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Parte de Lisboa uma Esquadra naval contra os Turcos


O socorro naval que o Papa Clemente XI pediu a El-Rei Dom João V, nosso senhor, contra os Turcos, que sitiavam a Ilha de Corfu, partiu do porto de Lisboa neste dia [5 de Julho] do ano de 1716 e se compunha de nove navios; seis de guerra, de cinquenta até oitenta peças, um de fogo, outro para servir de hospital e uma Tartana armada em guerra para as expedições, que se oferecessem, com duas mil setecentas cinquenta e uma praças. Foi por Comandante General desta esquadra, o Almirante da Armada Real, Conde do Rio, por Almirante o Conde de S. Vicente, por Fiscal o Coronel Pedro de Sousa de Castelo Branco. Por dar gosto a El-Rei, se embarcaram nesta esquadra muitos Cavaleiros e títulos, e muitos oficiais reformados. Antes de partir esta esquadra, a foram ver, e entraram em algumas naus, Suas Majestades e Altezas, o Cardeal da Cunha, muitos Cavaleiros, Monsenhor Bichi e Monsenhor Firrau, Núncios, Ordinário e Extraordinário, de Sua Santidade, depois Cardeais da S.I.R., e todos ficaram satisfeitos da boa qualidade delas e da gente que as guarnecia, que toda foi escolhida das tropas Reais. Com a chegada desta esquadra e das outras auxiliares, a incorporar-se com a Armada Veneziana, levantaram os Turcos o sítio da Praça de Corfu, em que tinham perdido mais de vinte e cinco mil homens, e se fizeram à vela em 24 de Agosto com a sua Armada, sem que a dos Cristãos a pudesse alcançar, por mais que o pretenderam para pelejarem com ela e a destruírem, como fizeram no ano seguinte e diremos em outra parte.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Sai de Lisboa uma Armada em socorro de Veneza


No mesmo dia [15 de Junho], ano de 1500, saiu de Lisboa uma Armada de trinta poderosas naus, em que iam três mil e quinhentos homens de guerra escolhidos, além da gente de mar e de serviço: Era General Dom João de Menezes, Conde de Tarouca, filho de Dom Duarte de Menezes, o famoso. Navegava esta Armada em socorro dos Venezianos, que estes haviam pedido com grandes instâncias a El-Rei Dom Manuel, mas recolhida pelo mesmo tempo outra Armada dos Turcos, de que os Venezianos se temiam, se retirou também a nossa, sem outro efeito memorável, mais que as patentes provas, que os Portugueses deram, das ânsias em que ardiam de virem às mãos com os Infiéis.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O que é Oligarquia?


Oligarquia. (Termo Político). Governo administrado por poucos. As Repúblicas de Génova e Veneza são Estados Oligárquicos, porque são governados só pelos Nobres. Oligarquia vem do grego, Oligi, que quer dizer Poucos, e Arqui, que significa Domínio. Paucorum imperium. Os autores que escrevem das diferentes formas do governo, não reparam em alatinar Oligarquia, ae. Fem. (Roma, que teve depois dos Reis, um governo composto de popular e da oligarquia. Vascon. Arte militar, part. I, pág. 25).

Pe. D. Rafael Bluteau in «Vocabulário Português e Latino», Tomo VI, 1720.

19 de Julho de 1717: Batalha do Cabo Matapão


No ano de 1717, partiu de Lisboa a 28 de Abril para a Ilha de Corfu segunda vez a esquadra naval Portuguesa, que no ano antecedente tinha ido à mesma Ilha, contra os Turcos que a sitiavam com uma grande armada, como em outra parte dizemos. Foram por Cabos desta segunda expedição os mesmos que o foram da primeira, o Conde do Rio Grande, o Conde de São Vicente, o Coronel Pedro de Sousa de Castelo Branco. Constava de catorze navios bem equipados, e guarnecidos de muita e grossa artilharia, de muita e luzida gente. No mar Adriático a estava esperando a Armanda ligeira de Veneza, de que era General André Pizani, com algumas pequenas esquadras auxiliares; e com a chegada da nossa, não duvidaram fazer logo viagem, como com efeito fizeram para o Arquipélago a unir-se com a Armada grande da mesma República de Veneza, que à ordem do Comandante extraordinário Flangini se tinha adiantado para os Dardanelos. Porém, antes que lá chegassem, encontraram nos mares de Matapão a Armada dos Turcos, neste dia do ano referido, e a investiu a nossa esquadra com grande valor, livrando a Armada de Veneza de sua total ruína, como os mesmos Venezianos, e também os Turcos, confessaram. Durou o combate nove horas com incessante fogo de ambas as partes. Foram os Turcos os primeiros que se retiraram do combate, sem embargo de terem sempre o barlavento; e até deveram a uma borrasca que se levantou, o não serem seguidos dos nossos, e poderem retirar-se, e recolher-se no seu porto de Trapano, em muito mau estado, com sete Sultanas inteiramente desmastreadas, e a sua Capitania incapaz de servir mais, com morte de mais de cinco mil Turcos, em que entrou o seu Comandante Baxá, que no mesmo combate foi morto com uma bala de mosquete, não se perdendo da nossa esquadra mais que cento e noventa e oito pessoas, em que entrou o Capitão-de-mar-e-guerra Manuel André dos Santos. O Sumo Pontífice Clemente XI celebrou muito esta vitória com grandes elogios da Nação Portuguesa, e com as lágrimas nos olhos, chamou a El-Rei Dom João V, nosso Senhor, verdadeiro Rei Católico e verdadeiro filho da Igreja. Com estas paternais e amorosas expressões escreveu a El-Rei agradecendo-lhe tão grande benefício; e ao General Conde do Rio mandou um Breve, em que lhe agradecia o zelo e valor com que a sua Armada triunfara da inimiga. Não deixou de confessar a sua obrigação a República de Veneza, como fez por seu Embaixador extraordinário, o Cavaleiro João Mocenigo, que mandou ao nosso Soberano, expressando em nome da mesma República o seu maior agradecimento, com a confissão de dever-se à nossa esquadra a vitória que se alcançara dos Turcos. A seis de Novembro do mesmo ano, chegou a Lisboa a nossa vitoriosa esquadra, com todos os navios de que se compunha, e foram os seus Cabos muito bem recebidos e premiados da nossa Côrte.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.