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Dez Mandamentos


Na China ouvindo certo Mandarim propor a um Padre Missionário os Mandamentos da Lei de Deus, disse em presença de muitos Senhores: Sem dúvida esta Lei é Divina; porque se algum Rei particular a fizera, servira só para o seu Reino; logo servindo para todo o Mundo, quem a fez é o Senhor do Mundo.

Pe. Manuel Bernardes in «Nova Floresta, ou Silva de vários apoftegmas e ditos sentenciosos espirituais e morais», Tomo V, 1728.

Virgem Santíssima nas catacumbas de Roma


Rossi, arqueológo célebre e autor da Roma Subterrânea, acompanhava certo dia, um sábio professor da Universidade de Oxford, nas catacumbas de Santa Priscila.
Chegando a uma sala subterrânea, cujo tecto era adornado de pinturas admiravelmente conservadas, perguntou o sábio Rossi ao estrangeiro:
Sabereis fixar-me, aproximadamente, a data desta pintura?
Sei a de Pompeia, respondeu o doutor inglês, estudei-lhe seus frescos; por eles julgo ser esta a pintura de igual época.
Tendes razão. As pinturas de Pompeia e as das catacumbas são irmãs, e, por conseguinte, temos diante de nós, um monumento do primeiro século.
Ainda falava e já baixava a luz que alumiava, para mostrar ao doutor protestante, na parede lateral, uma delicada pintura, representando a Virgem Santíssima com o Menino Jesus em seus braços.
Olhai, lhe disse Rossi, reconheceis esta imagem?
É o retrato de Maria, respondeu o protestante.
Muito bem! Há três meses, continuou Rossi, estava esta galeria inteiramente obstruída de areia, uso praticado pelos primeiros cristãos, depois de haverem enchido todos os sepulcros de alguma galeria. Temos, pois, diante de nós, um monumento da Igreja primitiva, que testemunha a antiguidade do culto à Virgem Santíssima.
O doutor protestante ficou muito tempo silencioso; examinando detidamente à luz de seu archote uma bela pintura recentemente desenterrada.
Por fim, levantando a cabeça, quebrou o silêncio com estas breves palavras, que encerram todas as peripécias de uma luta interior travada no íntimo da alma:
'Antiqua superstitionum semina' – Velhas sementes de superstições.
Melhor seria, lhe tornou Rossi, que dissésseis com S. Cipriano: 'Tenebrae sole lucidiores' – Ó trevas mais luminosas que o sol!
O golpe foi fundo, porque a prova era convincente, e o inglês não ousou replicar.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 13, Janeiro de 1896.

Diálogo de dois portugueses sobre o "Halloween"


Um diálogo imaginado:

