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Democracia e a corrupção plutocrática


Como manter o Estado ao abrigo da corrupção plutocrática e as forças do trabalho ao abrigo das suas prepotências? É evidente e ensinado pela experiência que é fácil a corrupção onde a responsabilidade de poucos é substituída pela irresponsabilidade de muitos: os regimes democráticos prestam-se mais que nenhuns outros a compromissos, entendimentos, cumplicidades abertas, ou inconscientes, com a plutocracia. A fiscalização da administração pública por parte dos particulares e a existência de imprensa aberta à colaboração dos homens independentes, contribuirão para descobrir e tornar estéreis as manobras dos interessados. Mas a forma mais fácil de manter o Estado ao abrigo da corrupção plutocrática é – não ter de ser corrompido.

António de Oliveira Salazar in discurso «Problemas da Organização Corporativa», 13 de Janeiro de 1934.

Salazar sobre o plutocrata


O plutocrata não é, pois, nem o grande industrial nem o financeiro: é uma espécie hibrida, intermediária entre a economia e a finança; é a «flor do mal» do pior capitalismo. Na produção não lhe interessa a produção, mas a operação financeira a que pode dar lugar; na finança não lhe interessa a regular administração dos seus capitais, mas a sua multiplicação por jogos ousados contra os interesses alheios. O seu campo de acção está fora da produção organizada de qualquer riqueza e fora do giro normal dos capitais em moeda; não conhece os direitos do trabalho, as exigências da moral, as leis da humanidade. Se funda sociedades, é para lucrar apports e passá-las a outros; se obtêm uma concessão gratuita, é para a transferir já como um valor; se se apodera de uma empresa, é para que esta lhe tome os prejuízos que sofreu noutras. Para tanto o plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo – corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política. – Quem tenha os olhos abertos para o que se passou aqui e para o que se passa lá fora, não pode duvidar do que afirmei.

António de Oliveira Salazar in discurso «Problemas da Organização Corporativa», 13 de Janeiro de 1934.

Sobre a invasão americana do Iraque


Em Novembro de 2000, Saddam Hussein do Iraque decretou que todos os pagamentos de petróleo seriam de futuro feitos em euros, pois ele não queria negociar "na moeda do inimigo" [o dólar americano]. Tal como já foi provado, a posse de armas de destruição em massa foi um pretexto deliberadamente inventado, e foi esta decisão monetária que custou a vida a Saddam Hussein e a destruição do seu país.

Stephen Mitford Goodson in «A History of Central Banking and the Enslavement of Mankind», 2014.

Antes o abuso de um Rei do que a tirania plutocrática


A experiência parece mostrar que os abusos de poder cometidos em benefício de uma aristocracia hereditária são, em geral, menos perigosos para o sentimento jurídico de um povo do que os abusos provocados por um regime plutocrático; é absolutamente certo que nada é tão eficaz em destruir o respeito pela lei quanto o espectáculo de malfeitorias cometidas, com a cumplicidade dos tribunais, por aventureiros que se tornaram suficientemente ricos para poder subornar os homens de Estado.

Georges Sorel in «Les Illusions du progrès», 1908.

Da religião de Mamom


O Capital não conhece pátrias, nem fronteiras, nem cores, nem raças, nem idades, nem sexos; ele é o Deus internacional, o Deus universal, ele curvará todos os filhos dos homens sob a sua lei! Apaguemos as religiões do passado; esqueçamos os nossos ódios nacionais e as nossas querelas religiosas, unamo-nos de alma e coração para formular os dogmas da nova fé, da Religião do Capital.

Paul Lafargue in «La Religion du Capital», 1887.

A "verdade" enquanto fabricação mediática


O que é a verdade? Para a multidão é aquilo que continuadamente lê e ouve. Uma pequena gota perdida pode cair algures e reunir terreno para determinar "a verdade" – mas o que obtém é apenas a sua verdade. A outra, a verdade pública do momento, que é a única que interessa para resultados e sucessos no mundo dos factos, é, hoje em dia, um produto da Imprensa. O que a Imprensa quer torna-se verdade. Os seus dirigentes evocam, transformam, permutam verdades. Três semanas de trabalho jornalístico e a verdade passa a ser conhecida por toda a gente. As suas bases são irrefutáveis, enquanto houver dinheiro disponível para as manter intactas.

