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A Soberania do Povo


De que na antiguidade sagrada, ou profana, por mais que se busque, não aparecem vestígios, antes pelo contrário, quanto mais perto da origem da sociedade chegam os trabalhos e exames históricos, vai-se parar constantemente em algum Rei ou Juiz ou Magistrado Supremo... o que é tão certo, que o ditado vulgar – Haja um que nos governe... já o era mil anos antes que Jesus Cristo viesse ao mundo...
Foi a Soberania do povo quem levou ao Cadafalso o Rei Carlos I de Inglaterra e em nossos dias o malfadado Luís XVI, e acabaria infalivelmente por fazer a todos a mesma gracinha, se lhe não forem a mão, e cortarem os herpes mui radicalmente de maneira, que nunca mais pegue tal doutrina, quer seja de sementeira, quer de enxertia, quer de estaca... Assentemos por uma vez que nunca o povo se diz soberano para outro fim mais do que para cair toda a Soberania nas mãos de um punhado de aventureiros, que desta arte lhe fazem a boca doce, enquanto mui a salvo, e a despeito da moral cristã, e dos princípios mais vulgares de decência, vão enchendo a bolsa, e por certo que não há coisa melhor nesta vida...
Se pegou a lábia ficaremos verdadeiramente Soberanos, e o povo terá de obedecer a muitos que só curam de esmagá-lo e saqueá-lo, em lugar de um só que nenhum interesse tinha de o vexar e de o oprimir. Se o tiro falhou e não acerta no alvo, não falharão as louras que vão na algibeira e que darão para comer e viver folgadamente em qualquer parte do mundo. São pois os heróis deste jaez inimigos do povo a quem esbulham de todo fruto dos seus suores e fadigas; são inimigos dos Reis cuja autoridade aviltam a ponto de fazerem sensível pela experiência de alguns anos, que um Rei é traste supérfluo, e que se todas as suas funções se devem reduzir a assinar de cruz em todos os papéis que lhe arrumarem, será melhor que o não haja... pois um Rei assim que custa um conto de reis por dia, sai mui caro à Nação (1). Ora tem saído a lume refutações sem conto desses Puritanos, liberais, Pedreiros, carbonários, etc., etc., etc. mas quem deu chiste foi o autor de Hudibras.
Ainda que o restabelecimento de Carlos II no trono do Inglaterra sufocou os partidos, e restituiu a paz e a tranquilidade ao próprio Reino, que nessa parte mais feliz do que acaba de ser o nosso, não fora roubado sob a Protecção de Cromwell e que à primeira voz que soltou o General Monck (mais feliz do que o nosso ínclito Silveira) gritou em altas vozes pela Monarquia; nem por isso deixou de haver uma chusma de descontentes, que sem embargo de que todas as classes tinham aceitado cordialmente a mudança de governo, mordiam-se de raiva, e não perdiam de todo a esperança de tornarem a subir...
Apareceu o Hudibras, ficaram todos metidos num chinelo, e nunca mais ninguém piou, e o que não chegaria a fazer toda a severidade de um rei, que desagravava o trono de seu desgraçado Pai, conseguiu-o a pena de um escritor, que sem nomear pessoas, ainda que designando-as mui claramente pelas suas artes, prendas e manhas, triunfou daquela emperrada teima de reformar a torto e a direito, e por certo mais esforçado que Alcides livrou a sua ditosa pátria destes verdadeiros leões de Nemeia... Apareça entre nós um Hudibras – e sem pão nem pedra daremos cabo dos Pedreirinhos, que conseguirem escapar ao desterro e à morte, e a qualquer outra pena que lhes infligir a justa severidade das Leis.

(1) Expressão de um ilustre deputado às Cortes Ordinárias, que decerto não podiam ser mais ordinárias.

D. Fr. Fortunato de S. Boaventura in «O Punhal dos Corcundas», Nº1, 1823.

Mais escândalos demo-republicanos


É pecado de escândalo a normalização do mal como se fosse bem ou menos mal; é pecado de escândalo honrar e louvar os inimigos públicos de Jesus Cristo, da Santa Igreja, da Cristandade, da nossa Pátria Portuguesa, dos nossos legítimos Reis e antepassados Católicos.

Os dirigentes republicanos no poder usurpado multiplicam os escândalos públicos, com elogios e homenagens aos criminosos, seus heróis ou pais ideológicos. Já há muito que vemos espalhadas por todo o lado as estátuas, ruas e avenidas com figuras do Liberalismo (1820), da República (1910) e da Democracia (1974)...