– Então, amigo, estás pronto para celebrar o Halloween?
– Deus me livre! Sou católico e recuso-me a participar nessas bruxarias satânicas!
– Ehh! Calma! O Halloween não é assim como dizes.
– Como não?! O Halloween é o Dia das Bruxas!
– Nada disso. Halloween é apenas a véspera de Todos-os-Santos.
– Acho que deves estar a fazer confusão.
– Não há confusão nenhuma. "Halloween" é só uma palavra inglesa para a vigília ou véspera de Todos-os-Santos, da mesma forma que "Christmas" significa Natal e "Easter" significa Páscoa.
– Hum... Não sei se será assim...
– É como te digo, o termo "Halloween" é inglês antigo e vem da contracção de "All Hallows Evening", que se traduz literalmente por "Véspera de Todos-os-Santos".
– Mas isso será apenas uma questão semântica.
– Não é apenas um pormenor de semântica; é a realidade essencial. A origem e a substância da véspera de Todos-os-Santos é católica. A festa é católica. Foi fundada pela Igreja e a Igreja nunca a deixou de celebrar.
– Mas se Halloween é a designação inglesa... então não deve ser católico.
– O dia e a véspera de Todos-os-Santos sempre foram católicos, independentemente do rompimento dos anglicanos com a Igreja de Cristo. O ofício litúrgico de Halloween vem no Breviário Romano para os católicos de língua inglesa. Refiro concretamente uma edição de 1908, insuspeita de qualquer inovação pós-Conciliar.
– De qualquer das formas, isso são coisas de anglófonos. Nós somos portugueses. Não podemos favorecer a importação de modas estrangeiras.
– Os portugueses, como católicos, sempre celebraram a véspera de Todos-os-Santos. É disso que se trata. Mas concordo que não devemos importar costumes estrangeiros, nem designações estrangeiras para uma festa católica que sempre celebrámos.
– Mas o chamado Halloween tem coisas pouco católicas, não achas?
– Suponho que te estejas a referir a certos festejos mundanos de importação norte-americana, a que incorrectamente identificam como "Halloween".
– Sim, é essa festa das bruxas que associam ao Halloween. É horrível.
– Não conheço a razão desses costumes profanos, que são estranhos a Portugal. Mas se hoje a sociedade não é católica, não podes esperar que celebre a festa de forma católica. Esse é um drama universal. O mesmo se passa com o Natal ou a Páscoa. Contudo, o Natal não deixa de ser Natal, porque o mundo moderno celebra um pseudo-Natal em vez do verdadeiro Natal. Halloween é apenas véspera de Todos-os-Santos em língua inglesa, mesmo que hoje lhe dêem uma aparência de outra coisa qualquer.
– Certo, mas com o Natal e a Páscoa a coisa não é tão macabra...
– Quem sabe, porém, se não serão mais enganadores para as almas mais bem-intencionadas. O pior erro é aquele que tem maior aparência de verdade.
– Sim, mas os modernos festejos de Halloween são claramente diabólicos. Vê-se um elogio ao Mal.
– São de facto costumes estranhos a Portugal, como já disse, mas lembra-te que no nosso Entrudo também há figuras diabólicas que assustam pessoas pelas ruas e que depois são simbolicamente queimadas na véspera da Quarta-Feira de Cinzas – a queima do Entrudo – dando-se início à Quaresma. Ou seja, há todo um significado espiritual nessas diabruras que antecedem a purificação quaresmal. É possível que antigamente, nos países de tradição inglesa, essas demostrações na véspera de Todos-os-Santos tivessem um significado religioso transcendente, como tem o nosso tradicional Entrudo. Mas desvinculados do Catolicismo, esses costumes perdem sentido e corrompem-se. A sociedade perdeu a noção religiosa e transcendente, ficando apenas na superfície uma prática meramente humana, agravada pela corrupção moral e intelectual.
– Por isso mesmo não podemos defender esses festejos ditos de "Halloween".
– Nem eu os defendo. Não são da nossa Tradição. E essas modas só entraram em Portugal nos últimos anos por influência mediática e cultural norte-americana.
– Inclusive o dia 31 de Outubro é conhecido por se fazerem muitos sacrilégios e profanações.
– Mais uma razão para não deixarmos que uma festa católica caia nas mãos do Inimigo. Temos obrigação de defendê-la e celebrá-la correctamente.
– Mas como então fazer isso?
– Como sempre os católicos celebraram as vésperas dos dias santos. Com oração, jejum e abstinência, para mortificar os sentidos e celebrar a festa de forma mais piedosa. Depois também há aqueles bons costumes portugueses, como as crianças pedirem o pão-por-Deus pelas ruas, já no dia de Todos-os-Santos.
– Sim, entendo e concordo com o que dizes. Mas agora terei de ir. Obrigado e até uma próxima.
– De nada. Até qualquer dia, quando Deus quiser.

O nascimento de Cristo profetizado por poeta pagão


Agora chegou a última idade cantada pela Sibila de Cumas; uma grande sucessão pacífica de séculos começa de novo; agora também volta a Virgem; volta o reinado de Saturno; uma nova geração humana desce do alto dos céus. Para o Menino que agora deve nascer, sob o qual a raça de ferro terminará, e uma raça de ouro surgirá no mundo todo, tu, casta Lucina, sorri favoravelmente, pois teu Apolo é agora rei.

Esta idade gloriosa começa em teu consulado, ó Polião, quando os meses poderosos começam seu curso. Sob tua liderança todos os vestígios que restem de nossa culpa vão desaparecer e libertar a terra de seu temor incessante. Ele [o Menino] receberá vida divina e verá heróis que se misturam com deuses e será ele próprio visto por eles. E ele governará um mundo pacificado pelas virtudes paternas.