Oswald Spengler in «Der Untergang des Abendlandes», 1922.

O plutocrata e o anarquista


E agora que este livro está a chegar ao fim, vou sussurrar ao ouvido do leitor uma horrível suspeita que me persegue: a suspeita de que Hudge e Gudge estão secretamente em conluio. De que a disputa que ambos mantêm em público é apenas um embuste, e que não é por acaso que eles passam a vida a oferecer argumentos um ao outro. Gudge, o plutocrata, deseja um industrialismo anárquico; Hudge, o idealista, brinda-o com elogios líricos à anarquia. Gudge quer mão-de-obra feminina porque é mais barata; Hudge chama ao trabalho da mulher "a liberdade de viver a própria vida". Gudge quer trabalhadores firmes e obedientes; Hudge prega a abstinência de álcool – para os trabalhadores, não para Gudge. Gudge quer uma população domesticada e tímida, que nunca pegará em armas contra a tirania; Hudge demonstra, a partir de Tolstoi, que ninguém deve pegar em armas contra quem quer que seja. Gudge é naturalmente um cavalheiro saudável e higiénico; Hudge apregoa fervorosamente a perfeição da higiene de Gudge a pessoas que não podem praticá-la. Acima de tudo, Gudge governa através de um sistema cruel e coercivo de saque, suor e labor que é totalmente incompatível com a família, e que por isso está destinado a destruí-la; enquanto Hudge, abrindo os braços ao universo com um sorriso profético, diz-nos que a família é algo que em breve iremos ultrapassar gloriosamente.
Não sei se a parceria de Hudge e Gudge é consciente ou inconsciente. Só sei que é pela sua actividade conjunta que o homem comum continua privado da sua habitação natural. Só sei que continuo a encontrar Jones vagueando pelas ruas ao crepúsculo cinzento, olhando tristemente para os postes, barreiras e pequenas lanternas vermelhas que guardam a entrada da casa que nunca deixou de ser sua, embora ele nunca tenha vivido nela.

G. K. Chesterton in «What's Wrong with the World», 1910.

No reino de Mamom


A proclamação solene dos direitos do «Terceiro Estado» em França constitui a etapa decisiva a que se seguem as variedades da «revolução burguesa», ou seja, exactamente da terceira casta, a que servem de instrumento as ideologias liberais e democráticas. Paralelamente é característica desta Era a teoria do contrato social: como vínculo social agora já nem sequer se encontra uma fides de tipo guerreiro, ou seja, relações de fidelidade e de honra. O vínculo social reveste-se de um carácter utilitário e económico: é um acordo assente na conveniência e no interesse material – o que só um mercador pode conceber. O ouro serve de intermediário e quem dele se apossar e souber multiplicá-lo (capitalismo, finanças, trusts industriais) por detrás da fachada democrática controla virtualmente também o poder político e os instrumentos que servem para formar a opinião pública. A aristocracia cede o lugar à plutocracia; o guerreiro, ao banqueiro e ao industrial. A economia triunfa em toda a linha. O tráfico de dinheiro e a agiotagem, outrora confinada nos ghettos, invadem toda a nova civilização. Segundo a expressão de Sombart, na terra prometida do puritanismo protestante, com o americanismo e o capitalismo, não vive mais que «espírito judaico destilado». E é natural que, dadas estas premissas de parentesco, os representantes modernos do judaísmo secularizado tenham quase visto abrir-se à sua frente, nesta fase, as vias da conquista do mundo. São características estas expressões de Karl Marx: «Qual é o princípio mundano do judaísmo? A exigência prática, a vantagem pessoal. Qual é o seu deus terrestre? O dinheiro. O judeu emancipou-se de uma maneira judaica, não só por se ter apropriado da potência do dinheiro, mas também porque, graças a ele, o dinheiro se tornou uma potência mundial e o espírito prático judaico se tornou o espírito prático dos povos cristãos. Os judeus emanciparam-se na medida em que os cristãos se tornaram judeus. O deus dos judeus mundanizou-se e tornou-se o deus da terra. O câmbio é o verdadeiro deus dos judeus». Na realidade a codificação religiosa do tráfico do ouro como empréstimo com juros, a que anteriormente sobretudo o judeu se tinha consagrado, faltando-lhe quase qualquer outro meio para se poder afirmar, pode ser considerada a própria base da aceitação e do desenvolvimento aberrante, no mundo moderno, de tudo o que é banca, finança, economia pura, fenómeno comparável ao avanço de um verdadeiro cancro. É este o momento fundamental da «Era dos Mercadores».

