Mostrar mensagens com a etiqueta Arcebispo Fulton Sheen. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arcebispo Fulton Sheen. Mostrar todas as mensagens

O perigo da decadência interna


O maior perigo para qualquer País é o da decadência interna, devida a uma rendição moral e espiritual. Arnold Toynbee na sua monumental História da Civilização mostra que de dezanove civilizações, não menos de dezasseis se afundaram internamente sem que qualquer força estranha lhes desse um golpe mortal.
Por vezes, na verdade, foram os violentos ataques externos que provocaram a morte de civilizações que já se encontravam agónicas.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Sejamos como o bom ladrão


Quanto pior um homem se vai tornando, menos irá compreendendo a sua maldade, exactamente como sucede a um doente, cuja febre vai subindo até o fazer delirar, e que menos e menos compreende que está doente, quanto mais febre tem e mais delira, – a ponto de poder julgar-se tão perfeitamente são, que quer erguer-se do leito para ir trabalhar. Todas as pessoas banalmente más se julgam boas. Só quando acordamos é que sabemos que estivemos a dormir, tal qual só reconhecemos que éramos pecadores, quando libertos do pecado e restituídos à graça de Deus.
Só quando estamos doentes é que pedimos um médico, e só quando nos confessamos pecadores é que imploramos o perdão do Redentor. Assim o disse Nosso Senhor: «Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os que estão doentes» (S. Mateus, IX, 12).
Quando, pois, chegarmos ao ponto de começarmos a sentir-nos e a dizer-nos maus, – então, e só então, estaremos no caminho que levou para o Paraíso o bom ladrão. O reconhecimento da culpa é a condição da conversão, assim como o reconhecimento da doença é a condição do seu tratamento. Enquanto nos julgarmos bons, nunca encontraremos Deus.
Se na nossa petulante vaidade julgamos que sabemos tudo, como poderemos admitir, ou conceber sequer, que Deus nos pode ensinar seja o que for que não saibamos já?
Condescendemos às vezes em reconhecer que temos mau génio, ou que somos um tanto imoderados nos prazeres, sejam da mesa, sejam outros, – mas haverá alguém que leve a condescendência até ao ponto de reconhecer que é vaidoso ou sequer apenas pretensioso? Se não há ninguém que não censure os outros por serem vaidosos, como haverá quem reconheça em si próprio esse pecado? Quanto mais pretensioso cada um for, mais abominará a pretensão dos outros. Quanto mais cada um disser: «Vaidoso é que eu não sou!», mais demonstrará que o é, – como aquele seminarista ingenuamente vaidoso, que depois de ouvir na aula de moral uma lição sobre os males da vaidade e as virtudes da humildade, exclamou entusiasmado para o padre professor: «Eu, senhor padre, a respeito de humildade cristã, estou primeiro que ninguém!»
A vaidade e o orgulho faz com que vejamos toda a restante humanidade lá muito em baixo, – de maneira que nunca poderemos erguer os olhos para ver Deus lá muito em cima. E realmente, se o nosso orgulho não nos deixa reconhecer e admitir outra lei e outra autoridade que não sejam a nossa própria, está claro que é um orgulho essencialmente contrário à lei e à autoridade de Deus.
Todos os mais pecados que possamos cometer, tais como avareza, luxúria, cólera, gula, todos podem provir de nós apenas, – mas o pecado do orgulho, esse provém directamente de Satanás.
Foi esse o pecado que o precipitou, e aos anjos seus sequazes, do alto dos Céus no abismo do Inferno, e é um pecado que elimina até mesmo a possibilidade da conversão.
Se, portanto, formos capazes de nos humilharmos, como se humilhou o ladrão crucificado à direita de Nosso Senhor; se chegarmos como ele a confessar que pecamos, então o nosso brado de arrependimento erguer-se-á até Deus, a implorar-Lhe que Se lembre de nós na desventura em que caímos! No mesmo instante em que deixarmos de nos envaidecer e em que começarmos a ver-nos como realmente somos, então na nossa humildade e penitência seremos erguidos pela graça de Deus até ao Seu perdão.
Façamos, portanto, o nosso exame de consciência: perguntemos a nós próprios, com total e inteira franqueza, não se sabemos muitas coisas, mas sim quais as muitíssimas coisas que não sabemos; não se somos muito bons e virtuosos, mas se somos muito maus e muito pecadores. Julguemo-nos a nós mesmos, não à luz do nosso amor-próprio, mas à luz da nossa recta consciência; não à vista da nossa cultura, mas à vista dos nossos actos; não perante a nossa educação, mas perante o nosso coração. Não tardaremos, se bem verdadeira, leal e profundamente nos examinarmos, em sentir nas nossas almas um grande vácuo, em reconhecer que só estavam cheias da negação que se chama pecado, em experimentar a sede da água límpida da Divina Graça, em bradar como o bom ladrão – e como depois dele, todos os tementes a Deus, quando se vão ajoelhar no Tribunal da Penitência: «Padre, absolva-me, porque pequei e sou agora um pecador arrependido!». É assim que principia para cada um de nós a salvação.
O bom ladrão, com ser bom, foi ladrão até na morte, porque conseguiu com ela ser ladrão do Paraíso, que em vida não merecera e só à hora da morte conquistou.
Pois também cada um de nós, se conquistar o Paraíso, será ladrão como ele foi, porque teremos conquistado o que também em vida não merecemos: o eterno descanso na perpétua luz e na suprema paz do Reino de Deus!

