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O Ministério preferido da Maçonaria


O senador Alexandre Rossi, interpelando o Presidente de Ministros acerca da Maçonaria, declarou e acusou-a de que o seu Ministério predilecto é o da Instrução Pública. A Maçonaria prefere este Ministério a todos os demais para fazer dele o mais forte baluarte na guerra contra Deus e contra o Género Humano, começando pela revolução das ideias [*]. Nenhum maçon ousou negá-lo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 19, Julho de 1896.


[*] A este respeito, lembremos as palavras do Papa Leão XIII na encíclica Humanum Genus.

Da importância de uma boa educação católica


E na carta que acompanhava a representação acerca dos seus intentos, dizia ele [D. Frei Caetano Brandão]:
Tomara que os Soberanos se desenganassem, que é este o meio mais próprio e eficaz de acudir a uma e outra república [= Estado civil e eclesiástico]. Façam o que fizerem, enquanto se não cuidar efectivamente na educação da plebe, verão perpetuada a cadeia das desordens; porque, enfim, é grande loucura esperar que venha a ser melhor a futura geração, se a não fornecermos de outros recursos, que não teve a nossa.

António Silva Gaio in «D. Frei Caetano Brandão: drama em cinco actos com um escorço biográfico», 1869.

Da falsa educação e a corrupção da infância


Das estatísticas criminais em França, se colhe que dentro de 20 anos, o número dos criminosos menores triplicou e subiu de 11.000 a 30.000; em 50 anos, de 1836 a 1889, o número dos suicídios dos mesmos quadruplicou. E os crimes e os suicídios se vão multiplicando mais, ao passo que a desmoralização avança e se vai encarnando na sociedade. Esta desmoralização é devida em sua maior parte à irreligiosa e falsa educação que é subministrada pelas escolas leigas em França. É esta a funesta influência da educação sem Deus.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 1º Ano, Nº 12, Dezembro de 1895.

O diabo nas Câmaras


Alban Stolz, alemão, dizia em 1845: «Se fosse eu o diabo, e o povo me elegesse para deputado, só apresentaria às Câmaras uma proposta que atulharia o Inferno de clientes: Proporia a completa separação das escolas da Igreja.»
Em quantos deputados não está o demónio encarnado!...

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 15, Março de 1896.

Frutos da educação maçónica


O ensino ministrado pela franco-maçonaria está em perfeita concordância com seu espírito.
Mas porque lhe é impossível ministrar sua doutrina por pessoas que não pertençam às lojas ou delas dependam, tem-se esforçado em acabar com as escolas católicas para as substituir por escolas leigas ou ateias.
E tem colhido abundantes frutos de tão perniciosas doutrinas.
A estatística dos crimes e delitos dos menores mostra que a corrupção triplicou em 55 anos. Em 1841 eram 13.418 os menores criminosos, e em 1896 são 36.036. Por isso Guillot, juiz do tribunal do Sena, falando do número sempre crescente dos crimes dos menores, diz: «Com a religião vão-se muitas vezes todos os outros ideais. A pátria, a família, o dever, são apenas palavras que fazem sorrir, como faz sorrir a palavra "religião". Nunca o cinismo, a ferocidade dos jovens cresceu a tal ponto. Nenhum homem sincero, sejam quais forem as suas opiniões, pode dissimular que o terrível aumento da criminalidade nas crianças coincidiu com a mudança feita no organismo da instrução pública
E Henrique Fouquier também escreveu: «A nova geração conheceu os benefícios da educação leiga e obrigatória. Esta geração me assusta. Sinto vir como que um desencadeamento da barbárie.»
Eis os tristes resultados do ensino sem Deus, do ensino maçónico e anti-cristão.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 20, Agosto de 1896.

Da deseducação maçónica


A seita concentra também todas as suas energias e todos os seus esforços em se apoderar da educação da juventude. Os mações esperam poder facilmente formar de acordo com suas ideias essa idade tão tenra, e dobrar-lhe a flexibilidade no sentido que eles quiserem, nada devendo ser mais eficaz do que isso para preparar à sociedade civil uma raça de cidadãos tal como eles sonham dar-lhe. É por isso que, na educação e na instrução das crianças, não querem eles tolerar os ministros da Igreja, nem como censores, nem como professores. Já em vários países eles conseguiram fazer confiar exclusivamente a leigos a educação da juventude, como também proscrever totalmente do ensino da moral, os grandes e santos deveres que unem o homem a Deus.

Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.

A Maçonaria e a deseducação da juventude


A seita concentra também todas as suas energias e todos os seus esforços em se apoderar da educação da juventude. Os mações esperam poder facilmente formar de acordo com suas ideias essa idade tão tenra, e dobrar-lhe a flexibilidade no sentido que eles quiserem, nada devendo ser mais eficaz do que isso para preparar à sociedade civil uma raça de cidadãos tal como eles sonham dar-lhe. É por isso que, na educação e na instrução das crianças, não querem eles tolerar os ministros da Igreja, nem como censores, nem como professores. Já em vários países eles conseguiram fazer confiar exclusivamente a leigos a educação da juventude, como também proscrever totalmente do ensino da moral, os grandes e santos deveres que unem o homem a Deus.

Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.

O dever moral de regressar ao campo


Há 41 anos Monsenhor Lefebvre deixava-nos um sério aviso. Mas hoje as coisas estão piores:

E desejo que, nestes tempos conturbados, nesta atmosfera deletéria em que vivemos nas cidades, vós retorneis à terra assim que possível. A terra é saudável, a terra ensina a conhecer Deus, a terra reaproxima de Deus, ela equilibra os temperamentos, os caracteres, ela incentiva as crianças ao trabalho.
E se necessário, vós próprios fareis a escola dos vossos filhos. Se as escolas corrompem os vossos filhos, o que vão fazer? Entregá-los aos corruptores? Àqueles que ensinam práticas sexuais abomináveis na escola? Às escolas "católicas" de religiosos e religiosas onde o pecado é ensinado, sem mais nem menos? Na prática, ao ensinar isso às crianças, eles corrompem-nas desde cedo. E vós aceitais isso? É impossível! Melhor será que os vossos filhos sejam pobres, melhor será que os vossos filhos vivam longe de toda esta ciência aparente do mundo, mas que sejam bons filhos, filhos cristãos, filhos católicos, filhos que amem a sua santa religião, que amem rezar e que amem trabalhar, que amem a natureza que o bom Deus fez.

D. Marcel Lefebvre in «Sermão do Jubileu Sacerdotal», 23 de Setembro de 1979.

Dos revolucionários de 1834 e de 1910


Em Portugal somos hoje um povo medonhamente deseducado pela inepta pedagogia que nos intoxica desde o princípio do século XIX até os nossos dias.
O Marquês de Pombal teve a previsão desta crise quando por ocasião da expulsão dos Jesuítas ele procurou explicar que o aniquilamento da Companhia de Jesus não decapitaria a educação nacional porque os eruditos padres da Congregação do Oratório vantajosamente substituiriam como educadores os Jesuítas expulsos. (...)
Vieram, porém, mais tarde os revolucionários liberais de 34, os quais condenaram, espoliaram e baniram os padres da Congregação do Oratório, como Pombal espoliara e banira os padres da Companhia de Jesus.
A obra liberal de 1834 – convém nunca o perder de vista – foi inteiramente semelhante à obra republicana de 1910. Nos homens dessas duas invasões é idêntico o espírito de violência, de anarquismo e de extorsão. Dá-se, todavia, entre uns e outros uma considerável diferença de capacidade.
Os de 34, de que faziam parte Herculano, Garrett e Castilho, eram espíritos oriundos da Academia da História, da livraria das Necessidades e do colégio de S. Roque. (...)
Os novos revolucionários de 1910, com excepção honrosa dos que não sabem ler, não tiveram por decuriões senão os seus predecessores revolucionários liberais de 34. E daí para trás – o que quer dizer daí para cima – nunca abriram um livro com medo da infecção clerical, porque todos eles acreditam com fetichístico ardor que o clericalismo é o inimigo, segundo a fórmula célebre com que o príncipe de Bismarck conseguiu sugestionar Gambetta para a irremediável desmembração moral da França.

Ramalho Ortigão in «Últimas Farpas», 7 de Setembro de 1914.