Virgílio in «Bucólicas», 40 a.C.

§

Nota: Virgílio cita a Sibila de Cumas, oráculo da Antiguidade cuja profecia sobre o nascimento de Cristo inspirou o poeta romano. O Imperador Constantino, numa mensagem ao Concílio de Niceia (ano 325), citou uma passagem dos Livros Sibilinos contendo um acróstico profético, cujas iniciais dos versos são: Jesus Cristo Filho de Deus Salvador Cruz. Miguel Ângelo pintou a Sibila de Cumas no tecto da Capela Sistina, entre os profetas do Velho Testamento.

Jesus Cristo, luz do mundo e sol de justiça


Através desta homenagem prestada ao deus nunca vencido, abriu-se o caminho para o culto do Sol, também nunca vencido, astro venerado pelos povos do Oriente sob diferentes nomes; no ano 274 d.C., Aureliano erigiu em sua honra um templo no Campo de Marte. A festa do Sol ficou estabelecida para o 25 de Dezembro, data em que – segundo o calendário antigo – o astro voltava a empreender a sua ascensão.
Fonte: «História Universal», Publicações Alfa, Volume I, 1985.

25 de Dezembro de 274, ia a Igreja no seu 26º Papa quando o Imperador Aureliano estabeleceu a festa pagã do Sol Invicto. No entanto, difunde-se hoje em certos meios historiográficos que a festa foi usurpada pelos cristãos aos pagãos e substituída pelo Nascimento de Jesus Cristo. Mas a verdade é o oposto: ainda antes de Aureliano, já os cristãos celebravam o Natal a 25 de Dezembro, pois é da Tradição da Igreja que o nascimento do Redentor do Género Humano seja coincidente com o Solstício de Inverno – ou não fosse o próprio Jesus Cristo a «luz do mundo» (cf. João VIII, 12) e o «sol de justiça» (cf. Malaquias IV, 2). «Cristo nasceu-nos», disse Santo Agostinho, «no momento em que os dias começam a crescer».
Anos antes da instituição da festa do Sol Invicto em 274 d.C., Padres da Igreja, como São Teófilo de Antioquia (em 180), Santo Irineu de Lião (em 202) ou São Hipólito de Roma (em 204), averiguaram e confirmaram que o nascimento de Cristo ocorreu de facto a 25 de Dezembro.
São Telésforo, Papa que governou a Igreja entre o ano 126 e 137, foi o responsável pela introdução da Missa do Galo, celebrada à meia-noite de 25 de Dezembro, marcando a hora exacta do nascimento de Nosso Senhor.
Há ainda registos históricos de peregrinações à gruta de Belém no século II, lugar que mais tarde veio a ser a Basílica da Natividade.

Cauchy: matemático e católico convicto


Eu sou cristão, isto é, creio na divindade de Jesus Cristo, como Tycho Brahe, Copérnico, Descartes, Newton, Fermat, Leibniz, Pascal, Grimaldi, Euler, Guldin, Boscovich, Gerdil, como todos os grandes astrónomos, todos os grandes físicos, todos os grandes geómetras dos séculos passados. Eu sou católico como a maioria deles; e se me perguntassem a razão, eu responderia de bom grado. E veríamos que as minhas convicções são o resultado, não de preconceitos de nascimento, mas de um exame aprofundado. Veríamos como estão gravadas na minha mente e no meu coração, verdades mais incontestáveis do que o quadrado da hipotenusa ou o teorema de Maclaurin.

Augustin Louis Cauchy in «Considérations Sur Les Ordres Religieux», 1844.

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte II)