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953.

A Ásia como arma de arremesso


Como o Ocidente resistiu à propagação comunista na Europa, os sovietes voltaram-se então para o Oriente. É o cumprimento de uma ordem de Lenine: «Se o Ocidente se mantiver contra nós, voltar-nos-emos para a Ásia. Voltaremos ao Ocidente por meio do Oriente». Noutra ocasião declarou: «O caminho mais curto para Paris passa através de Pequim». Na Conferência de Bacu, em 1920, Zinoviev declarou: «Os oitocentos milhões de asiáticos são necessários para esmagar a Europa».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Os salvadores da União Soviética


Douglas Hyde, o primeiro editor do jornal comunista britânico, disse que depois da coligação contra os Nazis, ele e os seus amigos conduziram em parada uma bandeira de Churchill e de Estaline, embora, até àquela data, tivessem escarnecido muito do primeiro. Dizia-se na bandeira: «Caminhemos juntos com Churchill e Estaline». Hyde perguntou ao seu camarada: «O que sentias quando conduzias a bandeira de Churchill?». «Descontentamento! Mas nós derrubaremos este diabo quando ele tiver salvo a União Soviética».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Cartas de um diabo ao seu aprendiz


É muito recomendável o inapreciável trabalho de C. S. Lewis, professor de filosofia da Universidade de Oxford, Cartas de Broca, que tirou vinte e cinco edições em cinco anos. É uma série hipotética de cartas entre um tio velho, diabo, no Inferno, cujo nome é Broca, e um sobrinho, diabo, na Terra, que dá pelo nome de Réptil. Este esforça-se por ganhar a alma de um estudante seu colega e está em constante comunicação com o seu tio Broca sobre a melhor maneira de arruinar o rapaz. Por vezes Broca fala do «Inimigo» que é Deus. O contexto do livro é diabólico, e portanto o inverso da verdade; mas está apresentado de tal maneira, que se principia logo a ver a falácia do método demoníaco. Ao leitor, em vez de lhe ensinar o que é bom, ensinam-se-lhe os caminhos que conduzem firmemente à ruína. Entre outras sugestões encontram-se estas: Broca diz ao Réptil que deve deixar de argumentar com o colega sobre se as coisas são verdadeiras ou falsas, o que, di-lo ele, é o caminho do «Inimigo». Há poucos séculos, afirma ele, as pessoas estavam mais interessadas em saber se uma coisa se podia provar ou não. E diz-lhe mais: «Não percas tempo a fazer-lhe pensar – ao jovem – que o materialismo é verdadeiro. Mas diz-lhe antes que é a filosofia do futuro, ou que é progressivo, e que deve evitar tornar-se um reaccionário ou um medievalista». Broca também recomenda que o homem crédulo, sentimental, seja alimentado com poetas menores e com novelistas de quinto plano, até acreditar que o amor é irresistível, que toda a repressão é um erro, e que a bênção nupcial é uma ofensa.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

O homem mau e o homem perverso


A culpa segue-o sempre como a sombra. Chega a um ponto em que deixa de ser homem mau para se tornar homem perverso. O homem mau fará coisas erradas, tais como enganar, roubar, difamar, matar, violar; mas ainda assim, admitirá a existência da lei. Andará fora da estrada, mas não deitará fora o mapa que a representa. O homem perverso pode não fazer nenhuma destas coisas más, porque se interessa mais pelo abstracto em vez do concreto. O seu desejo é o de destruir completamente a bondade, a religião e a moralidade, com um fanatismo louco. Justificará na sua vida o falso desejo de Nietzsche: «Maldade, sê tu o meu bem». Procura fazer uma transmutação de valores em que a noite pareça dia e o dia pareça noite; o bem pareça o mal e o mal pareça o bem.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.