O mal do seguidismo

Cegos guiando cegos

Torno à ideia que lhe queria dar da Lógica. Digo, pois, que o método de filosofar não se deve seguir, porque o diz este, ou aquele autor: mas porque a razão e experiência mostram que se deve abraçar. Isto é o que eu não posso meter na cabeça a muita gente: porque a maior parte do mundo não examina os princípios das coisas; mas vão uns detrás dos outros como carneiros; sem mais eleição que o costume: e antes querem errar, por cabeça alheia, que acertar pela própria. Persuadem-se que os autores não podem ensinar coisa alguma má: e recebem os tais ditames com a possível veneração. Nenhum toma o trabalho de examinar, se a opinião é boa, ou má: uma vez que a disseram os antigos mestres, é o que basta.

Pe. Luís António Verney in «Verdadeiro método de estudar para ser útil à República e à Igreja: proporcionado ao estilo e necessidade de Portugal», 1746.

Sobre a educação dos filhos


Amar é querer algum bem à pessoa amada. Os pais que repreendem e castigam a seus filhos, que lhes apertam o freio em seus apetites, que lhes quebram as suas próprias vontades, que velam sobre as companhias em que andam, exercícios em que se ocupam, e que fazem os mais ofícios de uma boa e solícita educação, o que com isto pretendem para seus filhos é, quanto ao temporal, que logrem vida, saúde e honra, e boa opinião, e tenham préstimo para os ofícios públicos e honrosos, etc.; e quanto ao espiritual, o que pretendem é que tenham virtude e a graça de Deus, e ultimamente consigam o morgado da felicidade eterna.
Pelo contrário, os pais que se descuidam desta boa educação, o que podem pretender, quanto ao temporal, é que os filhos vivam a seu gosto, sem coisa que os contriste ou penalize, que comam, e bebam, e galem, e engordem, e passem, e se façam temidos, ou célebres, ou invejados por algumas prendas naturais, ou pelas riquezas. Quanto ao espiritual nada pretendem; descuidando-se disso totalmente, e deixando-o à comum Providência de Deus; e o que a experiência quotidiana mostra resultar daqui, são muitas desgraças do corpo e da alma, brigas, encontros, mortes, amizades torpes, gastos excessivos, prisões, doenças, desterros, parcialidades, glutonarias, casamentos infelizes e indecorosos, até que amontoando-se pecados sobre pecados, se vem a incorrer na perdição eterna.
Pois perguntara eu agora, qual destes pais ama verdadeiramente a seu filho? De tal sorte formou Deus o nosso entendimento, que proposta ante seus olhos a luz da razão, não possa deixar de reconhecê-la. Claro está que aquele primeiro pai tem amor verdadeiro a seu filho; e que este segundo lhe tem amor falso, com os mesmos efeitos, que se fora ódio fino: Qui parcit virgae, odit filium suum; qui autem diligit illum, instanter erudit illum. O primeiro livra-lhe a sua alma do inferno, ao mesmo tempo que o castiga: Tu virga percuties eum, et animam ejus de inferno liberabis. O segundo ao mesmo tempo que o anima, o vai precipitando no inferno, como cavalo a quem se solta a rédea: Equus indomitus evadit durus, et filius remissus evadet praeceps.

Pe. Manuel Bernardes in «Discurso sobre a Educação», 1908 (póstumo).

A Igreja e a Juventude (II)