O Ser Supremo, entre quase todas as tribos pertencentes à cultura primitiva, é o supremo legislador e juiz moral das acções humanas, se bem que certas tribos deduzam disto conclusões bastante curiosas, como esta: Todos os velhos são bons; de contrário, Deus já os teria punido, tirando-lhes a vida.
A crença de que Deus pune e premeia as acções dos homens nesta terra não se opõe à de uma remuneração mais perfeita, na outra vida. Mas em que consiste esta outra vida, nem todos sabem explicar (G. SCHMIDT, 1938). Por isso algumas tribos, como os Yámanas, mostram grande tristeza quando morrem os seus parentes.
Alguns primitivos admitem uma vida celeste, outros, uma vida semelhante à terrena, mas mais feliz para os bons e mais triste para os maus.
Segundo os Maidu, o caminho para o Céu é representado pela Via Láctea, e onde esta se divide, separar-se-ão os bons e os maus. Para outros, por exemplo os Andamaneses, o arco-íris serve de ponte para o Céu.
Mas o atributo, direi, mais radicado, é o da bondade de Deus. O Ser Supremo é exclusivamente, essencialmente bom. D'Ele não pode vir senão bem e felicidade. Por isto, alguns povos, para explicar o mal físico e moral do mundo, recorrem a outro ser, que se rebelou contra o Grande Manitu e que, por ódio a Este, espalha o mal.
Os modos mais comuns de honrarem o Ser Supremo são a oração e o sacrifício.
A oração não é sempre oral; entre alguns povos é muda, isto é, só do coração e da mente, acompanhada quanto muito por algum gesto. Por isso, certos exploradores acreditaram de princípio que não tinham oração.
O sacrifício é menos frequente que a oração, mas também bastante difundido e praticado com todo o seu profundo significado, qual atestação da total submissão da natureza humana ao Ser Supremo, ou, então, como expiação dos próprios pecados (W. SCHMIDT, 1935).
Geralmente, oferecem as primícias da caça ou das colheitas, uma porção de alimento antes de o terem provado (O. MENGHIN, 1931). Outras vezes, oferecem o crânio e os ossos compridos dos animais caçados (ursos, renas) contendo ainda as partes mais apreciadas: os miolos e a medula, como é costume entre algumas tribos primitivas do círculo árctico (A. GAHS e W. SCHMIDT, 1928).

Quanto à moral, existem laços rigorosos nas relações sexuais, e o sentimento do pudor é geralmente muito vivo. Os vestidos nos adultos são claramente sugeridos pelo pudor. O Pe. Shebesta teve a felicidade de assistir entre os Semang à repreensão, dada por um adulto a um rapazote, que tinha pronunciado, na presença dos companheiros, frases lúbricas. «Lawaid Karei!», disse em tom ameaçador o velho voltado para o jovem, o que queria dizer: isto é pecado contra o Ser Supremo Karei, e o jovem calou-se imediatamente (G. SCHMIDT, 1931).
Os Negritos das ilhas Filipinas e os Coriacos da Kamchatka exigem a castidade pré-conjugal, nas raparigas. As eventuais transgressões são punidas com penas severas. A monogamia, por preceito ou de facto, é a forma de matrimónio absolutamente dominante (G. WUNDT, 1929; O. MENGHIN, 1931).
A indissolubilidade do vínculo matrimonial não é, de igual modo, observada entre todos os primitivos, sendo menos rigorosa entre os primitivos do Norte. Merece menção o facto de entre algumas tribos (Pigmeus de África, Bosquímanos) não ser possível a dissolução do matrimónio, desde que nasce um filho. Entre estas tribos é muito rara a infidelidade conjugal, sendo punida severamente e até com a morte (L. LIVI, 1937; G. SCHMIDT, 1931).
Não existem entre estas antiquíssimas fases de cultura, nem promiscuidade, nem troca de mulheres. Não se vêem crimes de infanticídio ou outros que se encontram em tribos de ciclo cultural superior. Numa palavra, e etnologia moderna chegou à conclusão à qual tinha chegado, um século atrás, o famoso etnólogo jesuíta Pe. Lafitau, fundador da moderna etnologia: «Os povos primitivos – escrevia ele – na maior parte dos casos, não são produtos de degeneração, de decadência de civilizações elevadas; mas, antes, conservam até aos nossos dias as fases primordiais do desenvolvimento da humanidade» (PE. LAFITAU, Moeurs des Sauvages Amériquains, Comparées aux Moeurs des Premiers Temps, 1724).
Os homens primitivos têm um conceito bastante elevado da moral e de Deus, que honram com sacrifícios; praticam a monogamia, como afirma a Sagrada Escritura a respeito dos primeiros homens. Logo, as afirmações da Sagrada Escritura são verdadeiras e é falso o evolucionismo religioso.

