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Ascensão: exposição dogmática, histórica e litúrgica


A segunda festa celebrada no Tempo Pascoal é a Ascensão, coroação de toda a vida de Jesus. Era mister que o Divino Ressuscitado, sem mais tocar a lama da nossa pobre terra, voltasse a Seu Pai, no seio do qual, como Deus, está de toda a eternidade e o qual acolheu Sua humanidade, diz S. Cipriano, «com alegria inexprimível em língua alguma». O Cristo devia tomar posse do Reino dos Céus, que adquirirá por Seus sofrimentos e, aí colocando «nossa frágil natureza à direita da glória de Deus», abrir-nos a casa de Seu Pai para podermos ocupar, como filhos de Deus, o lugar dos Anjos decaídos. Vencedor de Satanás e do pecado, Jesus entra no Céu: os Anjos aclamam e saúdam o seu Rei, as almas dos justos, libertas do Limbo, formam a Sua gloriosa escolta. «Eu vou preparar-vos um lugar» declarara Jesus aos Seus Apóstolos e S. Paulo afirma que «Deus nos fez assentar com Jesus no Céu», pois, «pela esperança já estamos salvos». «O corpo é chamado a penetrar onde a cabeça entrou», diz S. Leão. O triunfo de Jesus Cristo é o da Sua Igreja. Como o Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer a Deus o sangue das vítimas, na Lei Antiga, Jesus, diz o Apóstolo, entrou no Santo dos Santos da Jerusalém celeste, para ali oferecer o Seu próprio sangue, o sangue da Nova Aliança e alcançar-nos os favores de Deus. No dia da Ascensão, mostrando a Deus as Suas chagas gloriosas, Jesus começou o Seu sacerdócio celeste, «tornou-se o nosso intercessor junto ao Pai» e obteve-nos o Espírito Santo com os Seus dons. Complemento de todas as festas de Cristo, a Ascensão é o princípio da nossa santificação, «Ele eleva-Se ao Céu, canta o Prefácio, para tornar-nos participantes da Sua divindade». «Não basta ao homem, diz D. Guéranger, apoiar-se nos méritos da Paixão do Redentor, não lhe basta acrescentar a esta lembrança à da Ressurreição: o homem só se salva, unindo a esses dois mistérios um terceiro mistério, o da triunfante Ascensão d'Aquele que morreu e ressuscitou».

Quarenta dias depois da Ressurreição de Cristo, o Ciclo Pascoal celebra o aniversário do dia que marcou o termo do reino visível de Cristo na Terra. Os Apóstolos vindo a Jerusalém, para a festa de Pentecostes, estavam no Cenáculo quando Jesus lhes apareceu e com eles tomou uma última refeição. Em seguida conduziu-os fora da cidade para os lados de Betânia, ao Monte das Oliveiras, o mais alto dos que rodeiam a capital. Jesus abençoou os Apóstolos e elevou-Se aos Céus. Era meio-dia. Uma nuvem o escondeu aos olhares e, dois Anjos anunciaram aos discípulos que o Cristo, tendo subido ao Céu, desceria novamente no fim do mundo. Em memória do cortejo de Jesus e dos Apóstolos, fazia-se em Roma, à hora de sexta (meio-dia) solene procissão. O Papa, depois da celebração da Missa Pontifical em S. Pedro, dirigia-se com os Cardeais e os Bispos a S. João de Laterão: – Santa Helena mandou construir no Monte das Oliveiras uma basílica (no género do Santo Sepulcro) no lugar em que Jesus subira aos Céus. A basílica era aberta no alto, expressivo símbolo desse mistério. Arrasada pelos Muçulmanos, foi substituída no século XIII por um monumento medíocre.

A solenidade da Ascensão confundia-se outrora com a de Pentecostes, porque o Tempo Pascoal era considerado como um só dia de festa, começando na Páscoa para terminar por ocasião da descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. Mais tarde, porém, a Ascensão celebrou-se no quadragésimo dia depois da Ressurreição e teve a sua Vigília e Oitava. É festa de guarda. O rito simbólico que a caracteriza é a extinção definitiva do Círio Pascoal, cuja luz, durante a santa quarentena, figurava a presença de Jesus no meio de seus discípulos. Apaga-se o Círio depois da leitura do Evangelho do dia da Ascensão, que nos fala da partida do Salvador para o Céu. Os paramentos brancos e o Aleluia, «essa gota, diz Ruperto, da suprema alegria que faz estremecer a Jerusalém superna», mostram a alegria ressentida pela Igreja ao lembrar-se do triunfo de Cristo, ao pensar na felicidade dos Anjos e dos Justos da Antiga Lei, que dele participaram e na espera do Espírito Santo, que lhe permitirá a Ele associar-se. O espírito da festa é marcado pela Oração do dia da Ascensão que nos lembra a obrigação de, após haver seguido o Ciclo a Jesus no curso de Sua vida, elevarmos os olhos ao Céu e, pela fé e esperança, ali habitarmos com Ele, pois é a verdadeira pátria dos filhos de Deus.