Os discursos de Paulo VI aos jovens

Todas as razões desta juvenilização do mundo contemporâneo, compartilhada pela Igreja, encontram-se no discurso de Abril de 1971 a um grupo de hippies reunidos em Roma para se manifestar pela paz. O Papa assinala com louvores os valores secretos que procuram os jovens, e enumera-os.
Em primeiro lugar a espontaneidade, que ao Papa não parece estar em contradição com a intenção de pretendê-la, pese ao facto de que se se procura a espontaneidade esta deixa de ser espontânea. Não lhe parece estar em contradição, nem sequer com a moralidade, embora esta, por ser uma intencionalidade consciente, se sobreponha à espontaneidade e possa contradizê-la.
O segundo valor da juventude é a libertação de certos vínculos formais e convencionais. O Papa não diz quais são. Além disso, as formas são a aparência da substância: são a própria substância em manifestação, a sua presença no mundo. E o convencional é o concordado, isto é, o que se acorda, e é bom, se é um acordo sobre coisas boas.
O terceiro é a necessidade de serem eles mesmos. Mas não se esclarece qual é o "Eu" que o jovem deve realizar e no qual deve reconhecer-se: de facto, numa natureza livre existe uma pluralidade de "Eus", modificável em todas as formas possíveis. O "Eu" verdadeiro não exige que o jovem se realize de qualquer maneira, mas que se transforme e se converta em algo além de si mesmo. Além disso, as palavras do Evangelho não admitem interpretação: abneget semetipsum (renuncie-se a si mesmo) (Lucas 9, 23). O próprio Papa no dia anterior havia exortado à metanóia. Em que ficamos, então? Realizar-se ou transformar-se?
O quarto é o impulso a viver e interpretar a sua própria época. No entanto, o Papa não dá aos jovens a chave para interpretar o seu tempo; nem assinala que, segundo a religião, na brevidade do seu próprio tempo o homem não deve procurar o efémero, mas o fim último que permanece através de todo o efémero.
Tendo desenvolvido o discurso sem nenhuma explicação religiosa, Paulo VI conclui de forma surpreendente: Nós pensamos que, nesta vossa busca interior, vós percebeis a necessidade de Deus. Na verdade, o Papa fala aqui opinativamente e não magisterialmente.
A semiologia da juventude feita pelo Papa no discurso de 3 de Janeiro de 1972 é ainda mais claramente antitética à tradicional católica. Descrevem-se como qualidades positivas o natural desinteresse pelo passado, a crítica fácil, a previsão intuitiva. Estas características não convêm à verdadeira psicologia da juventude, e não são positivas.
Separar-se do passado é uma impossibilidade moral, histórica e religiosa: basta dizer que para o cristão toda a sua vida e todo o seu compromisso na vida depende do baptismo, que é um antecedente; e o baptismo, por sua vez, da família, outro antecedente; e a família, finalmente, da Igreja, que constitui o antecedente último.
Que a juventude tenha sentido crítico (ou seja, juízo de discernimento) é difícil de sustentar se se reconhece a evolução na formação do homem, se se distingue o momento de imaturidade face ao maduro, e se se admite que inicialmente o sujeito se encontra numa situação na qual deve converter-se no que ainda não é.
Finalmente, a previsão é coisa novíssima na psicologia, que sempre reconheceu ao jovem um tardus previsor (Horácio, Ars poet. 164): alguém que vê tardiamente não apenas os acontecimentos do mundo, mas também a sua própria utilidade. Na realidade, temeritas est florentis aetatis, prudentia senescentis [mocidade temerária, prudência na velhice] (Cícero, De senectute, VI, 20).
Mas o entusiasmo por Hebe leva o Pontífice a proclamar que vós podeis estar na vanguarda profética da causa conjunta da justiça e da paz porque vós, antes e mais do que os demais, tendes o sentido da justiça, e todos (os não-jovens) estão a vosso favor: estes como triários, os jovens como vanguardistas.
Não é difícil descobrir no discurso juvenilizante de Paulo VI à Boys Town uma singular inversão das naturezas, pela qual quem deve guiar é guiado, e o imaturo é exemplo para o maduro. A atribuição à juventude de um sentido inato da justiça não tem fundamento em nenhuma semiologia católica. Certamente a comoção do seu ânimo (contagiado pelo temperamento juvenil) inclinou o Papa para uma doxologia da juventude. Esta mesma inclinação ao entusiasmo efébico, conduziu-o noutra ocasião a mudar a letra do texto sagrado, lendo os jovens onde está escrito as crianças (Mateus 21, 15), em apoio à afirmação segundo a qual foi a juventude quem intuiu a divindade de Cristo (OR, 12 de Abril de 1976).

Mais sobre a juvenilização da Igreja. Os bispos suíços.

