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Presépio


Presépio. Dá-se este nome à gruta onde nasceu Jesus Cristo, em Belém. É uma gruta irregular, aberta na rocha, no campo, a pouca distância da pequena cidade. Está transformada em igreja [Basílica da Natividade], que não recebe luz do exterior e é iluminada por muitas lâmpadas. Também se dá o nome de presépio ao lugar que os fiéis preparam na igreja, ou em suas casas, para comemorarem, com imagens religiosas, o nascimento do Menino Jesus. [Este é um bom costume cristão iniciado por São Francisco de Assis].

Pe. José Lourenço in «Dicionário da Doutrina Católica», 1945.

Ao Serafim de Assis


Como louvarei eu, Serafim Santo,
Tanta humildade, tanta penitência,
Castidade e pobreza e paciência,
Com este meu inculto e rude canto.

Argumento que às musas põe espanto,
Que faz muda a grandíloqua eloquência.
Oh imagem que a divina Providência
De si viva em vós faz para bem tanto!

Fostes de santos uma rara mina;
Almas de mil a mil ao céu mandastes
Do mundo, que perdido reformastes.

E não roubáveis só com a doutrina
As vontades mortais, mas a divina;
Pois os seus Rubis cinco lhe roubastes!

Camões

Maria do Casal


Maria do Casal, matrona de Venerável memória: Por morte de seu marido, gastou o resto da vida em devotas peregrinações a Jerusalém e aos Santuários de Itália, que visitou repetidas vezes. Morreu santissimamente na Cidade de Assis, pátria de São Francisco e Santa Clara, aos quais venerava com terníssima devoção: Foi seu feliz trânsito neste dia [30 de Junho], ano de 1565.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

São Gualter


São Gualter, Discípulo de São Francisco de Assis, foi o fundador e primeiro Guardião do Convento de São Francisco da ilustre Vila de Guimarães, por ordem especial do mesmo Santo Patriarca, em satisfação da palavra que dera aos moradores da dita Vila, quando nela esteve no ano de 1214. Foi São Gualter Varão perfeitíssimo e de ardentíssima caridade; cheio de merecimentos faleceu neste dia [30 de Junho] do ano de 1258 e está sepultado no dito Convento de Guimarães. A sua sepultura se vê eminente, ao Altar em Capella própria do seu nome, com esta inscrição:

Gualteri tegit hoc Venerabilis ossa sepulchrum.

Esta Vila o elegeu por seu Patrono e o festeja no primeiro Domingo de Agosto, com solene tríduo e notáveis graças concedidas pelo Sumo Pontífice Gregório XIII. Por intercessão deste Santo tem obrado Deus muitas maravilhas.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

São Francisco de Assis em Portugal


O Seráfico Padre São Francisco, que neste dia [4 de Outubro] celebra a Igreja Católica, também pertence a este Diário Português, porque também Portugal foi teatro de suas maravilhas. Veio aquele grande Patriarca a este Reino no ano 1214. Entrou na Cidade da Guarda, passou à Vila de Guimarães, onde ressuscitou uma defunta, filha de um devoto que o recolheu, e prometeu mandar fundar Convento na mesma Vila. Nela falou à Rainha Dona Urraca, mulher d'el-Rei Dom Afonso II de Portugal. Passou a Braga e Ponte de Lima. Entrou na Galiza e visitou em Compostela o corpo do Apóstolo São Tiago. Depois tornou segunda vez a entrar em Portugal por Bragança, onde prégou, e à instância de seus moradores, fundou um Convento, para o qual deu o sítio a nobre família dos Morais.

Pe. Francisco de Santa Maria in «Ano Histórico, Diário Português: Notícia Abreviada de pessoas grandes e coisas notáveis de Portugal», 1744.

São Francisco de Assis e o Sultão do Egipto


Há exactamente oito séculos, em 1219, São Francisco de Assis reunia-se com o Sultão do Egipto na cidade de Damieta. Desse encontro, recordo este singular episódio:

O Sultão apresentou também outra questão: «Vosso Senhor ensina no Evangelho que vós não podeis retribuir o mal com o mal, e que não podeis recusar o manto a quem vos quiser tirar a túnica, etc. Então, vós cristãos não podeis invadir as nossas terras, etc.».
Respondeu São Francisco: «Parece-me que não haveis lido todo o Evangelho. Noutra parte, de facto, é dito: Se o teu olho é para ti ocasião de escândalo, arranca-o e lança-o para longe. E com isto, Ele quer-nos ensinar que, mesmo que um homem seja amigo ou parente, ou até tão caro quanto a pupila dos olhos, devemos estar dispostos a separá-lo, a removê-lo, a arrancá-lo de nós, se ele nos tentar afastar da fé e do amor de Nosso Senhor. E precisamente por este motivo, os cristãos agem conforme a justiça quando invadem as vossas terras e vos combatem, porque vós blasfemais o nome de Cristo e trabalhais para afastar o maior número possível de homens da Sua Religião. Mas se em vez disso, vós quisésseis conhecer, confessar e adorar o Criador e Redentor do mundo, então eles vos amariam como a si mesmos».
Todos os que assistiam ficaram admirados com as suas respostas.