Julius Evola in «Rivolta Contro il Mondo Moderno», 1934.

O banqueiro anarquista


– Realmente, disse eu, você é anarquista. Em todo o caso, dá vontade de rir, mesmo depois de o ter ouvido, comparar o que você é com o que são os anarquistas que pr'aí há...
– Meu amigo, eu já lho disse, já lho provei, e agora repito-lho... A diferença é só esta: eles são anarquistas só teóricos, eu sou teórico e prático; eles são anarquistas místicos, e eu científico; eles são anarquistas que se agacham, eu sou um anarquista que combate e liberta… Em uma palavra: eles são pseudo-anarquistas, e eu sou anarquista.
E levantámo-nos da mesa.

Fernando Pessoa in «O Banqueiro Anarquista», 1922.

Usurocracia


A Banca, que alcançou um poder determinante no século XIX, chegou, na actualidade, ao domínio absoluto da vida económica, tanto no Ocidente do mercado livre, como no Leste comunista. Hoje em dia, quando se apresenta a ocasião de fazer funcionar uma nova empresa, tenha ou não finalidade lucrativa, a primeira coisa a ponderar é a atitude provável da Banca – local ou nacional, segundo a índole das suas actividades – relativamente à empresa em questão. Na época presente já quase nada se pode fazer e, praticamente, nada consegue perdurar sem o apoio dos bancos. De simples executivos de um serviço que devia facilitar o intercâmbio de mercadorias, os banqueiros passaram a ser, sucessivamente, os reguladores, depois os controladores e, por fim, os donos de toda a riqueza mundial. E, apoiando-se nesta, donos também, como é óbvio, do poder político.
Shylock [d'O Mercador de Veneza] e os seus correligionários da Idade Média eram inocentes meninos de coro comparados com os magos da moderna Finança. Ao fim e ao cabo, os agiotas daquela época cobram "apenas" uns 30 ou 40% de juros mensais... Também não devemos esquecer que esse juro exorbitante, por abusivo que fosse, era cobrado sobre dinheiro existente, real, tangível, pertencente ao usurário, que, além disso, corria riscos pessoais materializados, com muita frequência, em penas de prisão, quando não em pogrom, expropriações e expulsões. Pelo contrário, os modernos banqueiros praticam, grosso modo, a operação seguinte: tomam emprestado dinheiro, o dos seus depositantes, pelo qual pagam um juro de 2%. Esse dinheiro é emprestado, por sua vez, a um juro de 12%, o que representa logo um benefício de 2000%, benefício este que não deu, nem dará nunca, lugar a negócio nenhum. É espantoso comprovar como nenhum Estado, nenhum juiz, nenhuma comissão (ao estilo da Fiscalização de Taxas que já existiu em Espanha) tomam a mais pequena medida contra esses benefícios abusivos, contra esses comerciantes do dinheiro – e comerciantes monopolistas, não se esqueça... – quando por uns "miseráveis" 30% se fecharam empresas estabelecidas e se meteram na prisão os seus proprietários. Mas não termina aqui o abuso bancário: os bancos não ganham "só" 2000%, mas sim, como vimos já, ao multiplicarem por 9 os seus empréstimos, criando moeda escriturada – moeda falsa, não nos cansaremos de o repetir – os seus benefícios, ao ficar consumado esse delito – autêntico delito – contra o Código Penal e contra a humanidade, têm que ser multiplicados outra vez por 10. Por cada 100 denários recebidos dos seus clientes, o banco paga a estes um juro anual de 2 denários e cobra, ao "emprestar" 900 denários, um juro de 12%, ou seja, 108 denários, o que equivale a um juro de 21600%!
E os céus não trovejam!... Entretanto, os frios monstros estatais assanham-se continuamente contra o pequeno e médio empresário que dissimula os seus benefícios para poder sobreviver...

