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São Carlos Borromeu e a nobreza de sangue


A visão que o próprio Cardeal [Borromeu] tinha da hierarquia social pode ser observada na conclusão de um sermão que pregou na festa da Natividade de Nossa Senhora, em 1584, quando explicou a inclusão da sua genealogia pelos evangelistas, do seguinte modo: "O nascimento nobre é um dom e uma graça de Deus. Não devemos desprezar este benefício; fazê-lo seria ingratidão. O sangue nobre é um poderoso estímulo à prática da virtude e um grande freio ao vício. Pois, num nobre, o vício é ainda mais odioso; mas também a virtude resplandece com maior fulgor e assemelha-se a uma jóia cravada em ouro: a gema brilha muito mais intensamente do que se estivesse apenas cravada em prata."

Pe. Cyril Martindale in «The Vocation of Aloysius Gonzaga», 1927.

O ideal social da Maçonaria em 1906


Rasgadamente e sem rebuços a Gazzetta Ticinese expõe esse ideal, nos seus elementos positivos e negativos, isto é, o que querem destruir e o que querem plantar os Irm∴
Querem destruir, ou não querem:
– «Nada de baptismos de crianças.»
– «Nada de primeiras comunhões.»
– «Nada de casamentos religiosos.»
– «Nada de Sacramentos aos moribundos.»
– «Nada de escolas católicas.»
Parte positiva:
«Queremos» – diz a mesma Gazzetta – «substituir:»
– «O Baptismo por uma cerimónia civil perante a respectiva autoridade civil.»
– «A primeira comunhão pelos bailes de crianças de ambos os sexos.»
– «O casamento religioso pelo amor livre.»
– «Os sacramentos aos moribundos pela guarda maçónica dos solidários em torno dos doentes.»
– «Os funerais religiosos pela cremação.»
– «As escolas católicas pelas escolas neutras e mistas, que preparem os jovens e donzelas para o futuro matrimónio (!), nas quais escolas se lhes ensine a rebelarem-se contra a estultícia do pudor ensinada pelos católicos.»
Muito bem, assim é que é! Tudo bem claro, para que seja um facto a chamada liberdade de eleição. Efectivamente, mais claro que isto só em França, em presença dos factos, ou então... no Manual da Política da Maçonaria Portuguesa; – perdão! enganei por conexão de ideias, queria dizer... no «Manual Político do Cidadão Português».
Apesar, porém, de todas estas claridades, uma coisa há aqui que eu não compreendo. Não compreendo como é que, com um critério extremadamente positivista, se possam combater os sacramentos. Efectivamente, sob esse ponto de vista, o que são eles? Meras cerimónias completamente inofensivas, tanto mais que em grande parte dos casos, essas cerimónias nem sequer são compreendidas pelo que recebe o sacramento, não podendo por conseguinte influir, como facto externo, na mente do indivíduo. Por exemplo, no baptismo, não raro, na primeira comunhão, no matrimónio até, e frequentemente nos últimos sacramentos ministrados aos moribundos. É isto, a cerimónia externa, que a Maçonaria combate? Evidentemente, não é. «Sabemos» – afirmava há bem pouco, num discurso, um mação graduado – «sabemos onde estão as fontes de vida do Catolicismo, por isso o nosso ataque será eficaz.»
Quando a Maçonaria ataca os sacramentos, dá-nos uma prova da sua eficacidade, valor e influência na vida da Igreja, isto é, da sociedade cristã.
A Maçonaria crê, pois, mas para combater; muitos católicos crêem, mas para desprezar. É menos nocivo aquele combate, que este desprezo.
Aqueloutro expediente das escolas neutras (anti-religiosas) e mistas, onde os jovens e donzelas aprendendo a rebelar-se contra a estultícia (sic) do pudor ensinado pelos católicos, se preparem para o futuro matrimónio, é de um alcance prodigioso para o melhoramento das raças, sob o ponto de vista físico e moral, e de uma consonância admirável com as afirmações da fisiologia. É talvez devido à prática e adopção destes ensinamentos que em França, onde aquela rebelião contra o pudor cristão está assaz vulgarizada, a população vai aumentando prodigiosamente, e a raça se vai melhorando num sentido de prometer reproduzir o primitivo tipo simiano. É também talvez pelo mesmo motivo, que dos alcances saem as mães mais robustas, modelares e úteis à sociedade quanto à prolificação.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 12º Ano, Nº 20, Agosto de 1906.

Publica-se a Lei dos Tratamentos


Neste dia [31 de Janeiro] do ano de 1739 se publicou na Chancelaria-mor da Côrte e Reino, uma Lei assinada a 29 [de Janeiro] pela qual El-Rei Dom João V, Nosso Senhor, foi servido determinar os tratamentos de Excelência, Ilustríssima, Senhoria, Reverendíssima e Paternidade, que se deviam dar de palavra e por escrito a todas as pessoas, conforme as suas respectivas qualidades, hierarquias e ocupações.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

Sociedade: união de elementos desiguais


Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.

Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.


Nem no Céu existe igualdade


Aquele que criou e governa todas as coisas, dispôs com a Sua providencial sabedoria que as coisas inferiores ajudadas pelas medianas e estas pelas superiores, alcançassem todas o seu fim. Por isso, assim como no Céu quis que os coros dos Anjos fossem distintos e subordinados uns aos outros, e na Igreja instituiu graus nas ordens e diversidade de ministérios, de tal forma que nem todos fossem apóstolos, nem todos doutores, nem todos pastores (I Cor. XII, 27); assim também estabeleceu que haveria na sociedade civil várias ordens diferentes em dignidade, em direitos e em poder, a fim de que a sociedade fosse, como a Igreja, um só corpo, compreendendo grande número de membros, uns mais nobres que os outros, mas todos mutuamente necessários e solícitos ao bem comum.

Papa Leão XIII in encíclica «Quod Apostolici muneris», 28 de Dezembro de 1878.

A desigualdade natural é um bem social


I. A sociedade humana, tal qual Deus a estabeleceu, é formada de elementos desiguais, como desiguais são os membros do corpo humano; torná-los todos iguais é impossível; resultaria disso a destruição da própria sociedade humana.
II. A igualdade dos diversos membros da sociedade consiste somente no facto de todos os homens terem a sua origem em Deus Criador; foram resgatados por Jesus Cristo e devem, segundo a regra exacta dos seus méritos e deméritos, ser julgados por Deus e por Ele recompensados ou punidos.
III. Disto resulta que, segundo a ordem estabelecida por Deus, deve haver na sociedade príncipes e vassalos, patrões e proletários, ricos e pobres, sábios e ignorantes, nobres e plebeus, os quais, todos unidos por um laço comum de amor, se ajudam mutuamente para alcançarem o seu fim último no Céu e o seu bem-estar moral e material na terra.

Papa São Pio X in motu proprio «Fin dalla prima», 18 de Dezembro de 1903.