Cristo é Deus da Verdade


Uma vez que tenhamos uma razão moral para acreditar em Cristo, então esta certeza torna-se mais forte do que todas as razões. Assim como uma criança acredita na sua mãe e um aluno no seu professor, assim a mais alta forma de crença se torna possível, especialmente porque acreditamos o que Deus revelou por intermédio do Seu Divino Filho; pois Deus não se engana, não pode ser enganado, nem pode enganar. Sobre este assunto não há que escolher. Rejeitar uma verdade é rejeitar a autoridade de Quem oferece estas verdades.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

A realidade e a fantasia "intramuros"


Se é a linha do Partido que determina o que é a verdade, e não a realidade, segue-se daqui que o mundo real deve estar separado dos que são escravos do Comunismo. Aquela mãe que sempre desejou uma menina, pode vestir o seu petiz como tal, encaracolar-lhe o cabelo, trazê-lo sempre de saias e fazê-lo acreditar que no mundo só existem meninas. Esta é a «linha do Partido» ou do «mito». Mas para a sustentar é preciso conservar sempre a criança isolada do mundo real. Doutro modo a linha do Partido provaria ser falsa. A necessidade de uma cortina de ferro para fechar o mundo real, torna-se necessária devido ao mito. O que o rapazinho precisa de descobrir para se sentir decepcionado com a linha do Partido da sua mãe, é ver outros rapazinhos. A Cortina de Ferro na Europa e a Cortina de Bambu na China, são a prova de que o isolamento da Rússia é preciso para a conservação do mito de que a URSS é um paraíso, afastando-a do verdadeiro contacto com o resto do mundo. Se não existisse a Cortina de Ferro, qualquer homem poderia medir-se pela realidade, isto é, pelo que se passava fora da Rússia.
Nada é mais grave para o Partido do que um escravo quebrar a casca e verificar que fora dela também há galinheiros e galinhas. (...) Os milhões de soldados que desertaram do exército soviético durante a Segunda Guerra Mundial provaram que ao contacto com a realidade ficaram desiludidos com o seu mito.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

A Verdade e a "verdade" do Partido


Perguntaram a um missionário na China: «O que é a verdade?». Depois de a explicar, o juiz comunista respondeu: «Não! A verdade é o que diz o Partido!». Daqui, o que hoje dizemos, ser "verdadeiro" para hoje. O que dissermos amanhã, embora seja ao contrário do que se disse ontem, será o "verdadeiro" da altura. A táctica segue a situação histórica de dado período. Como disse Lenine: «Para conseguirmos a revolução no mundo devemos empregar todos os estratagemas, manobras, métodos ilegais, mentiras e subterfúgios».

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Catolicismo não é sinónimo de Sentimentalismo

Cristo não veio para nos tornar pessoas simpáticas. Ele veio para nos tornar homens novos.

A civilização moderna separou Cristo da Cruz, tomou-O sem ela e fê-l'O um moralista sentimental como Buda.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

A fuga à Verdade


A bondade, o patriotismo, a honestidade e a lealdade estão a perder as suas batalhas, não por conflito, mas por desistência. Muitos daqueles que são chamados a ser os defensores do que é certo, não são feridos em batalha, eles fogem.

Mons. Fulton Sheen in jornal «The Lewiston Daily Sun», 14 de Julho de 1973.

Para salvar o mundo, há que salvar as almas


Se as almas não forem salvas, nada se salvará. Não poderá haver paz no mundo, se não houver paz de alma. As guerras mundiais não passam de projecções dos conflitos travados dentro das almas dos homens modernos, pois nada acontece no mundo exterior que não haja primeiro acontecido dentro de uma alma.

Mons. Fulton Sheen in «Peace of Soul», 1949.

O ateísmo nasce do pecado, não da razão


O ateu moderno não descrê por causa do seu intelecto, mas por causa da sua vontade. Não é o conhecimento que o torna um ateu, mas a perversidade. A negação de Deus brota de um desejo do homem de não ter um Deus – da sua vontade de que não haja Justiça por trás do universo, de modo que as suas injustiças não receiem retribuição; do seu desejo de que não haja Lei, de modo que não possa ser julgado por ela; do seu querer que não haja Bondade Absoluta, para que ele possa continuar a pecar com impunidade. É por isso que o ateu moderno se mostra sempre encolerizado quando ouve dizer alguma coisa a respeito de Deus e da Religião. Seria incapaz de tal ressentimento, se Deus fosse apenas um mito. O seu sentimento para com Deus é o mesmo que um homem mau tem para com alguém a que ele fez um mal. Desejaria que estivesse morto de modo que nada pudesse fazer para vingar o mal. O que atraiçoa a amizade sabe que o seu amigo existe, mas deseja que ele não existisse. O ateu pós-cristão sabe que Deus existe, mas deseja que Ele não existisse.

