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Isabel, a católica, e a ajuda ao Conde de Penamacor


Certamente Isabel a Católica pareceria menos cruel quando deu abrigo ao Conde de Penamacor que, depois deste atentar contra a vida do Rei D. João II de Portugal, fugiu para a Côrte da prima Isabel La Católica; e quando este Conde andou viajado pela Inglaterra, e disso foram informados os portugueses, o Rei D. João II escreveu ao Rei de Inglaterra para que mandasse prender o Conde por crime de lesa-majestade. Lá foi o Conde de Penamacor encarcerado na Torre de Londres, até que, depois de meses, Isabel a Católica mandou ao Rei de Inglaterra uma pequena embaixada para pagar o resgate do Conde, o qual foi levado para Castela e colocado em liberdade. Muita generosidade...!

Fonte: ASCENDENS

Fundação do Hospital Real de todos os Santos


O sumptuosíssimo Hospital de Lisboa, com o nome de todos os Santos, foi invento da piedade d'El-Rei Dom João II. Havia naquela grande Cidade muitos Hospitais, em diferentes sítios e para enfermidades diferentes. Mas pela maior parte se desencaminhavam as rendas, por andarem por muitas mãos, e não era fácil meter a caminho tanto número de administradores, costumados a tratarem mais de si que da pobreza. Alcançou El-Rei Breve para reduzir a um só todos os outros, e lhe escolheu lugar junto à famosa Praça, chamada do Rossio, e neste dia [15 de Maio], ano de 1472, se lhe pôs a primeira pedra, e El-Rei de sua mão lançou muitas moedas de ouro e prata nos alicerces. Consta aquela insigne fábrica de um amplíssimo Templo com um pórtico para a Praça do Rossio, que é obra tão maravilhosa em si, quão pouco advertida dos que cada dia a estão vendo. Tem um adro de vinte e um degraus de mármore com três faces, também coisa singular e majestosa. Serve-se a Igreja com bom número de Capelães e moços do Coro, e nela se celebram os Ofícios Divinos com grande pompa e perfeição. O corpo do Hospital consta de enfermarias para todo o género de enfermidades, onde os pobres são assistidos com tudo quanto lhe é necessário para suas curas, sem reparo algum a trabalho ou dispêndio. Tem este Hospital hoje de renda em dinheiro e em frutos mais de cem mil cruzados.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

O assalto de "Espanha" à fortaleza da Mina


Hoje, 4 de Setembro de 2022, celebra-se o 543º aniversário do Tratado de Alcáçovas, no qual Portugal e "Espanha" acordaram a divisão horizontal do mundo em duas zonas de exploração: atribuindo a Portugal as terras que viessem a ser descobertas a sul do paralelo que passava no Cabo Bojador, enquanto "Espanha" ficaria com as terras a norte do mesmo paralelo. Infelizmente, o Tratado apenas vigorou durante 15 anos (até à assinatura do Tratado de Tordesilhas), uma vez que "Espanha" violava de forma recorrente as disposições acordadas em Alcáçovas e confirmadas em Toledo. Uma dessas transgressões foi particularmente grave, com os Reis Católicos D. Isabel de Castela e D. Fernando de Aragão a ordenarem o assalto à fortaleza portuguesa de São Jorge da Mina, na costa africana, que se encontrava protegida por Bula Papal. Tal crime ocorreu pouco depois da assinatura do Tratado de Alcáçovas, conforme o relato de Damião de Góis:

Neste ano [1480] mandaram El-Rei Dom Afonso e o Príncipe [Dom João], Jorge Correia, Comendador do Pinheiro, e Mem Palha, bons e esforçados Cavaleiros, correr à costa da Guiné, cada um em sua Capitania, os quais juntos na paragem da Mina desbarataram trinta e cinco naus e navios de Castela, de que era capitão Pedro de Covides, que do tempo da guerra lá andava resgatando por mandado de El-Rei Dom Fernando e da Rainha Dona Isabel, e trouxeram todas estas naus e gente a este Reino, com muito ouro que já tinham resgatado, mas por respeito das capitulações das pazes [de Alcáçovas] foram logo soltos, e as naus e navios entregues, da maior parte do qual ouro fez o Príncipe mercê aos Embaixadores de Castela e a outros Senhores que então andavam na Corte.

Damião de Góis in «Crónica do Príncipe Dom João, Rei que foi destes Reinos, segundo do nome, etc.», 1567.

Quando D. João II mandou queimar uma casa de jogo


No mesmo dia [1 de Junho], ano de 1490, sabendo El-Rei Dom João Segundo de Portugal, que na Praça da Palha da Cidade de Lisboa, vivia um Cavalheiro que dava casa de jogo, a qual era escandalosa pelas juras e blasfémias que nela diziam os jogadores, mandou a pregão de justiça pôr-lhe o fogo, e não ficou dela outro sinal mais que umas poucas cinzas. Abrasem-se as casas de jogo, já que o jogo tem abrasado muitas casas!

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.