Mas nos últimos anos vemos surgir um fenómeno novo, igualmente escandaloso: as honras e os elogios aos históricos invasores Mouros – inimigos de Portugal, da Fé Cristã e contra os quais lutaram os nossos egrégios Avós, cuja memória é ofendida. A mais recente foi a estátua de um Rei Mouro, inaugurada em Beja, a 13 de Junho, logo no dia do maior Santo português e padroeiro equi-principal de Portugal.

Ai do mundo por causa dos escândalos, diz Nosso Senhor. Ao que acrescentamos: que falta faz a Justiça dos bons Reis e a Santa Inquisição para pôr termo a tantas desordens!

A conspiração do silêncio


No entanto, são mal conhecidos de grande público muitos dos nossos contra-revolucionários, como o Marquês de Penalva, D. Fr. Fortunato de S. Boaventura, Faustino José da Madre de Deus, e tantos mais [como o Pe. José Agostinho de Macedo]. De outros, só se tornaram divulgados aqueles escritos que ao Maçonismo triunfante parecia não defenderem doutrinas prejudiciais aos seus intentos, como sucedeu, por exemplo, com Oliveira Martins, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão. As obras desses autores, que, em oposição à corrente do século, combateram com ardor a desordem revolucionária e as suas consequências no nosso País, foram escrupulosamente atabafadas pelos corifeus da Soberania Popular. E assim, à volta de grandes nomes da nossa história e das letras pátrias, se fazia a conspiração do silêncio, no objectivo evidente de fugir a um debate que se afigurava de resultados pouco vantajosos, e também com o fim de que as gerações vindouras os viessem a ignorar.

Fernando Campos in prefácio a «Os Nossos Mestres, ou Breviário da Contra-Revolução», 1924.

Democratizar e Democrático


Democratizar – Largo tempo se tem passado sem se poder compreender que coisa significasse positivamente esta palavra republicana no idioma novo. Julgou-se, ao princípio, que teria alguma relação com o que antigamente se chamava formar um governo popular. Porém, que loucura! A experiência mostrou imediatamente quão errada era esta ideia, e o engano nascia principalmente da mudança de significado na palavra Povo. Quando vimos democratizar aos Estados mais democráticos da Europa, compreendemos que democratizar um Estado, no moderno idioma, não quer dizer outra coisa que denegrir e abater o Governo que existia, seja ele qual for; esbulhar dele os homens de bem, que mandavam; pôr em seu lugar, ou tolos, ou ímpios e bandidos; formar destes o Povo, e ao verdadeiro Povo escravizá-lo; roubar quanto haja de precioso; e aniquilar a Religião, especialmente a Católica; sem se esquecer um só instante de despojar e oprimir seus Ministros, etc. etc. É por este modo, que hão sido constante e invariavelmente democratizadas a Flandres, a Holanda, Milão, Bolonha, Modena, Ferrara, etc. etc. Desta explicação se deduz naturalmente a inteligência de muitos Vocábulos derivativos, como
Democrático – Que pela activa significa ateu, ladrão, assassino, colocado no mando e governo; e pela passiva, a parte honrada e religiosa de uma Nação ultrajada e oprimida, tiranizada e roubada por bandidos, ateus e assassinos.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 2, 1831.

O Ministério preferido da Maçonaria


O senador Alexandre Rossi, interpelando o Presidente de Ministros acerca da Maçonaria, declarou e acusou-a de que o seu Ministério predilecto é o da Instrução Pública. A Maçonaria prefere este Ministério a todos os demais para fazer dele o mais forte baluarte na guerra contra Deus e contra o Género Humano, começando pela revolução das ideias [*]. Nenhum maçon ousou negá-lo.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 19, Julho de 1896.


[*] A este respeito, lembremos as palavras do Papa Leão XIII na encíclica Humanum Genus.

20 de Setembro de 1870


Esta data representa na história deste século um facto sacrílego e usurpador. Recordar 20 de Setembro de 1870 é lembrar a brecha da Porta Pia, a entrada dos piemonteses em Roma e o esbulho dos Estados do Soberano Pontífice. E é o vigésimo quinto aniversário deste sacrilégio, que o governo italiano quis solenizar este ano como festa nacional, quando o povo geme esmagado debaixo de pesados tributos que lhe cisam até a pele. Os católicos, porém, não esqueceram seu Pai comum, o Sumo Pontífice, e de todos os pontos do globo, onde há corações que oram, lhe foram dirigidas consoladoras mensagens.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», Nº 9, Setembro de 1895.

