abril vêm as Páscoas.
Do grão te sei contar, que em Abril não há-de estar nascido, nem por semear.
Em Abril queijos mil, e em Maio três ou quatro.
Em Abril vai onde hás-de ir e torna ao teu covil.
Frio de Abril, nas pedras vai ferir.
No princípio ou no fim, Abril soe ser ruim.
Por todo Abril, mau é descobrir.
Sono de Abril, deixa-o a teu filho dormir.
Fica-te embora mundo, deixar-me-ás Abril e Maio.
Uma água de Maio, e três de Abril, valem por mil.
Por Abril dorme o moço ruim, e por Maio o moço e o amo.
Entre Abril e Maio, moenda para todo o ano.
Quem me vir e me ouvir, guarde pão para Maio e lenha para Abril.
A rês perdida, em Abril cobra a vida.
As manhãs de Abril são doces de dormir.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo I, 1712.

Adágios portugueses sobre o mês de Março


Água de Março, pior é que nódoa no pano.
Em Março, queima a velha o maço.
Em Março, nem rabo de gato molhado.
Março Marçagão, pela manhã rosto de cão, à tarde Verão.
Março ventoso, Abril chuvoso, do bom colmeal farão astroso.
Quando troveja em Março, aparelha os cubos e o braço.
Quem não poda em Março, vindima no regaço.
Se não chover entre Março e Abril, venderá El-Rei o carro e o carril.
Sol de Março pega como pegamaço e fere como maço.
Se queres bom cabaço, semeia em Março.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo V, 1716.

Adágios portugueses sobre o mês de Fevereiro


A Castanha e o Vesugo em Fevereiro não tem sumo.
Água de Fevereiro mata o onzeneiro.
Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro.
Fevereiro coxo, em seus dias vinte e outo.
Fevereiro, severas de frio e não de linho.
Lá vem Fevereiro, que leva a ovelha e o carneiro.
Para parte de Fevereiro, guarda lenha.
Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso, faz o ano formoso.
Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado, nem bom centeio.
Fevereiro faz dia, e logo Santa Maria.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo IV, 1713.

Adágios portugueses sobre o mês de Janeiro


Da flor de Janeiro, ninguém encheu o celeiro.
Em Janeiro põe-te no outeiro, se vires verdejar, põe-te a chorar, e se vires terrear, põe-te a cantar.
Em Janeiro, sete capelos e um sombreiro.
Em Janeiro, um pouco ao sol, outro ao fumeiro.
Em Janeiro, mete obreiro, mês meante, que não dante.
Janeiro molhado, se não é bom para o pão, não é mau para o gado.
Janeiro, poucos em sendeiro, um dia, e não cada dia.
Lua de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto, que lhe dá de rosto.
Minguante de Janeiro, corta madeiro.
O mês de Janeiro como bom cavaleiro, assim acaba, como a entrada.
Obreiro em Janeiro, pão te comerá, mas obra te fará.
Primeiro dia de Janeiro, primeiro dia de Verão.
Qualquer ramo em Janeiro, torcido está quedo.
Quem azeite colhe antes de Janeiro, azeite deixa no madeiro.
Sol de Janeiro sempre anda de trás do outeiro.
Em Janeiro, nem Galgo laboreiro, nem Açor perdigueiro.
Em Janeiro seca a ovelha suas madeixas no fumeiro, e em Março no prado, e em Abril os vai urdir.
Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março molinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso, fazem o ano formoso.
Vai-te embora Janeiro, cá fica o meu cordeiro.
O madeiro para tua casa, corta-o em Janeiro.
Vai-te embora Janeiro, deixar-me-ás Abril e Maio.

Fonte: «Vocabulário Português e Latino», Tomo IV, 1713.