Fonte: «Missal Quotidiano e Vesperal», 1940.

Páscoa


Páscoa é a principal festa dos cristãos, por comemorar a Ressurreição de Jesus, fundamento da nossa Religião. A Ressurreição de Jesus Cristo é o triunfo da vida sobre a morte e dá-nos a esperança da nossa futura ressurreição para irmos gozar com Jesus as alegrias do Céu.
No Martirológio, antes de se anunciarem as Calendas e a Lua, canta-se o elogio da Festa do dia, que todos escutam de pé.
Neste dia, para a aspersão antes da Missa, emprega-se água tirada da Pia baptismal, antes da infusão dos Santos Óleos.
Neste Domingo e nos que se seguem, até ao Pentecostes inclusivamente, canta-se à aspersão «Vidi aquam» em lugar do «Asperges» (ver A. Coelho, C. de Lit. Rom., 1941, Vol. I, págs. 728-729).

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Redenção do Género Humano


Redenção do Género Humano. Por causa do pecado original em que todos os homens são concebidos, ninguém podia conseguir a salvação eterna por méritos próprios. O Filho de Deus fez-se Homem, padeceu e morreu por amor dos homens, oferecendo a Seu eterno Pai a Sua Vida, Paixão e Morte, como sacrifício para remir os homens do pecado e poderem entrar no Céu. Deste modo foi feita a redenção do Género Humano.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Paixão de Jesus Cristo


Paixão de Jesus Cristo. Chama-se assim ao conjunto dos sofrimentos do nosso Divino Salvador desde a Sua prisão na noite de Quinta-feira Santa até à morte na Cruz; foi prognosticada pelos Profetas do Antigo Testamento, principalmente por Isaías (cap. LIII), e foi realizada sob o poder de Pôncio Pilatos, na cidade de Jerusalém, terminando com a crucifixão no Calvário. A natureza humana de Jesus Cristo, posto que unida à natureza divina, conservou o que tinha de passível e mortal; por isso Jesus foi sensível às dores e à morte. Pela Paixão de Jesus Cristo foram tirados todos os impedimentos da nossa salvação, e foram-nos dados todos os bens, quanto ao mérito. Na remissão dos pecados ela é a causa universal, que é preciso, todavia, aplicar a cada um por meio dos Sacramentos, de sorte que nenhum pecado é perdoado, nem alguém obtém salvação, sem que lhe sejam aplicados os méritos da Paixão de N. Senhor Jesus Cristo.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Quinta-Feira Santa


Quinta-Feira Santa é o dia em que a Igreja comemora solenemente a instituição da Sagrada Eucaristia [e da Ordem]. Em muitas igrejas faz-se de tarde a cerimónia do lava-pés, que consiste em o Sacerdote, devidamente paramentado, lavar os pés a doze homens, geralmente pobres, em memória do que Jesus Cristo fez aos seus Apóstolos, no cenáculo em Jerusalém.
Desde a Missa desse dia, até à Missa de Sábado seguinte, não se tocam os sinos, nem música na igreja, em sinal da tristeza que causa a lembrança da Paixão e Morte de Jesus Cristo. Tendo de se administrar o Sagrado Viático desde a Missa de Quinta-feira Santa até Sábado de Aleluia, nada se canta, nem na igreja, nem pelo caminho. Mesmo na Sexta-feira Santa a estola a usar é de côr roxa (S. C. R.). Não pode tolerar-se o costume de levar o SS. Sacramento pelas ruas na Quinta e Sexta-feira Santa (S. C. R.). Também não é lícito na Quinta-feira, estando o SS. Sacramento exposto na urna, expor noutro lugar a imagem da Senhora das Dores e a de Jesus morto, mas é permitido na Sexta-feira.

