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As cinco idolatrias modernas


Foi então que soou no céu a trombeta da cólera divina, que ninguém deixou de ouvir; e o Homem Moderno, que havia caído em cinco idolatrias e cinco desobediências, está agora a ser provado e purificado por cinco castigos e cinco penitências:

Idolatria da Ciência, com a qual quis fazer outra Torre de Babel que chegasse até ao céu; e a ciência está neste momento ocupada em construir aviões, bombas e canhões para destruir casas, cidades e fábricas.

Idolatria da Liberdade, com a qual quis fazer de cada homem um pequeno e caprichoso tiranete; e eis o momento em que o mundo está cheio de despotismo, e os próprios povos pedem mãos de ferro para sair da confusão que criou esta liberdade insana.

Idolatria do Progresso, com a qual acreditaram que em pouco tempo fariam outro Paraíso Terrenal; e eis que o Progresso é o Bezerro de Ouro que mergulha os homens na miséria, na escravidão, no ódio, na mentira, na morte.

Idolatria da Carne, à qual se pediu o céu e as delícias do Éden; e a carne do homem despida, exibida, mimada e adorada, está a ser destroçada, dilacerada e amontoada como esterco nos campos de batalha.

Idolatria do Prazer, com a qual se quer fazer do mundo um Carnaval perpétuo e converter os homens em crianças agitadas e irresponsáveis; e o prazer criou um mundo de enfermidades, dolências e torturas, que fazem desesperar todas as faculdades de medicina.

Pe. Leonardo Castellani in «Cristo ¿vuelve o no vuelve?», 1951.

Do Modernismo


– O que é a "abominação da desolação"? Parece-me que os Santos Padres entendem por essa expressão semítica a idolatria...
– A pior idolatria. Pois no fundo do modernismo está latente a mais execrável idolatria, a apostasia perfeita, a adoração do homem no lugar de Deus; e isso sob formas cristãs e até talvez mantendo a estrutura exterior da Igreja. Já leu The Soul of Spain do psicólogo inglês Havelock Ellis?
– Não. O que diz?
– É um livro de viagens por Espanha. Leia o capítulo intitulado Uma missa cantada em Barcelona e verá o que quero dizer quando falo de modernismo.
– Ridiculariza a missa cantada?
– Quê?! Pelo contrário! Cobre-a de flores, enche-a de elogios... estéticos. Diz que é um espectáculo imponente, uma criação artística, e que não se pode deixar cair essa nobre conquista de "património cultural" da humanidade, mas procurar preservá-la e aperfeiçoá-la... podada da pequena superstição que a informa, ou seja, a presença real de Cristo no Sacramento... Anulada essa pequena superstição, tudo mais...

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

Contra vãs ilusões restauracionistas


Artigo escrito a 25 de Fevereiro de 1945:

Meus amigos, enquanto houver algo para salvar; com calma, com paz, com prudência, com reflexão, com firmeza, implorando a luz divina, há que fazer o necessário para salvá-lo. Quando já não há nada para salvar, sempre e ainda há que salvar a própria alma.
É bem possível que sob pressão das pragas que estão a cair sobre o mundo, e dessa nova falsificação do catolicismo que aludi acima, a estrutura da cristandade ocidental continue a se desfazer de tal forma que, em breve, não haverá nada que fazer, para um verdadeiro cristão, na ordem da coisa pública.
Agora a palavra de ordem é ater-se à mensagem essencial do cristianismo: fugir do mundo, crer em Cristo, fazer todo o bem possível, desapegar-se das coisas criadas, guardar-se dos falsos profetas, lembrar da morte. Numa palavra, dar com a vida testemunho da Verdade e desejar a vinda de Cristo.
No meio deste alvoroço, temos que tratar cuidadosamente da nossa salvação, tal como o artista faz a sua obra com os materiais à sua disposição, primeiro dentro de si mesmo. Não há nada que não se possa usar, se alguém puder pisá-lo, para subir até Deus. (...)
Os primeiros cristãos não sonhavam em reformar o sistema judicial do Império Romano, mas sim, com todas as suas forças, em ser capazes de enfrentar as feras; e em contemplar com horror, no imperador Nero, o monstruoso poder do diabo sobre o homem.

Pe. Leonardo Castellani in «Decíamos ayer...», 1968.