Para demonstrar que o culto de Hebe não é apenas algo próprio do Papa, mas que está difundido em todas as ordens da Igreja, não citarei as quase infinitas obras de clérigos e leigos, mas um documento da Conferência Episcopal Suíça para a festa nacional de 1969. Nele é dito que o protesto juvenil leva consigo valores de autenticidade, de disponibilidade, de respeito pelo homem, de rejeição da mediocridade, de denúncia da opressão: valores que, bem vistos, se encontram no Evangelho.
É fácil constatar como os bispos suíços pecam por indeterminação lógica.
A autenticidade, no sentido católico, não consiste em apresentar-se como naturalmente se é, mas em fazer-se como se deve ser: ou seja, em última instância, consiste na humildade.
A disponibilidade é em si mesma indiferente e será classificada como boa somente em função do bem face ao qual o homem se encontra disponível.
O respeito pelo homem exclui o desprezo pelo passado do homem e o repúdio da Igreja histórica.
A rejeição da mediocridade, à parte de pecar por indeterminação (mediocridade em quê?), opõe-se à sabedoria antiga, à virtude de resignação e à pobreza de espírito.
E que estamos na presença de novas metas humana e religiosas é uma afirmação que privilegia o novo enquanto novo, e esquece que não há outra criatura nova à parte da refundada pelo Homem-Deus, nem outras metas diferentes às prescritas por Ele.
Depois, os bispos chegam até a apontar os jovens como um sinal dos tempos e como a própria voz de Deus ante toda a cristandade contemporânea, mas esse composto de palavras revela-se um absurdo pela adulação desmesurada, e ainda mais absurdo do que o vox populi vox Dei, porque faz de um movimento em grande parte irreflexivo, um órgão da vontade divina e quase um texto da divina Revelação.
Também vai contra o princípio católico da humildade e da obediência louvar que os jovens queiram ser protagonistas, já que a Igreja não é só dos jovens, e nem todos podem vir a prevalecer: este protagonismo desconhece os direitos dos demais. Reconhecer aos demais é o princípio da religião, à parte do princípio da justiça.
Concluindo esta análise da nova conduta do mundo e da Igreja face à juventude, notaremos que também aqui foi realizada uma alteração semântica, convertendo-se os termos paternal e paternalista em termos pejorativos: como se a educação do pai (enquanto pai) não fosse um exercício excelente de sabedoria e de amor, e como se não fosse paternal toda a pedagogia com a qual Deus educou o género humano no caminho da salvação.
Como não ver que num sistema onde o valor é baseado na autenticidade e na rejeição de toda imitação, a primeira rejeição será à dependência paterna? Apesar dos eufemismos de clérigos e laicos, o certo é que a juventude é um estado de virtualidade e de imperfeição, e não pode ser considerada como um estado ideal nem tomada como modelo.
Além disso, o valor da juventude existe enquanto é futuro e esperança do futuro, de tal modo que diminui e desaparece quando o futuro se realiza.
A fábula de Hebe converte-se na fábula de Psique. Se se diviniza a juventude, conduz-se ao pessimismo, porque se obriga a desejar uma perpetuação impossível. A juventude é um projecto de não-juventude, e a idade madura não deve ser modelada por ela, mas sim pela sabedoria da maturidade.
Nenhuma idade da vida têm como modelo o seu próprio devir para outra idade. Na realidade o modelo para cada uma é dado pela essência deontológica do homem, que deve ser procurada e vivida, e é idêntica para todas as idades da vida. Também aqui o espírito de vertigem impulsiona o dependente para a independência e ao insuficiente para a auto-suficiência.

Romano Amerio in «Iota Unum», 1985.

A Igreja e a Juventude (I)


Mudança na Igreja pós-Conciliar em relação à juventude. Delicadeza da obra educativa.