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

Vestígios da religião primitiva de Adão (Parte I)


O estudo objectivo da religião destes povos primitivos levou às seguintes conclusões: «Em todos os grupos étnicos de cultura primitiva existe a crença num Ser Supremo, senão entre todos com a mesma forma e força, certamente em toda a parte com a força suficiente para excluir toda a dúvida acerca da sua acção predominante» (G. SCHMIDT, Manual de História Comparada das Religiões, 1938).
A crença num Ser Supremo é claríssima em todas as tribos de pigmeus da África e da Ásia (H. BAUMANN, 1936). Até há pouco tempo, o que sabíamos da maior parte dos pigmeus da África era quase nada e tinha um conceito diverso das suas crenças religiosas; mas investigações recentes de Trilles no Gabão, de Schumacher no Ruanda, de Schebesta no Congo, puseram em evidência, com toda a clareza, a crença deles no Ser Supremo. O mesmo se pode dizer de algumas tribos africanas, como os Ajongos, Vátuas, Bagellos, Bambutos e outros; de povos primitivos do Sul, como os Bosquímanos, os habitantes da Terra do Fogo e os australianos de cultura primitiva; no círculo polar árctico, como os Samoiedos, os Coriacos e os Ainu, e numerosas tribos da América do Norte. Mas aquilo que mais surpreende, ainda, é que a ideia deste Ser Supremo é tanto mais pura, isto é, menos ofuscada de ideias de outros deuses menores, quanto mais a tribo apresenta caracteres primitivos.
Alguns primitivos, como os Fueguinos, Negritos, Bátuas, Andamaneses, afirmam que o Ser Supremo é imperceptível aos sentidos, inaferível como o vento.
Outros dão-lhe um aspecto humano, venerando, com longa barba, mas dotado de caracteres superiores ao homem; umas vezes, é resplandecente como o fogo; outras, circundado por uma auréola solar. O arco-íris, entre algumas tribos, é a fímbria do manto do Ser Supremo. Significativo é o facto de que mesmo as tribos que representam o Ser Supremo com feições humanas, quase nunca lhe atribuem mulher e filhos, achando irreverente até a pergunta se o Ser Supremo é casado.
Múltiplos e expressivos são os nomes pelos quais é designado o Ser Supremo, sempre pronunciados com respeito e em raras ocasiões; mas nunca, sem necessidade. Em muitos casos recorrem a circunlóquios ou sinais. Por exemplo: um aceno para o céu, como fazem os Juin com Daramulum e os Kulin com Bundyil.
Três grupos de nomes são mais frequentes, e precisamente os que exprimem paternidade, ou a obra criadora e a morada no céu. Os pigmeus do Ituri, os Bosquímanos e muitos outros chamavam-lhe simplesmente: pai. Os Samoiedos usavam esta invocação: meu pai Nun, meu pai celeste. Os Ainu chamavam-lhe: o Divino Construtor dos mundos. Muitas tribos norte-americanas chamavam-lhe simplesmente: o Criador, o Artífice, o Criador da Terra. Os Samoiedos: o Criador da vida.
Encontram-se outras expressões que indicam, ou a morada de Deus, como esta: Aquele que habita no alto, ou outros atributos: o Antiquíssimo, o Suporte do universo, o Grande Manitu, isto é, o Grande Espírito (Algonquinos), Gawa, o Invisível (Bosquímanos), o Omnipotente, o Vigilante, o Eterno, etc.
Já por estes nomes, que acabamos de enumerar, se revela o conceito, como se vê, altíssimo, que tinham estes povos do Ser Supremo, bastante semelhante àquele que tinham os Patriarcas do Génesis.
Mas, mesmo quando não existe um nome para exprimir os atributos de Deus, existe sempre o conceito, que exprimem recorrendo a circunlóquios. A eternidade do Ser Supremo é conhecida por quase todos os povos primitivos. A omnisciência está em estreitíssima relação com a vigilância que o Ser Supremo exerce sobre as acções morais dos homens. As tribos da Austrália sul-oriental avisam disto os jovens, tanto no rito da iniciação, como noutras ocasiões, com a advertência que o Omnisciente sabe também punir (F. GRAEBNER, 1926). Os Bátuas do Ruanda dizem claramente: nada existe mais que Imana, o Ser Supremo. Ele sabe tudo. Conhece até os pecados secretos do pensamento.


Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.

Pelo verdadeiro Halloween


Apesar de hoje em dia se associar o Halloween a um fenómeno neo-pagão importado dos E.U.A., a verdade é que o Halloween é uma festa católica. Tal como o Natal não é a festa do Pai Natal, nem a Páscoa é a festa dos coelhos, o Halloween não é a festa das bruxas. O termo Halloween é inglês medieval e vem da contracção das palavras All Hallows Evening, que se traduz em português como Véspera de Todos-os-Santos. Trata-se, então, da tradicional e católica vigília de preparação para o dia de Todos-os-Santos. Cabe-nos, por isso, enquanto católicos, repor a verdade e celebrar o verdadeiro Halloween, ou Véspera de Todos os Santos, condignamente, com oração, jejum e abstinência.

O ateísmo é ilógico


Testemunho de um ateu que se converteu ao Cristianismo:

O meu argumento contra Deus era o de que o universo parecia injusto e cruel. No entanto, de onde eu tirara essa ideia de justo e injusto? Um homem não diz que uma linha é torta se não souber o que é uma linha recta. Com o que eu comparava o universo quando o chamava de injusto? Se o espectáculo inteiro era mau do começo ao fim, como é que eu, fazendo parte dele, podia ter uma reacção assim tão violenta? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. E claro que eu poderia ter desistido da minha ideia de justiça dizendo que ela não passava de uma ideia particular minha. Se procedesse assim, porém, o meu argumento contra Deus também desmoronaria – pois depende da premissa de que o mundo é realmente injusto, e não de que simplesmente não agrada aos meus caprichos pessoais. Assim, no próprio acto de tentar provar que Deus não existe – ou, por outra, que a realidade como um todo não tem sentido –, vi-me forçado a admitir que uma parte da realidade – a saber, a minha ideia de justiça – tem sentido, sim. Ou seja, o ateísmo é uma solução simplista. Se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido – do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado.

C. S. Lewis in «Cristianismo Puro e Simples».

Porque se desenvolveu a ciência no Ocidente?


A ciência desenvolveu-se no mundo ocidental por três razões:
1. Porque a natureza se desviou da significação mitológica, tal como existe no Oriente, onde se mistura o animismo com o politeísmo e o panteísmo. E a ciência só pode desenvolver-se apenas quando a Natureza é estudada como Natureza.
2. Porque o pensamento ocidental aplica à Natureza dois princípios básicos da razão: a causalidade e a uniformidade. Estas constituem a base de toda a ciência.
3. O Cristianismo, acentuando a disciplina, a razão e o valor da Natureza, como tal, tornou-se a rocha em que a ciência empírica se fundamenta. A ciência nasceu e pode desenvolver-se apenas numa civilização cristã. O Oriente, sem este fundamento, nunca se tornará científico. O pensamento oriental dá pouca importância à causalidade e está muito mais relacionado com a sensação, as emoções, a consciência e a inconsciência [exemplo: Budismo e Hinduísmo], em que tudo principia a aglutinar-se e a fundir-se numa unidade.

Mons. Fulton Sheen in «Aprendei a Amar», 1957.

Renascença Carolíngia


Carta de Santo Alcuíno de Iorque ao Beato Carlos Magno:

Se muitos se deixarem contagiar por essa aspiração, criar-se-á na França uma nova Atenas, uma Atenas mais refinada que a antiga, porque, enobrecida pelos ensinamentos de Cristo, superará toda a sabedoria da Academia. Os antigos tiveram por mestres apenas as disciplinas de Platão, que, inspiradas nas sete artes liberais, ainda brilham com esplendor: mas os nossos estarão dotados também dos sete dons do Espírito Santo e superarão em brilho toda a dignidade da sabedoria secular.

Fonte: «How the Catholic Church Built Western Civilization», 2005.