O assassinato da Imperatriz Sissi da Áustria


A senhora D. Isabel Maria Eugénia, filha do Duque Maximiliano José da Baviera, casada com Francisco José, Imperador da Áustria, foi no dia 10 [de Setembro] assassinada, em Genebra, ao sair de um hotel.
O assassino, escusado era dizê-lo, é italiano, como italiano era o assassino de Carnot, Caserio, como italiano o assassino de Canovas, Angiolilo, como os assassinos quase diariamente linchados nos Estados Unidos, como os assassinos de Leon, do Pará, e pode-se dizer que de todo o mundo.
Era França assim no tempo do Império, como no da República, os maiores atentados tiveram sempre por autores os italianos. Italianos eram Fieschi, Orsini, Pieri, Pianori.
A Itália tem sido neste últimos tempos governada por homens saídos das lojas. A sua grande obra aí se vê. A Itália é hoje um grande depósito de matérias-primas para os grandes crimes. Nem isso admira, se a estátua do mestre dos assassinos, Mazzini, se ergue em quase todas as cidades da Península.
– A dor que sentiu o Imperador ao receber a fúnebre notícia, não se pode descrever. Entre todas as provações por que tem passado, é esta sem dúvida a que tem ferido mais vivamente o seu coração. Assim se mudaram em prantos as festas do 50º aniversário da sua coroação.
O Imperador depois de receber a triste notícia, assistiu a uma missa de requiem. Durante a missa ouviam-se veementes soluços.
Francisco José disse que não perdia a sua confiança em Deus, e que desejava confessar-se. Depois falou profundamente comovido da última carta que recebera da Imperatriz, em que ela dizia que estava boa, e que sentia o maior prazer de chegar em breve a Viena para assistir às festas da coroação do Imperador. Acrescentava: «o mundo não faz ideia de quanto nos amamos».

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 4º Ano, Nº 21, Setembro de 1898.

Constituição


Constituição – Este vocábulo assim como outro igualmente desventurado, a saber – Filosofia –, muito queixosos devem estar destes últimos tempos, que fizeram aborrecível, o que de sua natureza se devia respeitar e acatar. Por ventura os Soldados de Afonso Henriques, esses varões de mão cheia, que assistiram às Cortes de Lamego, esses Ricos Homens, que tanto luziram nas Cortes seguintes, eram por aí alguns miseráveis anarquistas? Esses Reis Legisladores Afonsos, Dinizes e Joões, eram por aí alguns mantenedores da escravidão dos povos? Por ventura esse Portugal velho, que estendeu o seu nome e as suas conquistas até ao berço da aurora, que descobriu novos mundos, que sobressaiu nas armas e nas letras quando muitos povos Europeus, ou jaziam na infância social, ou na barbaridade, fez todos estes prodígios sem ter uma Constituição? Se isto fora possível, teríamos neste prodígio o maior de todos. Logo para que berravam os Pedreiros que não tínhamos Constituição? Sim, faltava o que eles entendem por Constituição e vem a ser o predomínio, ou entronização da seita, que nasceu (ou foi vomitada dos quintos dos infernos) para atropelar usos, costumes, leis, e direitos, ou sociais, ou da própria natureza! Quem não jurasse a Constituição era desnaturalizado, exterminado, e acabava de ser Cidadão Português, e quem insistia pela observância da Constituição era suspeito, era um Realista, um corcunda! Não sei como se podia ser juiz com tais mordomos; só o poderia ser quem estivesse inteirado de que a Constituição se fizera só para enganar o povo, e assegurar a esta boa sombra todos os negócios que se tratavam nas sombras da noite. Cumpre assinarmos a diferença de sentido em que os Pedreiros tomam esta palavra. Os Peninsulares, ainda um pouco temerosos de avançarem longe… fazem semblante de quererem – Monarquia Hereditária – como fundamento principal de suas Constituições, já se sabe com a própria malícia da Constituição Francesa de 1791, que declarou o Rei inviolável, e que daí a bem poucos anos lhe separou a cabeça do corpo: os Alemães, como ainda farei ver miudamente na minha “Introdução à História do Maçonismo Português”, são nesta parte melhores arquitectos – nada de Rei senão electivo, já se sabe, para que esta altíssima dignidade venha a recair em algum Pedreirão, e tudo lhe fique em casa… Ai, e mil vezes ai, dos Soberanos que se fiarem nestas Constituições modernas, talhadas pelo espírito maçónico e andejas com as Luzes do século! Tudo velho é um princípio decisivo e certíssimo em Moral, e também o é em política. As novas teorias aviltam os Reis, empobrecem as Nações, e cedo ou tarde roubam ao homem o melhor presente da Divindade à Religião! E ainda querem fazer mais ensaios, mais tentativas! Triste da geração, que é obrigada a sofrer os Optimistas. Vamos indo com os nossos usos góticos e rançosos, e deixemos gritar a Maçonaria. Nada de Câmaras à Francesa, ou à Inglesa, nada de macaquices. Tudo à Portuguesa. Quem se não pode amoldar às nossas instituições velhas e carcomidas, vá por esse mundo fora atrás das novas e fique certo de que não deixa saudades.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Da Sinagoga de Satanás