Joaquín Bochaca in «A Finança e o Poder», 1973.

Partidos políticos


Para a Democracia, a Pátria não existe organicamente: só há os partidos políticos, agrupamentos numéricos de indivíduos-eleitores, lutando em nome do interesse público para utilidade dos associados. Desconhece-se, ou logicamente se renega, a Tradição, para que tudo comece no dia em que a Democracia começou. Os partidos, em geral dois, três ou mais, nas sociedades em decomposição, representam, um, tendências conservadoras, outro, tendências avançadas ou radicais, como fórmulas de equilíbrio e correcção. Teoricamente, o princípio é uma falsidade, porque não há princípios conservadores, nem avançados: há ideias que matam e ideias que salvam; mentiras políticas e verdades políticas; ideologias e realidades.
A alimentar a corrupção dos partidos, há ainda a considerar as influências internacionais da Maçonaria, que combate a ideia de Pátria, e a pressão dos interesses das plutocracias, por meio da venalidade de políticos sem escrúpulos nem convicções, que formulam programas e fazem promessas que antecipadamente sabem não poder cumprir.

Adaptado de «Cartilha Monárquica», 1916.

Sobre quem manda nos E.U.A.


A Constituição dos Estados Unidos tinha posto nas mãos do Congresso o direito de criar e controlar a moeda do país. Mas, a 23 de Dezembro de 1913, com a maioria dos membros do Congresso a passar férias de Natal em casa, foi votada, de maneira quase sub-reptícia, uma lei conhecida com o nome de Federal Reserve Act. Esta lei autorizava, grosso modo, a constituição de uma entidade com o nome de Federal Reserve Corporation e um conselho de directores (Federal Reserve Board). Tal lei arrebatava ao Congresso o direito de criação e controlo do dinheiro e concedia-o à Federal Reserve Corporation. O pretexto dado para a aprovação desta lei insólita foi de «separar a Política do Dinheiro». A realidade foi que – nesta grande democracia que costuma apresentar-se como o protótipo ideal dessa forma de governo – o poder de criar e controlar o dinheiro foi arrebatado aos chamados «representantes do povo» e concedido a uma empresa privada. E cremos não incorrer no pecado de juízo temerário se dissermos que uma empresa privada tenderá, por definição, a obter proveito próprio, coincida ou não este com o interesse geral da Nação.
O mais grave, juridicamente falando, desta Federal Reserve Act de 1913 é que o acordo se arranjou com uma minoria de deputados que, segundo tudo indica, foram pressionados e subornados; não existia o quórum necessário... de modo que, mesmo do ponto de vista mais estritamente democrático, era de todo impossível justificar aquela lei. O caso, porém, é que foi aprovada, e desde então, é uma empresa privada que emite o dinheiro do país mais democrático – e poderoso – do planeta. Desde aquele Natal de 1913, um número comparativamente pequeno de pessoas – cerca de 8000 – passou a controlar, emitir, criar e destruir, segundo a sua própria conveniência, o dinheiro de um país que se supõe ser o estandarte do Ocidente. Essas pessoas, na sua imensa maioria, nem sequer são americanas de origem. O deus ex machina desta nefasta Federal Reserve Act foi um banqueiro de Hamburgo chamado Paul Warburg.