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Páscoa 2025


O blogue VERITATIS deseja a todos os amigos e leitores uma santa e feliz Páscoa da Ressurreição.

Páscoa 2024


Porque assim como a morte veio por um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.
(I Cor. XV, 21)

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Crux Fidelis


Do ofício de Sexta-Feira Santa:

Ó Cruz mais saudável que outra alguma, única árvore digna de honra e o objecto de nossa Fé: bosque algum produziu outra semelhante em folha, em flor e em fruto. Este lenho amável sustenta um doce peso, cravado sobre ele com cravos preciosos.

Fonte: «Ofício da Semana Santa em Latim e Português», 1779.

Páscoa 2023


Porque assim como a morte veio por um homem, também por um homem vem a ressurreição dos mortos.
(I Cor. XV, 21)

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No Santíssimo Dia de Páscoa


Eis aqui somos presentes na claríssima festa da Páscoa da Ressurreição do Senhor, a qual com muita razão nos deve alvoroçar e alegrar sobre todas as outras festas do Senhor: porque nela, assim da parte do Senhor como da nossa, concorrem mais razões de alegria e consolação. Porque, ainda que muito nos alegremos no dia de Seu nascimento, todavia aquela não pode deixar de ser misturada com alguma compaixão e dor, considerando as necessidades e pobrezas em que nasceu, o frio que padeceu, e outras misérias humanas a que, nascendo, se submeteu; e, finalmente, considerando a Morte e Paixão para que nasceu, e como do Presépio havia de passar à Cruz. Também, quanto ao que toca a nós, em Seu nascimento ainda não vemos as perfeições de nosso corpo, as quais d'Ele esperamos e grandemente desejamos, porque nasce em carne mortal e passível, semelhante à nossa, suspirando nós, do íntimo do coração, por ter carne imortal e impassível.

Mas nesta esclarecida festa, que hoje celebramos, tudo quanto nela vemos nos consola sem mistura de tristeza ou compaixão, assim pelo que a Ele toca, como a nós. Hoje, com olhos de fé O vemos levantar-se do sepulcro, ressurgindo em carne imortal e impassível, seguro de nunca mais morrer ou padecer, triunfando da morte e do inferno.

E, também, quanto ao que a nós toca, tudo o que n'Ele vemos confirma nossas esperanças, e dilata nossos corações com alegria e prazer: porque n'Ele vemos hoje a glória que hão-de alcançar os filhos de Deus, e o bem-aventurado estado da vida que esperamos no dia da ressurreição geral. Ele Se propõe hoje diante de nossos olhos, e nos mostra Sua carne gloriosa e imortal, e nos diz: – Eis aqui o treslado e a amostra da glória que há-de ter vossa carne, se fordes Meus verdadeiros discípulos. Assim como esta carne, em que hoje ressurgi, é imortal, assim o será a vossa. Assim como é impassível e incapaz de toda a corrupção, pena, e de toda outra miséria que se puder imaginar, assim o fará a vossa. Assim como é subtil e ligeira, não perdendo de ser verdadeira carne e ter verdadeiros ossos, e assim como é clara e resplandecente e extremadamente formosa: assim o fará a vossa, se, de coração, Me servirdes e andardes unidos e pegados Comigo por fé, esperança e caridade.

Ó irmãos, há aqui algum que não deseje que sua carne alcance estas glórias, estes dotes e perfeições? Manifesto é que todos, com entranháveis gemidos dizendo com Paulo: – Nolumus expoliari, sed supervestiri, que quer dizer: Não desejamos de deixar este corpo e que as nossas almas estejam apartadas dos corpos, mas desejamos de vestir corpos reformados, corpos que nunca moiram, que nunca adoeçam, que não possam ter pena nem desgosto nem outro qualquer achaque.

Este desejo experimentava em si mesmo David quando dizia: – Senhor, não somente minha alma há sede de vós, mas também a carne por mil maneiras suspira a vós, desejando e esperando a gloriosa reformação que lhe tendes prometida. Está minha carne neste mundo rodeada de mil misérias e faltas, e, por isso, continuamente geme pelo dia de sua restauração e glorificação.