Outros aspectos da realidade humana também são contemplados com visão distinta pela Igreja após o Concílio. Da nova consideração sobre a juventude, existia já um sinal indirecto na deminutio capitis infligida à ancianidade na Ingravescentem aetatem de Paulo VI. Mas outros documentos expressam directamente este novo ponto de vista.
A filosofia, a moral, a arte e o senso-comum, ab antiquo até ao nosso tempo, consideraram a juventude como uma idade de imperfeição natural e de imperfeição moral. Santo Agostinho, que no sermão Ad iuvenes escreve flos aetatis, periculum tentationis (P.L. 39, 1796), insistindo depois na imperfeição moral chega a chamar estultícia e loucura ao desejo de repuerascere.
Devido à debilidade da sua razão, ainda não consolidada, o jovem é cereus in vitium flecti (Horácio, Ars poet., 163) e a sua menoridade reclama um tutor, um conselheiro e um mestre. Com efeito, faz-lhe falta luz para dar-se conta do destino moral da vida, assim como uma ajuda prática para transformar-se e moldar as inclinações naturais da pessoa sobre a ordem racional. Esta ideia foi colocada como fundamento da pedagogia católica por todos os grandes educadores, desde São Bento de Núrsia a Santo Inácio de Loiola, de São José de Calasanz até São João Baptista de La Salle ou São João Bosco.
O jovem é um sujeito na posse de livre-arbítrio e deve ser formado para exercê-lo de maneira que, escolhendo o cumprimento do dever (a religião não dá à vida outro propósito), se determine a si mesmo escolher esse unum, para o qual precisamente nos é dada a liberdade. A delicadeza da acção educativa deriva de ter como objecto um ser que é um sujeito, e como fim a perfeição deste. Em suma, é uma acção sobre a liberdade humana, que não a limita, mas que a produz. Sob este aspecto, a acção educativa é uma imitação da causalidade divina, a qual, segundo a doutrina tomista, produz a acção livre do homem precisamente enquanto livre.
A conduta da Igreja face à juventude não pode, por conseguinte, prescindir da oposição entre os seguintes elementos correlativos: quem é imperfeito ante quem é perfeito (relativamente, entenda-se), e quem não sabe, e portanto aprende, ante quem sabe (relativamente, entenda-se). Não pode deixar-se de lado a diferença entre as coisas e tratar os jovens como maduros, aos proficientes como perfeitos, aos menores como maiores, e, em última análise, ao dependente como independente.

Características da juventude. Crítica da vida como alegria.

Também em relação à juventude, a profunda doutrina tomista da potência e do acto serve de guia ao estudioso das realidades humanas, sustentando-a na busca das características essenciais desta idade da vida, e preservando-a do desvio que a conduzem as opiniões hoje dominantes.
Sendo a juventude uma vida incipiente, é necessário que compreenda e lhe seja explicado o todo da vida, isto é: o fim no qual a virtualidade do incipiente deve realizar-se, e a forma na qual a potência deve desenvolver-se. A vida é difícil, ou se quiser, séria. Em primeiro lugar, porque o homem é uma natureza débil, em combate com a sua finitude no meio da finitude de outros homens e da finitude das coisas (que tendem a invadir-se mutuamente).
Em segundo lugar (e isto é um dado de fé católica), o homem está corrompido e tende ao mal. E a causa das más inclinações, a condição da vida humana, atraída por motivos opostos, é uma condição de milícia, ou melhor, de guerra, ou melhor ainda, de cerco.
A vida é difícil, e as coisas difíceis são as coisas interessantes, porque o interessante está situado na essência (inter-est), dada como potência e que quer sair e explicitar-se.
O homem não deve realizar-se (como se costuma dizer), mas sim realizar os valores para os quais foi criado e que exigem a sua transformação. E é curioso que apesar da teologia pós-conciliar utilizar a palavra metanóia, que quer dizer transformação da mente, dê tanta ênfase à realização de si mesmo. Seguir as inclinações é suave; castigar o próprio Eu para o moldar, é duro. Tal dureza foi reconhecida na filosofia, na poesia gnómica, na política, no mito. Todo o bem é adquirido ou conquistado com fadiga. Os deuses, disse o sábio grego, interpuseram o suor entre nós e a virtude, e afirma Horácio: multa tulit fecitque puer, sudavit et alsit (Ars poet. 413). Que a vida humana é combate e fadiga era um lugar-comum da educação antiga e a letra épsilon converteu-se no símbolo disso, não a de dois braços igualmente inclinados, mas a pitagórica com um braço recto e outro inclinado. A antiguidade formou sobre ela a divulgadíssima fábula de Hércules na encruzilhada.
Hoje apresenta-se a vida aos jovens de um modo não realista, como alegria, substituindo a alegria da esperança que serena o ânimo in via, pela alegria plena que o apaga somente in termino. Nega-se ou dissimula-se a dureza do viver humano, descrita em tempos como vale de lágrimas nas orações mais frequentes. E depois, com essa mudança, apresenta-se a felicidade como o estado próprio do homem, constituindo assim algo que lhe é devido, o ideal consiste em preparar aos jovens uma senda livre de todo o obstáculo e sofrimento (Purg., XXXIII, 42).
Por isso, aos jovens, parece uma injustiça qualquer obstáculo que lhes surge, e não consideram as barreiras como uma prova, mas como um escândalo. Os adultos abandonaram o exercício da autoridade para deste modo agradar-lhes, porque crêem que não podem ser amados se não se comportam com suavidade e não lhes concedem os seus caprichos. A eles é dirigida a admoestação do Profeta: Vae quae consuunt pulvillos sub omni cubito manus et faciunt cervicalia sub capite universae aetatis ad capiendas animas (Ez. 13, 18).


