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Do humanitarismo ou filantropismo


Se o objectivo principal do filantropo, a sua justificação para viver, é ajudar os outros, então o seu bem último exige que os outros estejam sempre em falta. A sua felicidade é o inverso da miséria alheia. Se ele deseja ajudar a "humanidade", toda a humanidade deve estar em necessidade. O humanitário deseja ser o motor principal na vida dos outros. Ele não pode admitir, nem a ordem divina, nem a ordem natural, pela qual os homens têm o poder de se ajudar a si mesmos. O humanitário coloca-se no lugar de Deus.

Isabel Paterson in «The God of the Machine», 1943.


Os humanistas


Como os modernos intelectuais desaprovam o patriotismo, uma estranha frieza e irrealidade paira sobre o seu amor pelos homens. Se lhes perguntarem se amam a humanidade, eles responderão prontamente que sim. Mas se lhes perguntarem a respeito das classes que compõem essa mesma humanidade, descobrirá que as odeiam todas. Odeiam reis, odeiam padres, odeiam soldados, odeiam marinheiros, desconfiam dos homens de ciência, denunciam as classes médias, desprezam os trabalhadores, mas adoram a humanidade. Eles falam sempre da humanidade como se fosse uma curiosa nação estrangeira. Estão a afastar-se cada vez mais dos homens para exaltar a estranha raça da humanidade. Estão a deixar de ser humanos, num esforço para serem humanistas.

G. K. Chesterton in «The Patriotic Idea», 1904.

Não são humanos, são humanistas


Tendo repugnância por todos os soldados, por todos os padres, pelos mercadores, reis e príncipes, pelos legisladores, sentindo irritação pela gente do povo, desdenhando da classe média, tendo sido sempre ensinados que os camponeses são imobilistas e supersticiosos, estando aptos a aceitar que os operários não servem como material adequado ao verdadeiro Estado Científico ou Utopia dos Intelectuais – tendo rejeitado todas as tradições humanas para cada uma das suas versões do progresso, são deixados com uma humanidade que apenas pode amar o abstracto mas dificilmente o concreto.
Não sobra muito de humanidade quando se eliminam todas as pessoas tidas como obstáculo ao progresso da humanidade. O esboço que eles traçam de um mundo sem guerra é curiosamente um esboço difícil e em branco. Eles podem fazer mapas e diagramas sobre como evitar a morte, mas não conseguem pintar quadros; isto é, quadros de pessoas alegres que aproveitam a vida.

G. K. Chesterton in «The Illustrated London News», 9 de Outubro de 1926.