Mas porque tem Deus ordenado que ninguém alcance, assim a bem-aventurança da alma como da carne, sem trabalhos e merecimentos, por tanto neste dia em que nos é proposta a imagem e amostra de nossa gloriosa ressurreição, nos traz a santa Madre Igreja, na Missa, uma breve receita daquele grande médico e mestre, S. Paulo, que, em poucas palavras, nos diz o que nos convém fazer para chegarmos à glória da ressurreição, dizendo desta maneira:

– Irmãos, se quereis gloriosamente ressurgir no número dos santos, convém-vos que, neste mundo, lanceis de vossa alma todo fermento velho, alimpando-a de toda a malícia, ódio, e rancor, inveja, indignação, e de toda a mais corrupção e podridão espiritual, para que fiqueis como uma massa ázima fresca e limpa. Porque haveis de saber que o nosso Cordeiro Pascoal não é outro senão Jesus Cristo, Nosso Senhor, que por nós foi sacrificado no altar da Cruz: o qual, como seja fonte de toda a limpeza e santidade, não mora senão em almas limpas. E, por isso, convém que pascoemos e festejemos Sua ressurreição, não com pão fermentado, mas com pão ázimo, scilicet, não com coração malicioso e maligno, mas verdadeiro, sincero e limpo.

Também para isto mesmo no Evangelho que ouvistes à Missa, nos é posta diante dos olhos a devoção daquelas três santas mulheres Marias que hoje, antemanhã, partiram de suas casas com unguentos preciosos para que ungissem o Corpo do Senhor, que estava sepultado. Mas, quando chegaram ao sepulcro, acharam que era ressurgido, porque, chegando ao moimento, viram um Anjo em figura de mancebo, vestido de uma roupa branca e resplandecente, o qual estava sentado à mão direita do moimento, e, vendo-o elas, ficaram pasmadas e disse-lhes o Anjo: – Não tenhais pavor; bem sei que buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Já ressurgiu, não está aqui. Eis aqui o lugar onde O puseram. Mas ide e levai estas novas a Seus discípulos e a Pedro, que em Galileia O verão, como Ele havia dito.

Por esta sagrada história nos quis o Senhor ensinar que, se queremos chegar a ver e gozar a glória da ressurreição, que esperamos no fim do mundo, convém que, enquanto vivemos, nos apercebamos de unguentos aromáticos e cheirosos, não corporais, senão espirituais, com os quais unjamos o Senhor, coisa que Ele de nós principalmente requere.

Estes unguentos são três, como diz o glorioso S. Bernardo, scilicet, contrição, devoção e misericórdia.

O primeiro unguento com que Deus quer ser ungido espiritualmente do pecador, é verdadeira contrição dos pecados feitos. E ainda que pecados sejam umas ervas e matérias muito fedorentas, todavia, cozidos na panela de nosso coração com o fogo de dor e amor de Deus, fazem um unguento preciosíssimo, que recende até diante dos Anjos. Em cuja figura se diz que o cheiro do unguento, com que a Madalena ungiu o Senhor, encheu toda a casa. O qual bem-aventurado unguento de contrição e arrependimento perpetuamente há-de perseverar na botica de nosso coração, nem o havemos de lançar fora ainda que venha a Páscoa, porque, como os Santos dizem, ainda que o jejum e abstinência de carne tenha tempo taxado, para contrição não há tempo taxado, mas o seu tempo é toda a vida; porque, como diz S. Agostinho, faltando a contrição, falta o perdão. Porquanto do pecado uma vez cometido, sempre convém ter desprazer e pesar quando quer que vem à memória; ao menos nunca é lícito comprazer e aprovar o mal uma vez feito.

Depois dos pecados e chagas da alma curadas com o unguento da contrição, convém com toda a diligência procurarmos fazer suavíssimo unguento da devoção, a qual não é outra coisa senão uma prontidão e fervente inclinação da alma para as coisas divinas. E, como S. Bernardo diz, este unguento é mais excelente e precioso que o primeiro, assim como os materiais, de que se faz, são mais nobres, os quais são todos os benefícios que Deus fez ao género humano. Porque da meditação e consideração deles se gera em nosso peito aquela nobilíssima afeição que chamamos devoção.

E não basta qualquer frio pensamento deles para espertar em nós, mas é necessário que os trilhemos e os esmiucemos com frequente meditação, e assim também os cozamos com o fogo do santo desejo, porque assim se compõem esta divina confeição, que chamamos devoção.