O Federal Reserve Board emite o dinheiro do país e empresta-o, onerado com juros, ao governo «legal» dos Estados Unidos. Se, por exemplo, o governo de Washington necessitar de 1000 milhões de dólares para financiar obras públicas, renovar armamento, ou o que quer que seja, deve dirigir-se ao Board e pedir-lhe esse dinheiro. Então, o omnipotente Board dá o seu acordo, na condição do governo lhe pagar juros. Logo que o Congresso dá a sua autorização, o Departamento do Tesouro imprime 1000 milhões de dólares em bónus que são entregues ao Federal Reserve Board. Este paga os gastos de impressão (que rondam os 500 dólares), retira os juros e faz o câmbio. Então, o governo já pode dispor do dinheiro para cobrir as suas necessidades.
Quais são os resultados desta inverosímil transacção? Pois, muito simplesmente, que o governo dos Estados Unidos pôs os seus cidadãos em dívida para com o Federal Reserve Board numa quantia de 1000 milhões de dólares, mais juros, até que sejam pagos. O resultado desta demencial política financeira é que, em menos de 60 anos – de 1913 até hoje [1971] – o povo dos Estados Unidos deve aos banqueiros do Federal Reserve Board um total de 350 biliões de dólares, tendo que pagar um juro de 1,5 biliões mensais, sem nenhuma esperança de poder pagar, nem a dívida propriamente dita, nem sequer os juros, pois ambos aumentam continuamente. 195 milhões de americanos estão irremissivelmente endividados relativamente a 8000 indivíduos mais ou menos americanizados; o montante dessa dívida é superior ao valor total de todas as riquezas do país.
Mas há mais: com este sistema de «dinheiro-dívida», os bónus a que mais acima nos referimos, são convertidos em valores bancários, com o apoio dos quais os bancos podem fazer empréstimos a clientes privados. Como as leis bancárias dos Estados Unidos exigem somente uma reserva de 20%, os bancos do Federal Reserve Board podem fazer empréstimos até um total de cinco vezes o valor do bónus que possuem. Ou seja, voltando à transacção de 1000 milhões de dólares que tomámos como exemplo, o Federal Reserve Board pode emprestar 5000 milhões ao juro «legal». Isto dá-lhe direito aos juros de 6000 milhões... por um custo original de 500 dólares em despesas de impressão! E como o Congresso abdicou – em tão excelsa democracia – do direito de emitir dinheiro, a única saída que resta aos industriais, exploradores agrícolas e comerciantes dos Estados Unidos, quando necessitam de dinheiro para desenvolver as riquezas do país, é pedi-lo emprestado ao consórcio do Federal Reserve Board... entregando-se de mãos atadas.

Joaquín Bochaca in «A Finança e o Poder», 1973.

Da tirania bancária


O carácter mais sinistro e anti-social do dinheiro escriturado é a sua não existência. Os bancos devem ao público uma quantia total de dinheiro que não existe. Comprando e vendendo por meio de cheques, só se produz uma troca no particular a quem o dinheiro é devido pelo banco. Enquanto a conta de um cliente é debitada, a de outro cliente é creditada, e os bancos podem continuar a dever indefinidamente essa quantia.
Só o capital do grande negócio bancário, tal como existe hoje, beneficia com a emissão de dinheiro. Graças a uma artimanha, tendo começado sem nada próprio, os banqueiros puseram o mundo inteiro a dever-lhes dinheiro. Esse dinheiro nasce cada vez que os bancos "emprestam" e desaparece cada vez que o empréstimo é devolvido. De maneira que, se a indústria pagar tudo, o dinheiro da nação desaparece. É isto que torna a prosperidade tão "perigosa", já que destrói o dinheiro justamente quando é mais necessário, precipitando a crise.
Não nos resta mais nada, a não ser afundar cada vez mais em dívidas ao sistema bancário, de forma a fornecer as quantidades crescentes de dinheiro que a nação requer para a sua expansão e crescimento. Um sistema monetário honesto é a única alternativa.

Frederick Soddy in «Wealth, Virtual Wealth and Debt», 1926.