Todo aquele que bem compreender o carácter, as tendências e o fim das sociedades secretas, sob qualquer disfarce em que se envolvam, comparando-as com o carácter, a natureza e o desenvolvimento desta guerra declarada à Igreja, quase sobre toda a superfície do globo, não poderá duvidar que todas as calamidades presentes, não devem ser atribuídas, senão à sua causa principal, isto é, às maquinações e aos ardis dessas seitas. São elas que compõem a Sinagoga de Satanás, cujas forças reunidas, como um exército em ordem de batalha, marcham, com as bandeiras desfraldadas ao assalto da Igreja.

Papa Pio IX in encíclica «Etsi multa», 21 de Novembro de 1873.

Sufrágio universal, mentira universal


Abençoo todos aqueles que cooperaram na ressurreição da França.
Abençoo-os no intuito (por assim dizer) de ver que se ocupam num trabalho dificultoso mas necessário, o qual consiste em fazer desaparecer ou diminuir uma chaga horrível que aflige a sociedade contemporânea: esta é a que chamam sufrágio universal. Entregar a decisão de questões gravíssimas às multidões naturalmente ignorantes e apaixonadas, não é entregar ao acaso e correr voluntariamente para o abismo?
Sim, o sufrágio universal mereceria neste caso mais o nome de loucura; e quando as sociedades secretas, como sucede muitíssimas vezes, é que decidem, pode chamar-se-lhe mentira universal.

Papa Pio IX em mensagem aos peregrinos franceses, 5 de Maio de 1874.

Humanidade


Humanidade – É o Deputado Substituto pela Maçonaria, para destruir o antigo nome de Caridade, que fora consagrado pela Religião de JESUS CRISTO! Humanidade pareceu-lhes uma expressão mais nobre e mais pomposa, o que não admira, pois é natural que cheirem à terra, todos os desejos, esperanças, sentimentos e palavras dos que não conhecem outra vida melhor que a presente! Ainda fica mais airosa a palavra, quando lhe põe um vestido Grego Filantropia, e assim mesmo ninguém a busque nos sentimentos, ou corações enregelados desses homens, que de contínuo repetiam essa palavra, enquanto inundavam toda a França de sangue inocente. Ainda hoje estremeço da humanidade de um adepto, que tendo escrito contra a pena de morte, assim mesmo teve a humanidade de condenar a ela o seu Rei Luís XVI. O certo é que todos esses gritos de humanidade, filantropia e moderação, tem sido em pró desses infames trolhas, que escudados pelas doutrinas humanas tem feito quanto querem, e zombado de todo o poder das Leis civis, que são bem fraca obra, quando cessa a pena última!

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 2, 1824.