Não se escuse algum, dizendo que não é letreado, e que, por isso, não pode colher as ervas necessárias (que são principalmente os mistérios de Cristo considerados) para fazer estes unguentos. Esta escusa não vale nada, porque para isto, não são necessárias letras, senão humildade, simplicidade, e boa vontade. Quanto uma pessoa é mais humilde e fora de malícia e dobreza, tanto está mais desposta e capaz para alcançar dom de devoção. E, por isso, S. Gregório e a Santa Madre Igreja dizem que o género das mulheres é devoto, porque, regularmente, não sabendo letras, têm o coração desinchado e humilde e, portanto, capaz de Deus lhe comunicar graça de devoção.

De maneira que este divino unguento não é coisa somente de letrados, mas de todos os cristãos, porque todos somos obrigados cuidar nos benefícios e grandezas de nosso Deus e, especialmente, nos mistérios que obrou nascendo em carne por nossa salvação, e, por eles, louvá-Lo e dar-Lhe muitas graças continuamente.

E ainda que todos os cristãos não cheguem a ter igual devoção, igual fervor e prontidão nas coisas do Senhor, baste que cada um trabalhe de fazer este unguento o mais perfeito e fino que puder, não confiando em suas forças e diligência, mas na graça e ajuda do Senhor, pelo qual há-de chamar instante e continuamente, dizendo: – Senhor, dai-me fervor, prontidão e vontade para as coisas de Vosso serviço; dai-me lume para conhecer Vossos mistérios; dai-me dom de douta e quieta oração.

O terceiro unguento é misericórdia e piedade, com a qual, ungida, a alma piedosa e misericordiosa unge e remedeia, quanto em si é, as necessidades de seus próximos, assim espirituais como corporais, sempre de si destilando e lançando as catorze obras de misericórdia, ora as espirituais, ora as corporais.

Com este unguento estava o coração de Job todo tenro e brando, pois que de si deu testemunho, dizendo: – A porta de minha casa sempre esteve aberta aos peregrinos e caminhantes: eu era pai dos pobres, olho dos cegos, e pé dos mancos. Não neguei aos pobres o que me pediam, nem permitia que as viúvas estivessem esperando pelo remédio de suas necessidades, nem comia meu bocado só sem dele partir com o órfão.

Quão excelente seja este unguento, manifestou o Senhor naquelas palavras que disse aos Judeus: – Mais quero misericórdia que sacrifício. E nas outras que disse: – Bem-aventurados os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia.

Portanto, irmãos, se queremos chegar à glória da bem-aventurada ressurreição, que hoje nos é mostrada e prometida, convém com as santas Marias provermo-nos destes celestiais unguentos, por que estes são com os quais o Senhor quer de nós ser ungido.

D. Frei Bartolomeu dos Mártires in «Catecismo ou Doutrina Cristã e Práticas Espirituais», 1962 (póstumo).

Feliz Páscoa da Ressurreição!


Estando já avançada a noite do Sábado, ao amanhecer o primeiro dia da semana, foi Maria Madalena e a outra Maria visitar o sepulcro.
E eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do Céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra do sepulcro, e estava sentado sobre ela; e o seu aspecto era como um relâmpago; e o seu vestido branco como a neve. E, pelo temor que tiveram dele, aterraram-se os guardas, e ficaram como mortos.
Mas o anjo, tomando a palavra, disse às mulheres: Vós não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele já aqui não está, porque ressuscitou, como tinha dito; vinde e vede o lugar, onde o Senhor estava depositado. Ide já dizer aos Seus discípulos que Ele ressuscitou; e eis que vai adiante de vós para a Galileia; lá O vereis; eis que eu vo-lo disse antes.
Saíram logo do sepulcro com medo e grande gáudio, e foram correndo dar a nova aos discípulos.
E eis que Jesus lhes saiu ao encontro, dizendo: Deus vos salve. E elas aproximaram-se d'Ele e abraçaram os Seus pés, e O adoraram. Então disse-lhes Jesus: Não temais; ide, avisai Meus irmãos, para que vão à Galileia, lá Me verão.
Tendo elas partido, eis que foram à cidade alguns dos guardas, e noticiaram aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha sucedido. E, tendo-se congregado com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: Dizei: Os seus discípulos vieram de noite, e, enquanto nós estávamos dormindo, O roubaram. E, se chegar isto aos ouvidos do governador, nós o aplacaremos e estareis seguros. E eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido ensinado. E esta voz divulgou-se entre os Judeus e dura até ao dia de hoje. [Talmude]

Evangelho segundo S. Mateus, XXVIII, 1-15.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!