Romano Amerio in «Iota Unum», 1985.

§

Tradução das expressões latinas mais relevantes:
Deminutio capitis – Diminuição de capital.
Ab antiquo – Da antiguidade.
Ad iuvenes – Aos jovens.
Flos aetatis, periculum tentationis – Flor da idade, perigosas tentações.
Repuerascere – Rejuvenescimento.
Cereus in vitium flecti – Cera inclinada pelo vício.
Inter est – Entre o ser.
Multa tulit fecitque puer, sudavit et alsit – Suportou e fez muito quando menino, suou e passou frio.
Vae quae consuunt pulvillos sub omni cubito manus et faciunt cervicalia sub capite universae aetatis ad capiendas animas – Ai daquelas que cosem almofadas para todos os cotovelos e fazem travesseiros para as cabeças de pessoas de todas as idades, a fim de lhes apanharem as almas!

Um ensino laico?


Foi dito que o aperfeiçoamento da instrução, tornando mais culto e esclarecido o povo, tê-lo-ia prevenido suficientemente contra as más tendências e o conservado nos limites da honestidade e da rectidão. Entretanto, a dura realidade torna evidentes os resultados da instrução destituída de uma sólida educação religiosa e moral. As inteligências jovens, na sua inexperiência e no arrebatamento das paixões, deixam-se fascinar pelas máximas perversas, particularmente pelas que o jornalismo indisciplinado não hesita em semear com largueza, e que, pervertendo a mente e a vontade, alimentam o espírito de orgulho e insubordinação, que perturba frequentemente a paz da família e da sociedade.

Papa Leão XIII in «Parvenu à la vingt-cinquième année», 1902.


Doutrina católica sobre o ensino público


Que lugar deixa a doutrina da Igreja ao Estado, no ensino e na educação? A resposta é simples: tirando certas escolas preparatórias aos serviços públicos, como por exemplo as escolas militares, o Estado não é educador nem docente. A sua função, de acordo com o princípio de subsidiariedade aplicado por Pio XI na citação acima [encíclica Divini Illius Magistri], é promover a fundação de escolas particulares pelos pais e pela Igreja, e não substituí-los. A escola pública, o princípio de um "grande projecto nacional educativo", inclusive se não é laico e se o Estado não reivindica o monopólio da educação, é um princípio contrário à doutrina da Igreja.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar», 1987.

Liberdade de ensino e relativismo


Guardemos pois estas palavras do Papa [Leão XIII na encíclica Libertas]: o poder civil não pode dar nas escolas chamadas públicas o direito de ensinar Marx e Freud, ou o que é pior, dar licença de ensinar que todas as opiniões e doutrinas têm igual valor, que nenhuma pode reivindicar a verdade para si, que todas devem tolerar-se mutuamente; isto constitui a pior das corrupções do espírito: o relativismo.

Mons. Marcel Lefebvre in «Do Liberalismo à Apostasia: A Tragédia Conciliar».

Mente sã em corpo são


A educação é a formação do indivíduo, entendendo por isso o desenvolvimento integral e harmonioso de todas as suas faculdades. O homem possui inteligência e ela deve ser orientada pela verdade, possui vontade, que deve ser dirigida para o bem, possui corpo, que se deve tornar vigoroso e saudável... Quem encara a educação intelectual como um objectivo, está enganado... De pouco serve a ciência se não ajuda o homem a tornar-se melhor...

António de Oliveira Salazar in «A Minha Resposta», 1919.