Bancocracia: Um episódio sintomático


Em Dezembro de 2004, cinco meses após ter dado posse ao Governo liderado por Pedro Santana Lopes, o então Presidente da República, Jorge Sampaio, demitiu o mesmo Governo e convocou eleições antecipadas. Um estranho caso explicado pelo próprio Santana Lopes em entrevista à Rádio Renascença, a 16 de Março de 2017:

Como é que em 13 anos nunca houve o "porquê"? Disse que nunca teve essa resposta, mas também nunca a procurou.
Não, não a procurei. Porque nunca tive dúvidas de que aquilo foi uma decisão política deliberada. Atenção, Jorge Sampaio era o Presidente da República. Mas o que tem que ser explicado é quem apoiou Jorge Sampaio nessa decisão. E porquê! Jorge Sampaio tomou essa decisão na noite da COTEC [associação empresarial constituída por iniciativa de Jorge Sampaio], grupo empresarial que se reúne de quando em vez. E foi dito e redito por pressão de alguns empresários e banqueiros.
Se havia uma coisa que o Governo fazia nessa altura era "cair em cima" da banca. Tenho muito respeito pelo sector financeiro, por todo o trabalho que realizam, mas sempre tive a ideia de que é o poder político que manda no económico e não o contrário. Uma semana antes, recebi os banqueiros todos em São Bento, com o ministro das Finanças, quando foram protestar contra as decisões do meu Governo de aumentar os impostos sobre a banca e de exigir mais elementos na contabilidade da banca para prestação de contas.

A banca forçou este desfecho?
Alguma banca, algum sector financeiro e alguns empresários. Aliás, julgo que isso também está referido no livro. Isto não foi o povo. Vêm depois dizer que o povo veio dar razão a Jorge Sampaio? Ouça lá, na véspera da dissolução – eu já trabalhei com muitos primeiros-ministros, para além de mim próprio, como diria o outro – e nunca vi, digo-o sem presunção, uma recepção a um primeiro-ministro como tive no domingo anterior à dissolução em Trás-os-Montes. Nunca vi. Portanto, não foi o povo que exigiu a dissolução! O povo não estava nas ruas, não havia protestos, não havia ruptura social. Isto foi uma conspiração de "corte" em Lisboa. Porque já sabiam que eu não aceitava ordens, nem sou comprável!

Plutocracia

A dívida mundial supera em mais de 3X a riqueza produzida no mundo.

Suponhamos que sou um banqueiro e que empresto 1000 dólares a John Smith, com a garantia da sua fábrica. A seguir, retiro uma parte dos meus outros empréstimos, diminuindo assim o poder de compra na região onde John Smith montou o seu negócio. Em consequência dessa contracção do poder de compra, de "procura", os preços baixarão e John Smith deixará de ganhar dinheiro. Como tem que pagar-me os juros do empréstimo que lhe fiz, começa por reduzir no pessoal e a instalar maquinaria que poupe mão-de-obra. Mas eu continuo a reduzir os meus empréstimos. Os preços continuam a baixar e, no final, John Smith fica sem recursos. Diz-me que não pode continuar a pagar os juros. Então, hipoteco-lhe a fábrica e ponho-a à venda. Faço-lhe uma oferta de 800 dólares, quantia que servirá para pagar o empréstimo que lhe fiz. Um pouco mais tarde começo a emprestar de novo, e os preços voltam a subir. A fábrica de John Smith tem agora muito valor, uma vez que voltou a aumentar – proporcionando poder de compra – a chamada "procura" do que ele fabricava. De maneira que vendo-lhe agora a fábrica por 5000 dólares, metendo ao bolso, "com toda a legalidade", 4000 dólares.

Arthur Nelson Field in «The Truth about the Slump», 1931.

Despotismo económico e financeiro


É coisa manifesta, como nos nossos tempos não só se amontoam riquezas, mas acumula-se um poder imenso e um verdadeiro despotismo económico nas mãos de poucos, que as mais das vezes não são senhores, mas simples depositários e administradores de capitais alheios, com que negoceiam a seu desejo. Este despotismo torna-se intolerável naqueles que, tendo nas suas mãos o dinheiro, são também senhores absolutos do crédito e por isso dispõem do sangue de que vive toda a economia, e manipulam de tal maneira a alma da mesma, que nem se pode respirar sem a sua licença. Este acumular de poderio e recursos, nota característica da economia actual, é consequência lógica da concorrência desenfreada, à qual só podem sobreviver os mais fortes, isto é, ordinariamente os mais violentos competidores e que menos sofrem de escrúpulos de consciência.