Estando já avançada a noite do Sábado, ao amanhecer o primeiro dia da semana, foi Maria Madalena e a outra Maria visitar o sepulcro.
E eis que se deu um grande terremoto. Porque um anjo do Senhor desceu do Céu, e, aproximando-se, revolveu a pedra do sepulcro, e estava sentado sobre ela; e o seu aspecto era como um relâmpago; e o seu vestido branco como a neve. E pelo temor que tiveram dele, aterraram-se os guardas e ficaram como mortos.
Mas o anjo, tomando a palavra, disse às mulheres: Vós não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado; Ele já aqui não está, porque ressuscitou, como tinha dito; vinde e vede o lugar, onde o Senhor estava depositado. Ide já dizer aos Seus discípulos que Ele ressuscitou; e eis que vai adiante de vós para a Galileia; lá O vereis; eis que eu vo-lo disse antes.
Saíram logo do sepulcro com medo e grande gáudio, e foram correndo dar a nova aos discípulos.
E eis que Jesus lhes saiu ao encontro, dizendo: Deus vos salve. E elas aproximaram-se d'Ele e abraçaram os Seus pés, e O adoraram. Então disse-lhes Jesus: Não temais; ide, avisai meus irmãos, para que vão à Galileia, lá me verão.
Tendo elas partido, eis que foram à cidade alguns dos guardas, e noticiaram aos príncipes dos sacerdotes tudo o que tinha sucedido. E, tendo-se congregado com os anciãos, depois de tomarem conselho, deram uma grande soma de dinheiro aos soldados, dizendo-lhes: Dizei: Os Seus discípulos vieram de noite, e, enquanto nós estávamos dormindo, O roubaram. E, se chegar isto aos ouvidos do governador, nós o aplacaremos e estareis seguros. E eles, recebido o dinheiro, fizeram como lhes tinha sido ensinado. E esta voz divulgou-se entre os Judeus e dura até ao dia de hoje.

Evangelho segundo S. Mateus, XXVIII, 1-15

A Cristo Crucificado


Divinas mãos e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas...
Meu Deus! que por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.

Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às Vossas são devidas;
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer, no Vosso transformado.

Em Vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza;
Por isso cada um deu do que tinha...

Claros sinais de amor, ah saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha!

Frei Agostinho da Cruz (1540-1619)

Quinta-Feira Santa


Na véspera da Sua Paixão, tomou Ele o pão em Suas santas e veneráveis mãos, e, erguendo os olhos ao Céu, para Vós, Deus, Seu Pai omnipotente, dando-Vos graças, abençoou-o, partiu-o e deu-o aos Seus discípulos, dizendo: «Tomai e comei dele todos vós, pois isto é o Meu Corpo».
De igual modo, terminada a ceia, tomou este precioso Cálix em Suas santas e veneráveis mãos, novamente Vos deu graças, abençoou-o e deu-o aos Seus discípulos, dizendo: «Tomai e bebei dele todos vós, pois este é o Cálix do Meu Sangue, do Sangue da nova eterna aliança (Mistério da Fé!), o qual será derramado por amor de vós e de muitos, para remissão dos pecados.
Todas as vezes que isto fizerdes, fazei-o em memória de Mim».

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.

Anima Christi


Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro das Vossas Chagas, escondei-me.
Não permitais que de Vós me separe.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que Vos louve com os Vossos Santos,
por todos os séculos dos séculos.
Ámen.

Santo Inácio de Loyola

Cristo foi imolado como nossa Páscoa


Que os cristãos soltem louvores
Ao seu Cordeiro Pascal,

Que resgatou as ovelhas:
Cristo Jesus, inocente,
Vem pôr em paz com seu Pai
As almas dos pecadores!

Um duelo singular
Travou a morte com a vida:
O Autor da vida morreu,
Mas reina agora imortal!

Podes dizer-nos, Maria,
O que viste no caminho?

– Vi o sepulcro de Cristo,
Já vivo e ressuscitado!

Vi testemunhas angélicas,
Mais o sudário e a mortalha!

Ele ressurgiu – minha esperança! –
E aguarda na Galileia.

Sabemos bem que Jesus
Já ressuscitou dos mortos:
Vós, ó Rei vitorioso,
Compadecei-Vos de nós! Ámen. Aleluia.

Sequência de Páscoa (século XI)