Confissão


Os homens receberam de Deus um poder que não foi dado aos anjos nem aos arcanjos. Nunca foi dito aos espíritos celestes: "O que ligardes e desligardes na Terra será ligado e desligado no Céu". Os príncipes deste mundo só podem ligar e desligar o corpo. O poder do sacerdote vai mais além; alcança a alma, e exerce-se não só em baptizar, mas ainda mais em perdoar os pecados. Não coremos, pois, ao confessar as nossas faltas. Quem se envergonhar de revelar os seus pecados a um homem, e não os confessar, será envergonhado no Dia do Juízo na presença de todo o Universo.

São João Crisóstomo in «Tratado sobre os Sacerdotes».

São Nicolau e o Pai Natal


Quem deu força à lenda do Pai Natal foi Clement Clarke Moore, um professor de literatura grega em Nova Iorque, com o poema "Uma visita de São Nicolau", escrito para os seus filhos em 1822. Moore divulgou a versão de que São Nicolau viajava num trenó puxado por renas e ajudou a popularizar outras características, como o facto de ele entrar pela chaminé na Noite de Natal. A explicação da chaminé vem da Finlândia, uma das fontes de inspiração do poema. Os antigos lapões viviam em pequenas tendas cobertas com pele de rena. A entrada era um buraco no telhado. E assim, de personagem real na Ásia Menor [Bispo de Mira], o Pai Natal imaginário passou a vir do Pólo Norte.
A última e mais importante característica incluída na figura do Pai Natal é a sua roupa vermelha e branca. Antigamente, ele vestia-se como bispo ou usava cores próximas do castanho, com uma coroa de azevinhos na cabeça ou nas mãos. Mas não havia um padrão. O seu visual actual foi obra do ilustrador Thomas Nast, na revista Harper's Weekly, em 1886, numa edição especial de Natal. Em alguns lugares da Europa ele ainda é representado com os paramentos eclesiásticos de bispo e, ao invés do gorro vermelho, tem uma mitra episcopal.

Fonte: «Guia de Curiosidades Católicas», 2007.

O único Senhor


Rejeitar o senhorio de Cristo é colocar as premissas para uma recaída na sujeição a alguma tirania renascida, que sob disfarces diversos se queira voltar a apresentar à ribalta da História. Quem não acolhe Jesus ressuscitado como único Senhor muito frequentemente acaba por se deixar dominar por eventuais novos "donos dos homens", por diversos ídolos que exigem uma adoração indevida, ou pelos mitos arbitrários que exigem ser honrados como a verdade. Diz repetidamente Santo Ambrósio: "Quantos donos acaba por ter, quem se afasta do único Senhor!".

Resumo da história do Cisma do Oriente


O Cisma do Oriente nasceu da revolta do Patriarca de Constantinopla contra a autoridade do Papa. Isso quer dizer que o Cisma nasceu do orgulho.
Constantinopla foi fundada pelo Imperador Constantino, o Grande, aquele que deu liberdade aos cristãos, no ano 313, e transferiu o poder imperial para o Oriente, fundando então Constantinopla.
O título de Patriarca era dado apenas aos bispos das cidades que haviam recebido a pregação de um Apóstolo.
Assim eram reconhecidos como patriarcas o Bispo de Alexandria, onde pregara o evangelista São Marcos. O Bispo de Jerusalém, onde fora bispo o Apóstolo São Tiago. O Bispo de Antioquia, cidade em que viveu e foi bispo São Pedro. E, finalmente, Roma, que teve o mesmo São Pedro como seu primeiro Bispo.
É claro que Constantinopla, por ter sido fundada apenas no século IV, não poderia ter, normalmente, o título de Patriarca, pois nenhum Apóstolo pregara nessa cidade, que ainda não existia nos tempos apostólicos.
Entretanto, por ser a capital do Império do Oriente, os Arcebispos de Constantinopla reivindicavam essa honra, que Roma afinal lhe concedeu, a título honorário.
Cedo, alguns patriarcas orientais, especialmente o de Constantinopla, reivindicaram uma paridade com o Papa, querendo que a Igreja não fosse uma monarquia, e sim uma pentarquia. (Erro que está, hoje, em voga entre alguns orientais...).
Pretendia-se que o Papa fosse apenas um chefe honorífico da Igreja, um "primus inter pares", um superior em honra, entre os patriarcas, que seriam iguais em direito.
Ora, isto vai contra o Evangelho, que mostra Cristo ter fundado a Igreja sobre Pedro apenas. Cristo fez a Igreja monárquica e não pentárquica.
No século IX, o Arcebispo de Constantinopla, Fócio, revoltou-se contra o Papa São Nicolau I, que excomungou esse rebelde em 863.
Como resposta, Fócio auto-proclamou-se Patriarca Ecuménico de Constantinopla e "excomungou" o Papa São Nicolau I. Com a subida ao poder em Constantinopla do Imperador Basílio, o Macedónico, Fócio perdeu o poder que tinha.
A questão entre Roma e Constantinopla foi ainda mais envenenada pelo problema da processão do Espírito Santo, que os Orientais dizem proceder apenas do Pai, enquanto a Igreja ensina que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho.
Fócio retomou o poder em Constantinopla, mesmo depois da sua solene condenação, no ano 870. De novo, o Papa João VIII renovou a condenação de Fócio. Com o advento ao trono do Imperador Leão, o Filósofo, Fócio é expulso pela segunda vez de Constantinopla, terminando o cisma pouco depois.
No século XI, Miguel Cerulário, Patriarca de Constantinopla, causou a separação definitiva da Igreja do Oriente, separando-a da obediência ao Papa, no tempo do Papa Leão IX. Miguel Cerulário foi excomungado pelo Papa em 1054.
Desde esse tempo, os Orientais estão separados de Roma, portanto em cisma. A esse mal, vieram acrescentar-se a negação dos dogmas proclamados pela Igreja, após a separação do Oriente. Os Orientais possuem sucessão apostólica, isto é, os seus bispos são legítimos, assim como os seus sacerdotes. Em consequência, os seus sacramentos são válidos, embora ilicitamente administrados, por causa da sua separação do Papa.