"Globalismo" confirmado por um dos seus corifeus


A 8 de Abril de 2011, o maçon, republicano e socialista António Almeida Santos, proferiu um discurso ao congresso do Partido Socialista, no qual afirmava, sob o nome de Globalização, o velho projecto maçónico da República Universal. Considero, pois, oportuno lembrar esse discurso de significado negativo, trazendo à luz aquilo que tem vindo a ser maquinado e implementado nas sombras. Passo a citar:

(...) Também não foi fácil, há duzentos anos, criar o Estado-Nação [= Constitucionalismo], e foi criado. E a União Europeia, exemplo de uma mais que tendencial Confederação do espaço continental europeu, está aí, criada sem bulha, por um método que pode voltar a ser tentado, agora a nível mundial. Se há quarenta anos me tivessem perguntado se a União Europeia de hoje era possível, eu teria dito que não. E foi, apesar de, à data, o espaço europeu vir de uma das mais cruentas guerras de sempre, e não ter, a pressionar a sua unificação, os problemas que o mundo, já globalizado por metade, hoje tem. Reconheçamos que o processo de globalização não é parcelável, nem em definitivo travável ou detenível.
Retiro esta minha esperança também do facto de, entretanto, o mundo ter entrado na fase final do seu processo de globalização. Era grande, desconhecido, dificilmente percorrível. Hoje é, a muitos títulos, um acanhado e devassado recinto. Contacta à velocidade da luz. E pode deslocar-se a velocidades superiores à do som. Imagens dele entram-nos todos os dias porta-a-dentro. É-nos familiar. Milhões de turistas diariamente o percorrem. Milhões de cidadãos diariamente contactam. Onde era o isolamento é hoje o convívio. As mais distintas identidades nacionais se fundem. O processo de globalização entrou na sua fase terminal sem recuo. Quem tentar travá-lo acabará trucidado por ele.
Soljenítsin disse no seu célebre discurso de Harvard: "quando formos milhões, já nada poderão fazer contra nós". Pois bem: já somos. Só falta que a 'lei da transformação da quantidade em qualidade' [erro comunista] faça o que lhe compete. E o que lhe compete é obrigar o modelo económico neoliberal a levantar o pé do travão, e aceitar que à globalização económica, se adicione a globalização política, e por extensão, social, fiscal e militar.
Gostava de morrer com o mundo globalizado por inteiro, e com a família humana universalizada por comuns culturas, sentimentos e afectos. Foi esse o sonho de grandes líderes políticos e espirituais. A lógica que preside ao processo histórico está com o arredondamento da actual civilização. E perante esta evidência, a tentativa da salvaguarda de soluções divisionistas e parcelares, está condenada ao fracasso.

Clemente XII e a condenação da Maçonaria


Da leitura da Bula que contra os franco-mações publicou o SS. Pontífice Clemente XII, a 27 de Abril de 1738, extraímos os pontos principais, para instrução e precaução dos fiéis.
São palavras textuais as seguintes:
1º «Com todo o nosso poder apostólico, determinamos e decretamos, condenar e proibir, como condenamos e proibimos, pela nossa presente Bula, para sempre valiosa, as ditas sociedades, juntas, ajuntamentos, congregações, assembleias ou conventículos de Pedreiros-livres, Franco-mações, ou qualquer que seja o seu nome.»
2º «Em virtude de santa obediência, ordenamos a todos e a cada um dos fiéis cristãos, de qualquer estado, grau, condição, ordem, dignidade e proeminência que sejam, leigos ou eclesiásticos, tanto seculares como regulares… que nenhum, debaixo de qualquer pretexto, ou estudada côr, se atreva ou presuma entrar nas sobreditas sociedades de Pedreiros-livres ou Franco-mações… nem propagá-las, abraçá-las, ou em suas casas, ou domínios, ou em parte alguma recebê-los e ocultá-los; nelas alistar-se, agregar-se ou ter parte, nem também dar poder ou comodidade para que em parte alguma se convoquem, nem ministrar-lhes coisa alguma, ou prestar-lhes conselho, auxílio ou favor, abertamente ou em segredo, directa ou indirectamente, por si ou por outros, de qualquer modo; nem exortar sequer, induzir, provocar ou persuadir a outros que se alistem, conservem ou intervenham em tais sociedades, ou de qualquer modo as ajudem e fomentem; mas antes, que totalmente se devem abster das mesmas sociedades, das suas reuniões, ajuntamentos, congregações, assembleias e conventículos; sob pena de excomunhão, ipso facto, da qual ninguém poderá ser absolvido (excepto em artigo de morte) senão por Nós, ou pelo Romano Pontífice que nesse tempo existir.»
Aqueles, pois, que por ignorância tenham dado seu nome à Franco-maçonaria, aí têm o suficiente, para verem se devem ou não continuar a incorrer em tão graves penas como é a excomunhão.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 17, Maio de 1896.

