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São Torcato


São Torcato Félix, Bispo do Porto e juntamente Arcebispo de Braga; Assistiu no XVI Concílio de Toledo, onde deu claríssimas provas de sólida virtude e alta sabedoria. Padeceu martírio com vinte e sete companheiros, naturais da mesma Cidade de Braga, na invasão dos Mouros, junto a Guimarães, ano de 719. Seus corpos são venerados em uma Igreja do nome de São Torcato, não longe da Vila de Guimarães, onde resplandece com milagres.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Mártires Inácio de Azevedo e Companheiros


No ano de 1570 navegava da antiga para a nova Lusitânia [=Brasil] o Padre Inácio de Azevedo, Varão nobilíssimo em sangue e não menos em virtudes, com trinta e nove Companheiros, todos da esclarecida religião da Companhia de Jesus, cujo Provincial era o mesmo Padre, o qual ia com aquele ditoso esquadrão de Soldados de Cristo prégar a Fé aos Gentios e persuadir os bons costumes aos Fiéis daquelas vastíssimas Províncias. Sucedeu, porém, que neste dia [15 de Julho], no ano referido, estando na altura na Ilha de Palma, os aprisionou um Corsário herege, o qual perdoando aos Portugueses seculares, tirou cruelmente a vida aos Religiosos, pela diferença do hábito e obrigação do Estatuto, e porque os via ministrarem o Sacramento da Confissão, e que reciprocamente se animavam uns aos outros a morrerem pela da Fé. Por estas causas foram levados à espada e lançados no mar. No mesmo ponto os viu a Seráfica Madre Santa Teresa [de Ávila] voando para o Céu, exornados com a triunfante palma e imarcescível coroa do Martírio.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Simão Vaz, mártir no Japão


Neste dia [3 de Agosto], ano de 1640, na Cidade de Nagasáqui no Japão, foram degolados pela Fé de Cristo, sessenta e um Cristãos, todos juntos. Perguntaram-lhes primeiro em geral, por voz de pregoeiro, se queria algum deles cair (que assim chamam ao renegar) e todos por uma boca responderam, que não queriam senão morrer pela Fé de Cristo. Depois iam reperguntando o mesmo duas vezes a cada um em particular, e acharam sempre a mesma constância. E chegando ao Português Simão Vaz, respondeu cheio de zelo Santo: A mim perguntas isso Bárbaro! A mim? Não vês que estou vendo a Jesus Cristo e a glória que nele me espera? A eficácia da divina graça também se serve dos brios da natureza generosa.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Beato Gonçalo Garcia e os mártires do Japão


O Beato Frei Gonçalo Garcia, nascido em Baçaim, Cidade no Estado da Índia, sujeita à Coroa de Portugal, filho de pai Português e de mãe natural da terra: Tomou o hábito de Leigo na Religião dos Menores: Padeceu martírio neste dia [5 de Fevereiro], ano de 1597, sendo crucificado no Japão, na Cidade de Nagasáqui, com vinte e cinco companheiros, aos quais o Sumo Pontífice Urbano VIII, declarou verdadeiros Mártires em Bula expedida a 14 de Setembro de 1627.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

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Nota: Frei Gonçalo Garcia foi beatificado em 1627 por Urbano VIII e canonizado em 1862 por Pio IX.

23 de Abril: Dia do Mártir São Jorge


Neste dia, em Portugal, a votiva solenidade do estrénuo cavaleiro de Cristo S. Jorge, tutelar de Sua Milícia, que nascendo em Capadócia da Grécia, o venera a Igreja Latina como a um de seus mais ilustres Mártires, em razão dos atrocíssimos tormentos que intrepidamente suportou pela confissão de seu inefável nome. A quem a piedosa Nação Portuguesa, reconhecida a tanto valor e fortaleza celestial, consagrou Templos e levantou Colónias em todas as idades, invocando intercessor nas batalhas e conflitos militares (como a Espanhola a Sant-Iago Apóstolo) experimentando por seu meio inumeráveis vezes venturosos sucessos nas armas, como apregoam nossas antigas histórias. Principalmente na memoranda de Aljubarrota, ano 1385, pois em sinal de troféu, mandou o Santo Condestável, D. Nuno Álvares Pereira (tronco da esclarecida Casa de Bragança), erigir no meio do campo em que se conseguiu a celebérrima vitória, um famoso Templo consagrado à Belipotente Rainha dos Angélicos esquadrões e ao invicto Mártir S. Jorge, Alferes da Igreja Católica. Debaixo de cujo soberano patrocínio, reedificou depois o Castelo de Lisboa, el-Rei D. João I, de feliz memória. O qual trouxe toda a vida a insígnia e divisa de sua Militar Ordem. E ordenou que na solene procissão do Corpo de Deus, fosse uma pessoa a cavalo, vestida de armas brancas, com lança vibrada e escudo embraçado, que representasse ao vivo o próprio Santo, como vemos ainda hoje em todas as cidades e vilas deste Reino, com tanto aparato e bizarria.

Pe. Jorge Cardoso in «Hagiológio Lusitano dos Santos e Varões ilustres em virtude, do Reino de Portugal e suas conquistas», Tomo II, 1657.

16 de Janeiro: Santos Mártires de Marrocos


Os Santos Mártires de Marrocos, Berardo, Pedro, Acúrsio, Adjuto e Otão eram franciscanos, e foram mandados a pregar em África pelo próprio S. Francisco de Assis. Detidos pelos mouros, e conduzidos à presença do Miramolim, este, em ódio à fé de Cristo, por suas próprias mãos lhes deu a morte. Depois de andarem por muito tempo errantes, os corpos dos Santos Mártires foram depositados no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde ainda hoje se conservam com sumo respeito e veneração.

Fonte: «Missal Romano Quotidiano», 1963.