O homem estético


Quem é o homem estético, é o libertino ou farrista, de que fala Aristóteles? Esse claro que sim; mas acima dele há outros em escala ascendente: são todos os que centram a sua vida sobre algo exterior, que são eles mesmos livremente abraçados com a sua personalidade essencial. São todos os que dizem «há que gozar a vida» ou «eu quero viver a minha vida». Centrar a vida na boa saúde, um; centrar a vida no poder ou nas honras, dois; centrar a vida na arte ou na poesia, três; centrar a vida no talento, quatro; tudo coisas externas. Mas há outro estético pior: aquele que se desencantou com todas as coisas terrenas e não foi para as eternas.

Pe. Leonardo Castellani in «De Kierkegaard a Tomás de Aquino», 1973.

Do modernismo


– O que é a "abominação da desolação"? Parece-me que os Santos Padres entendem por essa expressão semítica a idolatria...
– A pior idolatria. Pois no fundo do modernismo está latente a mais execrável idolatria, a apostasia perfeita, a adoração do homem no lugar de Deus; e isso sob formas cristãs e até talvez mantendo a estrutura exterior da Igreja. Já leu The Soul of Spain do psicólogo inglês Havelock Ellis?
– Não. O que diz?
– É um livro de viagens por Espanha. Leia o capítulo intitulado Uma missa cantada em Barcelona e verá o que quero dizer quando falo de modernismo.
– Ridiculariza a missa cantada?
– Quê?! Pelo contrário! Cobre-a de flores, enche-a de elogios... estéticos. Diz que é um espectáculo imponente, uma criação artística, e que não se pode deixar cair essa nobre conquista de "património cultural" da humanidade, mas procurar preservá-la e aperfeiçoá-la... podada da pequena superstição que a informa, ou seja, a presença real de Cristo no Sacramento... Anulada essa pequena superstição, tudo mais...

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

A Verdade primeiro e sempre


O patriota deve viver no plano ético ou no plano religioso; o liberal pode habitar no plano estético. Nesse plano, no plano da política pura (ou seja, impura), das "tácticas", das "combinações", do mal menor, dos maquiavelismos baratos e das mentiras estratégicas, o patriota encontra-se numa posição muito mais débil que os seus adversários, e é o mais infeliz de todos os homens; porque não terá êxito nem neste mundo nem no outro.

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

O Credo do Incrédulo


Creio no Nada todo-produtor, que criou o Céu e a Terra.
E no Homo Sapiens, seu único Filho, Rei e Senhor,
Que foi concebido por Evolução do Procarionte e do Macaco.
Nasceu da Santa Matéria.
Lutou sobre a escuridão da Idade Média.
Foi inquirido, morto queimado.
Caiu na Miséria.
Inventou a Ciência.
Chegou à era da Democracia e da Inteligência,
E daí irá instalar no mundo o Paraíso Terrestre.
Creio no livre-pensamento,
Na Civilização da Máquina,
Na Inexistência do pecado,
No Progresso inevitável,
Na reabilitação da Carne,
E na Vida Confortável.
Ámen.

Pe. Leonardo Castellani

O mal menor


O princípio moral de que é lícito escolher um mal menor só vale em determinados casos, por exemplo o da legítima defesa, servato moderamine inculpatae tutelae, como dizem. Não vale sempre. No caso de consciência proposto pelo filme Seven Waves Away, por exemplo, o capitão do barco salva-vidas que dá directamente a morte a alguns náufragos para salvar o resto, procede imoralmente.
No caso do erro, não se pode escolher o "erro menor". Qual é o erro menor? Porventura o erro misturado com verdades? Esses geralmente são os mais perniciosos... O liberalismo é um erro. Posso escolher o liberalismo para afastar o comunismo? Não. Devo rejeitar ambos. O erro é o maior mal do homem. O liberalismo é pecado, escreveu Sardá y Salvany, um livrinho muito útil (...).
Se há uma discussão entre sete homens, um dos quais diz que 2 + 2 = 4, outros três dizem que 2 + 2 = 5, e os três restantes que 2 + 2 = 400, deverá o primeiro pôr-se a favor dos que afirmam 5 porque é um erro menor?

Pe. Leonardo Castellani in «El mal menor», 1958.