Perseguição maçónica a Dona Carlota e Dom Miguel


aqui tinha referido a perseguição criminosa feita à Rainha D. Carlota e ao Infante D. Miguel, assunto que é da maior importância, e que agora aprofundo mais um pouco:

Não são destituídos de interesse, para a questão, alguns artigos das Instruções Maçónicas do Grande Oriente Espanhol-Egípcio.
Art.º 3. Os franco-mações, nossos irmãos de Portugal, devem trabalhar para a separação de Dom João VI de sua Esposa. Devem com o maior cuidado vigiar o comportamento e a vida íntima da Rainha, assim como trabalhar por conhecer todas as conversações entre Dom Miguel e sua Mãe. Contudo é necessário que isto se faça com precauções extremas e com muita perspicácia, pois é indispensável que sejamos informados de tudo o que se passa.
Art.º 4. Deve-se procurar o meio de abrir todas as cartas da Rainha, a fim de conhecer as suas relações e de copiar delas tudo o que possa ter algum interesse para a Ordem. Todas estas informações, cópias, etc. devem ser transmitidas ao Conselho Soberano e ao Grão-Mestre da Ordem.
Art.º 6. Os irmãos devem empregar todos os meios para ganhar o diplomata C. P. (Palmela), que é partidário das Câmaras inglesas. Todos os outros os temos já tornado inimigos da Rainha e de seu Filho. Não temos nada a temer, e, no momento dado, tudo será preparado por nós para o restabelecimento da Constituição.
Art.º 18. Como é um princípio elementar de política, que é necessário dividir para mais facilmente vencer, é necessário trabalhar para semear a discórdia no seio da Família Real e introduzir de uma maneira hábil o espírito de desconfiança no Palácio, de sorte que aí se desconfie de todos, e que aqueles que dirigem o Estado estejam cheios de desassossego e medo, resultando daqui que as suas resoluções terão uma hesitação, o que acontecerá ainda aos homens perspicazes e dotados da melhor vontade a favor da Monarquia.
Lê-se ainda nestas Instruções, em relação ao Infante e à Rainha:
«Se como se deve esperar, a Rainha e seu Filho se opõem à Revolução, aproveitando-se da sua influência, e trabalham contra nós, fazendo demitir o Ministério, será então necessário que todos os diplomatas e todos aqueles que pertencem à Ordem, se reúnam para protestar contra semelhantes medidas e para declarar em face da Europa que a Rainha e o Infante lesam os direitos da legitimidade. Deve-se trabalhar para decidir os representantes estrangeiros a tomarem parte neste acto, em nome dos seus Soberanos. Desta arte os ministros serão conservados ou reintegrados no poder, e, sem o conhecer, Dom João VI preparará tudo para chegar à última vergonha a que o queremos arrastar.
«Se a Rainha e Dom Miguel, que conhecem o perigo que ameaça Portugal, e de que o Rei, enganado, nada sabe, persistem em contraminar o nosso desígnio de destronar o déspota e de restabelecer a Constituição, é de absoluta necessidade decidir o Rei a banir sua Esposa e seu Filho de terra portuguesa, para o que se procurarão pretextos aparentes que justifiquem a proscrição, o que nos será de uma extrema utilidade.»

Hermann Kuhn in «Dom Miguel de Portugal e o seu tempo», 1867.

Propriedade e Bens Nacionais


Propriedade – Vocábulo ad libitum. Entre os Republicanos (enquanto estão roubando), não tem nem uso, nem significação. Mas quando têm já guardados os roubos, oh! então já é outra coisa: Propriedade é um nome sagrado. O melhor que tem é que, como os roubados e os ladrões se sucedem uns aos outros continuamente, e muitas vezes sem interrupção, se transformam os segundos nos primeiros, não pode deixar de ser que este Vocábulo esteja num pleito eterno entre os Cidadãos felizes das Repúblicas Democráticas.
(...)
Bens Nacionais – Termo inventado em Língua Democrática para fazer contraste ao vocábulo Propriedade. A violação das propriedades era outrora na Sociedade o emprego dos homens mais viciosos e corrompidos, que nela viviam. Os bens adquiridos por este modo se chamavam bens roubados; e o que os adquiria se chamava ladrão. As Leis deviam não levar muito a bem semelhantes aquisições e deviam o quer que seja a respeito da forca e galés. Mas nos tempos presentes, onde governam os Republicanos, passou isto a ser negócio de Nação, e portanto mudou-se-lhe justamente o nome; e os bens roubados, em termos mais polidos, se chamam bens nacionais. O mais curioso é que se lhes dá este nome, ainda antes de se roubarem aos Proprietários.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 5, 1832.