A superioridade da Igreja Católica


A Igreja contém o que o mundo não contém. A própria vida não atende tão bem como a Igreja a todas as necessidades de viver. A Igreja pode orgulhar-se da sua superioridade sobre todas as religiões e sobre todas as filosofias.
Onde têm os estóicos e os adoradores do passado um Menino Jesus? Onde está a Nossa Senhora dos muçulmanos, a mulher que não foi feita para nenhum homem e que está sentada por cima de todos os anjos? Qual é o S. Miguel dos monges de Buda, cavaleiro e clarim que guarda para cada soldado a honra da espada? Quem poderia representar S. Tomás de Aquino na mitologia do bramanismo, ele que restabeleceu a ciência e o raciocínio da Cristandade?
E o mesmo nas filosofias ou heresias modernas. Como passaria Francisco, o Trovador, entre os calvinistas e, ainda, entre os utilitaristas da escola de Manchester? Como passaria Joana d'Arc, uma mulher, esgrimindo a espada que conduzia os homens à guerra, entre os Quakers ou a seita tolstoiana dos pacifistas? E, entretanto, homens como Bossuet e Pascal são tão lógicos e tão analistas como qualquer calvinista ou utilitarista, e inumeráveis santos católicos passaram suas vidas predicando a paz e evitando as guerras.

G. K. Chesterton in «The Everlasting Man», 1925.


Relembro: Falso Ecumenismo.

A vida é fruto do acaso?


Suponhamos que, chegando a uma ilha desabitada, encontramos uma estátua maravilhosamente esculpida. Certamente – concluiremos – esta ilha foi em tempos habitada ou, pelo menos, visitada por homens que ali deixaram aquela estátua.
Que diríamos, porém, se alguém quisesse troçar da nossa natural suposição e nos dissesse: Mas quê? Isso é uma explicação gratuita, devida simplesmente à tendência que tendes de interpretar antropomorficamente as coisas! A estátua não é obra do homem! Foram as chuvas e os ventos que, primeiro, arrancaram da montanha o mármore; os agentes atmosféricos e os temporais que depois o trabalharam e, por fim, uma rajada violenta que a pôs de pé!
Quem poderia aceitar uma tal explicação sem renunciar ao mais elementar bom senso?
Mas, se o acaso é impotente para produzir uma estátua, que apenas é uma imagem da vida, como poderemos nós supor que o mesmo tenha produzido um organismo, inteiro e complexo, com todos os seus órgãos maravilhosos?

Pe. Victor Marcozzi in «Deus e a Ciência», 1957.