Mons. Fulton Sheen in «Angústia e Paz», 1949.

Liberdade ilimitada, náusea ilimitada


Quando os homens só cuidam de si próprios, acabam por a si próprios se odiarem. Quando os homens fazem tudo quanto querem, acabam por odiar o que fazem. Não tendo quem se lhe atravesse no caminho, atravessam-se eles próprios no seu caminho e acabam por não saber que caminho levam. Incapazes de serem deles próprios companhia amiga, de ninguém o podem ser e nenhuma outra companhia são capazes de suportar.
Não é por mero acaso que estes modernos tempos que são os nossos, à força de acreditarem e proclamarem a liberdade ilimitada de cada homem, acabaram por proporcionar a cada um a desilusão ilimitada e a náusea ilimitada.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953.

Lenine e São Francisco de Assis

 

Lenine, por exemplo, foi uma antítese de São Francisco de Assis, tal qual São Francisco de Assis havia sido uma antítese de Lenine. Foi a ideia de violência o ponto de partida e o critério de ambos, com a diferença de que Lenine acreditava e desejava a reforma social mediante o uso da violência contra uma classe, e São Francisco de Assis acreditou e ambicionava a reforma social mediante o uso da violência contra ele próprio e de cada homem contra si próprio.
Tinham ambos razão quanto ao ponto de partida: a violência. «O Reino dos Céus conquista-se pela força, e alcançam-no os que empregam a força» (Evangelho de São Mateus, 11, 12). A diferença, porém, entre Lenine e São Francisco de Assis estava na direcção em que essa violência se devia empregar.
O amor e o ódio provêm da mesma paixão, assim como a alegria e a dor da mesma fonte de lágrimas: a diferença também provém do motivo e do objecto do amor ou do ódio, do riso ou da tristeza.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953.

Os cristãos nasceram para o combate


É uma ilusão supor que a guerra é sempre um erro e que o mundo se poderá ver livre dela. Isto é falso. A guerra deve existir sempre; mas não a guerra exterior: a interna. Quando travamos guerra, contra o mal em nós, diminuem ao mesmo tempo as guerras exteriores. A razão por que vivemos num século de guerras exteriores é a de nos descurarmos no travar da batalha interior contra as forças que destroem a mente e a alma. Aquele que não descobrir o inimigo dentro de si, encontrá-lo-á, sem dúvida alguma, fora. O que se passar na mente, passar-se-á em seguida no mundo. Se a mente estiver no erro, então o mundo será uma loucura.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar».

O mundo e a mediocridade

Andar na corda bamba.

O mundo gosta do que é medíocre, e assim é que tanto odeia o que é extremamente bom, como o que é demasiadamente mau. O que é muito bom, constitui vergonha para o medíocre, e o que é muito mau afigura-se-lhe aborrecimento e até perigo.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953.

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Marxismo e Ateísmo


Marx não foi primeiro um comunista e depois um ateísta. Foi primeiro um ateísta e depois um comunista. O comunismo era uma mera expressão do seu ateísmo. Assim como odiava Deus, odiava também aqueles que possuíam propriedades. Eis o que ele escreveu: "O que o Ateísmo é para o pensamento, o Comunismo é-o para a acção social". A sua relação intrínseca explica-se deste modo: "O Comunismo principia onde principia o Ateísmo". Quando uma pessoa é desenraizada espiritualmente pelo ateísmo, fica preparada para economicamente ser desenraizada pela destruição da propriedade privada. O comunismo não nasceu do pensamento: nasceu do ódio, o ódio pelo que o homem é, um filho de Deus; e o ódio pelo que o homem possui, em especial a propriedade, garantia da sua liberdade económica. Fundi estes dois ódios e fazei com eles uma teoria, e aí tereis a filosofia comunista.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

O declínio da autoridade


Se é certo que o Mundo perdeu o respeito da autoridade, isso se deve ao facto de o ter perdido, primeiro, na família. Por um singular paradoxo, à medida que o lar ia perdendo a sua autoridade, a autoridade do Estado ia-se, por sua vez, tornando tirânica. Muitos são, hoje, os homens que tendem a inchar, sem conta, peso, nem medida, a sua personalidade.

Mons. Fulton Sheen in «O Primeiro Amor do Mundo».