Papa Pio XI in «Quadragesimo Anno», 1931.

Dívida pública e democracia


A dívida pública portuguesa aumentou para 233 mil milhões de euros (140,2% do PIB). E por mais que tentem escamotear, é evidente que o problema da dívida pública está intimamente ligado com a democracia. Sempre que Portugal esteve sujeito a regimes baseados no voto popular, nos aparelhos partidários e na maçonaria que os domina aos dois, a dívida pública aumentou em termos absolutos. E porquê? Pois uma dívida pública elevada torna os Estados escravos do Crédito e da Banca.

Pela análise do gráfico, que relaciona a dívida pública em função do PIB no período 1850-2010, é possível constatar que só durante a Ditadura Militar/Estado Novo tivemos uma redução da dívida pública em termos absolutos, chegando a uns notáveis 13,5% do PIB. Já nos regimes demo-liberais, a dívida pública teve sempre tendência para aumentar ou em manter-se em valores astronómicos.

Democracia e corrupção


É evidente e ensinado pela experiência que é fácil a corrupção onde a responsabilidade de poucos é substituída pela irresponsabilidade de muitos: os regimes democráticos prestam-se mais que nenhuns outros a compromissos, entendimentos, cumplicidades abertas ou inconscientes com a plutocracia.

António de Oliveira Salazar in discurso «Problemas da Organização Corporativa», 13 de Janeiro de 1934.

Aos banqueiros


Quando amanhã
fugirem os banqueiros
dos palácios roubados
E em vez deles
homens verdadeiros
Forem monges, poetas ou soldados

Então,
na Mão Direita de Deus
Rolará a terra
E será perfeita

Pedro Homem de Mello

Democracia é Plutocracia


Sendo contra os princípios funestos da Revolução Francesa, nós somos necessariamente contra a organização económica da sociedade moderna. O Trabalho e a Propriedade sofreram com a obra da revolução a influência duma nova ordem de coisas, donde deriva imediatamente a crise que a todos nos toca e que escurece o horizonte com tão cerradas interrogações. O proletário, que nós vemos enfeudado ao cortejo dos agitadores políticos, deve à democracia a sua situação miseranda; a desorganização individualista da revolução aboliu os quadros corporativos em que o Trabalho se protegia e defendia dos acasos da concorrência em que o trabalho deixou o produtor entregue ao arbítrio da plutocracia, que é sem dúvida a única e a verdadeira criação do espírito revolucionário. Enganam-se os humildes se nas promessas falaciosas do erro democrático supõem encontrar a realização das suas reivindicações justíssimas! Um século inteiro de experiências dolorosas mostra-nos que nunca a sorte das classes pobres pode ser tratada e minorada pelos governos saídos do voto, que são estruturalmente governos sujeitos, por defeito de origem, à venalidade e à corrupção.
A Propriedade e o Trabalho, constituindo a pedra angular da Família, constituem os alicerces inalienáveis da Nacionalidade. Cosmopolita, mais fácil de se furtar às suas responsabilidades sociais, o Capital precisa de se restringir aos seus defeitos de relação entre a terra e o homem. Os desaforos do cambismo, envolvendo e universalizando a sociedade por meio da judiaria argentária, empurram-nos fatalmente para a dissolução do conceito supremo da Pátria. Impossibilitam por outro lado o operário de se hierarquizar como uma energia positiva e autónoma.
As democracias resultam daqui, agora e sempre, como as formas de governo mais aptas à supremacia da alta finança. São «Le pays de cocâgne rêvê par des financiers sans scrupules» como Georges Sorel as define. A instabilidade do poder nos governos electivos e a sua conquista pela corrupção eleitoral torna-os por natureza regimes abertos, como nenhuns outros, às imposições do Plutocratismo.

António Sardinha in «Durante a Fogueira».