Eleições Populares


Eleições Populares – Termo ilusório. O Povo tem direito de eleger seus Representantes. O Povo não pode errar nesta eleição, etc. Pois veja Vm. aqui que o Povo de Bolonha, Modena e Ferrara, elegeu os seus, porém não elegeu ateus, malvados, nem franchinotes: ei-lo aqui subitamente declarado incapaz de eleger. Anulam-se as eleições feitas [*], e pelo bem do mesmo Povo, que não sabe o que se faz, tem a tirania maçónica que tomar o improbo trabalho de fazer umas novas e verdadeiras eleições à democrática. – Porém, como é isso! O Povo é que tem o direito de eleger. – Optimamente: porém os tiranos têm o de cassar, e anular as eleições, que o Povo faz. – Senhor, que não concorda a dança com o pandeiro. – Valha-te o diabo por agoureiro! Se não concorda, a Filosofia democrática sabe o segredo de fazer concordar. – Portanto, em resumo de contas, a Soberania do Povo consiste em eleger seus Deputados, e vê-los logo depois anulados, desterrados, e metidos em cárceres? Pois então claro fica e demonstrado que a Soberania do Povo democrático é uma coisa bastante irrisória e fantástica.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «Novo Vocabulário Filosófico-Democrático, indispensável para todos os que desejem entender a nova língua revolucionária», Nº 2, 1831.


[*] Ainda hoje, na democrática "União Europeia", se anulam eleições. Parece que o Povo na Roménia votou mal.

Bandeiras da rebelião


[É] uma facção, que odiando a glória e honra da Nação, mudou as Bandeiras, o Pavilhão Português, com o qual fizemos tremer a África, a Ásia, e América; é uma facção tão anti-nacional, que substitui aquele Estandarte sempre vencedor, sempre glorioso, por outro, que não sendo o Português, é o da rebelião.

Fonte: «Gazeta de Lisboa», Nº 142, 16 de Junho de 1832.

Abusos


Abusos – A própria noção etimológica da palavra assaz os condena, porém no Dicionário Maçónico tem uma significação amplíssima, e nós podemos estar lembrados de que o melhor da nossa legislação parecia abuso e musgo aos nossos Pseudo-reformadores. É certo que na prática dos deveres Cristãos, se podem introduzir facilmente abusos, que é necessário corrigir; porém os abusos por este lado estendem-se no Dicionário dos Pedreiros até às coisas mais santas e obrigatórias, que segundo eles devem entrar neste número, e por isso eles tratam de abuso, por exemplo, a obrigação de nos confessarmos ao menos uma vez cada ano, e para eles um homem desabusado, é um homem que despreza todas as leis da Igreja, e vive isento de prejuízos e fanatismo, que hão-de explicar-se nos respectivos lugares.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Bens Nacionais


Bens Nacionais – São em frase Pedreiral todos os que pertencem ao Rei, e à Rainha, aos Infantes, aos Fidalgos, e ao Clero, e depois que todos estes ficassem sumidos pelas mãos dos seus fiéis administradores, seguia-se declarar nacionais todos os bens dos Negociantes e Proprietários, e davam-se cartas patentes aos Sans-culottes Lusitanos, para darem um saque geral, como se praticou no Filosófico e ilustrado reino da França. Quem folgar de ver decifrada esta maranha Pedreiral, consulte os Números 14 e 17 do Punhal dos Corcundas, onde poderá saciar a sua curiosidade.

D. Frei Fortunato de São Boaventura in «O Mastigóforo: Prospecto de um Dicionário das Palavras e Frases Maçónicas», Nº 1, 1824.

Faz lembrar o camaleão


Dizem que o camaleão toma todas as cores. O governo da República francesa faz lembrar o tal bicharoco: é judeu, protestante, muçulmano... enfim, tudo o que a gente quiser. Agora, diz o Réveil des Vosges, deu 5000 francos aos judeus de Senones, para fazerem as reuniões da sua seita. Provavelmente é para recompensar os serviços de alta traição que têm levado a efeito os refolhados judeus.

Fonte: «Voz de S. António: Revista Mensal Ilustrada», 2º Ano, Nº 14, Fevereiro de 1896.