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Como se resolve a questão do pauperismo


Perante a chaga do pauperismo que se alastra ingentemente por todas as nações, vem a propósito recordar como os Papas tinham organizada a beneficência pública, sobretudo os Montes Pios, que são de instituição eclesiástica, devendo a sua origem aos filhos de S. Francisco do século XV, e as Caixas Económicas. A comissão de assistência pública era formada por um Cardeal e dois Bispos, um deles o esmoler de S. Santidade. Estes compunham a lista dos pobres de Roma e por eles as esmolas eram repartidas equitativamente pelas 10 regiões da cidade. Distribuíam-se igualmente vestidos e medicamentos.
A comissão reunia todos os anos auxílios extraordinários provenientes de lotarias e outras fontes de receita.
Desde que os italianíssimos entraram em Roma, e que esta comissão deixou de funcionar, o pauperismo tornou-se uma chaga incurável e a emigração é cada vez mais numerosa.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», Nº 4, Abril de 1895.

A miséria das cidades


A miséria parece uma secreção do progresso, da civilização. Não é nos campos (até em plena crise), onde a vida é simples e sem ambições, que a miséria se torna aflitiva, dramática. A sua tragédia sem remédio desenvolve-se antes nas cidades, nas grandes capitais, tanto mais insensíveis e duras quanto mais civilizadas. A mecanização, o automatismo do progresso que transforma os homens em máquinas, isolam-no brutalmente substituindo os seus gestos e impulsos afectivos por complicadas e frias engrenagens. O homem das cidades, modelado, esculpido na própria luta com os outros que lhe disputam o seu lugar ao sol, é talvez, sem reparar, a encarnação do próprio egoísmo.

António de Oliveira Salazar in «Salazar: O Homem e a Sua Obra» de António Ferro, 1933.