Os graus do farisaísmo


– O farisaísmo vem a ser como... os fariseus são "religiosos profissionais"... como o profissionalismo da religião – disse –, recordando uma frase de Gustave Thibon.
– Esse é somente o primeiro grau do farisaísmo, em todo o caso – reflectiu o velho. A ver se conseguimos descrevê-lo pelos seus graus:
O primeiro: A religião torna-se meramente exterior...
O segundo: A religião torna-se profissão, negócio, ganha-pão.
O terceiro: A religião torna-se instrumento de ganância, de honras, poder ou dinheiro.
– É como um esclerosamento do religioso, um endurecimento ou decaimento progressivo! – ressaltou o teólogo.
– E depois uma falsificação, hipocrisia, dureza até à crueldade... – disse eu.
– Jesus Cristo no Evangelho condenou os fariseus – disse o Frei Florecita – e com isso basta.
O judeu havia ficado como que absorto. Depois prosseguiu com uma voz cavernosa e rouca...
– Eu tremo de dizer o que ouso apenas pensar... O meu coração treme diante de Deus como uma folha na árvore, ao pensar no mistério do farisaísmo. Eu não posso indignar-me como o Divino Mestre; eu, verme miserável, tenho-Lhe medo – e de facto todo o seu corpo se estremeceu bruscamente, e duas lágrimas assomaram aos seus olhos.
– Os outros graus – prosseguiu – são já diabólicos. O coração do fariseu, primeiro, torna-se cortiça, depois pedra, depois se esvazia por dentro, e depois é ocupado pelo demónio. "E o demónio entrou nele", disse João sobre Judas.
O quarto: A religião torna-se passivamente dura; insensível, desencarnada.
O quinto: A religião torna-se hipocrisia: o "santo" hipócrita começa a desprezar e a odiar os que têm religião verdadeira.
O sexto: O coração de pedra torna-se cruel, activamente duro.
O sétimo: O falso crente persegue de morte os verdadeiros crentes, com fúria cega, com fanatismo implacável... e não se acalma, nem ante a cruz, nem depois da cruz... "Este impostor disse que ao terceiro dia iria ressuscitar"; de modo que, oh Excelso Procurador da Judeia... Guardas para o sepulcro.

Pe. Leonardo Castellani in «Los Papeles de Benjamin Benavides», 1953.

Pecado contra a verdade

Destruição de Sodoma.

A comunidade ou a nação que peca contra a verdade, que perde a reverência pela verdade e o ódio pela mentira, está perdida. Abandonada pela mão de Deus. E que maior castigo que este... A Verdade não pode impor-se por si mesma pela força. Se não a aceitam, retira-se. Temei a Verdade que se retira!

Pe. Leonardo Castellani in «San Agustín y Nosotros».

A grande apostasia e a "falsa igreja"

Pe. Leonardo Castellani

Vem-me à memória a grande apostasia anunciada no Apocalipse e recordo especialmente um romance do Pe. Leonardo Castellani, Sua Majestade, Dulcineia.
Nesse romance apocalíptico, Castellani retrata a igreja infiel, a igreja apóstata dos últimos tempos, perseguidora da Igreja de Cristo que se vê reduzida a uns poucos fiéis. Os hierarcas corruptos dessa caricatura de igreja, subservientes ao poder político, mendicantes de protagonismo temporal, bajuladores do Anti-Cristo, tinham substituído, diz Castellani, as três virtudes teologais – Fé, Esperança e Caridade – pela prosperidade, democracia e doçura, iludindo assim a maioria dos baptizados, porque o Demónio já não estava interessado em matar, mas, através desses falsos profetas, corromper, envenenar, falsificar.
Como dizia Santo Agostinho: "Como aos nossos pais foi necessária a paciência contra o leão, assim também a nós é necessária a vigilância contra o dragão. Nunca cessa a perseguição à Igreja, tanto da parte do leão, quanto da parte do dragão, e deve-se temer tanto mais quando engana, que quando se enfurece. Noutro tempo, incitava os cristãos a renegar Cristo; neste, ensina a negar Cristo. Antes impelia, agora ensina. Então, usava de violência, agora, de insídias; então, escutava-se rugir, e agora, apresentando-se com aparente mansidão e rondando, é dificilmente percebido" (Comentários aos Salmos).

Pe. Juan Claudio Sanahuja in «Poder Global e Religião Universal», 2010.