Fonte: «Fonti Francescane», 2011.

Lenine e São Francisco de Assis

 

Lenine, por exemplo, foi uma antítese de São Francisco de Assis, tal qual São Francisco de Assis havia sido uma antítese de Lenine. Foi a ideia de violência o ponto de partida e o critério de ambos, com a diferença de que Lenine acreditava e desejava a reforma social mediante o uso da violência contra uma classe, e São Francisco de Assis acreditou e ambicionava a reforma social mediante o uso da violência contra ele próprio e de cada homem contra si próprio.
Tinham ambos razão quanto ao ponto de partida: a violência. «O Reino dos Céus conquista-se pela força, e alcançam-no os que empregam a força» (Evangelho de São Mateus, 11, 12). A diferença, porém, entre Lenine e São Francisco de Assis estava na direcção em que essa violência se devia empregar.
O amor e o ódio provêm da mesma paixão, assim como a alegria e a dor da mesma fonte de lágrimas: a diferença também provém do motivo e do objecto do amor ou do ódio, do riso ou da tristeza.

Mons. Fulton Sheen in «As Sete Palavras da Cruz», 1953.

Sobre o 1º de Dezembro de 1640


Quem negará ser o melhor dia de Portugal o primeiro de Dezembro, em que se viu sujeito a Vossa Majestade, e livre do governo d'el-Rei D. Filipe IV de Castela? Não digo que se viu livre Portugal então de um mau Príncipe, porque o decoro que se deve às Majestades, o não permite, nem as excelências pessoais d'el-Rei católico poderão nunca ser menoscabadas. De um mau governo digo, que se livrou justamente, e nesta parte não fica ofendida a católica Majestade, a quem sempre veneraremos, pelo que foi enquanto tolerado Rei deste Reino... Nunca da nação Portuguesa, observantíssima veneradora dos Príncipes que teve, emanarão indecências descorteses, contra a imunidade de Príncipe tão grande. (...)
Nas Crónicas de São Francisco se conta que estando o Seráfico Patriarca em Portugal, vaticinara que nunca este Reino havia de ser unido a Castela. Muitos, que, sem considerar as coisas as desestimam, negavam esta predicação vendo que entrou Filipe II na herança do Reino: mas ainda assim sustentava o doutíssimo Padre Frei Lucas Wandingo, cronista da mesma Ordem, ser verdadeira a profecia do Santo, porque ainda que unidos os Reinos de Portugal e Castela num herdeiro, entre si eram distintos, tanto que os naturais de um Reino se reputavam por estrangeiros no outro; a moeda era diferente e as provisões se passavam em diferentes línguas, em forma que se não podiam chamar Reinos unidos. Intentou nos dois anos passados a soberba Castelhana apertar mais o ponto, e fazer que esta união de Reinos, que havia na pessoa do injusto possuidor, estivesse também entre os mesmos Reinos. Aqui acudiu São Francisco, e mostrou com efeito o entendimento de sua profecia, que era não ser Portugal nunca unido a Castela, e assim quando naquele Reino pretendiam a união de ambos, executámos nós a total separação...

Frei Francisco Brandão in «Discurso gratulatório sobre o dia da feliz restituição e aclamação da Majestade d'el-Rei D. João IV N. S.», 1642.

A origem do Presépio


Foi São Francisco de Assis quem montou o primeiro presépio da história, na noite de Natal de 1223, na localidade de Greccio, na Itália. São Francisco de Assis quis celebrar o Natal da forma mais realista possível e, com a permissão do Papa, armou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem Maria e de São José, juntamente com um boi e um burro. Nesse cenário, foi celebrada a Missa de Natal. O costume espalhou-se pela Europa e de lá para o Mundo. A Igreja Católica considera um bom costume cristão montar presépios no período do Natal em igrejas, casas e até em praças e locais públicos.

Evaristo Eduardo de Miranda in «Guia de Curiosidades Católicas», 2007.